…mande toda correspodência em nome da família Steckert, | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1923 –

Rio Novo 11 de outubro de 1923
Querido Reini!!
Saudações. Então eu estou de novo tentando escrever algo.
Porquê o Arturs começou a “imprimir” a sua carta e mandar uma só folha no envelope é um desperdício então eu também vou escrever algumas poucas linhas. Para escrever até que teria bastante notícia e acontecimentos, mas eu não sou tão desembaraçada na escrita como você e ainda por cima esta noite me veio um sono muito forte, porquê já são nove horas da noite e lá fora está chovendo forte e amanhã cedo eu tenho que ir a cidade levar toucinho, banha, ovos e manteiga.
Agora estamos passando suficientemente bem.
Estamos todos quase sãos, porquê na semana passada eu estive de cama e agora já estou melhor e já posso trabalhar.
Aqui as pessoas estão ficando sempre muito doentes e duas em pouco tempo vieram a falecer. No dia 22 de julho acompanhamos o funeral do Alberto Grikis e ele ficou doente somente uma semana. No dia 2 de setembro foi a vez do menino Eugênio Sahlit com um ano e meio de idade. Este ficou doente somente por dois dias. Os novos vão rápido enquanto os velhos ficam doentes sobrevivem.
Como você está passando? Você recebeu as cartas junto com as meias?
Agora você mande toda a correspondência em nome da Família Steckert, pois o Agente do correio, as dele ele não abre e entrega tudo direitinho. Melhor é solicitar, digo, você solicitar a outra pessoa escrever o endereço com outra caligrafia e se possível mandar registrado.
Outra alternativa é mandar em nome do Diretor da Cia. Colonizadora. De outras pessoas nós recebemos as cartas normalmente, mas as suas nunca chegam.
Ontem recebemos uma carta do “deserto” e eles escrevem que estão passando bem. O Tio [Jekabs Purens]
está trabalhando na derrubada das matas na fazenda de um brasileiro e ganha 6 mil réis por dia, mas com sua própria alimentação.
A Alma e a Melania estão trabalhando em plantações de café e a Lilija é diarista na casa do Sr. Fritz Puke em Nova Odessa. Ela recentemente me escreveu uma carta contando que escreveu para você com muito medo e para tanto teve acumular muita coragem para escrever para um tão culto e escolarizado primo e ela teve somente os 5 anos do primário este tempo todo ainda em russo. O que ela te escreveu? Os demais daquela família não te escrevem?
Bem desta vez chega de imprimir [Drukat = imprimir] senão não vou ter nada para escrever na outra na próxima. Mesmo assim não sei se você vai ter tempo para ler esta. Escreva sobre todas as coisas que por lá acontecem. Quem é o novo seminarista que o Inkis levou de Nova Odessa para o Rio?
Onde este ano vais passar as férias?
Você vira para casa ou vais para a América do Norte junto com o Emils? [Emils Anderman]
No dia 30 de setembro foi feita uma grande noite de despedida dele. Terminou o período escolar aqui e foi para a Mãe Luzia, pois depois das Festas deverá embarcar para a América para lá estudar. O Tio Bahlkites deverá mandar uma passagem de navio. Ele foi embora e os rio-novenses novamente sem professor.
No dia 6 de setembro chegou o Karlis [Karlis Leiman] e ficou até o dia 16. Neste domingo ele passou o dia aqui em casa e foi uma festa. Já tinha usado nossos cavalos e ele gosta muito de inticar [Inticar = irritar, perturbar, mexer, enfim não deixar em paz]
os nossos cachorros pode ser que ele mesmo tenha escrito contando tudo, porquê eu soube que ele estava escrevendo para você..
Se você vier para casa traga mais acordoamentos para os violinos, pois aqui nós não temos encontrado para comprar.
Apesar de nós termos 3 ovelhas, temos lã, mas da lã não dá de fazer cordas de violino. [Não foi possível encontrar a correlação entre os carneiros, a lã e as cordas do violino.] Se você vier para casa, vai poder tomar muito leite, porque agora nós temos 4 vacas dando leite. Também pêssegos e laranjas deliciosas.
Venha para casa ai você vai poder contar melhor do que escrevendo. Vem.
Muitas lembranças de todos e da Luzija

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…tinha engordado muito comendo o feijão do governo | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 8 de junho de 1922

Querido Reinhold!!

Bem esta noite terei que escrever alguma coisa. Mas há um problema as notícias são tantas que não sei onde começar e onde terminar. E ainda um agravante é que está muito frio e temo que a minha carta também não seja uma carta gelada.

A tua carta escrita no dia 31 de abril recebi no dia 15 de maio e por ela muito obrigado e naquele momento não respondi porquê não tinha nenhuma novidade por aqui e também não tinha tempo devido ao muito trabalho e os dias muito curtos.

A Luzija faz já 6 semanas que está morando com os Leiman ajudando no engenho fazer farinha de mandioca e também fazendo a comida para os velhos e agora muito mais, pois chegou o Karlos.[ Leiman] Ele chegou no dia 13 de maio, uma sábado a noite justamente uma ocasião que ninguém o estava esperando porquê ninguém também não sabia, quando ele viria. Coincidiu que naquele mesmo trem também chegou o Auggi Klavim [Augusto Klavin voltando do serviço militar] e ambos vieram a pé o Rio Novo acima pedindo pousadas em brasileiro [pedir pousada é pedir abrigo para passar a noite] e até que enfim chegaram até o Rodeio do Assucar e ai os velhos Leiman já estavam dormindo. Quando eles chamaram, os cachorros começaram a latir raivosamente o velho Leiman apanhou a espingarda e foi enfrentar os ladrões. Mas este ladrão não pensava em fugir e vinha se aproximando e falando.

Também os Klavim já tinham ido 3 vezes ao encontro do Augge em Orleans e ele nunca vinha e nunca chegava. Outros já falavam que devido a Revolução todas as baixas do Exército tinham sido suspensas e o Auggis não teria como vir para casa. Mesmo Willis Klavin no dia anterior tinha recebido uma carta dizendo que tão cedo não poderia voltar para casa e naquela noite a senhora Klavin ouvindo os cachorros latirem forte, ela chamou perguntando se não era o Augusto e a resposta era que sim. Daí a alegria foi imensa. Tinham esperado tanto e agora sem esperar no meio da noite, eis ele que chega.

A pequena Lida [Lídia] pela manhã não reconheceu o irmão achando que era um outro “tio” porque tinha engordado muito comendo o feijão do governo.

Karlis [Leiman] também está bem mais gordo que antes e já no outro dia que era domingo veio nos visitar. Ele acha muito difícil imaginar que do tempo que ele saiu às coisas continuam quase do mesmo jeito. E ele tinha tanto para contar. Parecia para ele que nunca mais retornaria a este lugar. Ele também disse que o mundo é redondo e algum dia teria que voltar ao mesmo lugar apesar das rodas terem girado no sentido contrário. Eu já tinha contado que a Igreja de Rio Novo tinha convidado o Deter para vir visitar a Igreja e realizar os batismos e ele o Deter não pode vir então enviando o Karlis.

Eu pensei que os antigos “inimigos” mas agora o velho [está riscado e borrado, mas deve se referir à pessoa que liderou a onda pressionando ele sair do Rio Novo] que nunca gostou do Karlis, agora com toda humildade contou que no passado tinha tido problemas e abrindo seu coração, tudo voltou ao normal considerando o Karlis um grande amigo seu. Até parece um milagre que as coisas mudaram tanto no sentido contrário. Você poderá conversar com o Karlis e ele vai contar tudo, pois ele vai ao Rio de Janeiro para a Convenção Nacional, pois ele até foi eleito como mensageiro oficial da Igreja do Rio Novo.

Você poderia separar uma noite lá, para que o Karlis possa contar os seus feitos heróicos aqui no Rio Novo. No domingo passado foi levantada uma coleta para ajudar nas despesas da viagem que rendeu 44$000 e nas oitavas da Festa de Verão [Ascensão do Senhor] houve uma sessão regular da Igreja onde foi proposta e designada a quantia de 100$000 para auxílio no custo da viagem do mensageiro oficial da Igreja para as grandes conferências. Até parece que alguns queriam mostrar a sua grandeza e desprendimento quase querendo se vangloriar de sua grande bondade.

Na semana passada chegaram as cartas suas para o Arthur e a Luzija e naquele dia também te mandei uma. O Arthur já começou escrever a resposta e esperamos que logo ele termine…

Você poderá mandar papéis azuis [deve ser papel carbono para copiar modelos na costura] no meio dos Jornais.

[Não tem o final, mas pelo contexto percebe-se que é a Olga quem escreve].
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…se tudo correr bem, depois das colheitas eles nos viriam visitar. | De Lucia Purim para Reynaldo Purim 1922

Rio Novo 7 de maio de 1922

Querido maninho! Saudações!!

Como o Arthur já escreveu as cartas e amanhã ele quer levar para a cidade então eu também quero escrever um pouquinho para que o envelope vá mais cheio e você saiba de mais novidades.

Nós graças a Deus estamos todos bem. O tempo está chuvoso e quente e tudo está mais verde que na primavera, os passarinhos estão cantando como fosse primavera, mas só os dias estão ficando mais curtos.

Você recebeu os nossos documentos que mandei no dia 24 de abril. Se recebestes, já sabes bastante sobre as novidades daqui. Na segunda feira dia 4 o Willis Slegmann chegou e logo que terminar os trabalhos aqui vai embora definitivamente. O Otto Slengmann já foi embora quando o Stroberg viajou para Kuritiba. Ele não gostou nada de Nova Odessa, ele tinha pensado que lá era mais bonito. Também a Shene Mattch [Eugenia] veio junto com o Slengmann. Aquela tinha ido embora quando o Jahnis foi para o Rio de Janeiro, pode ser que ele já tenha contado para você. Ela teria dito que nem que tivesse ir embora de joelhos ela iría e nunca mais voltaria. Que a Milda [Mattch] tratava-a muito mal e que ela tinha que ir trabalhar na roça sozinha. Tudo ela tinha que fazer e a Milda não ajudava em nada. Então seria melhor ir embora de casa. Viu com que rapidez ela esqueceu de todas suas resoluções, quando realmente ficou longe de casa. Só pensou de voltar o mais rápido possível, mesmo que sem honra. Em São Paulo tinha conseguido um bom emprego e estava ganhando 100$000 por mês, mas lá ela tinha que cuidar 3 pequenos cachorros. Que nada, a saudade foi forte demais e veio embora mesmo.

Também quem está de volta em Kuritiba é o Jekabs Schmidt. Ele foi para Varpa, mas não agüentou o regime nem o programa lá estabelecido. Também não sabia falar nada em brasileiro.

O Stroberg [Karlos Stroberg foi um pastor muito conhecido em todo Sul do Brasil batista] saiu-se melhor lá, pois ele aprendeu logo um pouco em brasileiro e a mamãezinha dele ensinou que a paciência e a persistência e também na Escola Dominical tinha aprendido que as dificuldades e sofrimentos podem com tempo serem superadas. Ele mandou uma longa carta para a Escola Dominical aqui aonde ele conta como ele abriu uma Escola Dominical para os brasileiros e como eles vivem por lá.

Bem vou terminar se não você não vai conseguir terminar de ler.

Você tem mandado os jornais? Estou esperando também o “O Crisol”, [O Crisol foi uma das primeiras publicações do Dr. Reynaldo Purim] então mande junto.

Na semana passada a Olga recebeu uma carta da Lilija [Lilija era filha de Jekabs Rose e prima do Reynaldo] e entre outras coisas ela diz que se tudo correr bem depois das colheitas se possível eles nós viriam visitar.

Muitas e amáveis lembranças de todos daqui. Luzija
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