…não tenho escrito de casa porque estava muito aborrecido com você.| De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1928 –

Florianópolis 01-05-28

Querido irmão! Saudações.

Eu recentemente não tenho escrito de casa porque estava muito aborrecido com você. Bem, mas chegou o tempo de deixar estas coisas e esquecer; porque as circunstâncias assim o exigem. Você deve estar muito surpreso com o título” Florianópolis”, mas tem que ser assim. Agora eu estou aqui no Quartel servindo o Exercito sob regime de Guerra. Cheguei ontem e agora como primeira prioridade estou dando ciência da mudança.

Sexta feira passada me despedi do pessoal de casa e fui para a cidade onde dormi no hotel por conta da nação e no sábado de manhã embarcamos para Laguna onde dormi duas noites. No sábado o Pastor Stroberg também veio pra Laguna dirigir os trabalhos e foi uma boa oportunidade em poder auxiliá-lo principalmente nos cânticos etc.

Na manhã de segunda feira embarquei no vapor “MAX” e às 2 horas já estávamos aqui. A viagem foi mais ou menos boa. O mar estava muito calmo. Mas nem por isso tivemos chance de deixar de pagar o tributo ao deus do mar até o último tostão, porque a lei determina que para cada poder devido, deve ser pago integralmente a sua parte para o mar uma parte e para o Governo deverei ficar aqui um ano inteiro da minha vida.
Aqui na caserna estamos mais ou menos 300 pessoas. Uns vão embora porque já cumpriram o tempo e outros estão chegando. Só ontem chegaram umas 90 pessoas. Ainda não estamos divididos em grupos, mas ainda hoje ou amanhã será tudo normalizado.

Fiquei muito triste em deixar o pessoal de casa porque eu era o mais forte trabalhador e o pai já está com poucas forças e eu era o mais desenvolto, mas fui sorteado e não posso mais ajudar então tenho que deixar na mão de Deus.

Não estou nada preocupado, pois onde mandarem eu vou, o serviço que me determinarem faço e eu estou considerando como sendo a vontade de Deus se bem que antes do sorteio tentamos todas as possibilidades de não sermos incluídos, mas foi em vão.

Aqui no quartel de quanto pude conhecer achei que tudo está em boa ordem e da comida não podemos nos queixar. De manhã cedo todos são chamados e todos vão se lavar e todos recebem uma xícara de café e um pão. Às 10 horas o almoço onde é servido feijão, arroz, carne etc. e depois uma xícara de chá e um biscoito. Às 4 horas da tarde é a hora da janta onde é servido inicialmente um prato de sopa e depois o arroz, feijão etc.. Às 9 horas da noite todos deverão estar todos juntos. Mais pra adiante ainda não sei te dizer.

Segundo eu ouvi ainda lá em Orleans deverei realmente servir o exército em Curitiba ou em Ponta Grossa porque somente uma parte vai ficar aqui e os outros terão que ir em frente.

Aqui hoje é dia de festa, mas que festa que é eu não sei e todos os soldados têm toda liberdade então tocam música na rua e ficam a vontade.
Hoje ainda quero procurar uma Igreja Presbiteriana pode ser que assisto algum culto. Também preciso encontrar o General Rosinha que é batista e possivelmente a gente se torne bom amigo.

Desta vez acho que chega de escrever, pois não sei mais nada daqui e perguntas não irei fazer mesmo porque você não precisa responder esta, pois eu não sei o endereço que realmente eu vou ficar em Curitiba ou aqui mesmo. Quando eles decidirem eu escrevo de novo.

Fico enviando sinceras saudações.
Seu irmão Arthur

…quando estiver passando pelas antigas paragens por favor não passe de largo.| De F. Janowoski para Reynaldo Purim

Rio Branco 19 de novembro 1925
[Rio Branco ficava perto de Jacuassu, entre Massaranduba e Bananal]

Caro irmão Purin:
Que a Paz do Senhor seja contigo!
Já passou longo tempo que nada tenho escrito para você. Também nada mais de perto sei sobre a tua vida. Se continuas a estudar, se você ainda continuas ai no Rio para estabelecer ai a tua vida, ou vais escolher outras paragens para o seu campo de trabalho. “Se ainda nada tiver definido, então na qualidade de uma pessoa que o considera como inesquecível amigo gostaria de pedir: “Venha para Santa Catharina e ajude-nos” porque nós aqui em Santa Catarina não temos nenhum obreiro residente, mas” Os Campos estão Brancos para a ceifa”. Esta afirmação posso assegurar com experiências pessoais.
Agora eu sou membro da Igreja Batista Brasileira de Joinville. Ela é uma pequena e nova Igreja com os membros espalhados por todos os quatro ventos da terra. Mas ela é fogo e onde um membro é espalhado, lá surge um novo foco incendiando toda a sua área de influência. Nós já temos 6 Pontos de Pregação e onde na medida de nossas possibilidades nós nos esforçamos em visitar e apoiar. As pessoas estão abertas a freqüentar e ouvir com toda atenção e reverência a Boa Nova e em muitos corações tem sido abertos e a Palavra tem operado maravilhosamente. De todos os lados e cantos somos convidados com a maior insistência e esperados como os mensageiros de Boas Novas. Mas não há ninguém para ir. Não há ninguém para ser mandado. Esta situação oprime por demais o meu coração.
O Irmão Leimann na medida de suas possibilidades nos visita, mas ele esta por demais sobrecarregado de trabalho e com toda certeza podemos afirmar que ele é um lutador que trabalha por três. Diante destas circunstâncias nem sempre ele consegue nos visitar. Eu também de um modo ou de outro tento fazer alguma coisa, bem , mas você sabe , sou um machado não afiado. O que alguma coisa grande com isso poderá ser cortada?
Finalmente ao terminar quero pedir encarecidamente que quando o teu caminho estiver passando pelas antigas pegadas dirijam-se a estas paragens então, por favor, não passe de largo.
Por favor, mande o seu endereço atualizado.
Com fraternas saudações. Teu amigo
F Janowoski

…muito admirado e pasmo pôr que lá não mais estou. | De Fritz Janowski para Reynaldo Purim

Rio Branco 20 de novembro de 1921
[(Rio Branco era uma das colônias Letas entre Bananal hoje Guaramirim e Massaranduba)].

Querido amigo!

Paz e alegria e a mais completa boa vontade no Senhor seja a Sua parte.

Pode ser que eu tenha sido esquecido ou estranho para você. Terá passado um ano que não tenho escrito para você. O entendimento e o tempo sempre estão tomados de modo que não tive condições de voltar a escrever. Como tu bem sabes que quando um caminho está tomado pelo mato fica mais difícil pôr ele caminhar. Seja como for eu nunca esqueci nos meus pensamentos, aqueles momentos que compartilhei lá no Seminário. E fico muito admirado e pasmo pôr que lá não mais estou.

Na minha vida aconteceram grandes mudanças. Neste ano no dia 24 de março eu selei a minha vida em matrimônio com a jovem irmã Ermínia Liepin, então eu já estou na classe dos maduros ou velhos. Estamos morando em Rio Branco com o pai.

Para o ano que vem estamos aguardando o irmão Carlos Leiman como Missionário para cidade de Joinville e cidades vizinhas. Em 11 a 15 de janeiro de 1922 reunirá aqui em Rio Branco a Assembléia da Convenção Batista Paraná / Sta. Catarina.
Esperamos a sua presença por aqui.

Com muitas lembranças e a certeza de um próximo reencontro.

Teu Fritz Janowski.