Testemunha ocular da História – Por João Inkis Senior

Esta mensagem é dirigida hoje para as pessoas sem conhecimento do que é capaz o regime Comunista.
Estava adivinhando o que iria acontecer depois de 1941.
Este foi o primeiro Pastor a visitar a Colônia Rio Novo ainda em 1898.
Depois liderou o maior Grupo de Imigrantes letos que fundaram a Colônia Varpa e a Cooperativa Evangélica Palma.

A005-1940

TESTEMUNHA OCULAR

TESTEMUNHO OCULAR

Conferência de João Inke, em
Nova Odessa – SP no ano de 1921

O IMPÉRIO RUSSO NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Em 1916 o outono foi muito difícil para os Batistas na Rússia. A nosso respeito foram espalhadas noticias falsas de que éramos amigos dos alemães e por causa disto perigosos, etc, ignorando a nossa atividade e os esforços que realizamos apoiando as Forças Armadas do Tzar com a mobilização dos batistas, em grande número, que lutavam na linha de frente. Muitos Batistas foram presos, os templos de oração fechados e proibidas as reuniões.
O Líder da Confederação Batista leta, J. A Frey, foi deportado para a Sibéria. Eu mesmo, com uso de um passaporte antigo, fugi de Riga e me refugiei em Novogorod.
Na primavera fui convidado para trabalhar como Pastor dos retirantes e assim viajei visitando os correligionários Batistas espalhados pela zona de conflito, fazendo um trabalho pessoal, por que as reuniões continuavam proibidas.
Foi naquela época que um lavrador Siberiano, beberrão e malandro, de nome Rasputin, lentamente conseguiu exercer a sua influencia sobre as pessoas mais importantes, conseguindo penetrar na Corte e ser nomeado “Staretz”; sacerdote, que na Rússia antiga, ensinava o temor a Deus e a vigiar a prática dos bons costumes.
Na Corte do Tzar da Rússia reinava o desespero, tanto pelos insucessos na guerra, como por causa do Príncipe Herdeiro que era de uma constituição muito débil e havia fraturado a coluna e o tal Rasputin conseguiu impressionar a Corte e se tornou amigo intimo da Tzarina. Ele conseguiu aprender a comer com talheres, mas auxiliado pelos dedos. Numa certa ocasião uma dama da Corte, depois da refeição, lambeu-lhe dos dedos toda a gordura agarrada pelo manuseio do alimento. Deste detalhe se conclui a que ponto havia chegado à aristocracia na Rússia.
A guerra já havia causado tantas baixas nas fileiras do Exército que para substituí-los já estavam convocando soldados com menos de 19 anos e mais de 45; então os povoados ficaram vazios de homens e o trabalho pesado tinha de ser executado pelas mulheres.
Quando desconfiavam do surgimento de qualquer idéia de liberdade nas fileiras do Exército, então era adotado um regime de violência insuportável e foi assim que começou a convulsão.
Nós tínhamos tanto ódio contra esta Rússia antiga que, no intimo, até desejávamos que ela fosse vencida pelos alemães.
No início de 1917 o Rasputin foi assassinado enquanto estava bêbado. Em São Petersburgo começaram a realizar reuniões de protesto até no meio da rua, tolerados por causa de um tratado assinado com os aliados, mas quando perceberam que este movimento socialista já estava indo muito longe, então o Governo mandou os “kossakos” para dispersar as multidões. No entanto eles não obedeceram às ordens e foram aplaudidos pelo público como amigos.
Depois mandaram os “gordavajos” (policia militar) e agora estes eram impedidos de agir pelos Kossakos, que não permitiu o massacre da multidão desarmada. Então resolveram uniformizar a policia civil, mas sem resultado por que já era tarde.
Conseqüentemente os amotinados soltaram todos os presos e ataram fogo nas prisões provocando grandes incêndios enquanto as multidões desorientadas corriam pelas ruas sem qualquer destino.
De pé sobre a calçada eu observei tudo isto e fiquei estupefato assistindo este espetáculo. Vi como fugiam os guardas num sinal de que todo este sistema antigo estava se desmoronando.
Recentemente o Tzar tinha ido visitar a linha de frente, mas quando regressou, não o deixaram entrar em São Petersburgo, então o seu último recurso foi procurar refugio no meio do Exército, mas entre os militares onde também não foi aceito sob a alegação de que todos os nobres da comitiva estavam embriagados.
Com urgência mandaram uma comissão do congresso ao seu encontro que obrigou ele a assinar a carta de renuncia ao Trono, na intenção de mandá-lo para a Inglaterra, onde ele tinha parentes, mas não houve tempo para isto por que, através um outro ato, foi nomeado Kerensky como Chefe do Governo Provisório.

PERÍODO KERENSKY

Ele tinha a formação de um socialista moderado e desejava dar liberdade para todo o povo do Império Russo, para as Forças Armadas e até anistiar os prisioneiros políticos – ocasião na qual J. A Frey retornou da Sibéria.
O seu governo teve o propósito de convencer o povo com argumentação e não reprimi-lo com o rigor da lei. Desejava continuar a Guerra contra os alemães e para isto, ele próprio, visitou a linha de frente onde tentou influenciar a tropa com os seus discursos inflamados.
Mas neste ínterim ressuscitou aquela cobiça pela liberdade que foi animada pelos espiões alemães e em toda à parte, todos de uma só vez, passaram a exigir o fim da guerra.
Atravessando a Alemanha de trem, chegou Lenine, que iniciou aquela política evasiva, apoiado pelos rublos de ouro que caíram em suas mãos e daquelas exclamações “paz e pão” que nos ouvidos da população soava muito mais agradável do que aquele ideal de Kerensky.

TEVE INICIO A ANARQUIA

A multidão havia agarrado 3 guardas, que amedrontados suplicavam pelas suas vidas pedindo misericórdia, apelando terem mulheres e filhos que ficariam desamparados com a sua morte; mas nada disto adiantou, por que os seus crânios foram esmagados a custa de pauladas e pedradas, sendo que um deles tinha a cabeça muito dura, resistiu ao ataque e por isto foi sangrado.
Em outro local um “prestavo’ estava passando com a família quando foi reconhecido e preso. “Ele deve morrer espancado” gritava a multidão. Então toda a família se ajoelhou diante dos algozes pedindo, pelo amor de Deus, que a vida dele fosse poupada, nada disto adiantou por que os malfeitores arrebentaram a cabeça dele. A mulher do policial apavorada procurou uma fenda no gelo que cobria o rio e nela atirou os filhos suicidando-se em seguida, por afogamento.
Numa noite arrombaram a casa de um guarda que estava dormindo e o assassinaram. A sua jovem esposa então em desespero vestiu os trajes nupciais do casamento ainda recente, tomou veneno e morreu ao lado do marido. Então o povo viu naquele quadro pungente o resultado da própria loucura.
Assim eu, testemunha ocular da história, vi a desilusão daqueles cidadãos, por que não era bem esta liberdade que eles todos queriam.
Na minha função de Pastor visitei os cemitérios para ver se identificava algum desaparecido, quando vi filas de cadáveres de policiais mortos por esmagamento de crânio e também outros carbonizados pelo crime de serem guardas penitenciários; pois quando soltavam os prisioneiros, prendiam eles nas celas desocupadas e ateavam fogo no estabelecimento.
Voltei para Riga com a minha identificação vermelha, mas a minha esposa não me recebeu com aquele calor que estava esperando. Perguntei pelo motivo e assim soube de uma manifestação que acontecera quando, moças ainda meninas, apanharam um garoto israelita, que, carregado nos ombros, for obrigado a gritar: “viva a liberdade” contra a sua vontade e a dos seus pais; então passei a temer aquelas manifestações com receio de ser humilhado. Este último acontecimento cobriu de vergonha todo o povo de Riga.
As Forças Armadas da Alemanha e da Rússia, por muito tempo ficaram estagnadas esperando uma decisão final. Não acontecia nenhum ataque bélico dos Alemães e parece que eles estavam esperando que melhorassem as condições de vida em Kurzeme, para então ocupar o território.
Os Exércitos permaneciam inativos e em conseqüência disto, lentamente ia se extinguindo o ódio. As duas forças inimigas iniciaram um período de amizade e congraçamento e até parecia que o Reino de Paz tivesse descido sobre o Campo da Morte.
Os soldados russos, em pequenos grupos, iam visitar os alemães para obterem “shnaps” de boa qualidade por que não recebiam mais suprimento de ‘wodka“ e por falta desta bebida, própria para o consumo humano, eles tomavam álcool, mas nas linhas alemãs até conhaque havia disponível.
Soldados alemães pagavam estas manifestações de cortesia visitando os russos, mandando oficiais com o uniforme de praças para espionar a verdadeira situação bélica do inimigo e espalhar boatos.
Inesperadamente, num belo dia, os russos recuaram abandonando o terreno que defendiam e a principal causa desta retirada foi à monotonia aborrecida da tropa estagnada em frente do inimigo sem atividade.
Foram explodidas as pontes e incendiados os suprimentos bélicos no bairro de Dinsburgo, que antes fora por eles ocupado, tendo sido a Riga bombardeada pela artilharia e os aviões dos retirantes. Aconteceram assaltos e roubos praticados pelos russos, que fugindo, queriam levar qualquer coisa.
No dia seguinte estas posições foram ocupadas pelo orgulhoso Exército alemão. As tropas deles eram robustas e bem alimentadas; mas os habitantes locais estavam passando fome, embora os alemães permitissem a venda do pão e oferecessem, uma vez por dia, uma sopa de centeio feita com farinha velha, sem qualquer acompanhamento.
Construíram em torno de Riga uma cerca de arame eletrificada e ninguém teve permissão para deixar a cidade onde nada havia para comprar. Muitos morreram de fome que os alemães apelidaram de “morte provocada pela debilidade senil”. Muitos perambulavam trôpegos intumescidos pela fome. A hora de recolher era às 6 horas da tarde, depois foram proibidos sair de casa.
Cerca de duas semanas depois da ocupação em visita chegou o Kaiser alemão, acompanhado do príncipe da Baviera, por que as tropas de ocupação eram bávaras.

O NOVO GOVERNO LETÃO

Antes da instalação do Governo Provisório, poucas pessoas acreditavam que poderia ser proclamada a República Independente. A União dos Lavradores, sorrateiramente, estavam conspirando e já estava em entendimento para obter as boas graças dos alemães. No entanto reinava o duro regime deles; havia soldados por toda à parte tomando conta da ordem pública, auxiliados pela Força Policial que proibiam qualquer atividade.
Muitos consideravam este ideal de independência apenas um sonho. Repentinamente foram distribuídos convites para que todos comparecessem ao Teatro Russo, onde seria Proclamada a República da Letônia.
Elegeram Ulmanis e Chakste como líderes do Governo Provisório, mas eles não dispunham de Forças Armadas nem armamentos para impor a ordem. Os cidadãos mais proeminentes não se manifestavam por precaução. O Exército alemão estudou este procedimento durante uma semana e depois, em 26 de novembro, entregou as rédeas do Governo à Junta Provisória em forma de uma Notificação.
Esta ordem constava de 2 itens:
• O Governo Provisório, sob o comando do General Salit, ficou autorizado a convocar um Contingente de 6 Batalhões, que foi realizada aceitando voluntários de todas as regiões do País, mas inexperientes, sem treinamento militar, quando foram mandados lutar contra os bolchevistas, se acovardaram alegando que não combateriam compatriotas. Atendendo ao apelo do Governo, alguns cruzadores ingleses que estavam no Porto de Riga, bombardearam o quartel amotinado obrigando a rendição; o que foi compreensível, pois o bando de adolescentes não estava preparado para entrar em combate.
• Seriam respeitados os direitos da minoria étnica alemã radicada na Letônia

OS BOLCHEVISTAS NA LETÔNIA

No período a partir de julho de 1915 até agosto de 1917 os bolchevistas não se manifestaram por que havia um tratado de paz com os aliados, na qual havia uma clausula que proibia a mudança do regime com violência e a desocupação da Letônia tinha de ser realizada com tranqüilidade política.
O Governo Provisório havia sido fundado em 18 de novembro de 1918 tendo uma Força Militar de apenas 6 batalhões e com um contingente tão insignificante não foi possível, naquele momento, resistir aos bolchevistas que foram veteranos voluntários desmobilizados da Primeira Grande Guerra.
Eles ocuparam Riga em 3 de Janeiro de 1919 e o Governo Provisório teve de recuar para Leipaja, levando junto às lideranças políticas, os intelectuais e o Estado Maior.
Para manter a ordem e entregar a cidade ao adversário foram deixados alguns soldados nos seus postos, mas o primeiro ato dos bolchevistas, ao ocuparem a cidade, foi fuzilar sumariamente estes adolescentes.
Eu estava caminhando pela rua da cidade. Passaram por mim dois homens liderados por um jovem. Eles estavam armados e o adolescente apressava o seu passo e animava os seus companheiros adultos: “vamos, vamos depressa para ainda quebrar a cara de alguém”. Eles sumiram da minha frente, mas logo lá adiante vi um jovem soldado letão, vestindo a farda do Governo Provisório, assassinado pela trinca que me antecedeu. O seu crânio estava esfacelado com coronhadas e ele havia caído de bruços.
Este Governo Bolchevista que tentava dominar a Letônia, obedecia a um programa que era a sua lei. Eles promulgavam os seus Decretos publicados no diário “A Luta” cujos exemplares colavam nas paredes das esquinas para o conhecimento do público, mas era impossível apelar para um direito, com base neles, por que as ordens se contradiziam.
Foi publicado um Decreto mandando confiscar as roupas dos civis para vestir os soldados que não tinham uniformes. Cada cidadão podia possuir um par de calçados e duas mudas e o excedente devia ser entregue ao Governo.
Decretos semelhantes eram publicados determinando o confisco dos alimentos. As melhores edificações eram requisitadas para o uso dos comissários bolchevistas.
O papel moeda não tinha qualquer lastro ou garantia e era impresso em tiras de papel ordinário onde, em lugar bem visível, o Comissário Bergs mandou escrever: “quem recusar esta cédula bancária será punido com a pena de morte”.
As fazendas e as grandes propriedades rurais passaram a ser administradas pelos empregados que, diariamente, organizavam bailes nos salões daquelas mansões. Enquanto se divertiam deixaram de cuidar e alimentar o gado que, por fim, era abatido e consumido como carne e em pouco tempo todos estavam a míngua. Confiscaram todas as terras daqueles proprietários sem saber o que fazer com elas.
Conversando entre si diziam uns: “Que importa, isto não foi amealhado por nós”; outros diziam: “isto pertence aos fazendeiros”; mais outros: “Isto pertence ao povo”; mas numa coisa todos eles estavam de acordo quando gritavam: “Morte para os burgueses”! No entanto não havia uma regra que definisse o que era um burguês. Não se sabia onde terminava o proletariado e onde começava a outra classe; a definição do proletário, esta sim, era: “aquele que somente possui as duas mãos para trabalhar”.
Apanhavam os cidadãos mais bem situados economicamente e usavam-nos até como animais de tração na ausência de cavalos, para transportar esterco aos campos cultiváveis. Conta-se que um proletário sentara na carroça na qual estavam atrelados os burgueses, como se fossem cocheiro, levando um chicote na mão.
Morando em Riga, todos os dias eu saia de casa, mas não sabia se iria voltar. Na escola onde eu lecionava, não se estudava mais, tornou-se um local para brincadeiras. O programa de ensino estabelecido era – I Rússia, II Letônia, III o Congresso Comunista. No lugar das aulas para ensinar a gramática Leta foi instituído um espetáculo teatral.
O professor de álgebra que era um homem de opinião e atitude, por esta razão ficou sendo odiado e acabou demitido pelo voto da maioria numa assembléia de estudantes. Fui contra esta medida e contra mim assumiram a mesma atitude, mas fiz a minha defesa e na próxima reunião resolveram me chamar de volta.
Presenciei também um desfile humilhante. Estavam tocando a pé, como se fossem animais, cerca de 40 cidadãos e entre eles cerca de 20 senhoras, todos de alta classe. Foram acusados de pertencerem à burguesia e por este motivo expulsos de suas residências nós foram confiscadas.
O comissário Simão Berg passeava pelas ruas de Riga com automóvel, armado e acompanhado de seguranças, para fiscalizar se as suas ordens estavam sendo cumpridas.
As ruas da cidade iam se tornando cada dia mais sujas por que os garis não tinham mais tempo para trabalhar, pois passavam o dia em atividade política. O mesmo acontecia com as estações e os vagões da estrada de ferro que estavam ficando imundas.
As mercearias e as lojas de roupas ficaram vazias de mercadoria e compradores. Em lugar algum se encontravam farinha e outros alimentos. Às escondidas, alguns comerciantes inescrupulosos os vendiam, por um preço exorbitante. Comia-se até cascas de batata. A farinha de centeio, misturada com serragem de madeira, era vendida para os cidadãos de primeira classe – os bolchevistas – na quantidade de ½ libra; para os de segunda ¼ de libra, por dia. Às vezes ate este bocadinho era negado, então para sanar a penúria serviam uma canequinha de sopa preparada com o cereal.
Muitos eram colocados fora da lei e para estes não havia direito algum. “Encostar na parede” era um trabalho habitual.
Os dirigentes do partido, os comissários, gozavam de todo o conforto, tinham até o direito de andar de automóvel. Um embaixador bolchevista traidor que foi a Rússia negociar a submissão da Letônia disfarçado num tratado de cooperação, de nome Stuka, na viagem de volta foi conduzido no vagão particular do Tzar deposto, como gesto de boa vontade.
A espionagem, a denuncia, traição e as revistas pessoais ou de domicilio, era uma prática geral e repetida com freqüência, então eles reviravam tudo e levavam o que queriam.
Não se recebiam noticias dos jornais do exterior para saber o que acontecia no Mundo. A Igrejas foram nacionalizadas – as maiores usadas como auditório dos “Meetings” políticos e as menores para ficarem fechadas.
Os “burgueses”, depois de dilapidados dos bens que possuíam, rasgados e famintos, eram obrigados a cavarem trincheiras. Eu próprio, um simples pastor, recebi este castigo, mas pela misericórdia de Deus fui dispensado deste trabalho que era agilizado a custa de fuzis com baionetas caladas.
Ms os tempos já estavam mudando. No único jornal bolchevista em circulação que se chamava “A Luta” já apareciam notícias de que eles estavam fazendo recuos estratégicos de suas linhas e abandonavam algumas posições de frente onde lutavam contra as forças do Governo Provisório. Apareceram também aviões dos “brancos” sobrevoando Riga como um sinal de salvação.
Em breve verificamos que carroças cheias de mercadorias confiscadas eram deslocadas para o interior, rumo a fronteira, acompanhadas de militares vermelhos e quando perguntávamos para onde eles iam, respondiam: “agora vamos matar mais brancos lá adiante” mas na verdade estava fugindo do castigo e levando mercadoria roubadas pelos “comissários” que, na maioria, eram apenas comerciantes inescrupulosos.
No próximo dia verificamos que os lideres bolchevistas haviam fugido para salvarem a sua pele, sem qualquer pena de abandonar as suas conquistas. Convém assinalar que a maioria dos “comissários” não era formada por Letões e sim membros de outras raças radicadas no País.
Finalmente havia um exército organizado, formado por veteranos que, atendendo a um chamado de consciência, vindo de toda a parte do território, voluntariamente formavam uma tropa disciplina e aguerrida, que sob o comando de oficiais competentes, expulsou os bolchevistas para além da fronteira. Outros que se entregaram foram julgados pela justiça e os disfarçados simplesmente mudaram de cara.
Houve ainda as investidas de outros mercenários que queriam dominar o país, mas todos eles foram derrotados.
No entanto o “Dragão Vermelho” não foi destruído e atrás de uma fronteira débil e simbolicamente guarnecida, continua esperando uma outra oportunidade para abocanhar a sua presa.

O autor foi um grande orador sacro, poeta e escritor, que por uma intuição espiritual, a fim de fugir do “Dragão Vermelho”, liderou a imigração de mais de 3.000 letões para o Brasil, na década de 20, fundando a Colônia Varpa em SP, numa premonição que acabou acontecendo em 1941.
Traduzido do Letão das anotações de um diário do meu irmão Emilio, por Julio Andermann – Secretário Adjunto da Associação de Ex-Combatentes do Brasil.

2 comments on “Testemunha ocular da História – Por João Inkis Senior

  1. antonio nunes cordeiro cordeiro diz:

    Aqui em São Paulo, na igreja batista em vila Albertina,onde sou membro a 49 anos e pr. a 31, na mesma, admiro a fibra e a ousadia de um povo como os letos,tive como membros um casal (Eduards e Libe Dzerve).Também conheço o acampamento Palmas.Obrigado p/email.Abs.

    Date: Wed, 19 Nov 2014 18:48:48 +0000 To: cordeiroanpr@hotmail.com

  2. V. A. Purim diz:

    Olá Pastor Antonio Nunes Cordeiro. Obrigado pela informação e pelas palavras amáveis. Sobre este mesmo assunto pode pesquisar no meu Blog ” rionovo.wordpress.com ” no Grupo “Cronicas ” com o titulo de ” Memórias de Emílio Andermann”
    Aquele abraço desejando que o bom Deus abençoe o seu trabalho ai.
    Viganth Arvido purim
    vapurim@onda.com.br

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