…para o maior casamento leto de Sta. Catarina… | De Roberto Klavin para Reynaldo Purim

Invernada 13-9-1921
Querido amigo.
A tua carta de 9-8-21 recebi na semana passada pela qual agradeço.
No dia 17 do mês passado houve a Festa da Colheita e naquela oportunidade também apareceram: o A.W. Luper de Corytiba, José Cascão de Paranaguá que é o responsável pela lancha missionária da beira mar e o Coronel A. da Silva que é pastor da Primeira Igreja Batista de São Paulo. Este último dirigiu diversas reuniões evangelísticas em Orleans. A primeira foi no dia 15 e as outras duas foram nos dias 18 e 19. Ele queria ficar mais duas noites, mas foi anunciado que o navio chegaria a Imbituba então ele interrompeu o programa planejado e caiu na estrada.
É pena que ele tenha ido tão rápido embora. Ele é um grande e entusiasmado orador e pega forte contra os católicos e alguns andaram ressentidos, mas a maioria achou que ele falava a pura verdade e muitos ficaram realmente abalados com a força da palavra.
As duas últimas noites em Orleans quem dirigiu foi o pastor Lupers. No domingo durante o dia ele ficou no Rio Novo, mas a noite foi para Orleans, pois era a ultima reunião também quando acompanharam o Coro e os Músicos da Igreja de Rio Novo.
Todas reuniões foram bastante concorridas, mas esta no último dia o auditório do cinema estava super lotado com gente de pé e pessoas até na rua. Todas estas reuniões se desenrolaram tranqüilas.
O Lupers também é um vigoroso orador e já fala o português correto apesar não ter a desenvoltura e ainda requerer mais traquejo que virá com bastante exercício quando passará a falar como qualquer brasileiro. Na segunda feira embarcou para Braço do Norte para visitar o Onofre e dai para Laguna. Despedindo-se, prometeu se for a vontade de Deus logo que possível voltaria para visitar-nos.
No principio do mês passado estiveram passeando aqui pelo Rio Novo duas jovens, filhas dos Akeldams, quais tinham vindo de Nova Odessa para o maior casamento leto de Sta. Catarina, ou melhor, do maior leto de Sta. Catarina que é o Jahnis Sudmalis de Mãe Luzia com 1.94 de altura que na semana passada casou com a Line Akeldams.
Esta semana vai ser o casamento do Karlis Karklis com uma das filhas do Oigan (?).
Na semana retrasada acompanhamos para o cemitério o corpo de Willis Paegle o qual depois de uns dias doente veio a falecer sendo que a causa alegada foi que teria feito algum esforço demasiado ocasionando alguma lesão interna.
Neste momento estou em casa e nada bem desta vez, já vai fazer duas semanas que tive um acidente, fiz um corte na palma da mão esquerda até os ossos e tive que ficar com o braço na tipóia por uma semana e agora já estou fazendo algum trabalho que posso com uma mão só e não sei se em duas semanas eu já esteja recuperado.
Receba muitas lembranças minhas e dos meus Roberto Klavin
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…toda natureza estava lúgubre chorando…. | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28 de julho de 1921

Querido Reini! Saudações!

Eu desta vez não teria direito de escrever. A tua carta logo que recebi em seguida já respondi. Naquela vez os outros não escreveram, então como a Luzija esta noite está escrevendo então você não vai levar a mal, pois eu já estou escrevendo, mesmo que você não as possa ler no momento pode deixar para quando os dias forem mais longos. Desta vez não tenho notícias alegres e sim bem tristes.

– Nestes dias passados, aconteceu um desastre que há tempo não tinha acontecido…. Agora a nossa mais querida amiga Marija Sommer,[os pais desta moça tinham falecido e os parentes moravam distante] já não caminha pelas estradas do Rio Novo e está onde não há preocupações nem dor e seu corpo repousa no cemitério, no alto da colina.
Era uma fria manhã de domingo, dia 17 de julho. Ambos, os velhos Leiman, devido a este frio, resolveram ficar em casa. Mas a Marija montada no Prinze veio para o culto na Igreja. A senhora Leimann não imaginava que aquela foi à última vez que abriu a porteira, para esta pessoa tão querida que nos últimos dois anos morava com eles e eles a consideravam como fosse própria filha e que não voltaria mais para casa.
Nós neste domingo a convidamos para almoçar aqui em casa e que passasse a tarde conosco, mas ela muito responsável só queria ir para casa. Logo após a casa dos Karklim o cavalo se assustou e desembestou numa corrida maluca [a distância que o cavalo correu devia ser um pouco mais de um quilometro]. Quem viu foi o Limors, depois os Salit que estavam também voltando da Igreja e logo que atravessou a ponte do Rio Carlota já perto da casa dos Karp, ela parece que não conseguiu mais se segurar e caiu. Correram os vizinhos como os Match e os Salit que vinham da Igreja por perto, mas a jovem parecia desmaiada e depois de muitos esforços ela voltou a respirar. Então levaram para a casa dos Karp que era bem próxima. Logo que soubemos desta trágica notícia, a Mamma (Lisete Rose Purim minha avó) foi voando até para ver o que poderia ser feito. Aquele acontecimento agitou a tranqüilidade dominical da comunidade. A Maria não retornou os sentidos. Nos Karps, ela ficou até quarta feira, mas porque na casa dos Karp tinha pouca gente para cuidar a Mamma ficou lá duas noites direto [distante 3 quilômetros]. Os Leimann e os Grikis queriam levá-la cada um para a sua casa, mas ficou decidido trouxeram para a casa dos Grikis. Ficou todo este tempo respirando, mas sem comer ou falar nada. Ela resistiu desacordada 8 dias e assim no dia 25 ela morreu e no dia seguinte foi o enterro. Neste dia do enterro estava um dia nublado, cinza e soturno como eu não me lembro ter visto igual….. Parecia que toda natureza estava lúgubre chorando por ela… Agora o casal Leiman, ambos velhinhos sós, outra vez. Agora uma de nós duas vai ter que ir morar com eles. Quem será ainda não foi decidido. — Tempos atrás também morreu a senhora Elbert.

Hoje não vou escrever mais nada, porque logo que receber sua carta, eu terei que escrever outra vez e sobre os assuntos diversos a Luzija está escrevendo.

Quanto a nós graças a Deus estamos todos bem e esperamos que também estejas também.
Com sinceras lembranças. Olga.

[Este acidente foi causado pela corrida desenfreada do cavalo e agravado pelo uso da sela de banda usada pelas senhoras e moças que somente o pé esquerdo apoiava-se no estribo.].

…ela ficou esperando por mim o mês inteiro. | De Roberto Klavin para Reynaldo Purim – 1921

Invernada, 23-7-1921
Caro amigo!

Recebi a carta enviada em 15/6/21 pela qual agradeço. Só que ela ficou esperando por mim um mês inteiro, pois eu tenho ficado fora por tempo indeterminado e quando volto a correspondência, está toda acumulada como aconteceu agora.

Agora foi interrompido temporariamente o trabalho da Escola Dominical no Rio Larangeiras[o nome deste lugar era escrito assim]. Um motivo que estou trabalhando em Grão Pará e para sair de lá e ir até o Rio Larangeiras é muito longe e outro que ultimamente pouca gente colaborava e tinha pouco interesse no trabalho. Como será daqui para frente lá ainda não sei.

No domingo passado foi o funeral da senhora Elbert.

Também a Marija Sommer quando voltava da Igreja teve uma queda do cavalo e se machucou muito e está sem esperanças de recuperação. Ontem a noite, ainda estava viva, mas todos estes dias ela não fala nem conhece ninguém e cada vez fica pior.

Agora no Rio Novo temos aulas nos dias úteis, durante os dias e também as noites e o professor é o F.Treimanis que também mora nas dependências da Igreja.

Também o velho Lövenstein [Limors] está de volta no Rio Novo, mas se ele veio para ficar, eu não sei.

Quanto ao trabalho da Igreja eu sei pelo que me contaram, pois estive muito tempo fora e desde janeiro não tenho tido oportunidade para comparecer as reuniões. Nem nas Reuniões da União da Mocidade não tenho participado e farei o possível para ir amanhã à noite.

Até agora de modo geral não tem acontecido nada de importante que mereça ser escrito e sobre muitos detalhes, não vale a pena.

Terminando receba muitas lembranças minhas e dos meus. Teu amigo Robert Klavin.
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