…se nós não conseguirmos comprar a terra dos Leiman,nós não vamos vender a Bukovina. De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1926 –

03 de agosto 1926.
Querido Maninho!
Se bem que nada tenha recebido de você, vou te escrever. Também não tenho nada de novo depois da longa carta que eu te mandei e é provável que já estejas lendo.
Nós graças ao nosso querido Deus [A palavra Deus está no diminutivo que em português não teria sentido, mas em leto é uma forma carinhosa e familiar de se referir a Deus.] estamos todos bem.
Na sexta feira da semana passada nós mandamos um pacote via postal registrado com valor declarado de todos bens nela contidos para eventual ressarcimento, por que quando é envia uma encomenda sem valor expresso não há como pleitear qualquer pagamento. O pacote continha 4 pares de meias, 2 pares de luvas 1 pequeno xale – [ devia ser um cachecol, pois homem nenhum usava xale que era bem maior feito de tricô ou crochê em lã e era um artigo muito usado por elementos do sexo feminino ] e ainda uma camisa. Dentro de uma das luvas foi também uma longa carta então se você achou e leu está muito bem informado sobre tudo daqui.
Nesta carta estou anexando o croqui do teu terreno da Bukovina, aliás, é o mesmo que tu mandasses, agora com a distância em metros de cada uma das divisas. Agora com a tua escala podes fazer um novo desenho em papel de boa qualidade isso por não termos material nem aquela facilidade de fazer desenhos como você.
Eu já mencionei em outras cartas que se nós não conseguirmos comprar a terra dos Leiman nós não vamos vender a Bukuvina no Rio Laranjeiras. Dinheiro para outras coisas não precisamos e não estamos convencidos se nós devemos mesmo comprar, pois a casa aqui não pode ficar vazia como já escrevi em outra ocasião, mas a “Procuração” podes mandar se não for muito cara para que no caso que saia o negócio já tenhamos a autorização. Sobre isso já escrevi em outra carta estou repetindo, pois se no caso aquelas cartas tenham se extraviadas então deves saber as providências que deves tomar.

Junto estou enviando um livrinho, se você não tem e gostar então podes ler. Este tipo de livros são revendidos aqui pelos Karklim e pelos Frischembruder. Este livrinho vale a pena ler. Assim a gente fica sabendo o que aconteceu por lá e por que tanta controvérsia entre o Fetlers [Líder Batista na Letônia] e o pessoal do “Kristiga Westnesis” [Jornal Batista da Letônia].
Desta vez chega. Muitas lembranças de todos.
Lúcia

…está bem, o que ninguém esperava que voltasse a sarar… | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

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Rio Novo 15 de março de 1922

Querido Reini – Saudações

Faz já bastante tempo que não temos recebido nenhuma carta. A última eu recebi no dia 6 de fevereiro e depois daquela nenhuma mais. Assim não tenho respostas de 2 cartas. Uma mandei no dia 10 de fevereiro e a outra foi dentro do pacote que a Selma Klavim levou no dia 19 de fevereiro.

Você conseguirá encontrá-la e receber esta encomenda. Também não sei se a Selma já chegou lá no destino.

Bem desta vez não tenho muito que escrever. O tempo continua chuvoso e agora as estradas estão tão destruídas como nunca e os rios tão cheios que como o Rio Novo lá no que a gente passa quando vai a Orleans a água cobre a barriga dos cavalos.

As ervas daninhas nas lavouras também crescem bem. Tormentas nas nossas roças não tivemos, mas tem muita gente que reclama delas. Difícil está para as pessoas que tem que secar o milho para moer e fazer a farinha para comer. O milho está demorando a madurar e sol tem brilhado muito pouco. Todos falam que estas chuvas estão em toda parte este ano.

Então este ano você vai ter muitos colegas letos no Colégio. Pois até aqui do Rio Novo vai o Schanis Sprogis tem escrito contando vantagem que já tinha chegado ao Colégio e assim pode ser que tenham vindo letos de outras partes. Assim me escreva contando como você está passando bem. Se tem muitos colegas novos. Se o João Klava e o Linkites ainda estão lá. Qual é o relacionamento entre os outros descendentes dos letos. Eles ainda sabem falar o leto?

Sobre o Rio Novo nada de novo. Os pastores todos foram embora.

O Willis [Leiman] faz tempo já foi embora e sobre isso eu já escrevi.

O Arthur [Leiman], a Lucija com os meninos e mais a Vitorija Ochs viajaram dia 21 de fevereiro. A Vitorija foi junto com a irmã Lucija. O Arthurs também foi para o Rio Grande visitar o Willis [Leiman] e daí de trem até o Fritz [Leiman] em Corrientes de daí para Buenos Airi e agora todos devem estar no seu devido lugar.

O Karlos [Leiman] e o Fritz não vieram para cá. O Fritz não vem mais e sobre o Karlos a gente não sabe, se ele vem ou não. E como à senhora Leiman está bem, o que ninguém esperava que ela viesse a sarar, mas a quem não está designado a morrer nada acontece. Podem as pessoas pensar o que quiser.

Hoje teve novamente um funeral no Rio Novo. Desta vez foi o velho Butlers. Fazia dois anos que ele tinha dificuldade em caminhar e agora o Butler fica mais sem a preocupação do pai aqui sozinho.

Na próxima segunda feira será a Festa de Aniversário da Igreja, mas o Inkis não vira. Bem por hoje chega.

O Viktors [Victor Stavirski , filho de Etienne Staviarski diretor da Empresa de Colonização Grão Pará, estudava no mesmo Colégio Batista] trouxe os Prospectos e por eles obrigado. O Victors disse que mandasse lembranças, mas arranjamos algumas coisas para mandar por ele. Ele diz que você e ele são grandes amigos.

E que você está muito bem. Aqueles colarinhos acho que deverão servir. Nós, os rematamos num Bazar da Igreja, as cinco peças.

Agora tu sabes deves escrever bastante. Daqui uns tempos teremos que pedir para você compre cordas para os violinos que estão quase no fim.

Não tenho mais tempo para escrever mais nada.

Com lembranças de todos – Olga
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Essa carta subiu o Rio Novo de mão em mão | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 24 de maio de 1920

Querido Reinold!

Recebi tua carta escrita em 5 de maio no dia 22 de maio. Muito obrigada!

Eu teria muito o que escrever, mas esta noite não vale à pena começar, pois esta noite não poderei pela ordem e minuciosamente escrever tudo por falta de tempo, pois amanhã cedo vamos cavalgar até Orleans para o enterro do velho Felipe, que morreu esta manhã — e também porque amanhã são as terceiras Oitavas da Festa do Verão [Treschu Wasaras Svehtki]. Então não leve por mal, que só vou descrever como foi a Festa do Verão e como os mensageiros da Convenção foram embora.

A verdade é que a temporada desta grande batalha não terminou totalmente, pois dois ainda continuam aqui: os dois mensageiros de Rio Branco, o Fritzis e o Loks. Eles tudo querem conhecer. Todos os letos por nome eles têm que visitar. Esta noite o Fritz foi para a casa dos Leimann, onde já esteve várias vezes. E amanhã de manhã cedo, montados no Prinzi e no Lapu, irão para Mãe Luzia.

Eles querem se demorar em todos lugares. Todos morros altos querem escalar e até a Serra eles falaram em conhecer. O plano deles seria sair bem cedo pela manhã, chegar ao meio-dia lá em cima só para ver aquelas maravilhosas montanhas, então sem muita preocupação estar à noite em casa. Isto naturalmente seria possível para pessoas acostumadas a subir montanhas como o Roberto Klavin, cujo passo quase ninguém consegue acompanhar, mas esses heróis que não estão acostumados acho que não conseguiriam.

Os demais convencionais desceram para Orleans na sexta-feira, então na igreja do velho Karlos fizeram um grande culto, mas lá eu não estive. O Watson dormiu na casa do Diretor [Staviarski, da Companhia de Colonização], e os demais espalhados pelas casas dos letos. No sábado de manhã embarcaram no trem para Imbituba e não sei se conseguiram o navio como era esperado ou não.

Neste mesmo dia o Jahnis Klava viajou para Nova Odessa, onde pretende acumular dinheiro para depois viajar para a América do Norte para estudar; ao Rio [de Janeiro] ele não pôde ir pois o próprio Satanás lhe pôs obstáculos. Já quanto eu sei [o motivo] é que ninguém e nenhuma igreja daria uma carta de recomendação, pois todo mundo conhece que pássaro ele é. Segundo escreveram de Mãe Luzia ele estaria envolvido com aqueles “homens de espírito” [pentecostais], pois uma carta veio aberta ou teria sido aberta para o Wileams Slegmann, e nela descreviam certas barbaridades praticadas por eles; um outro Slengmann tirou do correio e essa carta subiu o Rio Novo de mão em mão até chegar ao Butler, que apesar de não achar correto abrir ou ler correspondências dos outros também leu e ficou sabendo de tudo. Como esperar carta de recomendação?

Ontem à noite a União da Mocidade da igreja teve uma das noites de treinamento com apresentações. Foram boas apresentações e parecem que de agora em diante serão mais frequentes. A bronca do Kirils [Carlos Karkle] deu resultado.

[NOTA: Apresentações. Em leto “preeschnessumu” — literalmente algo que foi levado à frente, apresentado: opinião, fato, peça, poesia ou música. Era basicamente e intencionalmente usado para que a mocidade aprendesse a enfrentar o público e perdesse a inibição, e com bons resultados.]

O João de Riga Frischembruder apresentou trechos do Jaunibas Drauga/O amigo da juventude que realmente foram muito proveitosos. Outros apresentaram contéudos às vezes maiores ou outras apresentações menores, mas desta vez todas foram consistentes, cada uma com mensagens muito claras e definidas.

Os dirigentes desta vez foram o Fritz Jankowski e o Looks de Rio Branco. Aqui na semana passada correu a notícia de que o Fritz recebeu do seminário o “passe do lobo” e não mais pôde voltar este ano para lá. Também há aqui alguns que se admiram que ao Reine foi permitido voltar para a escola. Eles parece que esqueceram ou não ouviram o Watson dizer que de ouvir falar do Rio Novo ele já conhecia bem e agora teve a satisfação de conhecer pessoalmente. Ele transmitiu à igreja as tuas saudações e lembranças e contou que tinha insistido para que você viesse junto, mas que você tinha declinado do convite alegando a necessidade de dar continuidade aos estudos. Se tivesse sido possível teria sido uma grande satisfação, mas havia sido numa data conflitante. Ele também disse que você é um dos melhores alunos e que dirige uma Escola Dominical em Pilares, onde ele espera muito no futuro. E ainda disse que o Rio Novo tinha roubado um professor dele ou da escola e ele agora o recapturou. Ele em cada conversa ele sai com alguma brincadeira. Ele provavelmente já terá contado tudo isso para você quando esta carta chegar. Ele levou o S.S.S. [dinheiro?] e uma carta minha.

Não receba dinheiro por aquele livro do Leiman. Mande para ele logo que for possível o cantor [hinário] de qualquer modelo que conseguir. Ou então escreva perguntando em que acabamento ele quer e se não tiver que espere.

O que de bom ele te escreve? Ele menciona o Rio Novo nessas cartas? O velho Leiman tem perguntado por que esperam o Artur em casa, pois já estariam desanimados de esperar o que não seria verdade.

Hoje chega. Nunca consigo escrever suficiente para satisfazer a sua curiosidade de todas as notícias daqui. Faça o favor de fazer uma lista de perguntas por prioridade e eu tentarei te responder. Sobre a Convenção ainda vou descrever do começo ao fim.

Viva feliz e saudável. Com sinceras e amáveis lembranças,

Olga

Eu daria tudo | Fritz Jankowiski a Reynaldo Purim

Rio Branco, 6 de maio de 1920
[NOTA: Rio Branco era uma colônia leta entre Massaranduba e Bananal — atual Guaramirim]

Querido amigo Reinold:

Tua carta escrita em 10 de abril recebi no dia 30 de abril. Agradeço por tudo que partilhaste e fico muito alegre que chegaste feliz de volta à escola.

Depois de amanhã, na sessão ordinária da igreja, lerei a carta de agradecimento à oferta que esta igreja mandou para a de Pilares.

Gostaria que você fizesse o favor de dar uma sacudida no Carlos Vieira para que ele me mande aqueles livros, pois na realidade não recebi nem um livro; só recebi aqueles cadernos e Revistas das Lições para a Escola Dominical para o primeiro trimestre deste ano, que pedi diretamente por carta à Casa Publicadora Batista. A relação dos livros vou colocar em anexo.

A igreja aqui está um tanto sonolenta. O Leiman declinou do convite para ser nosso pastor. Há uma proposta para que seja convidado o pastor Edwardo Akschenbirs; mas se esta ideia se concretizará ainda é uma incógnita. A União de Mocidade e a Escola Dominical agora vão razoavelmente bem, porém somos poucos, porque uma grande parte das famílias dos letos daqui se mudou para Porto União, no Paraná, então estão se espalhando por aí afora.

No que se refere à minha vida pessoal, então: posso dizer que no aspecto da minha vida material estou indo muito bem, mas isso não consiste em fundamento ou base para uma vida feliz e sossegada. Não olhando para a abundância em que vive minha vida material, há um enorme contraste, pois minha alma nada em tristezas cujos fins parecem por demais sinistros.

Tu és um herói — um destemido! A tua vida transpira esperança, enquanto que a minha está perdida. Eu daria tudo tudo — e mais, padeceria penúria no sentido material, só para voltar ao passado, mas não é mais possível. Os feitos e decisões do passado estão gravados e emaranhados em eternos rolos que determinam e caracterizam a situação do futuro.

A minha estada no Seminário, juntamente com todas as oportunidades, foi uma onda de sorte e felicidade que certamente teria me levado para uma terra pela qual a minha alma tanto aspira. E por uma desconhecida força fui barrado. Não resisti, e não me entreguei inteiramente à força dessa imensa vaga. Esta onda se foi e agora luto contra tempestades e miragens.

Por este lado estão contando que o Pastor R. Inkis assumiu o pastorado da Igreja Batista Leta de Nova Odessa. Isso é realmente verdade?

Com amável saudação, teu

Fritz Jankowiski

[em anexo:]
Os títulos dos livros encomendados:
1 Doutrina de Nossa Fé > Recebido
1 Manual Normal > Falta
1 Sete Leis do Ensino > Ainda falta
1 Constituição Brazileira > Ainda falta
1. 2. Trimestres Revistas > Recebi
3 Dúz de Cartões > Recebi
12 Cadernos > Recebi

A cama do capitão | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 15 de abril de 1920

Querido Reinold!

Primeiramente envio muitas amáveis lembranças e um grande obrigado pelas cartas que chegaram esta semana. Uma escrita em 19-3-20 recebemos na segunda-feira dia 12 de abril, e a outra escrita na Grande Sexta-feira [Sexta-feira Santa] recebemos ontem à noite, pois o Edis [Eduardo] Karp as trouxe de Orleans. Aquela primeira demorou bastante para chegar e é provável que tenha ficado muito tempo em Orleans, pois fazia bastante tempo que ninguém ia para a cidade e a Aninha é muito caprichosa: não entrega a correspondência para qualquer um. A outra já veio bem depressa.

Cartas até agora não faltaram nenhuma, mas os cantores [hinários] ainda não chegaram, pode ser que logo venham. Os livros e a carta do Butler já chegaram e ele vai escrever uma carta para você esta semana. A carta do Rubim [Robert Klavin] também já chegou. O Wileans conta que conhece a sua letra pelo subscrito mas não vai abrir porque o Roberto não voltou de Mãe Luzia. Das nossas, falta a resposta de uma que mandei no dia 26 de março e no envelope da qual também coloquei uma carta que veio do Artur Leimann onde ele autoriza S.S.S. a fazer o que desejar e quer que mande um cantor [hinário] que é muito bom, pois parece que ele quer cantar em brasileiro. Se precisar do S.S.S. você pode mandar; se não, ninguém vai conseguir pegar.

Você sempre pede que escreva bastante e desta vez tentarei escrever mais e pode ser que vai dar.

Então a tua viagem de volta [do Rio Novo para o Rio de Janeiro] foi maravilhosa. Bem, se tu soubesses que “maravilhas” aquela “dama” tem escrito para o pessoal daqui! [NOTA: Trata-se de Selma Klavin, que estava fazendo sua primeira viagem ao Rio de Janeiro] Todo o pessoal do Rio Novo está zombando dela, e o Blukis e o Emils se alegrando.

Nós tínhamos recebido o cartão postal teu de Itajay; na quarta-feira à noite, em cima da mesa de correspondências [na igreja], estava o cartão da Selma para o Paulinho, mandado de Florianópolis. Conta ela que fez boa viagem e também que visitou em Florianópolis os parentes do Diretor [Staviarski]. Conta que vocês passaram a noite também lá em Florianópolis e que, estando o navio super lotado, ela iria dormir na cabine do comandante.

Nessa quarta-feira o Paulinho não tinha ido à igreja, então esse cartão passou nas mãos do Emils e do Peter, e de mais pessoas que iam procurar correspondências. O Peters contou que tinha lido cartas para a Inze, em que a ousada e maluca da Selma teria escrito que, devido ao navio estar lotado, o comandante teria cedido o camarote dele por falta de espaço, e que ela iria dormir na cama do capitão. Ela ainda se gabava que depois o Victor [Staviarski?] iria, veja, levá-la para passear. Seria bom que ela deixasse todo esse papo no navio! A Inze ainda contou que ela não ficou enjoada e que foi pelo capitão autorizada a ficar no deck superior; que quando foi visitar vocês, vocês nem das cabines não tinham saído de tão enjoados que estavam. Conta que ela vai muito bem nos estudos e que já está no sexto ano e tem aulas com duas professoras!

Agora a Inze e o Blukis estão brigando na justiça, e tem gente que conta que eles não podem vender o gado e outras coisas porque parece que estão empenhados; como vai terminar eu não sei.

Sobre a festa da Páscoa, nada importante tenho que escrever. Antes da Páscoa passaram-se duas semanas de tempo bom e seco. Na Grande Sexta-feira [Sexta-feria Santa] estava quente demais, com um sol abrasador, mas na manhã do Domingo de Páscoa começou a chover — assim toda a festa foi molhada e lamacenta. O Butler e a Marta, mais o Gustavo Grikis e outros foram passar as festas em Mãe Luzia.

No dia 6 de abril o Paps [papai] foi fazer o caixão da senhora Wilmanis que tinha morrido naquela manhã. Ela há muito tempo estava bem doente e ficou de cama mais de 4 meses; nas últimas 3 semanas dormia como que estivesse morta e era um sacrifício fazê-la tomar uma colherada d’água. No dia seguinte foi o enterro.

Na escola não é maior número de alunos. Depois da conferência que você fez, quando disse que quem não conseguir instrução suficiente terá que usar de outras pessoas como bengalas e seria facilmente passado para trás em cálculos e negócios, então todo mundo está arranjando uma bengala. Inclusive o Seeberg estava incomodado, porque achava que ninguém poderia proibi-lo de fazer o que quisesse com o dinheiro dele, e que ninguém tinha nada com isso; inclusive se ele quisesse vender o seu Jankus [Jahnis] por 50$000, sua mercadoria seria barata como foi a L…[ Laura], que ele negociou e ainda agregou mais dinheiro. Assim sai o pessoal da escola e o Butler alerta que nada pode fazer pois os alunos tem que passar.

Na última sessão de negócios da igreja o Seeberg e seus aliados excluíram o Grünfeldt e assim mesmo ele tentou mostrar a sua justiça, mas foi inútil. Agora ele vai se queixar ao Deter da administração do [pastor] Butler. Por que o Deter pagou a tua escola? Se alguém aqui soubesse desta intenção dele, teria tentado inventar alguma coisa contra você.

Mês que vem haverá aqui a Convenção, e aí deverão vir para cá muitas personalidades importantes. Agora o Butler está ensinando cantar em brasileiro toda quarta-feira à noite.

Bem desta vez chega. Breve deverão chegar mais cartas suas, então escrevo outra vez. Aqui em casa esses estudantes são preguiçosos demais para escrever cartas. O Puisse [Otto/Artur Purim] irá amanhã para a tafona e a Lusija até a cidade, então temos que ir dormir porque temos que levantar cedo. Então, pelos manuscritos deles desta vez não espere.

Tudo está como de velho, esta semana estamos cortando e batendo arroz. Se não tivesse havido algumas semanas de seca o arroz estaria mais bem granado. Tempestades não mais houve, mas o milho da coivara nova está muito derrubado. Na coivara junto da mata não houve muito prejuízo, também porque é uma parte em que plantamos mais raízes [mandioca, batata-doce, etc]. Na Bukovina não houve vento nenhum.

Lembranças de todos de casa. Fico aguardando longa carta sua.

Olga

[Escrito nas laterais a lápis:]
Os cantores [hinários] chegaram hoje e em ordem.

Mais este favor | Carlos Leimann a Reynaldo Purim

Cachoeiro do Itapemirim, 21-06-18

Prezado Reynold.

Que tudo corra-lhe bem são os meus desejos. Reynold, pelo correio envio-lhe 5$000 para comprares-me uma ocarina de barro como aqquele que deixei para o Arthur mais ou menos, e entregar ao irmão Reno ou Jackson para trazerem-me. Sim? Não precisa ter regulador a ocarina – Esperando que me faças mais este favor, sou seu amigo

Antecipadamente obrigado

Carlos Leimann