…e por que não ficou mais tempo aqui. | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1924

Rio Novo 25-3-24
Querido irmãozinho!! Saudações!
Recebemos a carta escrita em 1-III-24 e também aquela escrita em Imbituba. Muito obrigado por elas. Eu já no dia 29 de fevereiro escrevi uma carta para você. Você já a recebeu?

Nós graças a Deus estamos suficientemente bem.

O que está um tanto irregular é o tempo. Agora está muito seco. Ontem foi muito quente e formaram-se nuvens e ficamos aguardando a esperada chuva e só caíram algumas gotas. A ventania que veio junto empurrou as nuvens embora deixando no rastro muito milho derrubado daquele que tinha sobrevivido a seca. Hoje está novamente um tempo bom e até bem fresco e até parece um dia de outono.
No dia 6 de março prá lá de Orleans, principalmente em Palmeiras[Pindotiba] deu uma grande chuva de granizo. As pedras de gelo eram do tamanho de ovos de galinha e até maiores. Destruiu telhados e vidraças das casas, pessoas, animais, as lavouras. A tempestade durou uns 15 minutos. Naquele dia nós não tivemos nada além de poucas gotas de chuva. Noutro dia choveu, mas muito pouco para as nossas necessidades. Este ano é bastante interessante em alguns lugares chove até demais e outros como aqui está seco demais.

Você quer saber como vai o trabalho em Orleans, Nada de novo não tem acontecido. Parece que não há muitas pessoas muito interessadas naqueles cultos.
Alguém outro, dia, perguntou por que você ficou tão pouco tempo e porque não ficou mais tempo aqui. Eles pensam que você vai mandar alguém outro para ajudar no trabalho aqui.
Aqui no Rio Novo as coisas estão variadas. Na outra vez eu escrevi que o K.Stroberg estaria chegando em Imbituba no dia 12 para trabalhar aqui, mas não chegou. Ele somente mandou uma carta para a Igreja que ele estaria disposto vir para ser pastor da Igreja, mas não evangelista. Diversas pessoas se manifestaram em contrário, pois se ele não pode vir como pastor, de evangelistas há tanta necessidade. Seria muito difícil uma pessoa que não sabe falar em língua brasileira fazer qualquer trabalho evangelístico. Nós precisamos uma pessoa que possa trabalhar para fora, pois muitas portas estão abertas para o trabalho. Assim mesmo a maioria venceu e então estão mandando um telegrama para que ele venha para cá, mas existem muitas dúvidas é o resultado disso tudo só Deus sabe, pois os desencontros de opiniões são demais.
Na quinta feira [Dia 20 de março era o aniversário da Igreja Batista de Rio Novo ] passada foi a festa de aniversário da Igreja. Foi um dia lindo. O que mais tinham eram hinos, músicas e diversas poesias. Saudações de outras Igrejas Batistas Letas sob forma de cartas e por telegrama da Igreja de Ijuy. O que você pensa da Igreja de Nova Odessa veio um mensageiro especial: o próprio Pastor Karlis Kraul e ainda hoje está dirigindo um culto em Orleans. Aqui ele falou na Festa, no culto especial na Sexta feira a noite, no Domingo pela manhã e no culto a noite e ainda mais em um culto especial na Terça feira a noite. A pregação dele muito se assemelha a do Stroberg. Ele também fala sem nenhuma preparação. Ele é um grande orador, mas do texto lido, ele sai embora para longe. Ele é de estatura bastante alta, mas a face bem queimada, parecendo mesmo um brasileiro. Teria muito o que escrever sobre suas mensagens, mas quem consegue descrever tudo.
Há pouco tempo recebemos uma carta da Lilija. Ela brigou comigo porque eu seria igual a você, que fica reclamando do muito trabalho. Ela também escreve que não vai escrever mais para você enquanto você não responder a carta dela. Você bem que poderia mandar uma cartinha, para que a paz volte imediatamente e tudo estará bem.
Como foi a tua viagem no navio? Você foi de primeira ou segunda classe? Quanto custou a passagem? Em Paranáguá você desceu para conversar com o Karlis Leiman ou ele subiu a bordo?
O Link também viajou para o Rio? Como ele passou lá na terra dele? Que trabalho você faz na Escola? Como vai tudo de modo geral?

Bem desta vez deve ser suficiente e o que vou escrever na outra vez e é possível que não tenhas nem tempo para ler. Também recebemos “O Crisol” só que achamos tão vazio. [Crisol é um cadinho para fundir e purificar o ouro. Não se sabe se refere a publicação ou mais no sentido de não ter vindo algum ouro no crisol ]

Aqueles remédios para Mal da Terra [Ancilostomíase] e aqueles livros você já mandou?

Se você escrever tanto quanto eu escrevi será muito bom.
Muitas lembranças de todos de casa e também da Luzija.

Nós estávamos culpando o homem dos Correios . | De Luzija Purim para Reinaldo Purim – 1923

Rio Novo 15 de novembro
Querido irmãozinho!! Saudações!

Hoje a noite estou escrevendo a última carta do ano. Este ano não irei mais escrever para você. Eu tenho escrito muitas cartas, mas respostas não têm vindo. Por que você não responde? Nós estávamos culpando o homem dos correios. As outras cartas, ele, entrega. Vai ver é você que não escreve. Pode ser que você nem queira que nós escrevamos para você. Quem sabe nós estejamos amolando você com tantas cartas.

Há pouco tempo recebemos o chamado “O Crisol” e que este nome significa aqui ninguém sabe e eu também não entendi. O Robert[Klavin] também recebeu.

O Robert não mandou algum número de prova do jornal deles para você. Ele aqui é o redator de uma publicação mensal chamada [ “Menehscha Gaisma” •] [quer dizer; “A luz do Luar”] ela é publicada pelo Grupo de Cordas da Mocidade da Igreja. A “redação” é na casa do nosso vizinho Auggi ] [ Augusto Feldsberg]

Nós aqui estamos passando mais ou menos bem. Trabalho nós temos demais, tanto que nós não estamos dando conta.

Hoje, ou melhor, hoje à noite vocês lá no Rio, estão tendo a grande Festa. Hoje é 15 de Novembro. Muita gente cantam, tocam músicas, ouvem-se discursos, mas a mim estes prazeres não estão ao meu alcance. Por isso eu estou sentada na sala, calmamente. Nem hoje não santificamos este dia.

Passei o dia plantando nabos e limpando a horta e o jardim, as flores estavam sendo ameaçadas pelo mato que cresce rápido. Choveu também um pouco hoje. Também estive na outra nossa casa [em Rodeio do Assucar] e depois voltei para casa aqui [Parjahju = Voltei a cavalo ou voltei montada a cavalo. Do verbo “jath” andar a cavalo ou cavalgar] aqui no Rio Novo porque amanhã eu tenho que ir para a cidade procurar se chegou alguma carta para nós.

Este ano você deve vir passear em casa. E é possível que o Karlis [Leiman] também esteja por aqui. Você está tanto tempo longe daqui. Já era para vir no ano passado e é assim quando o cara estuda e ganha um diploma, então o pessoal de casa ele esquece completamente.

Se bem que antes ainda mandava cartas curtas, mas eram cartas, mas quando passou a redator, parece que só se preocupa em escrever para que as páginas da sua publicação, não saiam em branco e o pessoal de casa fica aqui completamente esquecido.

Se você vier faça o favor de trazer aqueles remédios cuja “receita” faz muito tempo atrás nós mandamos junto com as meias. Também pode comprar aquelas xícaras, porquê tens dinheiro e nós também não queremos de graça. Quando vieres, nós o reembolsaremos.

Bem por hoje chega de escrever. Você quem sabe não tenha tempo de ler.

Quando chegares terás todo tempo para descansar, mas não esqueça de trazer junto o teu violino então assim poderei aperfeiçoar os meus dedos nas cordas e aprender tocar melhor.

Lembranças de todos os de casa e também as minhas. Até a vista em Rio Novo.
Luzija
Escrito na lateral.
O nome do remédio que Olga deixou de mencionar na outra carta é: Oleum Baunscheidth