Cartas de Rio Novo | Por V.A.Purim

NESTE CAPITULO TENTEI DESCREVER A RAZÃO PELA QUAL EU USEI BASTANTE TEMPO NA TRADUÇÃO DAS CARTAS PARA QUE AGORA SEJA POSSÍVEL VISUALIZAR UMA PANORÂMICA DA VIDA DOS COLONOS DAQUELE TEMPO. VER O CAPÍTULO DE “CARTAS ” NESTE MESMO BLOG.

Cartas
de
Rio Novo

Cartas
Cartas que foram escritas de Rio Novo – Orleans e também de outras localidades também relacionadas à Colônia Rio Novo, para Reinaldo Purim, um estudante do Seminário Batista no Rio de Janeiro pelos seus familiares e amigos.

e
traduzidas
ou compiladas em 1.995 em diante
Por V. A. Purim.

Observação: Foi respeitada, na medida do possível, a linguagem na forma originalmente escrita, sem preocupação de corrigir os erros encontrados (concordância, gênero, etc. ) e nem os nomes de lugares e pessoas como Rio Larangeiras, Rodeio do Assucar e nem as cartas escritas em português ou castelhano. Também não foram consideradas todas as cartas que não tivessem alguma relação direta ou indireta com Rio Novo ou Orleans com exceção de algumas de amigos que nos permitem a visualização do tipo de amizades e relacionamentos entre os imigrantes letos e os seus descendentes.
.

• MUITO IMPORTANTE: Sempre que são mencionadas opiniões sobre pessoas, Igrejas, associações, autoridades etc. daquela época devem ser encaradas somente no sentido histórico e todos descendentes destas pessoas como nós, possamos ver a História de modo positivo com o propósito de cada dia aprender mais e não repetir os eventuais erros de comportamento de nossos antepassados.

Objetivos:

Obter uma visão panorâmica da vida na colônia principalmente quanto as seguintes áreas:
1) Cultural – Avaliar a capacidade de absorção das influências externas. Jornais, livros, música, poesia e intercâmbio de informações com outros lugares e outros países. A Biblioteca da Comunidade. A língua e seus problemas, a comunicação informal, os boatos, as fofocas, etc. A importância dos Almanaques. Os primeiros rádios. A diferença cultural entre os Imigrantes Letos e das outras etnias.

2) Comercial – Observar os impactos dos acontecimentos mundiais no comércio e na vida de modo dos colonos de modo geral. As Vendas. Os Caixeiros Viajantes. Os Mascates. Os intermediários nas compras de porcos dos Serranos. Outros produtos comprados e vendidos pelos serranos. As Bodegas. Os Reclames.

3) Social – Verificar as diferenças entre as classes sociais, o preconceito racial, as divergências entre as famílias, entre grupos religiosos, os direitos da mulher, os serranos, os manecos, o impacto da Primeira Guerra Mundial na vida diária. As principais preocupações. Festas, noivados, casamentos, aniversários e funerais. As crendices, superstições. A comunicação com as outras colônias. Comportamento da Comunidade numa visão geral.

4) Geográfica –A posse legal das terras. O sistema da divisão das glebas, (Colônias) A Companhia Colonizadora Grão Pará. Sistema de pagamentos pela terra. Medidas usadas na época. Influência dos Diretores da Cia. na vida dos colonos. Nesta área incluímos os fenômenos climáticos, os desastres como inundações, queimadas, e ainda pragas como gafanhotos, papagaios, e as vias de comunicações como Estradas de Ferro. Estradas ligando as cidades entre si. Estradas ligando as colônias à cidade. Estradas ligando regiões como a área do litoral (Serra Abaixo) com o planalto (Serra Acima). Os correios e seu desempenho. O relacionamento com outros países, outras cidades e principalmente com as outras colônias como Rio Oratório, Mãe Luzia, Rio Branco, Nova Odessa, Varpa e outros países como Argentina, Estados Unidos, Letônia, etc.

5) Econômica – Principais culturas milho, feijão, arroz, batata, mandioca, cana de açúcar; principais criações, suínos, bovinos, aves, abelhas; renda anual de uma família de colonos.

6) Religiosa – Algumas diferenças entre os batistas e outros grupos religiosos e as divergências entre os próprios batistas. Os tradicionalistas e os “evangelistas”. Os movimentos de Renovação ou Pentecostais. Os cultos e outras atividades. As Festas Religiosas. A importância da Música. A importância do Domingo. Os dias separados dos Batistas Letos. Os Dias Santos dos Católicos. Os Sabatistas. Os Pentecostais. Os Luteranos. Os Ateus. As aspirações em busca da perfeição.

7) Educação – Escolas, cursos, professores e o alcance e a amplitude do conhecimento que era possível aspirar naquela época. As bibliotecas. A importância da vida cultural com intercâmbio através de publicações, livros, revistas e mesmo contato com pessoas de outros lugares e países. Necessidade da saída dos jovens em busca de mais oportunidades.

8) Política – Sistemas de governo. Campanhas políticas. Eleições. As revoluções. Impostos. Abertura e manutenção de estradas. Idem pontes. Serviço do Exército, Prefeitos, Justiça. Polícia. Inspetores de quarteirão. Comportamento das diversas classes de pessoas como Nacionais, Italianos, alemães, poloneses e outros etc.

9) Meio ambiente – Animais silvestres, caçadas, vegetação, ecologia, conservação etc.
10) Saúde – Doenças, epidemias, vacinas, acidentes, picadas de cobras, aranhas, marimbondos, mangangabas, motucas, mosquitos, formigas etc., medicamentos como chás, infusões, homeopatia, emplastros, hidroterapia, benzeduras, crendices, superstições.

11) Habitação – Templos, escolas, casas, ranchos, paióis, chiqueiros, galinheiros. A arquitetura típica. Os materiais de construção. O superdimencionamento das estruturas das construções.

12) Energia – A força do boi e do cavalo. As rodas d’água. As turbinas.

13) Os Profissionais carpinteiros e outros que planejavam e construíam casas, atafonas, os engenhos de cana, de farinha de mandioca, as serrarias, ferrarias. Etc.

14) Indústrias – De transformação como engenhos de cana para a fabricação de açúcar e também para farinha de mandioca, atafonas, serrarias, tecidos de lã de fiação e tecelagem caseira. As ferrarias rudimentares. Os fabricantes de móveis (marceneiros). Banha e linguiça. Carne seca (charque). Fabricação caseira de sabões. As Olarias (cerâmicas para fabrico de telhas e tijolos).

15) Transporte– navios, (vapores) trens, carroças, charretes, aranhas, galeotas, carros de bois, cavalos, tropas de mulas, manadas de bois (tropas), idem de porcos etc. Mais tarde automóveis e caminhões. Pontos de pousada.

16) Esporte e recreação – Bailes, Corridas de Cavalos. Jogos de Bocha. Caçadas. Pescarias. Banhos em rios e açudes. Piqueniques.

17) “Alimentação – Pão de farinha de milho, a polenta, as panquecas, a farinha torrada, o pão de trigo, as bolachas, a “minestra”, o molho leto, a biezu putru” (polenta de canjica servida com leite desnatado frio), o pirão de farinha de mandioca, o mel, o melado de cana, o açúcar mascavo, as roscas de polvilho, o requeijão, a nata, os queijos, os doces de frutas (mousse), o “thissel” que é uma geleia de suco de frutas com polvilho para dar consistência, o “tclhiltchan” que são sopas doces de frutas com massa panqueca dentro e servidos frios, os sucos de frutas em conserva, o salame de carne de porco, a carne de fumeiro (ossos salgados, costelas, etc., o charque, o torresmo o toucinho (bacon), o chouriço de fressura, o galet, o bullion, os ovos de galinhas e patas, a pasta de amendoim, a banha de porco, a carne conservada na banha, a carne de gado, a carne de porco, a carne de aves, a carne de ovelha, a carne de cabritos; os peixes como traíra, acará, piava, cascudo, jundiá e às vezes peixes do mar como tainha e pescada; em conserva como sardinhas e outros; a carne de caça como tatus, inambus, pombas, urus, pacas etc.) os feijões pela ordem: preto, manteiga, 60 dias, de vara, de metro, feijão arroz, macuco, de vagem etc.; a batata inglesa, a batata doce (branca, roxa, etc.), a batata ou mandioquinha salsa, os aipins (branco, manteiga pêssego, ouro etc.) o café de café, café de milho, café de sorgo, café com açúcar queimado; os chás de mate, de folhas de laranjeira, de groselha, de hortelã, preto e outros medicinais; arroz comum e o ligeirinho, palmito de juçara; hortaliças como os repolhos (Chato de Brunswick, Coração de boi, Roxo etc., as couves (Manteiga, Repolhuda etc.), os nabos, as cenouras, as beterrabas, as rúculas, as alfaces, as acelgas que eram usadas para fazer panquecas, os tomates, os rabanetes, as ervilhas, as chicória (as nativas eram chamadas pelos italianos de “radichi”), os chuchus, os agriões, os pepinos, as abóboras e as morangas, as a os taiás, os inhames; as frutas começando pelas laranjas: da terra, a crava ou mexerica, a tangerina, a baiana, a “coruja”, os pomelos etc. ; as bananas branca, nanica, roxa, abóbora, maçã, ouro, prata, figo, etc. ; os pêssegos, as ameixas enxertadas, as ameixas amarelas, as jabuticabas, os araçás, as cortiças, as cerejas, as amoras silvestres, as amoras domésticas, as goiabas, os figos, as pêras, as uvas, as melancias, os abacaxis, os ananases, os melões e os mamões. Os temperos como a pimenta cayena, a pimenta redondinha, a salsa, a cebolinha, o endro, a erva doce, os alhos ( colorau não tinha não).

18) Serviços Públicos = Escolas, estradas e cemitérios etc.

Atualizado em 10/08/2009

Viganth Arvido Purim
Curitiba – Paraná

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