…com mensagens tão bonitas e fiquei realmente Feliz. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1926

Rio Novo 8-2-1926

Querido maninho! Saudações!!

Os Cartões de Boas Festas recebi no dia 18 e por isso fico muito obrigada. Nesta altura já não mais esperava votos de Boas Festas e Feliz Ano Novo, pois está longe o Ano novo com seus dias felizes e outros nem tanto, mas assim mesmo muito me alegrou que me irmão lembrasse mandar-me cartões com mensagens tão bonitas e fiquei realmente muito feliz.

Você recebeu as cartas que eu mandei nos dias 8 e 18? Nós aqui graças ao bom Deus estamos indo como sempre, ninguém doente de ir para a cama, ainda que não sinta vontade de comer e dói a cabeça, mas isso não considero como doença.

O tempo está realmente muito chuvoso, pois chove doidamente todo dia. Durante todo mês passado poucos dias foram que o tempo esteve limpo. Agora pelas manhãs o tempo e extremamente quente, úmido e opressivo e a tarde chove, melhor descamba um temporal mesmo que haja poucas nuvens os raios e trovões estão presentes e é chuva que não para mais. Os rios grandes e pequenos rugem de tanta água e lembrando que no ano passado estavam completamente secos. As ervas daninhas crescem tanto que a gente não dá conta de capinar. E mesmo aquelas que a gente capina voltam a crescer.

As uvas este ano não deram boas, caem verdes e as que ficam nos cachos ficam escuras e muito azedas. Este ano nenhuma das frutas da época não se desenvolveu direito que talvez seja pelo excesso de chuvas. As pastagens estas sim estão crescendo muito bem, tanto que o nosso gado não consegue comer tudo. Agora nós temos bastante gado, são 8 bois e 14 vacas isto contando os novilhos e os bezerros. Os cavalos são 8. A grande Zebra tem o Poney. E a outra Zebra tem o Sirius e nova Marsa tem a Benita. Os três gostam de brincar e correm pelos pastos como se fossem doidos. A velha Marsa morreu no ano passado. Então agora você pode vir para cá para andar a cavalo. Porcos não temos muitos por que todos os animais devem ser cuidados e muito bem tratados e isso é mais importante ainda quando se refere à criação de porcos. Certo eu não sei, mas devem ser mais de 20. Na semana passada nós levamos 3 porcos gordos para a cidade e no total rendeu 410$000, por que agora os preços subiram e o preço da @ de toucinho está valendo 28$000.

No dia 6 de Janeiro houve piquenique na casa do tio Zeeberg. O dia estava limpo e muito quente. Nos dias da véspera tinha chovido muito, mas felizmente o tempo melhorou e veio bastante gente porque qualquer pessoa que quisesse poderia ir, pois de graça foi fornecido somente o café. Os demais pães e bolos etc. deveriam ser trazidos por cada família para si
.
Noutro dia cedo o Stroberg viajou para Mãe Luzia para visitar a Igreja local. Acompanharam 9 pessoas, os dois Frischembruder, o Osvaldo Auras, a senhora Zeeberg, a Lídia Stroberg, o Justis Grikis e também a Milda Match. Esta está sempre aonde o pastor vai. Se ela não for nada, é mesma coisa, é sim como angu sem sal. Sobre este assunto a Senhora Becherene tem falado coisas para o Frischembruder e disto resultaram grandes discussões na Sessão de negócios da Igreja. Os velhos tiveram a oportunidade de trocar farpas sobre o assunto. Também foram o Augusto e o Roberto Klavim. O Roberto veio passar as Festas em casa, mas agora já está voltando para Mãe Luzia onde está construindo atafonas junto com o velho Indriks.

(Esta carta foi escrita pela Olga, mas falta o final)

Primeiramente os nossos votos de um Feliz Ano Novo …| De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

Ano de 1925

Rodeio do Assucar 3-1-25

Querido Reini! Saudações!

Primeiramente os nossos votos de um Feliz Ano Novo e também muitas felicidades pelo seu aniversário, então pensei que precisava mandar um cartão de felicitações, mas depois refleti e cheguei a conclusão que você sendo um homem tão importante, o que iria fazer com um cartão. Também nos nossos aniversários e dias dos nomes que você nem lembrar, lembra.

A tua carta escrita, melhor datilografada no dia 8 de dezembro recebi na semana anterior as Festas do Natal. Obrigada! Desta vez você foi muito caprichoso e escreveu em seguida. Aqui não dá para responder tão rápido, pois tenho que esperar acumular as notícias para então poder te escrever. Pensava que depois de ter passado todas as Festas teria muita coisa para escrever.

Mas se você se lembrar, foi igual ao Natal do ano passado. A diferença foi que no primeiro dia da Festa [O primeiro dia era sempre o dia 25 de dezembro] depois do meio dia deu um forte temporal de chuva e um pouco de granizo. Mas à tardinha passou e podemos ir para ver o pinheirinho, somente a estrada estava muito mole. [A chuva tornava o barro vermelho mole e pegajoso] Apesar disso tinha muita gente. A festa foi dirigida pelo Strobergs. As crianças [O Natal era uma Festa dirigida pelo pessoal da Escola Dominical e a própria Escola Dominical era considerada uma escola para crianças] apresentaram poesias, hinos e Representações e tudo transcorreu muito bem.

Na Noite do Ano Velho [Noite de Vigília] foi uma noite de apresentações sob responsabilidade dos Jovens e a espera pelo Novo Ano. Já na manhã do Ano Novo houve uma Festa de Missões e esta também foi muito bonita e também tinha muita gente. O tempo estava bom e seco e quente. Muitas poesias, hinos pelo coro e também muitos quartetos e a prédica do Karkle como acontece todo ano. É provável que sobre as Festas a Luzija já tenha escrito mais amiúde, para tanto não vale a pena. No Dia da Estrela [Dia dos Magos – 6 de janeiro] a Escola dominical está organizando um piquenique na casa dos Klavim.

A Selma da Kate [ Selma Klavin ] chegou de viagem[ do Rio de Janeiro ] totalmente abatida e cansada de tanto estudar, nas outras vezes era alegre e extrovertida e agora já não sabe mais ser assim. Eu pensava mesmo que ela fosse a frente em alguma ocasião e pedisse a palavra para contar algo de lá, mas até agora não aconteceu.

Por que vocês não nunca autorizam o João Klava a sair para vir para casa? Eu faz tempo que ouvia dizer que ele viria, mas até agora nada. Ele não pôde vir porquê, porquê ele é o diretor da Escola, ou substituto dele e por isso não pode viajar e ainda no começo de dezembro teve que fazer um curso especial de aperfeiçoamento e assim este ano teve que ficar.

A Sylvia Karklim e o Waldi chegaram de São Paulo de passeio aqui.

No Domingo passado recebi uma pequena carta da Lilija.[Lilija Purens]Eu tinha escrito para ela reclamando por que ela não me escreve e perguntando se eles ficaram orgulhosos morando na nova fazenda então ela respondeu que não tinha recebido as cartas minhas cartas anteriores e nada mais atrapalhou a escrita senão a preguiça e ninguém deles não escreveu para ninguém. Diz que o tempo estava muito seco, mas agora já está chovendo. Também de você eles receberam uma carta e a qual ainda não responderam.

Aqui as chuvas tem sido ainda poucas, Antes das Festas, ai sim chovia, mas desde aqueles dias tem estado muito quente e um vento seco que resseca tudo. Ontem à noite sim, roncou trovoada e formaram-se muitas nuvens, mas logo tudo se desvaneceu. Hoje amanheceu limpo e no meio dia estava marcando 40 graus C. no sol. Pela impressão que as lavouras nos dão são desanimadoras. As roças estão completamente estorricadas e não sei como vai ser com o pão de cada dia. Nós temos a nossa reserva, então com o pão realmente não nos preocupa, mas muitos não tem. Muitos colheram pouco e porquê o preço estava muito bom venderam tudo e agora a fome. Tudo está caro e às vezes nem tem para comprar. Os Letos não tem problema de passar fome, mas os Brasileiros e os Italianos não tem o que comer então andando pelas estradas e roubando. Se alguém tem feijão ou batatas em roças a beira de estradas, elas desaparecem. Trabalhar eles não querem, se não pagarem 3$ por dia e mais a comida, então eles dizem que é melhor morrer de fome, do que fazer os letos ainda mais ricos.

A Arthur diz que se você escrever então ai ele também vai escrever. Ele teria o que escrever a semana inteira. No mês passado foram tantos os acontecimentos que você não poderia imaginar.

Lembranças da Olga.

Os pêssegos estão lindos e deliciosos…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1924

[Parte final de uma carta escrita pela tia Olga, pois a parte inicial não foi encontrada].

Nós estamos passando mais ou menos bem. No mês de Novembro o tempo permaneceu bom e seco.

Agora se podem queimar as roçadas em qualquer dia e quando quiser. Porque seco como está, a queima é formidável. A nossa coivara faz muito tempo que já queimamos há muito tempo atrás. Lá plantamos 4 quartas e 3 litros. Em tudo plantamos 9 quartas. Na Bukuvina ainda temos um trecho para roçar. Quando queimarmos esta parte e plantarmos toda esta área de mais 4 quartas, então deve chegar. Quando vieres, terás serviço bastante para capinar, porque as ervas daninhas e matos crescem muito rápidos.

Os pêssegos este ano estão lindos e deliciosos e sem bicho nenhum e também laranjas ainda existem muitas. Ainda na semana passada tiramos mel das abelhas e você se estivesse aqui poderia aproveitar de todas estas delícias, mas você não quer vir.

A Lúcia quer saber se você tem mandado os jornais, a Luzija espera e ela não vai escrever mais até que os mande.
Esta noite ela está com muito sono e por isso foi dormir. Eu tenho que terminar porque amanhã não é Domingo.

Agora fico aguardando uma longa carta e como ainda não te consideras sábio suficiente, e assim comer e dormir queres continuar, então a escrita de cartas também deve.
Porque estas duas coisas, a gente resolve rápido o que não acontece com a escrita. Você ainda tem os feriados e quando nós chegaremos lá?
As tuas cartas todas foram recebidas, mas uma enviada por mim está extraviada. Junto com esta foi perdida uma do Arthurs que foi mandada junto. Naquele naufrágio em Laguna nada foi perdido, porque isso ocorreu dentro da barra.

Bem desta vez chega, se não conseguires ler a minha escrita, use óculos porque eu escrevi muito rápido.
Então receba muitas lembranças de todos e também minhas
Olga.

Pois tu sabes que eu não tenho nenhuma máquina de escrever,… | De Olga Purim para Reynaldo Purim 1924

Rodeio de Assucar 26-11-24

Querido Reini: Saudações!
A tua carta recebi junto com os medicamentos já há algum tempo atrás. Por tudo isso muito obrigado. Você naturalmente vai me perdoar porquê já em seguida minutos depois não escrevi a resposta. Pois tu sabes que eu não tenho nenhuma máquina de escrever, que funciona rapidamente. Eu também economizei para esta carta chegar num momento que você esteja de férias para dar tempo de ler.

Você se esforça demais, porquê tem muito que fazer, mas depois poderá ficar como eu que não consigo nem fazer metade do que eu fazia antes. [Ela já estava muito doente] Será que não existem outras pessoas que possam fazer o seu trabalho ou você que sabe não precise mais ir para a escola, pois nunca poderás absorver toda sabedoria e ciência do mundo.
Nós graças a Deus estamos passando mais ou menos bem. O tempo sim está muito seco e muito ventoso. Não sei qual vai ser o resultado das roças, uma coisa é certa, não vai ser tão bom quanto ao ano passado. Para qualquer lado que se olhe tudo está pelado e ressequido por falta de chuvas e se continuar assim não vamos ter nem melancias nem pepinos, apesar de termos plantado muito.
O milho já terminamos de plantar e de um modo geral os trabalhos nas roças estão rendendo bem porquê a chuva não atrapalha e as coivaras que são queimadas, elas ficam realmente limpas e mais fáceis de trabalhar e ainda as ervas daninhas que quando capinadas ela logo estão realmente secas. As ervas daninhas também não crescem tanto se bem que mais que o milho.
Agora esta seca está em toda parte. O Artus Leiman tem escrito para os Osch [Os sogros dele] que onde eles agora estão na nova morada 2 e 1/2 dias de viagem de trem, adiante do Fritz e lá também faz 6 meses que não chove [Na Argentina] e por isso quase não se consegue água boa para beber e pode-se fazer o café quanto forte quiser, o mesmo não fica com sabor aceitável. Nós dos Leimans faz bastante tempo que não temos recebido nada. O Fritz escreveu para o Zeeberg que a senhora mãe dele está começando ter problemas de visão e tem muita dificuldade de enxergar e bons óculos por lá não se conseguem.

O dinheiro que você mandou faz muito tempo que já recebemos. Dos nossos parentes de São Paulo faz muito tempo que não temos recebido nada, apesar de eu ter escrito para eles. Acho que eles estão ficando orgulhosos na sua nova fazenda, pois depois da revolução não recebemos mais nada deles. O Pappa pediu para que nós escrevêssemos para você no caso de não vir para casa nas férias, então fosse até São Paulo para visitar estes nossos parentes e ver quantos eles realmente são.
Recentemente recebemos de S. Petersburgo, uma carta com a fotografia do Tio Reine. [Irmão do Jahnis, Do Jehkabs e do Andreijs. ??????] Você se lembra dele? Ele é um gordo solteirão. [Resns Vetzpuisis em leto]
Bem por hoje chega. Tenho ouvido dizer que no Rio teve uma grande Revolução, nem sei se as cartas estão chegando normalmente e se não chegarem todo este trabalho ao vento. O que fazes agora? Onde moras agora? Lá mesmo na Escola?
Agora a Kate está toda alegre porque a Selminha virá para casa nas férias. Vamos ver se será possível, pois nesta época de revoltas de repente não dá…
Mais uma vez muito obrigado pelos remédios vamos ver se o resultado será satisfatório. Com muitas lembranças Olga.

…e se a seca continuar assim será muito triste. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1924 –

Rodeio do Assucar 17 de setembro de 1924

Querido Reini: Saudações!

A tua carta recebi já há bastante tempo atrás. E hoje não estou com ela e eu não me lembro nem metade do que você pergunta nesta carta. Acho que não tenha nada muito importante e se tinha a Luzija já deve ter te escrito. Porquê ela diz que manda cartas quase todas as semanas e o que ela escreve ela não diz e não deixa ninguém ler as cartas que ela escreve.

Aqui nós graças a Deus estamos passando suficientemente bem e nada tem de novo tem acontecido. As chuvas sim que são muito poucas e se continuar assim será muito triste. A seca no ano passado começou em novembro e deste então não houve nenhuma chuva que fizesse o nível dos rios subirem ao normal. Aqui no Rodeio do Assucar o riozinho ainda corre, mas lá no Rio Novo faz tempo que a calha não corre nenhuma gota d’água. A água para o consumo da casa tem que ser trazida da grota funda. As atafonas passam mais tempo paradas [A grande maioria destas atafonas, engenhos e serrarias em tempo de seca, tinham represas ou açudes para acumular água, para serem usadas por um certo período] e nem grãos para serem moídos.[Está se referindo aos danos da seca na colheita anterior].O tempo sempre está bom frio e com muito vento. A semana passada foi um pouco diferente porquê esquentou um pouco, mas ficou tão enfumaçado que não dava para ver o sol. As vezes a gente podia ver o sol como um disco através da fumaça. Sábado ficou nublado e no Domingo choveu um pouquinho e na Segunda e na Terça feira amanhecer nublado e escuro então pensamos que agora iria chover bastante e então ontem a noite choveu até bastante, mas hoje está tudo limpo outra vez e não aparece nenhuma nuvem para qualquer lado do horizonte. Melhorou um pouco porquê a poeira apagou e o pasto está se mostrando um pouco mais verde. Para o gado este ano não foi fácil pois durante o verão o pasto já tinha secado e depois agora no Agosto vieram as grandes geadas. Tudo agravado, pois este ano o restolho [As espigas de milho pequenas eram destinadas para a alimentação do gado e eram chamadas de “restolho”] não temos suficiente.

Na semana passada terminamos de plantar a mandioca. Plantamos de mandioca 18.600 mudas, De aipim plantamos 2.700 mudas. As derrubadas dos capoeirões também já terminamos. [Era hábito entre os agricultores deixar as áreas de terra cultivada “descansando” por um período de até 5 anos e quando já havia crescido uma capoeira ou mais tempo um capoeirão era novamente roçado e queimado e tornado a cultivar.] Já plantamos pepinos e batata inglesa para que até as Festas do Natal quando vieres para casa passear para você se deliciar de tudo isso e mais das grandes melancias que também nós já plantamos.—-

Junto a esta carta estou enviando uma “receita” que o Diretor prescreveu e as quais aqui na farmácia tinha que esperar por um longo tempo e ainda ele cobra 15$000 por vidro e assim eles põem 5$000 de lucro por unidade. Naquela vez eu comprei um vidro e tomei e não observei nenhuma melhora significativa porquê aqueles são aqueles remédios que são necessários tomar aos baldes. Então comecei a tomar aqueles dois vidrinhos de remédios que o Wictor trouxe que agora já estão no fim, mas a perna não melhorou nada. Se você puder comprar maior quantidade, quem sabe uma meia dúzia, então poderia usar mais tempo, aqui o farmacêutico quer encomendar, mas ele quer ter um lucro exorbitante, no Rio custa 6$000 e aqui ele quer 15$000. Melhor seria se alguém que viesse de lá pudesse trazer.

Bem desta vez chega de tanto escrever, pois também eu não tenho a máquina de escrever que facilita escrever mais rápido como você ai. Sobre outras coisas eu pouco sei porquê às noites poucas vezes a Igreja eu vou. Pode ser que a Luzija que vai para todas reuniões de preparação dos professores da Escola Dominical e Estudos Bíblicos possa te contar porquê para mim ela não diz nada. Então escreva diretamente e pergunte a ela.. Vou esperar carta sua. Com lembranças. Olga.

O povo desceu amassando o grande lamaçal em que as estradas…| De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1924

Rodeio do Assucar 2 de julho 1924
Querido Reini: Saudações!
Recebi a tua primeira carta escrita para mim este ano nas Oitavas da Festa de Verão. Obrigado! Até que enfim você lembrou de escrever. Eu sempre esperava que você escrevesse primeiro, pois agora você tem uma máquina de escrever. E escrever a máquina vai muito mais rápido. Poderia escrever e mandar uma carta todo dia. Parece que esta máquina não é tão útil porquê tão poucas cartas escreve.
Você pede que eu escreva bastante, mas sobre o que eu vou escrever, Sobre porcos e vacas você não tem nenhum interesse e o que acontece fora de casa a Luzija diz que tem contado tudo e que eu nem preciso escrever que ela já contou tudo. Se eu escrever tudo de novo você vai ter que ler notícias velhas. No dia 24 dia de São João teve piquenique da Escola Dominical na casa da Kate, mas não posso contar muito porquê eu não fui, mas o tempo estava muito bom. E na Quarta feira passada a noite teve a festa de recepção do Stroberg que até que enfim chegou.
O povo desceu amassando um grande lamaçal em que as estradas tinham se transformado. Cantaram e saudaram. Seria interessante ele saber que no meio destas pessoas logo poderão estar algumas reclamando do tanto que fizeram por ele na recepção e…
O tempo está novamente bom, mas esteve mais de uma semana continuamente chovendo e nublado e então as estradas ficaram um lamaçal só. Mas como a chuva era contínua, mas não forte, as águas dos rios e riachos não aumentaram e agora com o tempo melhor já voltaram ao normal de tempo de seca então a fabricação de farinha nem pensar.
As geadas foram grandes, mas com o tempo esquentando um pouco já começou a crescer grama outra vez para o gado.
O milho estará logo todo colhido, quase não temos lugar para guardar as espigas pequenas destinadas para alimento das vacas.
Naquela coivara onde fostes ajudar a capinar perto da divisa do Vitor onde plantamos 2 quartas e 3 litros deu somente 4 carradas, já aquela roça perto dos Klavim, ai sim as espigas eram bem maiores, mas não o tamanho de espigas como deram no ano passado. Como o milho deu ruim em toda a parte o preço já está a 16$000 o saco e o feijão a 30$000 o saco.
Para nós graças a Deus o milho vai ser suficiente para fazer o pão até a outra colheita. Agora para os animais não será possível dar tanto quanto nos outros anos, mas em compensação está sobrando mandioca para dar para eles.
Então de um jeito ou de outro vamos sobreviver. Vai ser difícil para aqueles que nem isso tem. E dinheiro os brasileiros e os italianos não têm para comprar.—
Aqueles remédios que você mandou pelo Victor Staviarski ainda não foram usados. E não sei quanto bons eles serão. Agora há pouco tempo chegou na farmácia um medicamento que foi prescrito pelo Diretor. [Etyiene] Cada vidro custa 15$000 e eu já estou tomando, não senti nenhuma melhora, mas não quero misturar esta com aquelas que você mandou. A perna já não dói e nem queima, mas não posso levantar nada pesado nem carregar, pois canso logo e o peito [Pakrutes= Pit of the stomach. Pakrutes sapes= Epigastric pain . Acho que seja dor do esôfago ou hérnia do hiato] incha e dói.
Bem hoje já chega, eu não tenho máquina de escrever e nem mais tempo, também não tenho mais nada para escrever.
Oh. Ainda a senhora Klavim mandou muitas lembranças e agradecer aqueles remédios que você trouxe na primeira vez para ela. Com eles, ela está ficando sã. Outros remédios ela deixou de tomar. Fora daquele que você trouxe ela toma chá de Anzerina.
Estas, o Roberts, trouxe da Serra, pois lá diz que crescem muito. Agora ela pode vir a cavalo para a Igreja tranqüilamente, pois ela se sente saudável e esperta e em morrer não pensa mais.
Escrito na lateral:
Também a pequena Lida [Lídia Klavin] ouviu a mãe dela mandar lembranças para você então ela também disse que queria mandar muitas lembranças para o Reinhold para que ele venha logo e vá passear uns dias na casa deles. [Dos Klavin]
Lembranças da Olga.

Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar….. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

Rodeio do Assucar 14 de novembro de 1923

Querido Reini.

Saudações!

Então hoje à noite estou escrevendo outra vez, porquê só cabe a mim mandar cartas, mas receber nenhuma. Eu não consigo entender porquê este ano está assim. Será que você este ano realmente não quer escrever? Ou existe algum outro motivo? A última carta que recebemos em junho tinha sido escrita em maio e para variar não, soubemos nada pelos jornais que este ano também não vieram.

Algumas semanas atrás como por milagre chegou um jornalsinho, qual o outro número você mandou para o Roberto. Então tivemos uma certeza que vivo ainda estás e por cima ainda redator deste jornal.

Você está indo pelo mesmo caminho do Ludis que quando passou a redator de jornal, as cartas acabaram e a correspondência ficou de lado. Nós temos mandado bastantes cartas, eu, a Luzija, o Arturs e até o Karlis quando esteve aqui ele também te escreveu. Não sei o que tudo isso significa, este silêncio todo.

Quando recebemos o jornal procuramos alguma anotação, mas nada, a única certeza é que ainda está vivo. A primeira coisa que eu te escrevo que vás passar as férias aonde realmente quiseres se esta é a tua vontade.

Mas por acaso venhas para casa e por isso estou escrevendo esta “última” carta e ela deve chegar lá antes do fim do mês. Alguns diziam que você não vem porque tens que trazer muita coisa, mas acho que ninguém escreveu pedindo um montão de coisas. O que a Luzija escreveu esta semana eu não sei. Para o Artur os acordoamentos do violino e a ocarina.

Tempos atrás, não sei se foi terremoto ou alguma outra coisa. Uma noite, o armário de louça da Luzija, tombou e quebraram-se as lindas xícaras de porcelana dela. Então ela lembrou de escrever para você para ver se pode comprar lá para ela. Quando você esteve aqui, contou que existem lá muitos estabelecimentos que vendem estas coisas bonitas. Aqui em Orleans já não tem mais como antigamente aquelas louças finas e coloridas. Somente louça branca e pesada e muito cara 3$000 ou 4$000 a peça.

A mamãe precisa de bons óculos, mas estes não podem ser comprados, sem antes de prová-los. O que eu preciso você com dinheiro não pode comprar. Por isso não adianta escrever porquê estas belezas [Smukums] eu não preciso.

Se puderes conseguir um remédio da marca Raziteem chamado [espaço em branco] que é fabricado em Cleveland na América do Norte. Este remédio também é fabricado em outros lugares mas não adianta nada. No ano passado o Wilis Elbert encomendou um vidro para a senhora Grüntall e veio e ela pagou 30$000 pelo vidrinho. Muito caro e dizem que em Riga existe também tem do bom e é mais barato. Parece quer o Willis quer ganhar muito sobre as encomendas que ele faz. Aqui em Orleans ninguém sabe que este remédio existe.

Aqueles remédios à base de alho também podes comprar porquê aqui eles são muito mais caros.

Bem agora chega porque tanto escrever eu nem pensava. Quando tu vieres, toda esta necessidade de escrever vai acabar.

Gostaria muito ainda alguma vez te encontrar…….

De novo aqui realmente importante não tem nada.

O tempo hoje aqui está coberto de neblina e de vez em quando chove um pouco. Na semana passada estava bastante quente e o pessoal daqui e das colônias vizinhas aproveitaram para queimar as roçadas e as coivaras. Eram queimadas por todos os lados. Mandiocas nós plantamos 12.000 pés.

Já tiramos o mel, rendeu mais ou menos 18 latas. Vamos vender por 20$000 a lata. Tem gente que não vende e quer esperar chegar a 25$000 a lata porquê o açúcar está a 18$000 a arroba.

O que faz o J. Klava? Existem pessoas que dizem que ele ocupa um alto cargo.

Tens notícias dos nossos parentes? Faz tempo que não temos tido notícias.

Lembranças de todos de casa e da Olga.