Ontem foi o teu Aniversário, então hoje… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 10 de janeiro de 1922

Querido Reinohld! –

Ontem foi o teu aniversário, então hoje à noite estou enviando votos de muita alegria, saúde e muitas bênçãos de Deus neste próximo ano.

A tua carta escrita no dia 20 de dezembro recebi exatamente na noite do dia do ano velho, quando estávamos na Igreja para esperar o Ano Novo. Acho que esta carta por conter “Boas Festas” para todos, ela veio mais rápida e chegou a tempo e hora para fazer valerem estes votos. Por tudo isso obrigado.

Os jornais recebi no dia 26, junto ao Festa do Pinheirinho na Igreja. No dia 28 mandei uma carta para você, que provavelmente já há tenhas recebido. Nesta carta, eu mencionei que na próxima eu iria descrever as Festas do Natal e do Ano Novo, mas não sei onde começar e onde terminar e o que mais poderia te interessar. Mas vou ter que começar pela ordem:

Primeiramente que aqueles grandes e ilustres homens que viriam, não puderam vir. Vieram somente o Arthurs Leiman e o irmão Willis Leiman com a esposa Lucija com os dois pequenos Waldis e o Aleksis. O Fritz também queria vir junto, mas devido agora ao rigor das exigências da fronteira argentina, quais exigem passes que são demorados para se conseguir. –

O Butler também não pode vir. Amanhã começam as Conferências da Convenção em Rio Branco [Entre Massaranduba e Guaramirim] e se o Inkis tiver chegado ao Brasil, talvez eles venham ambos até o Rio Novo.

No primeiro dia do Natal o tempo estava nublado e começou a chover forte e ainda com vento e assim as pessoas que estavam dirigindo-se para a Igreja apanharam bastante chuva. O Culto foi dirigido pelo Arthur. [ Leiman] A noite foi à vez das apresentações da Mocidade e ai também o Arthur contou fatos e experiências de sua vida. Uma das coisas que ele contou que na escola dele, eles são ao todos 20, 9 homens e 2 moças que são escalados para trabalho como preparar (cozinhar) o café da manhã. O que geram os conflitos é que todo mundo quer saber mais que qualquer um e ninguém realmente sabe coisa alguma. Ai entra a esposa do Diretor e determina a reconciliação dos grandes mestres da cozinha [no Seminário em Buenos Ayres].

No dia da segunda Festa de Natal [dia 26] o tempo amanheceu maravilhoso, não estava fazendo calor e soprava uma brisa fresca, como fosse inverno. A reunião da manhã foi dirigida pelo Willis [Leiman]. À noite, o trabalho junto ao Pinheirinho, era por conta da Escola Dominical e quem dirigiu foi o Karlos Zeeberg. Foram apresentadas poesias, mensagens, Hinos, Apresentação do Conjunto Musical de Instrumentos e ainda outras apresentações de conjuntos de violinos e harmonium e detalhar tudo isso não seria possível, mas o resto você pode imaginar.

Na noite do ano velho ou último dia do ano teve a Noite de Vigília [Culto de Ação de Graças pelas bençãos do ano findo] e quem dirigiu foi o Willis. Ele contou sobre o seu trabalho no Rio Grande do Sul e o Arthurs do trabalho dele na Argentina. Cantou o Coro principal e também o Coro dos Jovens e foram declamadas diversas poesias e o tempo passou rápido e ainda foi servidos um lauto lanche com café com leite, pães, bolachas e logo chegou há meia noite e junto com ela o Ano Novo de 1922.

E como já era dia Primeiro de Janeiro e também como Dia Santo, deveríamos, depois de horas estar de volta na Igreja. Este dia pela manhã foi excepcionalmente quente e de tarde veio uma tempestade com direito a ventos, raios e trovões. O Arthurs passou este dia conosco como nosso hóspede.

A semana seguinte foi a semana de Oração. Estes cultos foram dirigidos alternadamente pelo Arthur e pelo Willis. O tempo nesta semana foi muito chuvoso e as estradas muito lamacentas. Assim mesmo a freqüência das pessoas foi muito boa. Esta semana o tempo está bom, pelo menos estes dois dias não choveu nenhuma vez, apesar de que nas costas da Serras, hoje à tarde ainda choveu.
O Willis está semana vai embora, mas a Lucija [Lucia Ochs a primeira esposa do Willis] ainda vai continuar por aqui.

Eles, os Leiman, não conseguem chegar a um acordo sobre o que devem fazer. Nenhum deles quer morar aqui, com os velhos.

O Willis quer que venda tudo isso ai e que vão morar com ele no Rio Grande.

O Fritz quer também que vendam tudo e ele quer levar ambos os velhos para a Argentina. O velho não quer vender e a senhora Leiman ainda está doente se bem que esteja melhor e já consiga caminhar até a cozinha, mas fazer algo ela não pode.

Bem agora chega, já é tarde e o sono não me deixa em paz, ele está persistentemente me incomodando e ainda o cansaço de estar o dia inteiro capinando a nova coivara que devido estas chuvas o mato e as ervas daninhas estão muito desenvolvidas.

Escreva-me uma longa carta como foram estes períodos de lutas. Onde você vai passar o dia das Férias.

Ainda muitas lembranças de todos. Olga.
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…com tempestades de verão com grandes trovoadas | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28 de dezembro de 1921

Querido Reini. Saudações!

Esta noite resolvi escrever uma carta para você.

Fiquei pensado que talvez esteja esperando alguma carta porque na última no começo de dezembro, eu prometi que logo escreveria. Este logo ou breve e já se acumularam às novas notícias e já começaram a ficar velhas e ai não vale a pena escrever, mas como você está de férias tudo bem.

Nesta semana no dia 26 de Dezembro no segundo dia de Natal teve festa com pinheirinho na Igreja e foi também quando recebi aquele grande pacote com jornais. Se eles tivessem chegado antes dos dias das Festas teria tempo de ler todos eles e, mas agora que as festas acabaram e os dias de trabalho voltaram quando a gente chega em casa à noite logo vem o sono, porque a gente está muito cansada. Ainda desta vez a quantidade de jornais foi realmente maior que outras vezes.

A fotografia dos seminaristas desta vez ficou realmente bonita e chegou perfeita e não como as outras vezes. Você em que poderia ter escrito de algum modo os nomes dos seus colegas a fim da gente pode saber quem eles são. Você realmente está tão magro como aparece na fotografia? Se tivesse vindo passar as férias em casa poderia ter engordado um pouco, pois laranjas ainda tem muitas nas árvores. Nós, graças a Deus estamos passando bem. O tempo está bom e muito quente, mas chove com as tempestades de verão com grandes trovoadas.

O milho faz tempo que terminamos de plantar, pois este ano com as roçadas e queimadas terminaram tudo muito bem. Plantamos 13 ½ quartas de semente de milho, 8 mil mudas de mandioca, 1 mil mudas de aipim e agora temos cuidar de capinar, pois as ervas daninhas, também crescem rápido.

Na carta passada eu escrevi que a senhora Leiman estava muito doente e a Mamma mora com ela lá, mas agora no sábado do Natal ela veio para casa, pois ela ficou um pouquinho melhor. Mas, muitas vezes, ela esteve perto do fim. No dia 20 chegou o Arthur Leiman, mas ele está assim magro, que eu cheguei à conclusão que vocês todos que querem ser doutores ficam assim. A viagem dele foi muito lenta, pois ele saiu de Buenos Aires no dia 7 de dezembro onde ele passou pelo pente fino da alfândega, na fronteira. Ele está triste que você não está em casa que se estivesse sairiam grandes negócios, pois dos antigos amigos somente dele, só resta o Roberto, [Klavin], mas ele o achou tão mudado que daquelas amizades antigas, pouco ou nada sobrou. Quando ele foi visitá-lo, foi difícil iniciar qualquer conversação. O que teria feito para que o Rubites [Roberto Klavin] tenha mudado tanto. Será que teria esquecido das antigas amizades ou teria começado a tocar na tuba dos Zeeberg. Talvez algumas lendas inventadas pela oposição o tenham abalado, pois as línguas continuam deletérias.

Aqui pela ordem tem chegado à notícia que o Inkis foi para os Estados Unidos estudar para sair doutor de lá. Eu acho que ele quer sair na frente e tem receio que pôr aqui alguém o alcance.

No sábado a noite chegou o Willis Leiman e sua esposa Lucia e mais as crianças. Estes realmente vieram como que apagar incêndio. Há pouco tempo o senhor Leiman escreveu que a mãe está muito doente e que era bem provável que não mais se levantaria. A senhora Leiman sempre dizia para o marido para que escrevesse para a Luzija que viajasse para cá, pois quando ela morrer tudo iria como que a falência e ai não adiantaria mais nada. O senhor Leiman escreveu e no momento que receberam a carta que deixaram tão perturbados que não sabiam o que fazer. Colheram o trigo e guardaram no paiol e pediram que os vizinhos alimentassem os porcos e tirassem o leite das vacas, cuidassem as propriedades em geral e eles saíram em viagem, tão rápido quanto possível. Vieram de trem pelas Serras e não sei de que porto tomaram um navio para Desterro e daí outro para Imbituba e ao todo levaram 5 dias se viagem.[De Ijuí RGS] A pressa toda é que o Willis ainda queria ver a mãe viva e na chegada, quando a mãe estava melhor a alegria foi muito grande. Foi muito bom que eles vieram, pois agora tem mais pessoas para atender, pois a Mamma fazia tempo que estava lá. O Fritz também queria vir com o Arthur, mas não conseguiu passagem.-
Desta vez chega. No Ano Novo vai haver a Festa das Missões então escreverei mais sobre as Festas em geral.

Com lembranças de todos. Olga.

Sobre Roberto Klavin: O Roberto Klavim além de agricultor era carpinteiro construtor de casas, engenhos de açúcar, farinha de mandioca, atafonas que são moinhos de farinha de milho, serrarias etc. Este trabalho exigia cálculos de relação da velocidade x força, para a otimização da energia fornecida pelas primitivas rodas d’água.