Mesmo que nada tenha recebido de você, terei que escrever. |De Lucia Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Rio Novo, 5 de agosto 1925
Querido irmãozinho! Saudações.

Mesmo que nada tenha recebido de você, terei que escrever. O Arthurs este sim recebeu cartas suas escritas no dia 2 de Julho e a Olga um pouco antes também uma. Mas como eles estão um tanto folgados em matéria de responder cartas e também cada um tem as suas tarefas para cumprir então as respostas das cartas vai ficando igual a você que também demora a responder as cartas.

O tempo agora está bom e bastante fresco. Mas na noite da segunda feira passada choveu bastante, mas no outro dia pela manhã o tempo já estava bom. Agora o tempo está predominantemente bom e fazia já várias semanas que não chovia e também começou a soprar o vento que sopra durante as secas como verão passado. Lá onde você está ainda está frio? Algum tempo atrás nós lemos no “Der Compass” que na noite do dia 13 de junho para o dia 14 ai no Rio deu uma grande geada e o gelo foi tanto que foi a 8o.C. negativos e também em outros lugares como São Paulo, Minas, Petrópolis todas atingidas por essa grande onda de frio e grande geada. Realmente aqui nestes dias estava muito frio, mas que deu este frio lá eu tenho lá as minhas dúvidas. Se fosse verdade calcule quantas pessoas teriam morrido de frio.

O milho já terminamos de colher, rendeu 36 carradas, porque agora não usamos mais cavalos para trazer a colheita de milho das roças porque é muito mais difícil. As espigas tinham-se desenvolvido muito bem. As coivaras ainda não começamos a derrubar e nem sei o lugar que vamos derrubar. Na Bukovina este ano não fizemos derrubadas, pois você poderia achar ruim, pois nós tendo tantas capoeiras mais próximas de casa por que ir tão longe na Bukovina. Se ainda conseguíssemos camaradas para trabalhar, seria mais fácil. A fabricação de farinha ainda não terminamos porquê faltou água e também estávamos com muito serviço. Você ainda pode vir ajudar e assim terminaremos antes. Agora a farinha está com bom preço de 18$ a 20$ por saca, Agora tudo aqui está caro, o feijão chegou a 80$ a saca, mas agora baixou um pouco, o toucinho está a 30$ a 36$ a arroba e também as coisas que temos que comprar também estão caras demais. Alguns dizem que Nova Odessa mudou-se para cá porque tudo é caro como lá. – O tempo está muito seco e há pessoas que estão arando a terra para as plantas crescerem melhor – Em Rio Novo um italiano abriu uma venda e também os Karps abriram uma venda na casa nova onde vendem de tudo com exceção de tecidos que ainda não chegaram. e ainda compram todos produtos da lavoura. O Oskar e o Eduard abriram uma companhia e como se houve por ai vai muito bem e que conseguem girar 2.1/2 mil por semana.
Esta semana voltou do Serviço militar o Alex Klavin. Você lembra bem quando ele foi, apesar de serem feitos pedidos de dispensa, quais não deram em nada. Pois teve que ir de qualquer jeito. E quando depois foi a Curitiba onde o Butler é amigo dos grandes homens que tranqüilamente conseguiu a dispensa para ele vir para casa. Ainda não sei se a vinda dele é definitiva ou é uma licença temporária. No meu caso foi mais fácil porque eu não tive que ir porque conversei com o Cascais e consegui a minha liberação. Aproveitei explicar melhor, apesar de já ter escrito uma vez que eu fui sorteada para serviço militar no exército [Os computadores da época consideraram a Lúcia como do sexo masculino], mas acho que aquela carta onde escrevi foi aquela que se extraviou, é uma pena que nesta carta também eu e a Olga escrevemos sobre o Pintcher, o Schimit e o Stroberg e como este povo vive e como agora pouco daquilo eu lembro, em oportunidade que nós nos encontrarmos eu vou te contar.

O Stroberg ainda está na escola e escreve que já consegue conversar em português e que por duas vezes visitou a Igreja de Rio Branco e está muito mais gordo. Os Rio-novenses o liberaram por um ano para aprender a língua e agora todo domingo pedem dinheiro para o seu sustento. Veja como é quando o Stroberg veio à primeira vez o Zeeberg não podia nem ver e agora e o seu melhor amigo. A Igreja melhorou porque não existem tantas rusgas como antes. A Escola Dominical está mais ou menos bem. A classe dos jovens e das jovens ainda existem. Quando o Stroberg estava aqui ele é quem dirigia a Classe das Jovens e quando ele foi embora então a Senhora Beker se prontificou a continuar, mas agora ela não mais dirige porquê ela teve a desavença com a senhora Frischembruder por problemas do Coro e agora não vem mais para a Igreja. Isto acontece às pessoas que procuram a sua própria honra e sempre querem ser mais que a outra.

Ainda muitas e amáveis lembranças do pessoal de Larangeiras. Eles esperam quando voltares não deixar de programar uma demorada visita a todos eles, porquê de você eles não conseguem esquecer.
Bem agora eu vou terminar nem sei se você quer que eu escreva, e se tiver preocupado com aquele aniversário, não preciso pensar mais nisso porquê estes retratos eu perdi. Você poderá me mandar as que você tiver que eu ficarei realmente muito satisfeita.
Você está me devendo a resposta daquela que mandei junto com a carta do Arthur e ainda reitero que realmente não espero suas fotografias e somente os votos de feliz aniversário porquê eu nunca esqueço e eu tenho certeza que também você não me esquece. É pena que a Olga mencionou esta história de fotografias.

Logo no dia 30 vai ser festejada a Festa da Colheita que é em ação de Graças pelas boas colheitas. Você está convidado para participar. Poderá aproveitar que no dia 29 a Ema Slengmamm vai casar com o Adolfo Burmeister. Ela depois de um longo tempo conseguiu pegar um.

Esta semana nós fizemos açúcar, rendeu 4 fornadas, e há pouco tempo o Venis Grichk também fez 4 tachos e o Auge Felberg fez 2 tachos. Então tivemos bastante garapa para tomar.

Porquê não mandas mais nenhuma revista nem jornal?

Ainda muitas lembranças de todos. Lúcia
[escrito nas laterais]
[A minha caligrafia não é lá estas coisas e não sei se você vai conseguir decifrar, e é porque eu não tenho os dedos grã-finos como os teus.].
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Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar….. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

Rodeio do Assucar 14 de novembro de 1923

Querido Reini.

Saudações!

Então hoje à noite estou escrevendo outra vez, porquê só cabe a mim mandar cartas, mas receber nenhuma. Eu não consigo entender porquê este ano está assim. Será que você este ano realmente não quer escrever? Ou existe algum outro motivo? A última carta que recebemos em junho tinha sido escrita em maio e para variar não, soubemos nada pelos jornais que este ano também não vieram.

Algumas semanas atrás como por milagre chegou um jornalsinho, qual o outro número você mandou para o Roberto. Então tivemos uma certeza que vivo ainda estás e por cima ainda redator deste jornal.

Você está indo pelo mesmo caminho do Ludis que quando passou a redator de jornal, as cartas acabaram e a correspondência ficou de lado. Nós temos mandado bastantes cartas, eu, a Luzija, o Arturs e até o Karlis quando esteve aqui ele também te escreveu. Não sei o que tudo isso significa, este silêncio todo.

Quando recebemos o jornal procuramos alguma anotação, mas nada, a única certeza é que ainda está vivo. A primeira coisa que eu te escrevo que vás passar as férias aonde realmente quiseres se esta é a tua vontade.

Mas por acaso venhas para casa e por isso estou escrevendo esta “última” carta e ela deve chegar lá antes do fim do mês. Alguns diziam que você não vem porque tens que trazer muita coisa, mas acho que ninguém escreveu pedindo um montão de coisas. O que a Luzija escreveu esta semana eu não sei. Para o Artur os acordoamentos do violino e a ocarina.

Tempos atrás, não sei se foi terremoto ou alguma outra coisa. Uma noite, o armário de louça da Luzija, tombou e quebraram-se as lindas xícaras de porcelana dela. Então ela lembrou de escrever para você para ver se pode comprar lá para ela. Quando você esteve aqui, contou que existem lá muitos estabelecimentos que vendem estas coisas bonitas. Aqui em Orleans já não tem mais como antigamente aquelas louças finas e coloridas. Somente louça branca e pesada e muito cara 3$000 ou 4$000 a peça.

A mamãe precisa de bons óculos, mas estes não podem ser comprados, sem antes de prová-los. O que eu preciso você com dinheiro não pode comprar. Por isso não adianta escrever porquê estas belezas [Smukums] eu não preciso.

Se puderes conseguir um remédio da marca Raziteem chamado [espaço em branco] que é fabricado em Cleveland na América do Norte. Este remédio também é fabricado em outros lugares mas não adianta nada. No ano passado o Wilis Elbert encomendou um vidro para a senhora Grüntall e veio e ela pagou 30$000 pelo vidrinho. Muito caro e dizem que em Riga existe também tem do bom e é mais barato. Parece quer o Willis quer ganhar muito sobre as encomendas que ele faz. Aqui em Orleans ninguém sabe que este remédio existe.

Aqueles remédios à base de alho também podes comprar porquê aqui eles são muito mais caros.

Bem agora chega porque tanto escrever eu nem pensava. Quando tu vieres, toda esta necessidade de escrever vai acabar.

Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar…….

De novo aqui realmente importante não tem nada.

O tempo hoje aqui está coberto de neblina e de vez em quando chove um pouco. Na semana passada estava bastante quente e o pessoal daqui e das colônias vizinhas aproveitaram para queimar as roçadas e as coivaras. Eram queimadas por todos os lados. Mandiocas nós plantamos 12.000 pés.

Já tiramos o mel, rendeu mais ou menos 18 latas. Vamos vender por 20$000 a lata. Tem gente que não vende e quer esperar chegar a 25$000 a lata porquê o açúcar está a 18$000 a arroba.

O que faz o J. Klava? Existem pessoas que dizem que ele ocupa um alto cargo.

Tens notícias dos nossos parentes? Faz tempo que não temos tido notícias.

Lembranças de todos de casa e da Olga.

…e em um só dia pode-se experimentar todos os climas das quatro estações| De Lucia Purim para Reynaldo Purim -1923-

Rio Novo 19 de Agosto

[Deve ser 1923]

Querido irmãozinho! Saudações!

Primeiramente envio-te muitas lembranças, minhas.

Hoje está chovendo muito por isso estou escrevendo uma carta para ti, porque a última carta que recebemos de você foi uma em abril para mim e outra em maio para a Olga e para essas as respostas nós já mandamos no dia 29 de junho acompanhado com um para de meias de lã. Mas resposta, tua nenhuma. Aqueles jornais que sempre você mandava não temos recebido e não sei se despachou mesmo ou perderam-se pelo caminho.

Não entendo porque ninguém escreve, por exemplo, a Selma [Klavin] e o Victors [Staviarski] não têm escrito uma linha sequer, nem para nós nem para os outros parentes deles. Não sabemos se vocês estão doentes ou com preguiça mesmo.

Aqui tem muita gente doente com influenza e pode ser que você também esteja de cama.

Aqui tem muita gente de cama, mas nenhum de nós ainda se entregou.. É possível que esta doença seja causada pela irregularidade do tempo, frio, quente, chuva, vento e em um só dia pode-se experimentar todos os climas das 4 estações.

No dia 10 de julho tivemos uma grande ventania, tão forte que a gente não podia andar em sentido contrário ao vento e parecia que o mundo ia acabar derrubando tudo. Duraram dois dias, estes ventos muito loucos, e depois vieram as grandes geadas. Estas geadas mataram tudo, o que encontraram pela frente. Depois vieram 3 semanas de tempo bom, mas continuou um frio terrível. Bem agora as chuvas chegaram, mas não na intensidade que antes e tudo começou a brotar e ficar verde, pois a primavera está chegando. A grama está começando a se renovar nos pastos que até a pouco era um cinza amarelado como resultado das grandes geadas.

O milho nós colhemos em 3 semanas. Começamos no dia 9 de julho e terminamos dia 28. Quanto rendeu eu ainda não calculei. Foram trazidas mais de 30 carradas que já estão no paiol. Este ano não usamos cavalos para trazer porque não temos nenhum menino pequeno para dirigir os animais.

Agora é mais fácil usar o carro de bois com o Barroso e o Branco na canga eles trazem 6 cargas de uma só vez e ainda o passeio de carro na volta.

A cana de açúcar também já cortamos e moemos. Estas este ano não cresceram direito. O vento derrubou muito e depois ainda a geada matou tudo. Este ano em tudo rendeu 3 tachos, mas ninguém sabe por que não dava ponto de açúcar. Podia ferver o tempo que quisesse, quase começar a queimar, mas de ponto de açúcar, nada. Só puxa-puxa [Ora puxa-puxa é puxa puxa. Ao ser descarregado o tacho com uma carga de açúcar já pronta o mesmo ainda tinha uma pequena quantidade de melado fervendo grudado nas paredes do tacho de cobre. Ai era solta por gravidade outra carga de garapa fria no tacho quente, então aquele melado era desgrudado com uma concha feita de cuia de um porongo. Aquilo era a delicia chamada puxa-puxa]

e melado-forno. [Melado era tirado um pouco antes do ponto do açúcar e este era usado na alimentação humana.O outro era o melado do cocho, que era o resíduo que escorria do açúcar]

Agora estamos numa grande comilança de melado. Quem sabe você também queira comprar algumas latas de melado. Está muito doce e pode ser usado para adoçar o café e também muito bom para ser passado no pão. Se você quiser experimentar e só vir para cá. A explicação técnica porque não deu açúcar e somente melado foi que a cana usada tinha sido apanhada e morta pela geada.

No dia 29 agosto vai ser comemorado o dia de Ação de Graças mais conhecido como Festa da Colheita. Se quiseres poderás vir para a festa, mas não esqueça de trazer uma mensagem ou uma poesia para apresentar no programa. Também podes trazer um hino para ser cantado em solo. Vais ganhar café com leite acompanhado com pão doce, bolos e bolachas quais não podem faltar em uma Festa da Igreja, tendo mais coisas ou menos isso sempre tem.

Na igreja tudo corre na monótona mesmice. Estávamos esperando o Vilis [Leiman], mas já soubemos que ele não vem mais. O motivo eu não posso afirmar.

Bem agora chega. Se você, alguma vez, tivesse escrito tanto, teria sido muito bom e ainda por cima você só escreve de um lado só do papel.

Como tu estás passando? Estás com saúde? O que estás fazendo? Lá também vocês tiveram muito frio e geadas?

Ainda uma coisa: você quando esteve aqui me prometeu uma receita para fabricar gelo, mas não cumpriu o prometido. Por favor, cumpra o que prometeu agora.

Todos estão dormindo e roncando. Tenho que ir também. Mui amáveis lembranças de todos. Lúcia

 

Agora nos temos 6 cavalos para montar…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 12 de setembro de 1922

Querido Irmãozinho.

Saudações

Recebi a tua carta de 3-8-22 já há bastante tempo. Muito obrigada! Esta carta já estava aguardando há bastante tempo e chegamos a pensar que aquela nossa teria sido extraviada. Parece que ela foi muito devagar porque estava muito pesada porque parte de nós foi junto com ela. Você escreve que nós aqui ficamos mais distantes e desconhecidos. Não sei se é ou não e se você acha que é assim então você deve vir até aqui para ver senão realmente ficaremos inteiramente desconhecidos. Você escreve que tem muito trabalho e que está muito cansado.

Então é mais um motivo de você vir para casa passar uns tempos aqui. Será mesmo depois de ter se formado Mestre não pode planejar uns 6 meses de férias ou mais. Chegando aqui todo este cansaço tenho certeza que desapareceria, não teria pensar tanto etc.. Eu te convidei para a época da fabricação do açúcar, mas não sei se o convite não chegou atrasado e esta alegria você perdeu, mas agora você poderá vir para a festa da farinha de mandioca que vai começar breve pois agora nós temos 2 fábricas uma de açúcar e outra de farinha de mandioca e nesta tudo é diferente do que você conhece ou tenhas visto.

Agora nós temos muito açúcar, muito polvilho e então poderemos fazer muito” thissel” [Geleia doce feita com sucos naturais de frutas mais açúcar e a consistência apropriada era conseguida com adição de polvilho de mandioca ou de araruta] também muitas roscas de polvilho [Ainda encontradas em Sta. Catarina. Também chamadas de “corujas] e também “ Bijús ” [Bolos feitos de massa de mandioca com açúcar]

Laranjas há ainda em grande quantidade. Estas delícias você não encontra por lá. Quando ficares entediado em uma casa, você poderá ir a cavalo para a outra. Agora nós temos 6 cavalos para montar e se tiveres esquecido como andar a cavalo o Artur pode leva-lo no automóvel puxado por dois bois brancos, se bem que não tão rápido como os da cidade, mas assim mesmo eles chegam no destino. Será que ainda assim você continuaria cansado?

Você escreve que nós colhemos muito milho este ano. Na realidade este ano o milho não cresceu como devia e os Leiman não tinham muito milho. Nos compramos 60 sacos de espigas. Você parece pensar que a casa dos Leiman esteja vazia, mas não está não. Como poderá estar vazia se nós estamos morando nela. Agora estamos morando em duas casas. Nós dos Leiman compramos: 3 cavalos, 2 vacas leiteiras, 1 touro, 1 junta de bois junto o carro e pertences, 2 novilhos, 2 bezerros pequenos, 17 porcos.

As galinhas em grande quantidade a senhora Leiman deixou para nossa Lucija que morava lá cuidando dela. Deu ainda para ela 4 leitões e dois perus. Ainda você acha que a casa esteja vazia e abandonada? Ainda os arados, 3 selas, os pertences da sala e todos trens da cozinha.

Nas roças 20 mil pés de mandioca de 2 anos passando da hora de colher, com raízes grandes e bem crescidas pois elas foram plantadas em terreno preparado com arado e assim com a terra mais solta fica mais fácil também o trabalho de arrancar. Também ainda bastante aipim e batata doce. Então tudo bem.

O Fritz não queria e nem podia levar tudo então nada melhor que deixar para os parentes. Agora o Fritz é um grande parente ou pelo menos muito importante.

Tudo estaria certo se depois de longa espera, na semana passada recebemos 5 cartas todas de uma vez, 2 escritas pelo velho e 3 pelo Fritz e todas ainda do Brasil. A viagem por mar até o porto da cidade de Rio Grande foi maravilhosa e todos bem de saúde. E daí eles foram de trem para passear na casa do Willis [em Ijuí RGS] e o Fritz aproveitar para visitar as Igrejas alemãs onde ele tinha trabalhado. Daqui do Rio Novo eles saíram no dia 12 de julho e então somente no dia 20 de agosto eles saíram de viagem de Ijuí para irem para casa. Lá em Ijuí o velho Leiman foi acometido por uma tosse muito forte e a Senhora Leiman começou a apresentar os sintomas da antiga doença voltando….

De Ijuí eles saíram no dia 20 e chegaram em Uruguayana na fronteira dia 22 a noite. Então o velho escreve no dia 23 que a senhora Leiman está tão doente que nem conseguia andar. E ainda muito pior que o Fritz não consegue autorização para eles entrarem na Argentina, pois lá eles não deixam pessoas de idade entrarem no país para morar. Chegou a oferecer 20 pesos para eles acharam muito pouco. Então o Fritz seguiu na frente e foi direto tratar com as autoridades argentinas e trouxe a autorização.

Mas assim mesmo foi uma grande dificuldade ter que deixar os pais doentes e sós. Então dia 24 o Fritz escreve que a tarde eles vão embarcar para atravessar para a Argentina e daí mais dois dias de viagem para chegar em casa. O Fritz não escreve quase nada sobre o estado da mãe, mas o velho este sim explica tudo direito. Agora estamos aguardando novas notícias e possivelmente não sejam as melhores, pois nem sabemos se ela chegou lá viva.

Imaginem a decepção da Cristina e do pequeno com a chegada da vovó se ela não puder pelo menos falar.- – – Você bem que poderia escrever uma carta para o Sr. Leiman e eu tenho certeza que ele vai responder porquê ele agora tem uma quantidade imensa de novas experiências da viagem ele sabe descrever muito bem.

Também recebi uma carta do Carlos Leiman e esta demorou quase dois meses para chegar. Acho que escrevi o suficiente se não demais. Com muitas lembranças de todos. Olga.

Escrito na lateral: O endereço dos Leiman é: Ramirez Entre Rios Argentina.

Ainda é noticia que no dia 1 de setembro o Jahnis Ochs casou.

No dia 16 de outubro vai ser festejado o Jubileu de Prata da União de Jovens da Igreja pois estará completando 25 anos. Você vindo pode trazer um sermão ou uma palestra que será muito bem vindo.

Escreva bastante. Junto com os jornais podes mandar papéis azuis [Deve ser papel carbono muito usado para tirar moldes de roupas de jornais e revistas, ] que estão muito velhos e estão acabando.

…o Troykis anda pelo telhado e mia. | De Lúcia Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 5-9-1922

Querido Reini!!

Saudações. – Tua carta escrita em 3-8-22 recebi faz bastante tempo, mas porquê ninguém ia para a cidade e nenhuma coisa mais importante aconteceu, assim eu fui deixando.

Nós estamos mais ou menos bem. Hoje à noite eu estou sozinha em casa. Os demais foram para a outra fazenda para arar a terra para plantar mandioca. Agora é sempre assim, onde se faz mais necessário nós corremos para lá e para cá.

Você não quer vir para casa e ser o gerente de uma destas fazendas? Hoje à noite a casa está muito quieta se não fosse a Ledi que às vezes late e o Kramzis cochila enquanto o Troykis anda pelo telhado e mia.

O tempo hoje está bom. Hoje queimamos a palhada onde foi cortada a cana.

Semana passada terminamos a festa do açúcar, renderam 9 tachos e daí 5 formas cheias. Você ficou com preguiça de vir nos ajudar, pois faz bastante tempo que o convidamos para ajudar a cortar cana e assim poderias tomar garapa com a concha e comer açúcar a colheradas.

E se demorasse aqui mais um pouco poderias acompanhar a festa da mandioca que ainda no teu tempo você não conheceu. Poderias ajudar a raspar as raízes da mandioca e secar a farinha no tacho do forno assim poderias comer farinha com melado que é muito delicioso. Este ano não vamos fazer muita farinha, pois ela está com o preço muito baixo.

Vocês somente comem arroz. Deviam comer feijão preto com farinha e assim aumentaria o consumo e também o preço. Planeje para a próxima temporada vir ajudar arrancar a mandioca e fazer a farinha lá no engenho do Leiman que agora é nosso.

Você poderá me ensinar os grandes conhecimentos e eu te ensinarei como se arranca um pé de mandioca. Então você vai ficar com a força e eu com a inteligência.

Quando nós formos lá não queremos que você fique com outras pessoas e nos ignore e também não queremos comer arroz com feijão preto que qualquer “mujike” come e sim vamos querer assados e pratos especiais e ainda na sobremesa àquelas deliciosas frutas.

Desta vez chega terei que ir a cidade.

Como estas passando? Você vai ter que responder com uma carta igual ou mais comprida. Mui amáveis lembranças de todos. Luzija.

…é o celeiro de trigo da Argentina e quem sabe do mundo | De Olga Purim para Reynaldo Purim 1922

Rio Novo 9 de agosto de 1922

Querido Reini – Amáveis recordações!

Recebi semanas atrás a tua carta escrita no dia 10 de julho. Obrigada. Justamente naquele dia e escrevi uma carta que por certo deves ter recebido. Faz tempo que estou aguardando a resposta. Possivelmente hoje ela chegue, pois lá em Orleans falaram que o Maxchelis [Depreciativo do vapor da Karl Hoepke, o Max] chegue hoje, ele sempre traz as malas do correio.

Quantas novidades poderei te contar hoje ainda não sei. Por aqui os ventos das notícias estão bastante devagar. Nós graças a Deus estamos passando até que muito bem.

A grande maravilha que este ano ainda não fez frio quase inteiramente sem geadas. Na verdade nós vimos algumas bem fracas lá em baixo no pasto ao redor do templo da Igreja. Houve sim um período de chuvas frias. Nenhuma planta foi morta pela geada e todo mês de julho foi muito quente. Agora os pessegueiros e as laranjeiras estão todas em flor que nos outros anos ocorria bem mais tarde no final de agosto.

Chuvas sim tiveram demais, pois nem terminamos colher o milho. Este ano o milho está sendo prejudicado pelo excesso de chuvas. O milho até que deu espigas grandes, mas agora ao colher aparecem muitas espigas apodrecidas. Alguns trechos as hastes são grandes e as espigas pequenas.

Logo vamos fazer açúcar e se quiseres tomar uma gostosa garapa e chupar cana, venha logo. A cana está crescida que dá gosto cortar. Não pense que vais conseguir todas estas delícias sem qualquer esforço. Você terá que ajudar a cortar, transportar para a fábrica, pois ferver a garapa para fazer o açúcar e o melado nós mesmos vamos fazer porquê este serviço de ficar na fornalha e cuidar do tacho será demais para um cara da cidade. Para você vai ficar reservado o serviço “leve” como cortar a cana, desfolhar e enfiar nos feixes [ver nota no final] e outros serviços similares.

Agora a escola de Rio Novo está com novo professor, o Emílio Anderman e logo vamos ver Rockfelleres sobrando por aqui. O Treiman não “formou” nenhum de seus alunos, pois foi logo embora.

No Domingo passado foi anunciado do púlpito o noivado da Lucija Sanerip com o Jahnis Ochs então breve vamos ter festa de casamento. Em Nova Odessa já casou o Conrado Frischembruder com a jovem Lídia Akeldam.
Há pouco tempo atrás chegou de Porto Alegre para morar em Orleans o Willis Gruntz. Ele comprou a casa do
Grünfeld.

Você já sabe que os Leiman foram embora e só para isso que o Fritz veio e foi suficiente convincente para fazer que os velhos deixassem tudo para traz e fossem embora para outro país. A maior pressão tinha sido exercida pela Kristina esposa dele que não se conformava de que eles ficassem sozinhos e com a saúde precária e tão distantes. Ela praticamente intimou o marido trazer os sogros de um jeito ou outro, pois lá ela teria todas as condições de cuidar e proporcionar a eles uma velhice bem cuidada depois de uma vida inteira de tantas lutas e trabalhos.

Certamente eles realmente estarão bem ali, pois o Fritz tem em imóveis o equivalente de 20.000 pesos, morando na cidade de Ramirez, província de Entre Rios como um bem instalado fazendeiro. Tem uma grande casa na cidade com todo conforto com grande jardim e na parte posterior uma grande horta. Fora da cidade uma grande gleba onde ele planta trigo que dá para comer o ano inteiro e ainda muito para vender, tem sempre 4 ou 5 vacas dando leite. A Kristina vende todos dias, leite e derivados e mais verduras em geral. Também eles têm um automóvel com o qual se pode viajar entre 60 a 80 quilômetros por hora. Antes ele mantinha cavalos, mas agora com as boas estradas não tem mais sentido. Toda Província de Entre Rios e entre cortada de boas estradas e a topografia é muito plana. Esta parte do país é o celeiro de trigo da Argentina onde estão situadas as melhores terras para o cultivo deste cereal da Argentina e quem sabe do mundo. – Agora esperamos que a viagem para lá tenha sido bem sucedida e por isso estamos aguardando longas cartas.

Daqui eles desceram a cavalo para Orleans no dia 11 de julho e no dia 12 embarcaram de trem para Imbituba para aguardar o navio. Lá naquela noite, o Fritz que até ali tudo tinha corrido muito bem. O trem não tinha prejudicado a saúde dos velhos, a mãe estava com muito apetite e a tosse tinha diminuído bastante. O navio deverá entrar no porto nesta mesma noite e no outro dia já iria sair para o porto com destino da cidade de Rio Grande. Eles queriam antes visitar o Karlis [ Leiman em Joinville] e então de trem para Ijuí, mas depois parece que apareceram obstáculos e eles iriam direto para Ijuí encontrar o Willis. Como realmente foi a viagem ainda não sabemos. Aquela semana aqui foi de clima ameno e calmo.

Bem desta vez chega, estarei esperando muitas novidades daí. Se você quiser saber alguma coisa mais especifica, escreva.

Agora que nós compramos a propriedade dos Leiman estamos com a família dividida alternadamente ficam alguns lá e outros cá. Eu na minha humilde opinião acho possível que você não esteja interessado nos detalhes de nossa vida aqui, mas se perguntares algo eu responderei pela ordem.

Então finalizando lembranças de todos e fico aguardando muitas novidades. Muitas lembranças de todos e especialmente as minhas. Olga
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[Para transportar a cana em carros de bois se tornava muito difícil pois as mesmas são escorregadias, ocupam muito espaço e são muito difíceis de amarrar, então para facilitar eram feitos feixes da seguinte maneira: Eram feitas argolas pré-amarradas de cipó São João ou outro qualquer bem forte com um diâmetro de palmo ou pouco mais e onde as canas depois de desfolhadas e despontadas eram enfiadas até não caber mais mesmo, isto é até ficar um feixe compacto e firme e fácil para transportar]

…tanto que os riachos começaram a marulhar… | De Lucija Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 5 de setembro
Querido irmãozinho!!

A tua carta escrita em 14-8-21 eu recebi no dia 26-8-21.

Muito Obrigada.

Agora que passou mais de uma semana que ela chegou. Nós estávamos em plena festa do açúcar.
Na semana passada foi muito frio e com chuvas muito fortes como faz tempo que não tem havido. Também não escrevi antes porque com um tempo deste ninguém iria para a cidade mesmo.
Quando começamos a cortar a cana no dia 18, o tempo estava bom e terminamos dia 27, estava muito quente. Na quinta feira, o Albis e o Venis Grikis vieram nos ajudar a cortar e carregar. Mas apesar do papo de serem fortes eles não conseguiam com um feixe de cana. Depois de mais acostumados quando punham um feixe de cana nas costas as pernas bambeavam. Queriam exibir as suas forças e bancar os heróis. No sábado o Albis veio com o carro de bois, ajudar a trazer cana e lenha da roça.
Na segunda feira, nós trabalhamos sós, na terça feira deu uma forte chuva com trovão forte, tanto que os riachos começaram a marulhar, na quarta feira cedo quando ainda estávamos tratando dos porcos chegou o Wilis Klavim trazendo a sua junta de bois. Ele disse que tem medo de andar com carro de bois pelos nossos morros e grotas e os bois ele trouxe eram para ajudar nas moendas.
E nós voltamos a cortar mais e ai o tempo ficou muito quente. Na quarta feira vieram nos ajudar o Natalis e a Elvira Auras Felsberg do Auggis e o Albis veio outra vez com o carro de bois dele para nos ajudar a puxar a cana da roça. Na segunda feira, o nosso rapazinho, veio nos ajudar e exatamente no meio dia chegou a Marta Klavim e outras crianças voltando da escola e trazendo a tua carta, onde, você me reservava lugar numa festa. Naquela hora todos juntos inclusive a Marta e o Natali tomamos bastante garapa. No sábado terminamos de moer e ferver. Ao todo deu 8 fornadas sendo que o último não deu bem cheio. O açúcar está enxuto e tão branco que você nunca viu igual.
Naquele domingo começou a chover e choveu a semana inteira. Esta semana está um tempo bom e estamos agora plantando cana. Hoje plantamos 1500 e amanhã vamos plantar mais.
Você realmente deve ter ficado um preguiçoso, pois nem para a festa do açúcar você não apareceu. Outra semana foi do italiano, depois foi a nossa se você tivesse vindo alguma coisa nova poderia ter contado. O italiano fez 17 fornadas. Agora chega. Tudo sobre a cana e o açúcar eu já escrevi e você talvez não tenha tempo de ler cartas tão longas. Para você que vive o dia inteiro com lápis e caneta o dia inteiro é bem diferente de nós que sabemos manejar melhor a enxada do que a caneta.
Chega. Escreva bastante de tudo em geral.
Com lembranças Lucija.
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