Tinham vindo diversos brasileiros | Robert Klavin a Reinaldo Purim

A. Braga, 8 de julho de 1917

Querido amigo Reinhold,

A tua carta recebi, pela qual agradeço. No mês passado diversas pessoas foram visitar o Onofre Regis. Foram as seguintes pessoas: Arnolds, Arturs, Shenne e Koleggeene.

Desta vez “aqueles aqueles” estavam com grande coragem e disposição para viagem. Estando o tempo firme e as estradas boas, e sendo o último mês que o Arturs liderava o grupo, este conseguiu arrancar as pessoas como a Kolegeene de sua “vidinha querida e suave”; desta vez ela de boa vontade enfrentou as dificuldades de uma viagem.

No domingo seguinte elas fizeram a prometida viagem para o Rio Larangeiras: foram a Kolegeene e a Isolina. Eu também fui, mas não junto, pois as alcancei e na volta não pude voltar com elas. Saí bem depois, pois tive que conferir um trecho do ABC com a Margarida, ensinar os textos áureos das próximas lições da Escola Dominical e ler todas lições dos próximos domingos. Almocei e ainda conversei com diversos brasileiros amigos, e assim mesmo alcancei a Isolina e sua companheira.

Hoje entreguei as tuas lembranças e saudações ao pessoal de Rio Laranjeiras, pelas quais agradeceram e retribuíram – principalmente a Dominga de Medeiros e Maria da Silva, que estão também muito preocupadas com a Augusta, que se prepara para casar com aquele alemão logo que possível, apesar dos conselhos de todos. Essas coisas deixam todos muito preocupados. Nos últimos tempos tinha observado que a Augusta está um tanto diferente, mas achava que não seria nada. Diferente é a Margarida, que é diligente e aprende tudo com facilidade.

A congregação de Larangeiras está com uma freqüência menor do que naquele tempo. Alguns faltam, e também aparecem outros que a gente não conhecia.

Hoje à noite dirigi o culto aqui nos Leiman em leto e em brasileiro, pois tinham vindo diversos brasileiros.

Quanto ao Oscar tenho pouco a dizer, principalmente como ele vai, pois ele faz parte do grupo do Rio Novo. O que tenho ouvido dizer é que eles mesmos não conseguiram dividir as terras, então teriam levado à justiça para orientar a divisão.

O Arvids [Karp] está construindo a casa para o Salit e quando terminar ele vai embora. O Juris também vai escrever uma carta para você, sobre suas variadas experiências de sua vida, etc.

Que Deus te ajude e que te vá bem.

Muitas lembranças de meus familiares e finalmente também as minhas.

Roberts [Klavin]

O Museo Nacional | Robert Klavin a Reynaldo Purim

28-V-17
A.B. [Antunes Braga]

Ao muito confiável amigo Reinhold, Rio de Janeiro

As tuas cartas recebi na quarta-feira. A primeira foi aquela que tinha uma para mim, uma para o Arthur [Purim] e uma para os seus pais, as quais imediatamente distribuí. O engraçado é que agora que eu tinha uma carta sua na mão esta deveria ser uma longa carta — E uma outra, escrita no dia 12-V, que recebi hoje e pela qual agradeço.

Alegro-me bastante, pois fiquei sabendo que estás passando bastante bem nos estudos e tens tirado boas notas.

Receba da Escola Dominical de Rio Laranjeiras muitas lembranças; eles nunca te esquecem, mas sempre perguntam se estás passando bem e aí e conto a todos das novidades e dos teus sucessos. O número de alunos é mais ou menos o mesmo, mas alguns que tem faltado não puderam ser visitados. Agora, por solicitação deles, todo domingo depois dos trabalhos normais da Escola Dominical nós lemos a lição do próximo domingo e é decorado o texto áureo – então podes ver que não sobra tempo para mais nada.

Três dos nossos alunos estão aprendendo a ler e escrever: Margarida, Augusta e José da Silva. Eu tenho ido regularmente e poucas vezes tenho falhado. A Sra. Kolegene tem se aprontado e prometido visitar o pessoal de Rio Laranjeiras há mais de dois meses, mas não foi por falta de companhia. A Isolina prometeu ir junto no Dia da Ascensão do Senhor; era para ter ido, mas daí surgiu uma dor de dentes que não permitiu, ficando assim para outra ocasião.

A “calça larga” [“moça”, pejorativo] do Slengmann esteve lá algumas vezes, mas depois saíram umas conversas desagradáveis por parte de alguns rapazes que começaram a contar vantagens. Depois de tudo investigado nada foi confirmado, mas causou muita tristeza e muitas lágrimas à pobre moça.

Aquela gente é muito unida; em qualquer caso, quando alguma coisa diferente aparece ou não dá certo, serão todas as condições avaliadas e naturalmente opiniões diversas surgirão – que deverão ser totalmente esclarecidas para que não paire nenhuma dúvida em nenhum componente do grupo.

Sobre o caso do Artur Paegle, a igreja nada pôde fazer, porque em 1912 a igreja em Pedras Grandes discutiu e deliberou que quando um membro da igreja se casar com um de fora não será reconhecido, mas também não será excluído como é praxe nas Igrejas Letas. O Arthur Leimann teria estado presente nessas deliberações mas não se lembra deste detalhe, e acha que alguma coisa teria sido alterada – mas assim mesmo ele não pôde ser disciplinado ou excluído.

No primeiro domingo deste mês, na igreja em Orleans, foi apresentado o novo casal, Artur Paegle e Frida Hilbert – e anunciado que a outra filha menor da Eeda também vai casar. Também ontem no Rio Novo noivaram o Osvaldo Auras e sua “gorda” [Emile Frischembruder].

Sobre o Rio Novo sei muito pouco. Agora na Escola regular o professor é o João Frischembruder, de Riga. Num trabalho muito esforçado, durante as aulas nos dias de semana, ele já organizou duas apresentações de trabalhos feitos pelos próprios alunos tendo em vista o desenvolvimento cultural deles – dando ênfase a saúde, higiene, comportamento responsável, correto e irrepreensível, etc.

Eu já queria ter escrito recomendando que você visitasse o “Museo Nacional”, sobre qual tenho lido bastante e que tem muita coisa interessante; agora soube que você já foi, e fico feliz que tenha aproveitado bastante.

No dia da Ascensão do Senhor o Arthur Leimann e o Avelino foram visitar o Leonardo lá no Rio Importe. Ele mora bem perto das serras, é bem o último morador antes das serras. Eles gastaram quatro horas a cavalo do Rodeio do Assucar até lá, isso avançando bem rápido pelos vales e pelos morros afora.

Quanto ao Rodeio do Assucar, nada importante há para ser assinalado: tudo correndo na melhor ordem. No domingo passado foi feita uma coleta que rendeu 10$000 para ser enviada ao Jornal Batista, para que seja distribuído gratuitamente nas cadeias. Outros deverão mandar mais 10$000 depois.

O Arthurs [Leiman] está as noites ensinado hinos brasileiros. A senhora Kolegeene ficou tão entusiasmada que encomendou da S.S.S. inglesa um hinário com notas.

Muitas lembranças de meus pais.

Que Deus o ajude a ser bem-sucedido, a seguir em frente com bons resultados em todas as atividades.

Também lembranças minhas.

Seu amigo Roberts [Klavin]