Os pêssegos estão lindos e deliciosos…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1924

[Parte final de uma carta escrita pela tia Olga, pois a parte inicial não foi encontrada].

Nós estamos passando mais ou menos bem. No mês de Novembro o tempo permaneceu bom e seco.

Agora se podem queimar as roçadas em qualquer dia e quando quiser. Porque seco como está, a queima é formidável. A nossa coivara faz muito tempo que já queimamos há muito tempo atrás. Lá plantamos 4 quartas e 3 litros. Em tudo plantamos 9 quartas. Na Bukuvina ainda temos um trecho para roçar. Quando queimarmos esta parte e plantarmos toda esta área de mais 4 quartas, então deve chegar. Quando vieres, terás serviço bastante para capinar, porque as ervas daninhas e matos crescem muito rápidos.

Os pêssegos este ano estão lindos e deliciosos e sem bicho nenhum e também laranjas ainda existem muitas. Ainda na semana passada tiramos mel das abelhas e você se estivesse aqui poderia aproveitar de todas estas delícias, mas você não quer vir.

A Lúcia quer saber se você tem mandado os jornais, a Luzija espera e ela não vai escrever mais até que os mande.
Esta noite ela está com muito sono e por isso foi dormir. Eu tenho que terminar porque amanhã não é Domingo.

Agora fico aguardando uma longa carta e como ainda não te consideras sábio suficiente, e assim comer e dormir queres continuar, então a escrita de cartas também deve.
Porque estas duas coisas, a gente resolve rápido o que não acontece com a escrita. Você ainda tem os feriados e quando nós chegaremos lá?
As tuas cartas todas foram recebidas, mas uma enviada por mim está extraviada. Junto com esta foi perdida uma do Arthurs que foi mandada junto. Naquele naufrágio em Laguna nada foi perdido, porque isso ocorreu dentro da barra.

Bem desta vez chega, se não conseguires ler a minha escrita, use óculos porque eu escrevi muito rápido.
Então receba muitas lembranças de todos e também minhas
Olga.

…porque não temos sementes de flores para plantar. | De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo, 11 de agosto de 21

Querido irmãozinho!

Eu a tua carta já faz tempo que recebi, mas não respondi logo e ficou, mas, agora vou escrever sim.

Eu estou passando bem. O tempo hoje está nublado e está começando a chover. Na calha corre tão pouca água, que para encher um balde, leva uma eternidade.

Hoje eu passei o dia podando as videiras e teria feito muito mais se as abelhas tivessem permitido. Ontem eu plantei um pessegueiro e hoje outro. Chove muito pouco, mas os pessegueiros já estão em flor. Este mês o tempo está quente como deve ser na primavera. As abelhas vão para o trabalho a toda, o que se escuta é um ronco só. As laranjeiras estão com as flores em botão e em poucos dias vai ser aquela florada.

Hoje, também limpamos o jardim e adubamos os canteiros. Estamos frustrados porque não temos sementes de flores para plantar. Você poderia mandar sementes de flores. Você poderia colher os botões maduros em toda parte que você veja flores lindas e depois mandar as sementes.

Na semana passada o Auggis começou a fazer açúcar durante dois dias. A dele não foi pouco porquê devido a seca a cana não tinha crescido bem. Ele moeu 46 feixes e rendeu ou pouco mais de um tacho. Esta semana os italianos alugaram o engenho e já ferveram 9 tachos e ainda tem muita cana por moer. Na semana que vem nós vamos cortar a nossa cana e vamos fazer a nossa festa do açúcar. Você bem que poderia vir nós ajudar.

Bem por hoje chega. Escreva bastante. Com amáveis lembranças de todos. Arthurs.[ O mocinho estava com 16 anos já]

Está um luar maravilhoso…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

25 de novembro de 1920
Querido Reini! Saudações!
Eu não pensei que tão rápido teria que te escrever, porquê cada ano que ia e ano que vinha, as tuas férias, nunca sabia onde ias passar e como não podia ser diferente este ano também você nada escreveu onde estás e para onde irias. Recebemos no Domingo passado os papéis azuis com os jornais, mas lá também não veio nada escrito. Já estava conformando-me em ficar aguardando o seu endereço temporário, não sei quando. Mas ontem a noite recebi a carta escrita no dia 11-11-20, a qual chegou muito rápido. Por tudo muito obrigado. E hoje a noite já estou escrevendo a resposta, pois é provável que alguém de nós vai para a cidade e logo esta chegará ao seu destino. Também não te admires se não tenho novidades, pois não faz muito tempo uma dia 4 de novembro acompanhada de uma fotografia e a outra dia 9 de novembro. As tuas cartas foram todas recebidas e extravios não houveram nenhum. – Dos nossos parentes da Rússia você mandou alguma carta para nós?
Tempos atrás pensávamos que você viria para casa, mas há pouco tempo atrás, recebemos “O Baptista”, onde está escrito que estão te convidando para trabalhar no Paraná. Então deduzi que se fostes convidado então irás para lá, mas veja infelizmente não deu.
Se tivesses vindo para casa poderias ainda chupar muitas laranjas e também os pêssegos estão muito bonitos. O Rubis (Roberto Klavin) como grande cientista previu que este ano será um ano bom, também para as uvas e tudo vai se desenvolver-se muito bem. E ainda tem o mel, enfrentar as abelhas para colher o mel, você não vai mais precisar, porque a colheita já terminou e todo o mel já foi tirado. O que você poderia fazer era negociar, comprando barato e vendendo com lucro em outros lugares. Nós das 55 colméias antigas tiramos 17 latas. Todos produtores de mel fizeram boa colheita. O tempo hoje à noite está muito bom, está um luar maravilhoso, tão claro que é possível ler um livro ao luar e também a temperatura está amena e nada quente. Nós agora estamos capinando a mandioca e o milho e ainda tem tantos outros serviços. Na semana passada choveu e tudo esta crescendo bonito inclusive o mato. A coivara da Bukuvina, nós queimamos no dia 9 de novembro. Foi uma queimada formidável. Naquele dia o vento também estava forte e fez uma fumaceira sem fim. O fogo pulou o aceiro para dentro das samambaias em diversos lugares, mas foram imediatamente controlados (apagados) e a grande vantagem é que os troncos e outros tocos de árvores, não estavam muito secos. O Enoz como vizinho veio ajudar e foi muito bom queimar naquele dia porquê não estava tão seca ainda e se tivesse esperado ai o perigo seria muito maior. Por mais de uma semana depois da nossa grande queimada o povo por todos os lados continuou fazendo as grandes fumaceiras. A roça da Bukuvina nós plantamos em 3 dias 4 ½ quartas de semente de milho. No total nós já plantamos mais de 10 quartas.(Quartas de alqueire – Um alqueire tem 4 quartas)
Bem por hoje chega. Nada de novo tem ocorrido e tudo continua velho. Pode ser que receba alguma carta, então ai eu escrevo de novo. Ai também é possível que você tenha também mais tempo, porque já estará de férias. Lembranças de todos. Viva com saúde. Olga.

NT A espressão ” recebemos os papéis azuis ….” deve ser papel carbono usado para copiar modelos de vestuário de Revistas e Jornais

Como fazíamos todos os domingos | Artur Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 9-11-19

Querido irmãozinho!

Recebi a tua carta de 17-10-19. Obrigado! Eu estou bem. Para a escola este mês não fui mais por falta de tempo e muito serviço. Neste mês de outubro chovia tanto que nas roças não era possível fazer nada; como agora estamos com muito serviço, agora irei para a escola outra vez só depois do ano novo.

Tu queres saber a minha altura, é simples: é só olhar para você. Estou calçando o número 42 e poderei emprestar os meus sapatos para você. Poderá vir chupar laranjas, pois ainda tem bastante. Logo acima de nossa casa tem doze laranjeiras e em cinco ainda tem frutas. A figueira [kuplais koks, no original em leto] está bem maior e bem mais alta, mas está um pouco abandonada. Ninguém fica subindo nela como antigamente fazíamos todos os domingos, para brincar e ver quem subia mais alto. Há pouco tempo veio o Augusto Klavim e nós subimos nela, mas nossa festa durou pouco porque vinha um temporal e tivemos que fugir para casa.

No nosso jardim temos muitas flores. As rosas, os lilases e os dois jasmins [gardênias] estão cheios de flores. As espirradeiras [oleandro] estão grandes árvores. Aquela mirtácea que você trouxe do mato também está alta; bem mais alta que você, e com certeza passa por cima de sua cabeça. Você mesmo poderá ver quando vier!

Agora temos 67 colméias, contando com as novas que apanhamos em enxames. Este ano têm saído muitos e grandes enxames. No sábado passado tiramos mel de oito colméias e renderam três latas. Ano passado de vinte colméias foi tirada só ½ lata. Este ano vamos tirar muito mel. Vamos ter que tirar de mais de 40 caixas, e se você vier poderá ajudar e comer muito mel, e também levar junto. Eu tenho medo de abelhas e nem chego nem perto. A Olga é que tem que ajudar o Pappa e levou tantas picadas que no sábado passado não podia nem caminhar.

Quando vier para casa, traga um novo Cantor [hinário] para a Luzija. Chega! Tenho que ir dormir. Com muitas lembranças,

Arturs [Otto Roberto Purim. Faltava um mês para que ele completasse 14 anos]

Inhame para cozinhar para os porcos | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 31 de julho de 1919

Querido Reini!

Primeiramente envio muitas lembranças! A tua carta escrita no dia primeiro de julho recebi no dia 21 de julho; esta foi uma das que demoraram bastante. Muito obrigado. Cheguei a pensar que você não havia recebido as minhas cartas pelo tempo que ficamos esperando as respostas. Não aguentando de saudades, no dia 14 de julho mandei mais uma carta, porque nos jornais que chegaram você tinha anotado que estava esperando notícias nossas.

Bem, [esse tipo de atraso] não tem muita importância, desde que a gente tenha certeza que as cartas realmente cheguem os seus destinos. Hoje não se compara com os tempos de incertezas do período da guerra: agora está realmente muito melhor.

Lendo sobre a Convenção das Escolas Dominicais, fiquei muito feliz em saber que você esteve em todos aqueles eventos. Ah, como eu gostaria de ter estado também, pois nunca tive oportunidade de estar no meio desta multidão; nunca me vi nem me ouvi numa situação dessas, num meio em que as grandes personalidades ponderam e decidem. Então estiveram mensageiros de todas partes, até do Rio Grande do Sul, que fica tão longe!

Então você deve ter conversado com o Karlis [Leiman]. Parece que hoje a moda é ir viajar para as Conferências. O Butler, o Robert e o Klava viajaram para Paranaguá, e sobre isso já escrevi um pouco. Eles estão sendo esperados em casa, mas até hoje não chegaram e já faz um mês que eles foram. Porém soubemos que depois da Convenção eles ainda iriam para Kuritiba e ainda visitar as colônias letas na região de Blumenau.

Você não imagina como o Grünfeldt está preocupado. As reclamações dele não têm fim. Por que precisam ir à Convenção? Por que gastar tanto dinheiro e tempo? E os pastores só pensam de zanzar de um lado para outro. Por que ficam tanto, tempo fora de casa? A grande infelicidade dele é que ninguém lembra dele para nada, e daí o problema.

De resto, tudo igual na velha Rio Novo. Ninguém casou e ninguém morreu… Nós estamos passando, bem graças a Deus, e todos com saúde. Hoje o tempo está nublado e chove um pouco. Sopra um vento frio do lado de baixo [sul: minuano].

A festa do açúcar este ano foi melhor do que a dos outros anos, pois nos anos passados não passou de dois tachos [isto é, duas fornadas], mas no ano passado a geada foi tão forte que matou a cana até o chão. Este ano foi muito bom, a cana cresceu muito bem. Aquelas que o vento derrubou cresceram tortas e tiveram que ser cortadas ao meio para que fosse possível enfeixar. Em comparação com os anos anteriores, em que nem tinha sobrado mudas para plantar, este ano nós fizemos 5 ½ fornadas (tachos). Veio o Caciano do Rio Laranjeiras com seus irmãos e seus bois para moer a nossa cana.

Os nossos bois não foram adestrados para andar ao redor da moenda no engenho. O Ostos não gosta mesmo de andar e o Bullis [“boi”, em leto] não foi ensinado. Com Osto nós vamos buscar inhame para cozinhar para os porcos e também lenha para o engenho; já andar ao redor não é com ele [NOTA: Para que os bois não ficassem tontos caminhando ao redor da moenda eram colocados uns anteparos feitos de couro sobre os olhos deles, chamados antolhos]. Mas é uma vez por ano que a gente faz açúcar, e ainda tem de puxar sem ajuda.

Agora nós temos açúcar para o ano, e hoje em dia não está barato, 3$000 ou 4$000 como era no passado; agora está 15$000 a arroba. Todo tempo do corte da cana o tempo esteve quente e seco como se fosse verão. Começamos no dia 24 de julho e terminamos dia 29. Este ano ainda não fez frio, e nenhum sinal de inverno por aqui. Está tão quente que já pode se começar a plantar. Os pessegueiros já floresceram e as laranjeiras estão com botões; outras já brotaram e as abelhas chegam a zunir atrás do seu pólen e néctar. No ano passado [nessa mesma época] estava tudo congelado, nenhuma abelha se atrevia sair de sua colméia.

Ontem o Pappa estava fazendo uma limpeza nas colméias retirando os favos escuros [isto é, vazios, que tinham sido usados como ninho] para deixar espaço para a colheita que vem por ai, mas elas estavam muito ferozes, avançando em tudo e em todos. O Pappa disse que em muitas colméias já tinha bastante mel.

Desta vez chega, outra vez eu escrevo mais se tiver mais notícias. As camisas serviram? Não ficaram justas? Agora nas vendas de Orleans está começando a aparecer novos tecidos e ficando um pouco mais baratos.

Com sinceras e saudosas lembranças de todos de casa. Escreva bastante.

Olga