História de Emílio Andermann 5ª Parte

História de Emílio Anderman 5ª Parte –

M E M Ó R I A S
De Emílio Andermann
Traduzido do Letão
por Julio Andermann
Digitado por Laurisa Maria Corrêa
Anotações por Viganth Arvido Purim
Material gentilmente cedido por Alice Gulbis Anderman

“Leiam também neste mesmo Blog o artigo escrito por Julio Andermann que está em “Crônicas Históricas com o titulo de” Meu pai Carlos Anderman”

EM 7 DE FEVEREIRO DE 1920

O Pedro Skoolmeisters perdeu o juízo, e este fato deixou sobre mim uma forte impressão. Desapareceu simplesmente de casa sem dizer aonde iria. Então indagamos dos italianos da redondeza que deram o rumo para onde ele teria ido.
Preparamos um grupo de cavaleiros e levamos mais um cavalo para trazê-lo de volta e saímos em busca do fugitivo. Alguém o havia visto perambulando pela estrada sem chapéu. Outro falou que a pouca distância ele estava caminhando em círculo em torno de uma árvore.
Encontramo-lo sujo, rasgado, barbudo. Interpelamo-no, mas ele não nos encarou. Então convidamo-lo para seguir viagem em nossa companhia e ele aceitou. Foi assim que trouxemo-lo de volta para casa e eu fiquei pensando a que situação um estado de alma pode conduzir uma pessoa.

MAIS REUNIÕES E PROFETAS

Depois que a comitiva que tinha ido a Ijuí e a Linha Telegráfica voltou da sua missão; aquelas reuniões assumiram um desenvolvimento ainda maior. Eles dançaram e pularam como tanta intensidade que o ruído era ouvido até pelos vizinhos distante; certa ocasião urravam e berravam que aquela casa mais parecia um hospício.
A profetisa Ida comandava: “rodopiam mais rápido, mais rápido”. Isto atraiu um grande número de curiosos que aumentavam de número a cada noite. Era um espetáculo.

SINTO-ME NA OBRIGAÇÃO de descrever melhor e com mais detalhes o seu comportamento na reunião de 3a. feira do dia 17 à uma hora da madrugada. Quem fala é Ida:
“Simbrasa tora branda, luraisa brode sambranda. O João raisa. Sombrosa ridata golgota. Zelma tu em breve iras para a margem do rio Sombranda lê brauzasse sembodaria salasisa. Porta lau Cristo lê sombra. Terezia, uai, uai etc. a terror vira e tu não resistirás – desate o nó para liberdade. Pátria vigara i lezia doloiana: abrandando: cristado Cristos golgató. Ridado ainda. Para vos ainda deixarão uma e outra coisa¹: aba: Em Golgotá terminará a fila. Quem quer ir para o golgota? Nas ilhas desertas ficarão nus, morrerão de fome. A noiva de Cristo sofrera, terá de enfrentar até a morte. Rodolfo pluntieti:: Zelma tropa :: Krastia leja tropa. Goltan perseguirá a Zelma. Goltan dirá: “Zelma onde está a tua Kristo”. Haverá lágrimas :: Komedan :: Lidle cairá, chegara o diabo para enganar. Lidy pensa: “será que isto acontecerá”? (ta lidy t – beikts). E depois comanda mais entusiasmo!
¹ eu copiei tudo de acordo com a sua pronúncia temeroso de torcer a verdade.
Agora Aleks sonpá falará: Agora é ele quem fala: (eu apenas vou descrever os sons, as sílabas) Breve teremos sala, aparecerá o trio cristal. Siosa trino sama samadá, doida si brindola rikasta parada bra dalusi :: tária :: Este raisi prepara-te rápido. Saítes naks sambatei, tos citus dividei Kristus salasis. Ijuí Schosard, Korkans, galikis, Martins, honrams, mintoms, gimans, shirilaharts, ricarta (pensar em Ricardo Inkis) mova, osesoda. Na França serão crucificados, no Brasil mandarão para a Ilha. Te mandarão. Tubara sikarta traks. Rudolfs traks! Wel ainda não são todos; eles não são filhos de Deus. Morrerão, morrerão tolota tirak. Kristils, schursons, schorks. Baltak, vairak. Trim terá que ir. Rodolfo ainda mais. Ida zau, zau zau subrundú, tu 2 não.
Agora o Rodolfo tem de vira para o centro, comanda Ida. Agora fala Rodolfo (mas muito depressa) “Mais depressa no nosso meio Cristo vem! Kiri siri tovo to, kiri vara vai. Quem está amarrado aos bens terrenos? E quem não está! Quem sofreu pelo amor de Cristo? Não será a noiva de Cristo que sofrerá? Mais depressa, não temos tempo, mais clareza. :: Zigis manta::Rasies! Todos, todos na guerra de Cristo; quem sofrerá? Apenas os limpos. Aonde estão? Para onde mandará? Eles, eles booank vem como lobos. Os lobos vem em pele de cordeiro – atenção ! Comprai enquanto há tempo! Mas onde? Onde há fila? Eles mesmo se purificam. Ë necessário louvar mais”!

QUARTA FEIRA, A 1 HORA, DIA 18

A Ida da ordem para entrarem em fila e depois ela mesma fala: “Simbrasu lau raisa! Kristu selasombre! Lasa nongada in bara Kri. Selembra. Mana sida se bara krastos. Bara, bara Karstak. Lisa Kri sembra. (Então a Ida canta tomada do Espírito, bate palmas, arrasta os outros companheiros na onda no seguinte canto, dentro de um grande tumulto)”.
A Ida canta: “Aleluia zerasa, aleluia Barasá”. Para marcar cada compasso ela bate com o pé com força no assoalho e conduz todo este escândalo no ritmo de uma marcha. Com as mãos ela agita o ar, com a cabeça um pouco para trás enquanto curvando a espinha no mesmo sentido. Cantando ela muda os acordes em várias tonalidades e muitas vezes nem canta, ela ronca cada batida de compasso: há! Há! Há! Etc.
Passado um momento ela clama dentro do compasso: mais rápido! Rápido! rápido; quem não se apressar mais tarde chorará – é preciso que fiquem tontos. E desta vez eles corriam em círculo como um redemoinho de vento e a Ida era a animadora… e eu fiquei com muita raiva desta profetiza e resolvi, mais tarde falar com ela e exigir uma prestação de contas da sua conduta.
Os outros também cantavam. A minha mãe clamava: “Honra a Jesus, Gloria a Jesus; o Alexandre louva: “baisará al bairará, al selará.

A IDA ME AMALDIÇOA

Eu estava trabalhando quando a Ida de mim se aproximou, deu um sorriso triste e pergunta-me: “Como aconteceu isto que você deixou de entrar na roda”? “Tenho muitos motivos”, eu respondi; “será que por causa disto serei barrado no céu”?
Ida respondeu: “Você vai ver que esta atitude te afastará de Deus e nunca mais você terá paz na sua vida. Você pensa que vai encontrar paz e tranquilidade na Escola, mas lá você não a encontrará. Nunca mais você terá sossego em qualquer parte, nunca deixará de sentir remorso por causa da sua conduta”.
Então na minha imaginação eu via aquela mulher obrigando os meus familiares a participar daquele ritual louco e o sangue me subiu na cabeça e ainda hoje me lembro de que ela terminou esta entrevista exclamando: “Você bem sabe qual será o seu fim”!
Então com toda a calma eu encerrei esta entrevista dizendo:
“IDA, AGORA EU SINTO A PAZ”!

QUINTA FEIRA, DIA 19 A TARDE

Hoje à noite tudo aconteceu mais louco ainda. Outra vez dançaram aquele balé selvagem. A Ida gritava mais rápido, mais rápido; correndo ela mesma como se fosse um raio em torno do círculo. Quando terminou a dança então ela falava entrecortadamente por falta de ar profecias sem qualquer sentido: “Amanhã três vezes. O Filho perdoa, mas o Pai castiga. O Pai castiga, mas o Filho perdoa. Se estais envergonhados perante os homens então o Pai se afasta de vós. Não há mais tempo. O que foi feito, foi feito. Eu ser fraco – não serve de desculpas e este deve ir para o centro para orarmos por ele, durante três dias. Apertai a roda (o círculo) cada vez mais por que em breve seremos proibidos de orar, louvar. Mais depressa va, va, va, mais depressa. Haverá muitas lágrimas. Seremos perseguidos e parecerá que Deus nos abandonou e então Deus virá. Purificai-vos e louvai todos os dias. A esposa de Cristo está no círculo”. Aba, vai, vai, vai vai – e toda a congregação grita e geme em conjunto as mesmas sílabas.
Depois Ida (falando em voz natural) convidou todos a entrarem no meio do círculo para confessar os pecados antigos e manifestou um pensamento de que aqueles irmãos da Linha Telegráfica eram muito mais devotados.
Dito isto ela não deixou mais ninguém ir para as suas casas e durante vários dias ficaram confessando aqueles pecados.

LOUCURA

A noite chegou muita gente. Vieram italianos, alemães, letões. Também compareceu um médico. A varanda ficou lotada de povo. Eles pisaram os canteiros de flores, quebraram os vasos de flores e transformaram o jardim em chão pisado. Os garotos quebraram as venezianas para melhor observar o espetáculo. Mas inesperadamente a multidão foi tomada de pavor e precipitou-se para deixar o local. Abrimos os portões da varanda, mas esta abertura era insuficiente para dar vazão a tanta gente. Tentamos acalmá-los, mas não foi possível e isto nos deixou preocupados. Alguns estranhos portavam varas, outros deram tiros, gritavam. Mas os espiritualistas naquela fila em círculo avançaram dançando e pulando avançaram em cima daqueles expectadores surpresos que fugiam apavorados gritando: “possessos do demônio, possessos do demônio”. Alguns ameaçaram: “Vamos entrar a bala”.
Eu estava estarrecido de medo. Isto tudo me pareceu uma cena terrível. A Ida tinha a mão machucada sangrando, que ela somente enrolou depois do culto.
Dispersa a multidão eles voltavam sorrateiramente e jogavam abóboras dentro da sala. Esta noite também trouxe más consequências para mim. No dia seguinte o meu avô ralhou comigo e proibiu-me a colocar os pés na sua casa. Ele pensou que o João Klava, com o meu conhecimento organizou este bando. Eu chorava desesperadamente e procurava justificar-me. (esta parte vou continuar depois).
Numa outra noite os alemães se reuniram e apedrejaram o telhado da casa quebrando telhas.
A fala do Alexandre: Em agosto Rodolfo vai ler. Três ligações – limpas, limpas. Breve haverá ligações. Tirak – mandará 3 para as ilhas, três por três de cada vez. Te prepara, te prepara, seras mandado, seras mandado! Breve estará em casa (ele não consegue mais se expressar, ele sopra pelas ventas como se fosse um touro) há, há, há etc : : mais depressa : : prepara-te rápido, vai imediatamente (toda congregação uiva como lobos).
A fala agora será de Rodolfo, mas a Ida intervem: “Não você mesmo ainda falará, mas o Alexandre perdeu o fôlego”.

Agora que dá a ordem é a Ida e comanda: Fale Rodolfo. Ele então vai para o centro da roda e diz: “Tara tira na tora, lai taba vorsti. Vora para toro, kur santa bosa si. Labo barata vorta sara marta munu tikai bara. Lora tabovo toro, tikai tirak, 2, 2; te, te, 2, 2 varava siki karamara. Te, te, rinda. Te guli, guli :: Buri:: eles tem os bens terrenos :: Mandará:: – mandará outra vez – agora Ida fala tu mesma, diga que é isto Ida. Te, te, 2, 2, Rodolfo Ida, falem, falem”.
A Ida então uiva enquanto os outros oram para que fique tudo esclarecido.
Agora quem fala é Ida; os outros oram para que tudo fosse revelado com clareza. A Ida continua: “Com três ligaduras amarrados; :: neste ano:: lasas. Três liames amarrados. Ricar Glavolá Rio rá. É necessário que sejais prontos, mas ainda não estão.
Apronta te Lidy! Em volta há falsidade, bruxaria; aqui em volta não há ninguém. :: Prepara-te para não ficar no canto :: Irão para as ilhas. Zelma (Mely) vá para a margem :: calorosa::, não deixe ninguém entrar. Orai muito mais, se não, então quando houver perseguição fugirão. Fiel até a morte, este novo corpo será de Cristo. O demônio agredirá, torturará e tentará.
Zelma vai embora mais depressa. As duas lágrimas de Lídia (então ela geme ai, ai, ai). Os dois da Lídia permanecerão – em lágrimas vos não vira. A Ida então pula de quatro batendo as palmas no chão gritando: bro, bro, bro etc. Todos do grupo estão atentos. Ida continua: Elza, mais perto da Cruz de Cristo, por que lá todos pertencem ao Ricardo. Quem não quiser ouvir, este ficará nas trevas! Em todas as coisas obediência. Se tiverdes alguma coisa a revelar então falai com toda a fé aconteça o que acontecer. Para a margem, mais rápido embora chorando. Lutai, louvai! Louvai! Louvai! (agora todos estão dançando em círculos na roda) e ela anima mais rápido mais rápido, etc”.

A VISITA DE JEKABSON – NO DIA 15

Desde o momento que o observei, no mesmo momento imaginei que através da sua oração me advirá algum benefício. E foi o que aconteceu de verdade.
Na minha escura noite triste e cheia de dúvidas amanheceu uma brilhante alvorada ensolarada.
Ele me convidou para eu ir junto com ele para a Nova Odessa em São Paulo; lá eu poderia ir a escola para estudar. Sem qualquer demora aceitei o convite e declinei aquele convite de João Klava para ir a Paranaguá. Tenho a impressão de que ele não gostou muito; mas eu louvava a Deus por que ele ouviu as minhas preces e abriu este caminho para mim, uma oportunidade sobre a qual não havia nem sonhado.

OS PROFETAS VIAJARAM OUTRA VEZ PARA IJUI

E outra vez eu os conduzi para Campinas de carro. Era um tempo chuvoso e a estrada estava cheia de lama. Observei que Rodolfo e a Ida sempre ficavam juntos. Conversei com Alexandre sobre alguns assuntos triviais.

MÊS DE MARÇO

Mal os profetas haviam viajado todos aqueles excessos desapareceram e as reuniões se realizavam em ordem. Os meus pais me presentearam com 300$000 (trezentos mil reis) de um dinheiro que receberam pela venda de uma terra para o Burigo para me ajudar nas despesas da viagem. Vendi também a parelha de mulas para o Ernesto de Rio Novo por 200$000. Depois ainda combinei limpar todo o pasto e ganhei mais 80$000.

MAIS UMA VEZ EM RIO NOVO

A tia Lina falou comigo que desejava viajar para Orleans onde consultaria um médico; se eu não poderia levá-la com três filhos, que assim nós também poderíamos assistir as festividades da Igreja Leta em Rio Novo. Eu concordei.
Outra vez gozei momentos de satisfação perambulando pelas montanhas daquele local.
O Filipe também nos acompanhou; ele havia me ajudado limpar o pasto e agora estava conduzindo as mulas que eu havia vendido.

POUCO ANTES DA MINHA VIAGEM

Meu pai tinha abandonado montes de velhos jornais e revistas e eu estava vendo se aproveitava alguma coisa.
Pela porta entrou Elza. Observei que estava se passando alguma coisa errada com ela. Então, chorando, ela me contou que abandonou aquele círculo por que não permitiram que ela orasse pelos pais dela. Eu a apazigüei, disse para ela firmar neste propósito e para ela não dar ouvidos ao que diziam os espiritualistas; para ela depositar toda a confiança em Deus e tudo sairá bem e que Ele não abandona aquele que humildemente pede a sua proteção.
Ela se tranqüilizou e foi convidada para ir morar na casa dos Books.
Já estava arrumando a minha mala de viagem com muita tristeza de ter que me separar da família.
O meu avô me quis demover desta viagem ele me aconselhou que eu viveria muito melhor cultivando as terras do meu pai, por que aqui, longe da civilização eu estaria muito mais seguro quando chegassem aqueles dias tenebrosos.
Com os 80$000 comprei fazenda e a minha tia Lídia e minha mãe costuraram o meu enxoval.
Embora isto estivesse rigorosamente proibido pelos espiritualistas a minha irmã Lídia também veio me ver as escondidas. Ela estava muito triste e cheia de dúvidas sobre aquela seita. Ela mostrou o desejo de me acompanhar.
Os meus amigos prepararam uma despedida onde a minha irmã Lídia também estava presente. Foi uma despedida triste. Amanhã Alberto nos conduzirá para a estação.

7 DE MAIO, SEXTA FEIRA AS 9 HORAS

Despedi-me dos familiares. O meu avô e a minha avó disseram que certamente não os encontraria mais com vida, e nos seus olhos brilhavam lágrimas.
O meu pai havia se ausentado (talvez propositadamente) a minha mãe chorava convulsivamente e no seu rosto pálido eu notei sentimento de dor pela separação do filho. A minha irmã Lídia estava alquebrada, ela não sabia o que fazer nesta conjuntura, e dando-me a mão em despedida disse que lamentava não poder acompanhar-me. Teófilo, Claudia e o pequeno Julio me acompanharam até a nossa casa antiga. Meu coração estava quebrantado, mas eu dominava cada lágrima para não influir na tristeza dos outros; para vencer tudo sem derramar uma lágrima, resolvido a comportar-me com tranquilidade e sossego.
De longe ainda observava Mãe Luzia ao atravessar as montanhas de Urussanga. Da minha vista ela desapareceu, mas o meu coração sempre lá estará onde moram os meus pais.
A minha viagem para Nova Odessa eu descrevi outro caderno. (próximo)

NOVA ODESSA 18 DE MAIO DE 1920

As primeiras impressões assim as descrevi:
Nova Odessa é um lugar bastante aprazível, ligeiramente ondulada em colinas e planícies que se poderia até afirmar que ela é plana. Quase não existem florestas, também não existem capoeiras, por este motivo pode-se observar o horizonte ao longe. O ar é puro, mas o que impressiona mais é a fertilidade do solo, embora numa observação superficial, tudo parece seco; dando impressão de que aqui nada cresce – mas cresce, e muito bem.

EM 23 DE MAIO

Fui admitido na União de Mocidade da Igreja Batista e no dia seguinte comecei a frequentar a Escola. Não pude participar de nenhuma classe por causa da minha idade, então estudei como ouvinte. Não conhecia as regras gramaticais. A língua inglesa parecia muito difícil; mas apesar destas dificuldades brevemente já estava no meio do curso e agora já estou na última classe. Fiz muito progresso.

Terminei de escrever este caderno em 2 de novembro de 1921. Com muito cuidado eu escolhi trechos do meu diário. Meu desejo é de que cada experiência vivida não caia no esquecimento por que “A VIDA É UMA ESCOLA”. Dos acontecimentos passados é formada a vida futura e vivendo alcançaremos o nosso desenvolvimento.

FIM DO PRIMEIRO CADERNO

A Festa do Aniversário da Igreja foi um sucesso. | De Lucija Purim para Reynaldo Purim – 1927 –

Rodeio do Assucar 23-3-27

Querido maninho! Saudações!!

A tua carta escrita em 31 de janeiro eu recebi no dia 19 de março pela qual o meu muito obrigada. Esta carta realmente demorou muito para chegar. Ela foi postada em Louisville e não sei se não ficou parada muito tempo no correio de lá.

Agora nós estamos bem e todos com saúde. O tempo está assim quente e chuvoso. Semana passada sim choveu demais e todos os riachos estão urrando de tanta água. Esta semana apareceu algum sol pela manhã e chove também à tarde. Agora estamos cortando arroz que este ano não está estas coisas. Durante duas semanas justo na floração fez uma seca e calor que prejudicou muito. Os italianos estão dizendo que não vale a pena colher, mas o nosso não está tão ruim assim. Vamos ter suficiente para fazer belas sopas. Este ano as demais culturas estão vindo muito bem. O milho está com espigas bonitas e as ventanias pouco derrubaram. Somente no Rio Novo um pouco. Este ano houve diversas tormentas que destruíram muitas roças pelas vizinhanças, mas as nossas roças ficaram intactas.

Agora o Stroberg [Pastor Karlos Stroberg] está de volta, chegou dia 24 de fevereiro agora acompanhado de sua esposa. Na outra noite teve a festa de Recepção que apresentou um programa muito bonito. Teve hinos, poesias, sermões, etc. Quem dirigiu foi o Zeeberg. Após esta parte teve café pão e bolos. O Stroberg não vai voltar mais a Escola, pois já acabou o Curso e agora é tempo de trabalhar. Ele foi a Mãe Luzia e na volta parou em Tubarão onde foi organizado um culto em brasileiro, aliás, muito concorrido. Todos homens do Governo e da Justiça estiveram presentes e ouviram com muito respeito e ainda pediram que voltassem breve.

O Oscar de Oliveira deixou as suas transações com a Igreja Católica e trabalha firmemente contra ela e ainda quer participar de nossa Igreja aqui. E só o Stroberg querer ir trabalhar que oportunidades não vão faltar, pois existe um grande campo em toda redondeza onde deve ser pregado o Evangelho.

A Festa de Aniversário da Igreja no domingo passado também foi um sucesso. O tempo estava bom pela manhã e logo depois da Escola Dominical começou o programa. O templo da Igreja estava cheio, Brasileiros, italianos, grandes personalidades de Orleans. Vieram três automóveis de Orleans que antes nunca tínhamos visto. O programa foi longo e foi dirigido pelo Stroberg que falou em leto e em brasileiro. O café com pães e bolos também foi delicioso, pois foi feito pelo Zeeberg e pelo Jekabs Karkle.

Para mim pareceu que você ficou assustado com as notícias da minha última carta. Bem eu faço questão que você escreva e dê a sua opinião sobre este assunto, pois fico satisfeita e alegre que uma pessoa mais experiente que eu, pois eu não quero tomar nenhuma atitude sem consultas e consenso. Não concordo com a premissa que o Eduardo [ Eduardo Karp o pretendente] seja ruim, quanto eu conheço e que os outros dizem ele é uma pessoa muito inteligente. Você afirma que ele não pertence à Igreja e sobre isso eu também tenho pensado, mas quando você tivesse a oportunidade de conhecer os outros jovens que são da Igreja então você diria que eles nem sabem o que é uma Igreja. Falam mal, e ainda comportam-se pior que muitos de fora. É claro que não são todos como, por exemplo, alguns filhos do Karklim se eu tivesse que procurar alguém deles melhor nenhum.
Obrigada pela promessa de ajudar-me, agora estou com o pensamento de esquecer tudo isso e ir para a Escola, pois até agora nunca tivera oportunidade e não sabia que poderias me ajudar. Ainda não tenho nada definitivamente decidido, mas na próxima carta eu escrevo mais e assim poderemos definir as alternativas por isso não quero que fique preocupado, pois tudo vai dar certo, pois eu não sou uma sonhadora deslumbrada que não pensa no futuro.

Ainda muitas lembranças de todos nós aqui. Luzija.

[ Parece que o Reynaldo para tirar a irmã da jogada acenou com a possibilidade dela ir estudar]
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…O milho vem bonito e todas as roças e estão estão muito viçosos.

Rodeio do Assucar 2-2-27
Querido irmão!
A tua carta escrita no dia 25 de Dezembro eu recebi no dia 28 de janeiro e por ela muito obrigado, pois esta foi longa e eu gosto quando descreves o modo como você vive, como você está passando, o que você come e se está trabalhando ou não. Agora queria saber mais se tens alguma outra atividade ou somente estudas e depois sai por ai passeando com o seu novo casaco? Aquela camisa que nós costuramos aqui conforme a nossa moda é provável que não estejas usando, talvez seja ordinária demais por que é um trabalho nosso aqui do mato e assim é possível que eles achem graça de uma camisa destas.

Hoje está fazendo tempo bom e está bastante fresco, quase um tanto frio e um ar como fosse um dia de outono. Dias atrás choveu, mas não demais e foi muito bom para a lavoura, noutros lugares sim no domingo passado deu um temporal com granizo e tudo, mas aqui para nós, não deu. As roças este ano crescem muito bem. Agora somente esperamos que apareça nenhuma seca. As plantas de modo geral então o milho que já vem bonito em todas as roças estão muito viçosoas. Logo que plantamos o milho não estava vindo muito bem e as ervas daninhas cresciam demais, mas logo capinamos e começou logo a chover, agora todas as roças estão capinadas, somente a coivara do Rio Novo aquela na beira da estrada falta capinar a segunda vez então assim todas as roças estarão limpas. Aquele velho pasto que nós aramos e plantamos milho, já está com espigas grandes, podes vir comer do modo americano e assim poderemos aprender a “tornear” as espigas.

Este ano não vamos ter melancias, não cresceram e as que sobreviveram estão cheias de larvas, todos falam que este ano não foi bom para melancias.

Uvas nós temos bastante, mas não aqui. Aqui enquanto estavam verdes os cachos eram lindos, mas ainda verdes elas começaram a cair. No Rio Novo ali sim estes ano as uvas estão lindas, doces e você pode comer até dizer chega.

Outra coisa que se você estivesse em casa poderia comer bastante mesmo são os figos, também leite, pois nós temos 3 vacas dando leite. Eu aqui tiro de 2 vacas um balde cheio e a Mamma lá tira da “Bunita” bastante então você poderia tomar leite puro e também o soro de manteiga. Foi bom que você foi para a América, pois aprendeu a tomar soro de manteiga o que aqui você não fazia. Isto foi muito bom que você aprendeu.

É muito bom que você está passando bem e também a comida é abundante. O Artur [Artur Leiman] conta que quando ele estava na Escola passava fome e eles davam tão pouca comida que não dava para sobreviver, assim para 12 estudantes 1 kilo de carne então cozida numa sopa não era suficiente para sobreviver, então quem tinha algum dinheiro comprava algo para complementar e aos domingos era muito pior porque se não conseguisse chegar na hora não tinha mais comida. Por isso uma vez nesta situação eles arrombaram o armário da cozinha e comeram tudo o que acharam e assim você pode imaginar que vida. Por isso o Artur agora está doente e cai por ai, ele não sabe como vai ser a vida dele, pois ele está doente, a esposa dele também e ainda com duas crianças pequenas. Agora ele está em Nova Odessa com toda família, mas logo vai mudar para Itajay para aprender a ser dentista com o Adam da Minna. Esta Minna é aquela Kushmane que algum tempo teria morado com nós. Como que o Artur vai se sair eu não sei. Quando ele veio de Nova Odessa ele deixou toda mudança lá e tinha emprestado 700 mil em dinheiro e viajado pensando que voltaria a estudar. Agora achou que a proposta da Minna era mais conveniente então não sei quantas idas e vindas serão necessárias para acertar tudo. A esposa ele não quer deixar sozinha. Esta vez que ele veio ele gastou os 700 mil até Imbituba então calcule o custo desta viagem. A esposa com cabelo cortado em estilo conforme a ”moda” . E os filhos de óculos. Aqui uns irmãos da Igreja sugeriram que ele se apresentasse a Associação Missionária para trabalhar em Santa Catharina, pois trabalho há bastante e nem falta lugares para tanto onde ele poderia evangelizar. Ele declinou dizendo que todos americanos não cumpriram com o prometido e talvez o Deter não seja melhor. Melhor aprender uma profissão para suprir as necessidades da família e parece que o trabalho de Missões está fora das prioridades dele.

Nós soubemos que a esposa do Willis Leiman faleceu no dia 20 de dezembro deixando 4 crianças pequenas. Ela faz tempo que estava doente com câncer e disso que ela morreu. Para os familiares muitas preocupações. O Willis agora morava em Guarany um dia de viagem de Ijuy. Ele trabalha para a Missão Sueca que trabalha com os alemães.
A Selminha [Selma Klavin] está planejando voltar para o Rio e vai levar mais duas alunas que são a Kornelija Balod e a Klara Salit. Vamos se realmente irão, mas que estão se aprontando estão. Assim o Rio Novo cada dia está ficando mais vazio.

Já agora no dia 10 a Milda Match vai viajar para a Argentina, viagem para a qual faz tempo que está se aprontando. Nenhuma moça daqui não fez uma viagem desta e também nenhum objetivo como o dela foi tentado por nenhuma jovem daqui. Ela está determinada para que aconteça o que acontecer ela tem que ir embora para lá. Que seja para a vida ou para a morte e se fracassar nunca mais chegará perto de seu homem e seu casamento. Faz muito tempo que o Fritz [Fritz Leiman] tinha escrito para o Match sobre o assunto e quando o Arturs chegou, contou com mais detalhes. Começou com uma carta do Zeeberg daqui para o Fritz onde junto foi uma fotografia do pessoal daqui do Rio Novo onde também aparece a Milda e em lá chegando um viúvo chamado Kristian Hainze achou a moça muito bonita e encarregou o seu pastor, o Fritz para que escreva inclusive enviando uma soma de dinheiro para que ela fosse para lá. Assim ela vai embora mesmo, pois sendo homem já vale a pena. Dizem que é um homem gordo de bigodes fartos e pretos e barba de bode. Tem 45 anos de idade. Aqui no pedaço tem gente fazendo gozação porquê o Fritz além de ser pastor lá é encarregado de conseguir esposas para os viúvos de plantão. Agora uma vez que a Milda está indo embora, aqui ela tinha tentado pegar todos, mas não deu certo. Ela queria o Stroberg e por isso ela entrou em choque com todo mundo. Aqui ela está com um conceito muito lá embaixo. Ela queria ensinar o coro e como não deu certo então as reclamações vieram aos montes. Em nenhum dos coros apareceu uma tão manhosa como a Milda.

Logo na semana que vem chega aqui o Pastor Stroberg com a esposa com a qual se casou. A escolhida foi a professora alemã Griselde Bichels de Kuritiba, então vamos ver como ela vai ser.

Na semana passada o Arturs viajou para Lauro Müller onde foi visitar o Ivo Reis, pois ele mora lá mesmo e recentemente faleceu a sua esposa e com eles está tudo bem e manda para você muitas lembranças.

Estou também mandando o endereço do Karlos Salit e assim você poderá escrever para ele.

Desta vez chega de escrever, pois o papel acabou. Ainda tinha algumas coisas para contar, mas fica para outra vez.
Ainda muitas lembranças de todos nós, que estamos passando bem. Lucija.

(Escrito na lateral)
Muito obrigado pelos Cartões de Boas Festas, se bem que não são tão bonitos quanto os do ano passado. Gostei muito do costume dos americanos de mandar presentes durante as Festas. Você pode trazer este hábito para o Brasil. Nas entrelinhas de tuas cartas observei que não é tão logo que você volta para o Brasil. Estou certa disso ou não?
(Escrito na lateral pelo Artur (irmão deles)

A Lucija no dia 14 de janeiro mandou uma carta contendo 2 fotografias como presente para o seu aniversário, recebeste ou não, se não escreva que então eu vou reclamar no Correio, pois elas foram registradas. AP.
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Carta para Reynaldo Purim de sua prima Lilija Purens. – 1926 –

[Carta p/ o Reynaldo de sua prima Lília Purens]
Fazenda Areias 3/7/1926

Saudações querido primo!
Receba muitas amáveis lembranças minhas esta noite. Que a Paz do Senhor e sua Misericórdia estejam com você. Que o Senhor cubra de suas bênçãos e dê a sabedoria que necessitas para atingir os teus objetivos. Realmente querido primo fico muito alegre sabendo de sua capacidade e sua determinação de conseguir algo muito superior. Eu fico muito feliz em saber que um parente meu conseguiu estudar tanto que agora já pode ensinar outras pessoas.

Eu também tenho um grande desejo de continuar meus estudos, mas agora no momento não é possível, pois o bolso não é tão grande e as possibilidades são pequenas então por enquanto devo conformar-me com que já tenho aprendido. Você já deve ter avaliado pelas minhas cartas qual é a minha escolaridade ou não? Reconheço que não chego ao nível em que estás e mesmo para escrever, tenho algumas dificuldades. Também a minha caligrafia eu sei que não é lá estas coisas, mas mesmo para escrever, mas é esta mesma que tenho usar para escrever para uma pessoa muito mais escolarizada.

Por que Reinhold nunca viestes até aqui? Eu queria muito ver-te e conhecer face a face. Como é que pôde? Eu sei que tenho um parente. Eu mantenho correspondência com esta pessoa, mas não conheço pessoalmente. Aproveite enquanto estás no Rio para dar um pulo até aqui então depois poderás ir viajar embora para a América. Quando você nos conhecer e nós a você. – Nós aqui estamos com o mesmo ritmo de vida sempre como de velho. E quanto mais tempo estamos morando no Brasil mais ficamos conhecendo. Se bem que muitas vezes vem a minha mente uma saudade imensa da minha querida Pátria que ficou tão longe estou conformada aqui, pois assim quis o bom Deus.
Então meu querido primo você menciona em sua carta que não tem recebido nenhuma carta nossa. Realmente não tenho escrito e o tempo passou que não sei como quem nem sei quando é que eu escrevi a última vez. Mas o Pappa tem escrito ou você não tem recebido cartas dele? Agora eu vou aguardar uma carta tua e se possível você em pessoa.

Agora eu vou ter que terminar, pois já está muito tarde. Sabe primo se você quiser escrever para a Alma então pode escrever para este endereço: Laura Purens Rua Teixeira de Silva 14 São Paulo. Ela vai ficar muito feliz se receber uma carta do primo.
Então aceite muitas lembranças do Papa, da Mama, Vovô, Vilma, Melania e Teófilo.

Com uma sincera saudação tua prima Lilia. – Fazenda Areias.

A sim! Sabe Reinhold; eu ouvi dizer que você vai casar muito em breve. Isso é verdade? Então escreva sobre isso. E porque nada escreves sobre isso para nós?
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…fizeram uma viagem a cavalo para visitar a Igreja Batista de Mãe Luzia. De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1924

[Parte final de uma carta escrita pela tia Lúcia da qual não foi encontrada a parte inicial]

…. Lemos e buscamos respostas para 12 questões. São as seguintes:
1. Quem escreveu este livro?
2. Para quem foi escrito este livro?
3. Onde ele estava [o escritor] quando escreveu este livro?
4. Quando ele escreveu este livro?
5. Quem ou quais foram os motivos, para ele escrever este livro?
6. Qual era o objetivo dele ao escrever este livro?
7. Em que condições e que obstáculos encontrava o escritor quando escrevia este livro?
8. Em que condições se encontravam as pessoas ou o povo a quem ele escrevia este livro?
9. O que este livro revela sobre o autor e sobre as suas condições psicológicas e estado de espírito?
10. Qual é o tema ou a mensagem central deste livro?
11. Qual é a grande verdade deste livro sobre a qual as outras somente concorrem para a sua confirmação e esclarecimento?
12. Quais é o estilo do escritor deste livro que possa ser considerado semelhante ou original em relação aos outros livros?
Pode ser que ao terminarmos este trabalho e encontrarmos todas estas características, passaremos a estudar outros livros.

Quanto a Igreja vai tudo bem e é provável que o Strobergs já te tenha escrito. Porque ele disse que já faz tempo que mandou uma carta para você.

Faz pouco tempo, isso foi no dia 14 de novembro os Rio Novenses fizeram uma viagem a cavalo para visitar a Igreja Batista de Mãe Luzia. Daqui eles saíram logo depois do meio dia, ao todo 13 pessoas: O Stroberg com a sua irmã, dos Balod o Willis e a Alda, dos Felberg o Augges e o Aleksis, dos Match a Milda, dos Klavin o Augusts e o Willis, dos Leepkaln o Siguismundo, dos Auras o Oswald, e mais a tia Maisim e o Werner Grikis. Eles cavalgaram durante a noite e em dois lugares pararam para alimentar os cavalos e descansar. Também para eles próprios fizeram fogo e ferveram café. As moças se comportaram como estivessem soltas.[Trakas – doidas] O pastor passou uma grande reprimenda, mas nada adiantou. Ele mesmo entrou nas samambaias e foi dormir,[Acho que as samambaias deveriam ter sido cortadas e amontoadas em um lugar limpo, porque seria uma temeridade, entrar no meio das samambaias para dormir. Nas capoeiras tem skudras e tchuskas –formigas e cobras] chegaram pela manhã, todos estavam esperando, no Sábado a noite teve culto e no Domingo houve 3 cultos, um pela manhã, um à tarde e outro à noite. O filho do Klava levando de canoa o Stroberg e a Lídia virou o barco no meio do Rio Mãe Luzia, porque isto faz parte da tradição, para com todas as pessoas que vão lá pela primeira vez. Na Segunda feira foram passear nas casas dos letos de lá e a noite teve o culto de despedida e na Terça feira pela manhã cavalgaram de volta para casa. Esta visita deixou uma boa impressão e todas as reuniões foram muito bem concorridas.

O Robert[Klavin ] tem escrito? Ele agora está em casa.

Você poderia perguntar para o Wictor[Wictor Stawiarski ]porque ele não escreve para casa. Depois da visita dele aqui ainda não mandou nenhuma carta para os seus familiares. A mãe dele está muito preocupada porque lá está havendo uma revolução e o pequeno Wictors nada escreve para casa.

A tia Stekert pediu para que você fizesse uma visita ao Fredy, porque também é preciso procurar as ovelhas perdidas da nação de Israel.

Os Jornais que você diz ter mandado ainda não chegaram. Por que você não mandou mais “O Crisol”? Faz muito tempo que não tens mandado mais, se não me engano o último número parece que foi o 8.

Agora nós temos um novo agente dos Correios. Quando o Hercílio Luz morreu, todo o Governo de Orleans caiu do trono. O Evaristo com toda a sua turma inclusive o genro [Este genro era o Alfredo Balod, filho do Hermann Balod, que era pelos letos o malvisto Agente dos Correios.] estão fora. O novo superintendente é o Cardoso.

Há pouco tempo chegou de São Paulo um alemão chamado Gustavo Isernhgem. Ele é agente vendedor de terras. O Ludis o teria mandado para cá, porque souberam que o pessoal de Rio Novo está querendo sair indo embora. Ele veio convidar para ir para a colonização dele. As terras não são dele e sim de um irmão dele, em companhia do Ludis. Estas terras não estariam longe de “Varpa” em um lugar chamado “Rio Capivara”.[Falta descobrir esta herança do tio Ludis e também a localização deste lugar] Segundo ele as terras são extremamente férteis e o milho cresce 5 metros de altura. Ele ficou uma semana hospedado na casa do Ernesto,[Ernesto Grüntall era o nosso vizinho Enozis. Ele era uma pessoa muito dada e tinha sido amigo do Ludis no tempo que ele fugiu para Porto Alegre. O Ernesto também esteve em Porto Alegre no mesmo tempo. O que falta é saber se ambos foram juntos ou senão quem foi primeiro. A mãe do Ernesto era uma cozinheira profissional, pois tinha trabalhado com uma família alemã lá na Letônia. Ela entre outras coisas sabia preparar uma espécie de bolinho de carne muito especial que também ensinou a minha mãe a fazer.]para o qual trouxe uma carta de apresentação. Também veio aqui em casa fazer uma visita. O Ludis ainda é o grande Redator daquele mesmo jornal.

Bem eu tenho que terminar porquê já “imprimi” não sei se terás tempo de ler tudo isso.

Escreva bastante. Quem é agora o redator do “O Crisol”? Quem este novo, líder da Associação? A revolução ainda continua? Aqui falam que lá está havendo uma grande Revolução e que inclusive o Presidente da República teria sido ferido.

Muitas lembranças de todos. Luzija.

[Escrito nas laterais]
Ainda muitas lembranças do pessoal de Larangeiras e também do Frischembruder, ele diz ter escrito e você ainda não teria respondido. Muitas lembranças de todos.

Os nomes deles (dos navios) são: Itaipava, Itaituba e Itaperuna. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923

Paranaguá 13 de novembro de 1923
Caro Purim
Saudações!
Sei que você está muito ocupado com trabalho e estudos e ainda se aprontando para os exames finais e estou pensando que logo você vai se mandar de viagem para este lado.
Como ainda estarei em Paranaguá. Quando passares por aqui gostaria que me avisasse em que navio tu virás.
Os melhores que vão para Imbituba são os da “Companhia Nacional de Navegação Costeira” e estes navios levantam ferros no Rio nos dias 8, 18 e 28 todo mês. Os nomes deles são: Itaipava, Itaituba e Itaperuna.
Gostaria de encontrar com você e conversar sobre diversos assuntos que estou planejando, já no mês que vem, ir embora, mas não tenho certeza se vai dar certo. São tantos os obstáculos e tanto trabalho.
Na semana que vem espero viajar até Joinville e possivelmente organizar uma nova igreja.
Espero a informação para poder me encontrar com o navio que sai do Rio dia 28 ou dia 8.
Com muitas lembranças
Carlos Leiman

…o nosso começou com 5 violinos… | De Roberto Klavin para Reynaldo Purim – 1921

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22-12-21
Invernada

Querido amigo!

A tua última carta já faz algum tempo que recebi. Mas não consegui responder rápido, pois diversos afazeres vieram atrapalhar. Tive que ir para as Serras ver um trabalho lá e quando já estava aqui em baixo, tive que trabalhar em outro lugar. Mas agora esta semana estou em casa e assim posso escrever.

Ontem era esperado o Artur Leiman em Orleans, mas se ele realmente chegou eu não sei. Pode ser que você já saiba que a senhora Leiman estava muito doente, a morte mesmo, mas agora está um pouco melhor. O Carlos Leiman também deverá nos visitar aqui e depois ele vai iniciar um trabalho missionário em Joinville.

Agora aqui na Igreja estamos com dois Grupos Instrumentais. O nosso começou com 5 violinos e já nos apresentamos, tocando em algumas vezes durante as festas da Igreja.

A minha vida vai mais ou menos nem tão mal nem tão bem. Quanto à saúde um tanto preocupado e pôr isso quanto o assunto de estudos está pôr enquanto posto de lado, porque pode acontecer comigo o que aconteceu com o Freymann, que nada pode fazer.

O Augusto [ Klavin] que está servindo o exército agora está em Curityba e parece que vai ao Rio Grande para treinar marchas.

Muitas e sinceras lembranças. Felizes e alegres festas e um Feliz ano Novo são votos meus e todos de casa.
Roberto Klavin