Primeiramente os nossos votos de um Feliz Ano Novo …| De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Ano de 1925

Rodeio do Assucar 3-1-25

Querido Reini! Saudações!

Primeiramente os nossos votos de um Feliz Ano Novo e também muitas felicidades pelo seu aniversário, então pensei que precisava mandar um cartão de felicitações, mas depois refleti e cheguei a conclusão que você sendo um homem tão importante, o que iria fazer com um cartão. Também nos nossos aniversários e dias dos nomes que você nem lembrar, lembra.

A tua carta escrita, melhor datilografada no dia 8 de dezembro recebi na semana anterior as Festas do Natal. Obrigada! Desta vez você foi muito caprichoso e escreveu em seguida. Aqui não dá para responder tão rápido, pois tenho que esperar acumular as notícias para então poder te escrever. Pensava que depois de ter passado todas as Festas teria muita coisa para escrever.

Mas se você se lembrar, foi igual ao Natal do ano passado. A diferença foi que no primeiro dia da Festa [O primeiro dia era sempre o dia 25 de dezembro] depois do meio dia deu um forte temporal de chuva e um pouco de granizo. Mas à tardinha passou e podemos ir para ver o pinheirinho, somente a estrada estava muito mole. [A chuva tornava o barro vermelho mole e pegajoso] Apesar disso tinha muita gente. A festa foi dirigida pelo Strobergs. As crianças [O Natal era uma Festa dirigida pelo pessoal da Escola Dominical e a própria Escola Dominical era considerada uma escola para crianças] apresentaram poesias, hinos e Representações e tudo transcorreu muito bem.

Na Noite do Ano Velho [Noite de Vigília] foi uma noite de apresentações sob responsabilidade dos Jovens e a espera pelo Novo Ano. Já na manhã do Ano Novo houve uma Festa de Missões e esta também foi muito bonita e também tinha muita gente. O tempo estava bom e seco e quente. Muitas poesias, hinos pelo coro e também muitos quartetos e a prédica do Karkle como acontece todo ano. É provável que sobre as Festas a Luzija já tenha escrito mais amiúde, para tanto não vale a pena. No Dia da Estrela [Dia dos Magos – 6 de janeiro] a Escola dominical está organizando um piquenique na casa dos Klavim.

A Selma da Kate [ Selma Klavin ] chegou de viagem[ do Rio de Janeiro ] totalmente abatida e cansada de tanto estudar, nas outras vezes era alegre e extrovertida e agora já não sabe mais ser assim. Eu pensava mesmo que ela fosse a frente em alguma ocasião e pedisse a palavra para contar algo de lá, mas até agora não aconteceu.

Por que vocês não nunca autorizam o João Klava a sair para vir para casa? Eu faz tempo que ouvia dizer que ele viria, mas até agora nada. Ele não pôde vir porquê, porquê ele é o diretor da Escola, ou substituto dele e por isso não pode viajar e ainda no começo de dezembro teve que fazer um curso especial de aperfeiçoamento e assim este ano teve que ficar.

A Sylvia Karklim e o Waldi chegaram de São Paulo de passeio aqui.

No Domingo passado recebi uma pequena carta da Lilija.[Lilija Purens]Eu tinha escrito para ela reclamando por que ela não me escreve e perguntando se eles ficaram orgulhosos morando na nova fazenda então ela respondeu que não tinha recebido as cartas minhas cartas anteriores e nada mais atrapalhou a escrita senão a preguiça e ninguém deles não escreveu para ninguém. Diz que o tempo estava muito seco, mas agora já está chovendo. Também de você eles receberam uma carta e a qual ainda não responderam.

Aqui as chuvas tem sido ainda poucas, Antes das Festas, ai sim chovia, mas desde aqueles dias tem estado muito quente e um vento seco que resseca tudo. Ontem à noite sim, roncou trovoada e formaram-se muitas nuvens, mas logo tudo se desvaneceu. Hoje amanheceu limpo e no meio dia estava marcando 40 graus C. no sol. Pela impressão que as lavouras nos dão são desanimadoras. As roças estão completamente estorricadas e não sei como vai ser com o pão de cada dia. Nós temos a nossa reserva, então com o pão realmente não nos preocupa, mas muitos não tem. Muitos colheram pouco e porquê o preço estava muito bom venderam tudo e agora a fome. Tudo está caro e às vezes nem tem para comprar. Os Letos não tem problema de passar fome, mas os Brasileiros e os Italianos não tem o que comer então andando pelas estradas e roubando. Se alguém tem feijão ou batatas em roças a beira de estradas, elas desaparecem. Trabalhar eles não querem, se não pagarem 3$ por dia e mais a comida, então eles dizem que é melhor morrer de fome, do que fazer os letos ainda mais ricos.

A Arthur diz que se você escrever então ai ele também vai escrever. Ele teria o que escrever a semana inteira. No mês passado foram tantos os acontecimentos que você não poderia imaginar.

Lembranças da Olga.

…estamos te convidando para visitar Ijuy enquanto está perto, | De Frederico Link para Reynaldo Purim – 1924 –

Ijuy 3 jan. 1924
Ilmo. Sr.
Dr. R. Purim
Orleans do Sul
St. Catarina

Querido irmão Purim

Sinceras saudações de nós ambos. Espero que estas linhas o encontrem saudável e alegre entre os teus.
Que o Senhor te confira um Ano Novo feliz e cheio das bênçãos, trabalhando na sua vinha junto com os seus em Rio Novo.
Faz tempo que eu estou esperando receber algumas linhas tuas, mas sem qualquer mágoa, pois sei que sempre tem muito trabalho. Continuas ai ter muito serviço?
Eu também não tenho muito tempo para ficar escrevendo cartas, e nós gostaríamos novamente nos encontrar. Nós aqui sinceramente muito admiramos e estamos te convidando para visitar Ijuy enquanto está perto, nas vizinhanças. Se eu tivesse os recursos pagaria as despesas de viagem e é uma pena que eu não posso e a Igreja aqui está com as opiniões tão divididas. Você pode imaginar quanto trabalho.

Agora mesmo um vizinho me interrompeu e espalhou meus pensamentos, me perdoe.

Mais ou menos lá pelos meados de fevereiro, pensei que com ajuda de Deus voltar ao Rio. Até lá espero receber uma cartinha e se resolveres nos visitar, esperarei com certeza. Então viva saudável até nós nos vermos.

Agora mesmo eu tenho que ir para a nossa cidadezinha. Lembranças de nós todos para você e para os seus do seu irmão menor em Cristo.
Fr. Link
Caixa 50
Villa Ijui
R.G.do Sul

… pois em férias você está e quando poderei conseguir as minhas? De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1923

Rio Novo, 23 de janeiro de 1923.

Querido Reini: Saudações!

Ah é assim! Ontem foi o seu aniversário por isso em primeiro lugar desejo muitas felicidades. Aqui nós não temos telégrafo nem telefone. Se tivéssemos, teríamos telefonado para avisar que era o dia de seu aniversário.

Desta vez eu teria isto e aquilo para escrever. Mas vou começando a me desculpar como habitualmente você faz. Tu não lembras mais nada da vida aqui em Rio Novo, mocinho novo, como tu eras, estamos cheios de serviços grandes e pequenos. Serviços nas roças e serviços em casa. Que as ervas daninhas têm ser capinadas e que a chuva nesta época é demais e diante de tanta coisa para fazer não podemos entrar em minúcias, pois não dá tempo para escrever tudo.

A tua carta escrita no dia 11 de dezembro com todas fotografias recebemos alguns dias antes do Natal. Muito obrigada por tudo. Fiquei esperando mais alguma carta para matar dois coelhos com uma carta só, mas desta vez não veio.

Você realmente veio e chegou para o Natal [nas fotografias], mas estava tão orgulhoso que não abriu a boca. Parecia mesmo um padre católico. Uma face mais gorda que a outra e o seu alfaiate esqueceu de colocar os botões no fraque. Se soubéssemos o tamanho e a quantidade dos botões, poderíamos mandar daqui. Apesar do muito serviço estamos deixando você dormir, pois chove demais. Continue na gaveta.

Nós todos os jovens de Rio Novo estamos esperando “Segundo convite” para a inauguração do novo templo de sua Igreja e daí todos vamos viajar para lá. Apronte-se bem e nós espere. Se não formos agora nos vamos outra vez.

Tu queres saber os nomes dos grandes homens que dirigem a União de Jovens e os cargos de cada um. O Presidente era o João Seeberg, mas como ele tinha ir servir o exército então foi eleito para o lugar dele o Alexis Klavin. O secretário é o Karlis Sanerip e o tesoureiro é o Oscar Karp, o regente do Coro é o Osvaldo Auras e o bibliotecário é o Augusto Klavin e como moderador ficou o Augusts Feldbergs. Os auxiliares serão recrutados entre os membros pelos próprios titulares. As reuniões são agora realizadas todos os meses. Em cada segunda-feira que sucede ao segundo Domingo do mês a noite é realizado o ensaio, onde tudo tem que ser feito em brasileiro. Os hinos e tudo que é apresentado somente em português. E mais todos têm que participar mesmo que seja com alguma coisa senão vêm broncas e é terminantemente proibido falar em leto e ainda para terminar é cantado o Hino Nacional Brasileiro, tudo isto é muito bonito.

Na noite do terceiro Domingo é o culto de oração dirigido pela Mocidade. Na Segunda-feira que sucede o terceiro Domingo de cada mês é a sessão regular administrativa. [Sessão de negócios] Na noite do quarto Domingo é a Noite das Apresentações. Quando as noites voltarão a serem mais longas então às terças-feiras vão voltar os ensaios do coro dos jovens, [Todos colonos aproveitavam o máximo à luz natural.]
Pois agora chove demais e o mato [Ervas daninhas] cresce demais e o serviço para dar conta é muito, então por isso nesta época não dá tempo para aprender a cantar.

Quem chegou sem ser esperado vindo a cavalo de Mãe Luzia no dia 2 de dezembro, um Sábado foi o Karlis Leiman. Chegou aqui em casa já de noite, pregou na Igreja no Domingo de manhã e de noite. Na Segunda-feira foi até o Rodeio do Assucar onde os pais e eles tinham morado e daí visitou muitos amigos e conhecidos e na mesma semana foi embora. Explicou que estava com pressa de voltar porquê na vinda tinha perdido muito tempo, pois o navio tinha encalhado num baixio e demorou aparecer outro para o resgatar.

O Karlis contou alguma coisa sobre você e seu trabalho e que este ano não podes vir para casa, devido à construção do Templo. Também contou que você é um homem muito importante, eles lá sem você, não conseguem sobreviver.

Reclamou de você que nunca escreveu contando do sucesso do João “Gigante” Klava que está lá na sua Escola. Agora ele esteve em Mãe Luzia na casa dos Klava e soube que o pupilo deles, o Jahnis era o mais inteligente e esperto que ele. Inclusive tinham mandado dinheiro para as passagens para que ele possa voltar e dar um passeio em casa, mas como não apareceu até agora, não sei se ainda virá. O Kahrlis disse se alguém não encontrar o velho Klava para ouvir os mil elogios ao seu filho e só lembrar da época que o velho Karklim elogiava o seu filho Jorge, pois ambos diziam que no mundo não tinham os filhos mais inteligentes que o deles.

E a festa de Natal está longe atrás. O tempo durante as Festas esteve muito bom. No dia 25 tivemos o pinheirinho e o programa da Escola Dominical. Na noite do último dia do ano nós também tivemos Festa na Igreja e esperamos o Novo Ano juntos. No dia do Ano Novo durante o dia houve a Festa de Missões, também na Igreja.

Não sei se você sabe que o tio Jekabs Purens com toda família estão em São Paulo e junto com o Inkis entraram naquela floresta? Sobre estas coisas você não sabe ou não se interessa por nada? Também não sabes quanto bem, eles estão passando.

O Schanis Sprogis escreveu aqui para o Alexis que quando o navio esteve ancorado no Rio ele subiu a bordo para ver os novos letos. Você bem que poderia ter ido também, pois tu moras ai mesmo. Ou mesmo não tens encontrado o Jahnis Inkis que estuda na mesma Escola ou não está mais? –

Eles chegaram em São Paulo como informaram seriam mais de 700 pessoas e quando desembarcaram foram encaminhadas para a casa do Imigrante e então após alguns dias sob a liderança do Inkis, do Malvess e de outros que chegaram antes, seguiram de trem, mata adentro. A última estação da estrada de ferro [Sapezal – Alta Sorocabana – Depois de Paraguaçu Paulista e antes de Quatá S.P.] está longe dentro da mata e de lá até se chegar o lugar ainda um longo caminho a pé através da mata fechada. O Inkis teria profetizado que o mundo seria atingido por grandes catástrofes e poderia mesmo acabar e a mata fechada seria o melhor lugar para ficar. O Inkis já teria profetizado antes que a Letônia seria atingida por grandes desastres e que todos que pudessem deveriam fugir da Letônia antes do dia 15 de outubro passado e por isso quem pôde veio embora.

O tio Jehkabs mandou um Cartão Postal de São Paulo que felizmente tinha atravessado o grande oceano, então iriam enfrentar a nova colônia em plena mata e também estava escrito que quando se encontrassem pessoalmente poderiam por os assuntos em ordem. Também prometeu escrever logo uma carta, mas até agora não chegou nada.

O que ninguém sabe é se o Inkis não está esperando ou prometendo para os outros que todos os Letos do Brasil estejam dispostos a o acompanharem nesta aventura. Uma coisa é certa, a quem o Inkis convencer, dificilmente poderá voltar atrás, porquê ele não permite não.

O Kahrlis contou que em Nova Odessa diversas pessoas acharam que o Inkis não estava bem da cabeça. O que ele vai fazer levando esta multidão diretamente para dentro da selva e fazer todos viverem do mesmo modo em que viveram os primeiros Apóstolos de Jesus com todos os bens em comum. Outros contam que já em São Paulo todos tinham que entregar a um comitê o restante de dinheiro que cada qual ainda tinha como reserva. Alguns que tinham mais e não teriam aceitado esta pressão e não sei então se não serão expulsos da comunidade por acharem isso uma extorsão ou roubo.

Também o Arnolds Klavin tem escrito que lá tem havido reclamações sem fim, com pessoas doentes, e muitas morrendo. Imagine sair de uma terra diferente e fria e passar para um calor destes. Sem alimentação ou pelo menos a comida que é parca e estranha para todos. Leite também não é possível se conseguir. Todos tem que comer numa mesa comunitária e nenhum melhor ou diferente de outro. Pela manhã pão de milho com uma sopa grossa, agora imagine sem leite. Na hora do almoço, feijão e arroz, mas sem carne. Parece que os que servem não são bastante justos e passam melhor.

Outros já estão morando em Nova Odessa e outros mais deverão sair. Como este movimento vai terminar, ninguém sabe. Se o Inkis não tivesse vindo antes aqui e conhecido o Brasil, quem sabe não tivesse se envolvido com estas profecias, pois ele depois de tanta violência e miséria da Grande Guerra começou a escrever para cá e também por lá e as pessoas começaram a acreditar que tudo poderia se repetir. Então porque não fugir para cá. Só de pastores devem ter vindo uns 20. Muitas Igrejas Batistas se dissolveram totalmente. Muitos pastores e líderes deixaram os seus pequenos rebanhos para trás e vieram para cá e eles que agüentem os males que estariam por vir. Como escreveu o Freij há pouco tempo: Aqueles que puderam viajaram e foram embora e nós aqui graças a Deus, mal não estamos passando e Deus está conosco e não sabemos como estão aqueles que queriam achar o Paraíso aqui na terra.

Aqui no Rio Novo todos dizem que aquelas mal orientadas pessoas que debandaram sem um plano definido e sem conhecer nada, bem que poderiam ter ficado lá vivido tranqüilamente os seus dias em vez de ouvir as profecias do Inkis. Dos que vieram não eram somente Batistas e sim também Luteranos todos que apóiam este movimento de Renovação Pentecostal. Pode ser que você saiba mais do que nós e não vale a pena ficar escrevendo e se eu escrever mais o que eu vou escrever outra vez.

O Arthurs vai escrever na outra vez. Ele não iria querer todas estas guloseimas de graça como laranjas, uvas, pêssegos, quanto quiser. Então comece a construir o navio para que nas próximas férias e venha com ele rápido e bem cheio de presentes.

Vou esperar de você uma longa carta, pois em férias você está e quando eu poderei, conseguir as minhas? Com lembranças de todos Olga.

[NT- Nesta carta já surgem comentários negativos sobre a futura colônia Palma]

Logo ele vai embora para a sua tão louvada Argentina… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 9 de fevereiro de 1922

Querido Reini:

Primeiramente te envio muitas amáveis lembranças. – Desta vez eu vou ter que escrever bastante porque devo respostas as duas cartas. A tua carta escrita em 14 de janeiro eu recebi no dia 27 de janeiro, mas devido o tempo de intensas chuvas não respondi, porque o tempo não estava propício para escrita e terminou ficando para quando o tempo melhorasse e na noite de segunda feira dia 6 de fevereiro recebi a outra tua carta escrita no dia 23 de janeiro. Junto com aquelas perfumadas folhas de plantas. Por tudo isso muito obrigado. –

Você mesmo está ficando rico com tantos presentes importantes e onde puseste aquelas flores que ganhaste. Aqui no Rio Novo, qual o pastor que iria ganhar tantos presentes?

Nós estamos passando mais ou menos bem. Somente a chuva é demais este ano. E assim é a vida de qualquer colono que fica diretamente dependente do tempo. Quando é muito seco, nem quando a chuva é demais, não é nada bom. Durante todo o mês de janeiro tivemos dois dias sem chuva. Todos dias ora chuva fina, outros dias chuvas com trovoadas e houve semanas que choveu da manhã à noite e outras vezes as noites inteiras. Todo tempo com os rios imensos e cheios d’água e quantos riozinhos pequenos se transformando em ruidosos ribeirões. Você pode andar em partes baixas ou no alto dos morros, você encontra nascentes em profusão. As estradas estão totalmente cheias de valetas e grandes pedras expostas que a gente não consegue acreditar como a água pode arrancar tantas e tão grandes pedras em pleno leito da estrada. Nesta semana já teve alguns dias com tempo bom, mas hoje a noite já está chovendo novamente.

Por isso, os trabalhos nas roças não estão nada fáceis. As plantas daninhas crescem demais e também não adianta capinar, porque tudo continua a crescer mesmo. A grande maioria já conseguimos capinar. Hoje fomos capinar na Bukowina. Lá à parte roçada queimou bem e não veio tanto mato.

Noutras partes por ai já houve grandes tempestades, mas aqui no nosso terreno, não houve nada. Começamos a plantar o feijão e faltaram 6 litros para uma quarta!

Na semana passada arrancamos ou fizemos a colheita de batata inglesa. Nós poderíamos até dar um saco de batatas para você, se você não tivesse esquecido de como comê-las. As batatas deram excepcionalmente este ano e num pedacinho onde plantamos 4 quartas de semente nós colhemos 13 sacas. Tínhamos também plantado em outro lugar onde também deu, mas não tanto, quanto nesta primeira roça. Estas, nossas batatas, serviriam para vocês grandes cozinheiros, que gostam de pouco trabalho.

Se você estivesse em casa, poderia comer pepinos pela manhã, no almoço e a noite e assim mesmo não daria conta. Ontem nós trouxemos uma carga inteira no cavalo só de pepinos.

As uvas já estão terminando e este ano também foram muito boas. As melancias se não houvera chovido tanto, seriam melhores, no começo elas cresceram bem, mas agora está encharcado demais, mas temos algumas já bem crescidas e daqui uns tempos estarão maduras. Vocês comem melancias nas refeições ou em alguma outra ocasião? Ou você está como o Augusto Klavin lá em Kuritiba que vê melancias à venda por 3$000 e em casa não pagaria nem trezentos réis.

Na semana passada houve em Orleans o funeral do velho Grüntals que faleceu no dia 29 de janeiro e foi enterrado no dia 30

Willis Leiman já viajou no dia 12 de janeiro, mas a Lucija e as crianças ainda ficaram. O Willis não quer mais morar aqui de jeito nenhum. Os velhos por sua vez não querem vender nem sair daqui e assim parece que ainda não conseguiram sair do impasse.

Na quarta feira quando o Willis dirigiu o último culto, logo após houve uma festa de despedida e onde foi feita uma coleta de dinheiro para viagem que rendeu 40$. – O Arthurs disse que não tinha esquecido de você e tinha mandado uma carta logo depois do Ano Novo. Você recebeu esta carta?

Quanto à direção dos trabalhos na Igreja eles sabem se sair muito bem. O Willis você sabe, ele falava devagar, mas agora não fala mais tão devagar e está bem mais gordo que antes. –

O Arthurs continua do mesmo jeito que era antes e quando chegou era mais magro e agora está bem mais gordo. Quanto à comunicação, ele fala como antigamente somente bem mais desembaraçadamente, como deve ser um menino instruído.

Quanto ao cantar eles antigamente, cantavam o tenor e agora eles cantam o baixo.

Quanto ao trabalho na roça eu não sei direito, mas logo que o Willis chegou. Ele e o Arthur num lindo dia foram capinar uma roça de milho, que fica na divisa com os terrenos do Klavin. Mas logo o sol começou a esquentar. Como pessoas instruídas, encostaram os cabos das enxadas num toco de árvore e foram visitar os Klavin. Quando o sol já estava abaixando no poente ai lembraram das enxadas e o que eles vieram fazer e saíram correndo e agarraram com vontade e quando estava escurecendo a roça já estava toda limpa. –

No domingo passado o Arthurs foi visitar o Onofre [O Onofre Regis morava na Estação Barra do Norte ou Braço do Norte] e você não vai acreditar, ele foi a pé. O trem estava atrasado então ele foi andando.

Logo ele vai embora para a sua tão louvada Argentina e por isso tem que se despedir de seus antigos amigos como o Onofre.

O Karlos [Leiman] ainda não apareceu e parece que está morando no Rio Branco. O Rubis [Roberto Klavin] continua mergulhado em seus trabalhos, está desde o Ano Novo trabalhando em Mãe Luzia.

No dia 16 de janeiro chegou também o Butlers, era para ele ir as Conferencias, mas não foi. Ele ficou aqui somente 2 domingos. Ele veio visitar o velho pai dele e tomar outras providências. O velho mora sozinho, com os seus diamantes e agora já pode andar inclusive foi a Igreja algumas vezes. E a Anlise leva a comida. O Butlers não é mais Pastor em Kuritiba por causa do problema de sua voz. Agora somente é professor de uma Escola Superior da cidade e este ano vai mais cuidar de sua saúde. Se de tudo não puder falar tanto, então ele voltaria a morar no Rio Novo.

O Inkis também não pode ir a Rio Branco, mas ainda ele pensa de vir para visitar Sta Catarina e assim os Rionovenses estão convidando para a Festa do Jubileu dos 30 Anos da Igreja. Vamos ver se ele vem mesmo.

Bem agora chega mesmo. Com um tiro matei dois coelhos. Para que não seja demais leia uma página por dia senão vai dar nos nervos. Os Prospectos este ano não vais mandar? Os Jornais não tens mandado? Estarei esperando longa resposta.

Lembranças de todos outros de casa.

Com uma Boa Noite! Olga.
________________________________________________________

Ontem foi o teu Aniversário, então hoje… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 10 de janeiro de 1922

Querido Reinohld! –

Ontem foi o teu aniversário, então hoje à noite estou enviando votos de muita alegria, saúde e muitas bênçãos de Deus neste próximo ano.

A tua carta escrita no dia 20 de dezembro recebi exatamente na noite do dia do ano velho, quando estávamos na Igreja para esperar o Ano Novo. Acho que esta carta por conter “Boas Festas” para todos, ela veio mais rápida e chegou a tempo e hora para fazer valerem estes votos. Por tudo isso obrigado.

Os jornais recebi no dia 26, junto ao Festa do Pinheirinho na Igreja. No dia 28 mandei uma carta para você, que provavelmente já há tenhas recebido. Nesta carta, eu mencionei que na próxima eu iria descrever as Festas do Natal e do Ano Novo, mas não sei onde começar e onde terminar e o que mais poderia te interessar. Mas vou ter que começar pela ordem:

Primeiramente que aqueles grandes e ilustres homens que viriam, não puderam vir. Vieram somente o Arthurs Leiman e o irmão Willis Leiman com a esposa Lucija com os dois pequenos Waldis e o Aleksis. O Fritz também queria vir junto, mas devido agora ao rigor das exigências da fronteira argentina, quais exigem passes que são demorados para se conseguir. –

O Butler também não pode vir. Amanhã começam as Conferências da Convenção em Rio Branco [Entre Massaranduba e Guaramirim] e se o Inkis tiver chegado ao Brasil, talvez eles venham ambos até o Rio Novo.

No primeiro dia do Natal o tempo estava nublado e começou a chover forte e ainda com vento e assim as pessoas que estavam dirigindo-se para a Igreja apanharam bastante chuva. O Culto foi dirigido pelo Arthur. [ Leiman] A noite foi à vez das apresentações da Mocidade e ai também o Arthur contou fatos e experiências de sua vida. Uma das coisas que ele contou que na escola dele, eles são ao todos 20, 9 homens e 2 moças que são escalados para trabalho como preparar (cozinhar) o café da manhã. O que geram os conflitos é que todo mundo quer saber mais que qualquer um e ninguém realmente sabe coisa alguma. Ai entra a esposa do Diretor e determina a reconciliação dos grandes mestres da cozinha [no Seminário em Buenos Ayres].

No dia da segunda Festa de Natal [dia 26] o tempo amanheceu maravilhoso, não estava fazendo calor e soprava uma brisa fresca, como fosse inverno. A reunião da manhã foi dirigida pelo Willis [Leiman]. À noite, o trabalho junto ao Pinheirinho, era por conta da Escola Dominical e quem dirigiu foi o Karlos Zeeberg. Foram apresentadas poesias, mensagens, Hinos, Apresentação do Conjunto Musical de Instrumentos e ainda outras apresentações de conjuntos de violinos e harmonium e detalhar tudo isso não seria possível, mas o resto você pode imaginar.

Na noite do ano velho ou último dia do ano teve a Noite de Vigília [Culto de Ação de Graças pelas bençãos do ano findo] e quem dirigiu foi o Willis. Ele contou sobre o seu trabalho no Rio Grande do Sul e o Arthurs do trabalho dele na Argentina. Cantou o Coro principal e também o Coro dos Jovens e foram declamadas diversas poesias e o tempo passou rápido e ainda foi servidos um lauto lanche com café com leite, pães, bolachas e logo chegou há meia noite e junto com ela o Ano Novo de 1922.

E como já era dia Primeiro de Janeiro e também como Dia Santo, deveríamos, depois de horas estar de volta na Igreja. Este dia pela manhã foi excepcionalmente quente e de tarde veio uma tempestade com direito a ventos, raios e trovões. O Arthurs passou este dia conosco como nosso hóspede.

A semana seguinte foi a semana de Oração. Estes cultos foram dirigidos alternadamente pelo Arthur e pelo Willis. O tempo nesta semana foi muito chuvoso e as estradas muito lamacentas. Assim mesmo a freqüência das pessoas foi muito boa. Esta semana o tempo está bom, pelo menos estes dois dias não choveu nenhuma vez, apesar de que nas costas da Serras, hoje à tarde ainda choveu.
O Willis está semana vai embora, mas a Lucija [Lucia Ochs a primeira esposa do Willis] ainda vai continuar por aqui.

Eles, os Leiman, não conseguem chegar a um acordo sobre o que devem fazer. Nenhum deles quer morar aqui, com os velhos.

O Willis quer que venda tudo isso ai e que vão morar com ele no Rio Grande.

O Fritz quer também que vendam tudo e ele quer levar ambos os velhos para a Argentina. O velho não quer vender e a senhora Leiman ainda está doente se bem que esteja melhor e já consiga caminhar até a cozinha, mas fazer algo ela não pode.

Bem agora chega, já é tarde e o sono não me deixa em paz, ele está persistentemente me incomodando e ainda o cansaço de estar o dia inteiro capinando a nova coivara que devido estas chuvas o mato e as ervas daninhas estão muito desenvolvidas.

Escreva-me uma longa carta como foram estes períodos de lutas. Onde você vai passar o dia das Férias.

Ainda muitas lembranças de todos. Olga.
______________________________________________________