História de Emílio Andermann – 7ª Parte

História de Emílio Andermann – 7ª Parte

História de Emílio Andermann 7ª Parte

M E M Ó R I A S
De Emílio Andermann
Traduzido do Letão
por Julio Andermann
Digitado por Laurisa Maria Corrêa
Anotações por Viganth Arvido Purim
Material gentilmente cedido por Alice Gulbis Anderman

“Leiam também neste mesmo Blog o artigo escrito por Julio Andermann que está em “Crônicas Históricas com o titulo de” Meu pai Karlos Anderman”

Nesta parte o escritor resolve voltar para o sul então viaja prá São Paulo e pega um trem até Rio Negro no Paraná. Com outro trem ele desce prá Bananal de onde quer visitar os familiares que estão em Linha Telegráfica. De São Francisco pega um vapor e viaja prá Florianópolis e depois prá Laguna. Toma o trem e vai prá Orleans onde em Rio Novo tem amizades e parentes. Em seguida vai prá Mãe Luzia para acertar detalhes das propriedades da família. Aceita ser professor na Escola anexa da Igreja Batista Leta de Rio Novo.

SEGUNDO CADERNO

NOVA ODESSA – SÃO PAULO

EM 13 DE DEZEMBRO DE 1921
A MINHA DESPEDIDA DE NOVA ODESSA

Quando os irmãos da Congregação Batista daquele lugar se despediram de mim, senti o quanto Nova Odessa havia crescido no meu conceito. Senti a dor da separação deste lugar como também da minha irmã Lídia, que também muitas vezes surpreendi chorando. Ela pouco falava comigo e assim eu tive a oportunidade de sentir o seu amor não fingido.
Ela me presenteou com 2 camisas e 4 lenços. No culto de despedida; contra a minha vontade eles coletaram 51$100. O Teófilo Peterlevitz também me deu 2 camisas como recompensa pelas aulas de violino que lhe ministrava as sexta feiras.
Fiz as minhas malas e esperava trazer todos os meus livros junto comigo na bagagem; mas acontece que tive de mandar 5 pacotes de livros pelo correio. Na véspera chegou muita gente e eu estava surpreso e ao mesmo tempo muito feliz por esta demonstração de carinho.
O pastor João Inke falou sobre o Evangelho de S. Mateus cap. 6, me aconselhando para não ficar agarrado aos bens materiais. Disse que a instrução também era um tesouro que deveria ser amealhado, mas que muitos haviam exagerado. “Onde está o vosso tesouro também estará vosso coração”. Que não se podia servir a dois senhores, mas primeiro almejar as bênçãos de Deus e a sua vontade, então todas as outras coisas seriam acrescidas.

PARTIDA DE NOVA ODESSA

Cedo de manhã fui conduzido no Trole do Karklis para a estação da estrada de ferro em Nova Odessa. Lá me esperavam reunidas muitas pessoas conhecidas das quais me despedi pesaroso. Através destes irmãos, Deus havia se mostrado muito benevolente para mim. Já dentro do comboio o meu amigo Eduardo e eu ficamos calados, certamente por que estávamos tristes.
Ao chegar a São Paulo, hospedamo-nos no Hotel Alemão, então a nossa mente parece ter reanimado; lá estavam hospedados muitos alemães que falavam sobre “faterland” e assim tive a oportunidade de observar o seu patriotismo inflamado.
Passeamos pela cidade onde não encontramos nada bonito, nada legítimo, nada natural. Ouvia-se falar o italiano, o alemão e outras línguas – será que isto representava amor pelo Brasil?
Visitamos uma exposição de pinturas um artista argentino Cezareu mostrava a sua obra. Entre os bonitos o mais lindo me pareceu um quadro intitulado “Espanhola”.
A noite frequentamos o Teatro Apolo no qual se apresentavam artistas italianos, cantando as suas melodias monótonas, num tempo patriótico e as mulheres eram muito bonitas; a orquestra bem que poderia ter tocado melhor.

EXPOSIÇÃO

No jardim da Luz visitamos uma exposição de trabalhos artísticos de alunos de uma escola profissional. Vimos em exibição mobílias artisticamente acabadas; tecidas, entalhadas, algumas douradas, torneadas ou envernizadas. Vendo este conjunto de arte e beleza tomamos conhecimento da obra de que são capazes de executar simples aprendizes especializados.
Na seção de arte visual admiramos muitos trabalhos esculpidos mas os dois quadros que mais atraíram a nossa atenção e do público foram “O Descobrimento do Brasil” e a “Fundação de São Paulo” por que eram cenas retratadas da nossa história.
Fiquei muito contente por causa desta oportunidade e no meu coração nasce uma esperança tímida: “a minha irmã Lídia também será pintora”. Não tenho dúvida que ela tem um grande potencial neste ramo de arte. Desejo-lhe muita perseverança para perseguir neste ideal.

PARTIDA DE SÃO PAULO

O trem de Sorocabana parte a 14.30. Comprei um bilhete de primeira classe por 66$600. Na partida o mesmo burburinho de sempre que acontece nas estações com muita gente se despedindo na plataforma. A minha viagem está se iniciando linda; a poltrona está macia e confortável e pela janela observo a redondeza enquanto passam casas depois de casas. Passamos por uma Fábrica de Vidros e o comboio corre célere pelos trilhos. Alcançamos planícies e depois alagados; locais onde não se vê nem campos nem plantações, a não ser olarias cujas chaminés altas se destacam aqui e acolá, mostrando o progresso e a inesgotável riqueza nacional.
Embora, na beira da estrada, a natureza modifique o seu aspecto, os trabalhos ligados ao cultivo pela mão do homem, cochilam ainda no seu estado selvagem, aparecendo de vez em quando alguma choupana. Agora a terra se torna acidentada e pedregosa. Passamos pela ponte sobre o Rio Tiete que modesto atravessa São Paulo, mas agora se avoluma.
Chegamos a São Roque que é uma cidade pequena e a terra ao seu redor até parece um deserto – até onde a vista alcança não se vê arbusto crescendo. O caminho de ferro saía de uma curva e entrava em outra atravessando escavações e aterros. Parece que o comboio corre cada vez mais veloz e assim chegamos a Sorocaba que dá a impressão de ser uma cidadezinha aconchegante edificada sobre uma planície cortada por um rio.
Em seguida passamos por mais duas estações e depois tomamos resolutos o rumo diretamente para o norte. Ainda não aparecem plantações e a luz do luar vemos campos abertos e locais que parecem charcos. Ao alvorecer do dia chegamos a Itararé e assim já saímos do Estado de São Paulo; estando a 434 quilômetros da sua capital. Esta cidade está situada no meio de belos campos e aqui e acolá pastam rebanhos bovinos ou então deitados em grupos ruminam o alimento já ingerido. Nas ravinas capões de arbustos entre os quais orgulhosos já crescem os pinheiros.

Avançamos para dentro do Estado do Paraná e a natureza aqui se torna cada vez mais linda. O terreno é ondulado e planícies que às vezes despencam numa parede de rocha quase vertical. A principal ocupação desta região é a pecuária e depois vem à extração de madeira.
Admiráveis amplos e belos campos que parecem artisticamente emoldurados por pinheirais. Pelas suas ravinas e grotas correm muitos rios e o ar é muito puro. Os habitantes desta região são robustos, corados e bem desenvolvidos.
Perto de Serrinha começou cair chuva. O trem corria rente à margem de um rio, às vezes no caminho cavado em paredões de rocha. Em lá chegando fizemos baldeação para outra linha cujo trem corria muito mais lento.
Ontem de noite chegamos em Rio Negro. Dormi em um hotel e hoje vou continuar a viagem para Bananal. A cidadezinha é modesta; as ruas não estão calçadas, mas isto destaca a beleza do Rio Iguaçu que tem uma correnteza considerável e outra vez estou atravessando a fronteira para Santa Catarina.

17-XII- 1921

Depois do Rio Negro na beira da estrada apenas vejo a Mata Virgem. Próximos das serras existem alguns moradores, mas as terras parecem fracas, as lavouras pouco desenvolvidas e as plantas raquíticas.
Agora entramos em declive e diante de nós se abre uma vista maravilhosa. Ao redor os picos das montanhas se elevam cada qual mais alto que o outro. A perder de vista lá em baixo os vales e as planícies.
Esta é uma vista deslumbrante que olhamos enquanto o trem sai de uma curva e entra em outra, quase voltando ao mesmo lugar por onde já havia passado mais lá em cima, mas minuto depois de minuto estamos descendo para a planície.
Estes montes majestosos cobertos de florestas – elevam o coração – induzem a centenas de reflexões; quanto já estou chegando perto do local onde estão os meus pais e os meus irmãos e o povo letão, os quais eu amo tanto.
Às 7 horas da manhã o trem chega à estação de Bananal onde encontro um ambiente estranho por que todos falam em alemão. Parece que também me consideram patrício e é pena que não fale o idioma embora ouvindo entenda bastante. Dormi em um hotel onde me falaram que Zute havia viajado e me apanharia no dia seguinte para levar ao encontro de Kalnin. Está nublado, mas não chove; tomara que amanhã faça um dia bonito.

EM 18-XXX-1921 – EM RIO BRANCO

Fiquei preocupado por falta de condução. Encontrei um polonês, carreteiro, que estava viajando para aquele lado e assim fiquei sossegado. Como me parecia estranho este local que era uma planície cercada por montanhas arredondadas por todos os lados cobertas de florestas. Entre os montes, extensões de terra plana que são aproveitadas para a agricultura; por que são terras fáceis de irrigar, são usadas para plantar arroz.
O Rio Itapucu que tem a sua vertente no alto da serra é tão volumoso quanto é o Orleans. O ar é úmido e abafado, mas de algum lugar vem aroma de flores, em contraste com São Paulo onde o ar é seco.
Fui à igreja Batista e como era domingo, antes da Escola Dominical, havia um ensaio para as crianças recitarem poesias. Elas declamam, mas sem a acentuação certa e sem vida. Tornei-me conhecido de várias pessoas. O Rodolfo Loks, um jovem simpático, prometeu levar-me e acompanhar até a Linha Telegráfica.

Quem presidia o culto era o jovem Janauskis no idioma português. Ele falou sobre o renascimento. Encontrei os filhos do Graudin – o Valdo, forte igual a um Hércules, robusto. Junto com outros jovens combinamos escalar o monte Jaraguá, antes do Natal.

19 / XII / 1921

Hoje está caindo chuva. A neblina se levanta dos picos de montanha, sobre para os céus, condensa e cai novamente para a terra. O íntimo do meu coração também está coberto de nuvens que chovem lágrimas. O meu caminho está obscurecido pela penumbra e eu não sei para onde ele vai. De vez em quando eu paro no caminho da minha vida e pergunto: “Onde está a verdade”? “Onde está a plenitude”? depois, então, embora fatigado continue a procurar num último esforço e penso nos meus pais e irmãos – em que caminho do destino eu os encontrarei. Cansado eu choro enquanto persigo a plenitude; não sei por que o meu coração é tão mole.

O meu futuro é igual a uma noite escura; não sei onde e quando vai fulgurar para mim a primeira estrela e uma nova esperança, mas MEU CRIADOR ELE SABE.
Combinei com o Rodolfo Looks que iríamos para a Linha Telegráfica logo depois do Natal e vou aproveitar estes dias para procurar um dentista em Joinvile. Cedinho tomei o trem na estação de Bananal para Joinvile que corria veloz para o seu destino através de terrenos encharcados cobertas de uma vegetação própria.
Joinvile é uma cidade alemã, Lá se veem várias fábricas, um grande comércio e um cais fluvial na beira do Rio São Francisco aonde chegam embarcações ligando a cidade ao porto. Ela não me agradou. Encontrei um hotel de segunda classe o “Vogelzander” cuja diária custa 3$500. Hargnat o dentista me prometeu tratar os meus dentes em 3 dias pelo preço de 50$000.
Nestes dias aproveitei para ler o Novo Testamento e algumas daquelas inflamadas poesias de Rainis. O calor estava insuportável à vida parece que vai fugir pelos poros junto com o suor. Ontem de noite fui ao cinema cuja exibição foi muito fraca. O filme em si agradava, mas a música de fundo tocada por um conjunto abaritonado de instrumentos de sopro não acompanhava as intenções de alegria e tristeza do enredo.
Um conjunto musical tão fraco envergonha uma cidade como esta. Aqui não há Universidade, nem Bibliotecas muito menos Livrarias, mas o comércio é muito ativo para satisfazer os agricultores que aqui vem vender a sua produção e comprar mantimentos. As ruas são largas, compridas e cruzando-se formam quarteirões regulares. Na margem de cada rua há uma vala cheia de água preta estagnada. Não há água potável encanada.
O nível do mar aqui é muito baixo e por isto o solo é plano e a atmosfera quente e abafada. Clima não deve ser saudável.

23 / XII / 1921

Hoje terminou o meu tratamento dentário e imediatamente tratei de voltar para Rio Branco por que já havia visto tudo nesta cidade que é considerada a segunda maior depois de Florianópolis.

25 / XII / 1921

Logo de manhã na Igreja Batista Leta reuniram-se os irmãos e as crianças. Encontrei um tal Trimer, que se auto-intitulou de profeta; mas pela sua inflamada maledicência dos Batistas entendi que a sua inspiração vem do espírito das trevas. Ele não admite a leitura de nenhum outro livro que não seja a Bíblia que ele conhece quase de cor e de onde escolhe os argumentos que lhe são convenientes. O seu jovem filho também esta mergulhado neste estado de escuridão. Deste homem que se desviou da verdade eu tomei o exemplo de que não se deve procurar nas Escrituras apenas aquelas partes que possam ser aproveitadas para a finalidade do obscurantismo.
O culto matinal foi dirigido pelo Frederico Janauskis que falou sobre o grande amor de Cristo demonstrado ao se deixar humilhar, aceitando a condição humana. Depois do culto os jovens tiveram a sua hora de “música e literatura” na qual eles se mostram muito diligentes. Pelo que eu percebi todos eles estão escrevendo poesias, mas infelizmente muitas desprovidas de qualquer nexo. Para começar eles não conhecem nem a “rima” nem a métrica e não observam a pureza da linguagem. Compõe sobre qualquer assunto, como ”chuva”, “domingo de manhã“ e embora estivesse ouvindo tudo atentamente, não encontrei entre eles nenhum talento; mas vale a intenção de tentar fazer alguma coisa. Creio que está lhes faltando uma boa orientação de um mestre e uma crítica sadia. O Blumit que é o incentivador desta iniciativa, elogia qualquer mediocridade para agradar.
À noite a festa Jubilosa das crianças à luz das velinhas de uma frondosa árvore de Natal. As crianças corajosamente recitaram as poesias que haviam ensaiado de manhã.
O Líder da Escola Dominical, o velho Janauskis falou com muito entusiasmo e incitava os pais a apoiarem esta iniciativa educativa.
No dia seguinte a Mocidade apresentou a sua “Hora da Bíblia”. O tema escolhido foi sobre as mansões celestes e cada um dos jovens lia um trecho da Bíblia alusivo a este tema tão absorvente que é o céu.

Almocei na casa do Rodolfo Luka e depois fomos visitar a família Graudin que tem muitos filhos, alguns deles já crescidos. Conheci o Valdo, Mirdza, Austra, Ritu e o pequeno Ceroni. De fato, esta é uma família respeitável morando numa grande mansão. O Graudim me contou sobre os motivos da separação dos Pentecostalistas do Rio Branco e da Linha Telegráfica. Conclui que ele estava mais certo nesta divergência principalmente nesta questão de “fila” e “roda” para aquelas celebrações ritualistas e os excessos que ele não aceitava. A Ida profetizava que o tempo do arrependimento havia se esgotado neste Natal – mas para o Graudim foi revelado que o tempo continuava aberto para a salvação, embora estivesse se esgotando lentamente.

JARAGUÁ

O tempo clareou completamente. Já na semana passada nós havíamos falado sobre a escalada da montanha de Jaraguá, mas naquela ocasião haviam nuvens e chovia. Ontem de noite ao me despedir de Rodolfo Looks e o Valdo voltei a falar naquela aventura e no mesmo momento resolvemos subir aquela montanha. Iniciamos a escalada às 6 horas da manhã, subindo para o cume. A nossa vista ansiosamente procurava alguma trilha e o nosso desejo era alcançar aquela altura rapidamente. Subíamos alegres. Às 9 horas já havíamos alcançado o cume – portanto a escalada durou 3 horas. A crista estava limpa e apropriada para fazermos o nosso desjejum e neste lugar tão alto esquecemos vitoriosos a nossa fadiga. Depois perscrutamos o horizonte: – para o Oeste, o maciço da Serra do Mar que se elevava abruptamente como se fosse uma parede negra e separa a planície do planalto. Então me lembrei de Nova Odessa da minha irmã Lídia que tão pesarosa de mim se despediu e dos outros amigos que lá deixei; para o norte – Jacuassú; mais adiante – Maçaranduba e mais longe ainda as ondulações da linha Telegráfica onde mora a minha família e que espero encontrar amanhã; Bananal e Rio Branco se localizam no Leste e continuando na mesma direção – majestoso o mar. Que lindo panorama onde se localizam charcos, rios, planícies e é pena que não se possa ver as cidades mais distantes por que o ar está saturado. Ao descer Valdo rasgou a roupa e Rodolfo pisou numa cobra. Em baixo estávamos exaustos, mas realizados por que havíamos alcançado o nosso objetivo.

A LINHA TELEGRÁFICA

Aconselharam-me para eu convidar o Ricardo Looks para condutor e guia quando eu fosse para a Linha Telegráfica. Agora estou verificando que esta recomendação estava certa quando hoje, ao meio dia, ele veio para me acompanhar, no lugar combinado, ponto de partida para aquele destino.
O tempo continuava muito quente, a estrada estava cheia de buracos e de curvas fechadas,. Nós conversamos acerca de algumas situações que poderiam surgir quando nós chegarmos lá. Olho em volta e vejo que a terra aqui é plana e muito boa em todo o percurso até a Linha Telegráfica com lavouras de milho bem cuidadas. À noite chegamos à casa do velho Silmanis. Foi uma viagem que durou 6 horas e aquele homem nos recebeu com muita amabilidade. Jantamos rapidamente na intenção de ainda hoje irmos na casa do Strauss, ao encontro da minha querida família.
O Silmanis contou que o meu tio Rodolfo Andermann e a Ida Strauss, como também João Karklis e a minha tia Lídia Andermann, de carroça foram ao povoado para legalizar o seu casamento civil. Por este motivo uma mulher do grupo dos fanáticos teria caído no pranto. Terminado o jantar apanhamos uma lanterna de querosene e iniciamos a caminhada na direção da casa que abrigava àquela coletividade Pentecostalista, entre os quais se encontrava a minha família. Imaginava que este iria ser um encontro histórico.
As estrelas no céu estavam fulgurantes e davam esperança ao meu coração que aguardava pacientemente. Ao nos aproximarmos da casa vimos aceso o fogo, mas em torno tudo estava escuro e silencioso, apenas um cachorro latia de vez em quando. Ouvindo e olhando atentamente concluímos: “hoje não fizeram a reunião”. Com a lanterna na mão, combinamos fazer uma aproximação direta a casa onde certamente os meus estão dormindo. A luz tênue da lanterna passamos pelo estábulo – lá dentro várias vacas bem tratadas. Depois um monte de lenha e a seguir o portão de cerca do jardim que estava muito bem trancado, mas conseguimos pular por cima.

E agora, que felicidade: olho através da janela aberta e vejo o rosto amável da minha mãezinha que aparece na penumbra branca como o mármore. Ela pergunta: ”quem está lá fora”, eu respondo: “o seu filho Emilio; antes de voltar para a casa em Mãe Luzia, resolvi passar por aqui para falar sobre a nossa colônia abandonada”. Então ela continua a me perguntar: “Onde você está hospedado”? respondo: “ nós estamos na casa dos Silmanis, onde deixamos a carroça e os cavalos”. Então ela continua animada: “Vamos entrar, vamos entrar quero te olhar dos pés até a cabeça; quem é este teu companheiro”? Novamente respondo: “É o Rodolfo Looks que me conduziu até aqui”.
A minha tia Paulina e a minha irmã Mely Zelma observando pela janela e sorrindo. Então atiçaram o lume de lenha que havia no centro do aposento, enquanto nós íamos em direção da porta da entrada, atendendo ao convite de minha mãe. Em mim acendeu aquela alegria de filho que depois de muito tempo encontra a mãe então feliz e confiante acelero o passo; mas que desventura – tem outra vez início aquele espetáculo de doidos – todos eles começam a gritar, rosnar, urrar e a soprar através das ventas aquele zorro característico de pessoas perturbadas de faculdades mentais. Desisto em continuar em direção da porta. Olho pela janela na sala agora iluminada pela fogueira e vejo homens e mulheres pulando e rodopiando o corpo numa dança apavorante.
Nós ficamos petrificados e imóveis. “E agora”? Berrando eles deixam a roda e em fila estão avançando em direção da porta por onde minha mãe nos convidou a entrar. O meu tio Rodolfo agarrou um tição de lenha aceso e ameaçadoramente estava vindo em nossa direção e; naquele mesmo instante um outro homem saltou do sótão do celeiro do outro lado do quintal enquanto a fila dançante já ia saindo pela porta.
Tomados de pânico corremos em direção do portão trancado; por que o tio Rodolfo, possesso de raiva, investiu contra o portão fechado com o tição e tanto bateu que quebrado ele caiu no chão deixando a saída aberta para nos enxotar. Agora eles já estavam chegando de todos os lados e a fuga estava se tornando difícil. Eu estava confuso – tudo estava escuro e o local era desconhecido. A lanterna de querosene na mão do meu companheiro estava mostrando o lugar onde nos encontrávamos, então gritei: “joga esta lanterna no mato”, onde a querosene se espalhou e começou a queimar enquanto nós fugíamos agora protegidos pela escuridão. Isto freou o ímpeto deles por que tiveram que parar para apagar o fogo que se alastrava; assim nós conseguimos chegar perto de um valo. Agora invisíveis no escuro paramos para observar. A minha irmã Mely Zelma clamava aos brados: “Jesus venha logo, Jesus venha logo nos levar”. Outros nos chamavam de traidores. Depois vitoriosos eles batiam palmas e feita a roda pulavam ali mesmo no descampado.; mas algum patrulheiro nos descobriu, deu o aviso, e lá vêm eles correndo outra vez. Um homem enorme vinha se esgueirando atrás do estábulo para nos cercar; outros vinham correndo através do pasto, todos eles gritando com todas as forças. Então vimos que aquela gente estava levando a coisa a sério e tomados de pavor saímos correndo estrada fora em desabalada carreira enquanto aqueles fanáticos nos perseguiam.
Já bem distante daquele campo de batalha paramos ofegantes com o coração batendo acelerado. Desconfiados ainda olhamos naquela direção para ver se sorrateiramente alguém ainda não está nos acompanhando – ainda poderíamos ser cercados.
Certos de que a refrega tinha passado, devagar seguimos em retirada e só agora descubro que havia perdido o sapato, então solto os cordões do outro e jogo no mato e continuo descalço. O Rodolfo Looks então me contou um certo detalhe que não havia percebido; que a Mina chamara “Zelma levanta-te” e logo em seguida eles iniciaram aquela dança.
Chegamos à conclusão que ir naquele local representava perigo, mas eu não tinha outra saída e amanhã, a luz do dia, íamos tentar uma outra aproximação.
É muito difícil eu aceitar o fato de que os mais nobre sentimentos da minha mãe estão sendo cercados por aquela gente insana. “MEU DEUS, DÊ-ME A OPORTUNIDADE DE VÊ-LOS NEM QUE SEJA PELA ÚLTIMA VEZ” (às 11 horas da noite).
Quando acordei o sol estava sorrindo. Lavei-me na água tépida e fiquei reanimado e o espírito esta alerta. Na hora do café o velho Silman prometeu me acompanhar na nova visita que iríamos fazer junto com o Rodolfo Looks. A dizer a verdade eu me senti amedrontado, mas a companhia dele me animou.
Durante a caminhada o velho “tio” conta à morte do meu avô Ans e o seu sepultamento. Eles levaram o ataúde ao cemitério, largaram o morto e depois fugiram. Os poucos que ficaram não demonstraram qualquer interesse na cerimônia da despedida. Então, o velho Silmanis, levantou-se e fez uma oração a Deus, mas os fanáticos nada disseram talvez com receio de se contaminarem com a imundície do cadáver. Continuo dizendo das coisas erradas que eles fizeram seguindo a orientação daquelas línguas, profecias e visões. Eles quase mataram o João Straus de pancada por que ele queria dormir com a esposa, que então abandonou o grupo, se hospedou na casa do Silman onde dorme dia e noite como um doido sem qualquer vontade de viver.
Voltamos a casa do Strauss. A Mely Zelma está na varanda e ao ser interpelada por mim, nada responde, mas começa a se agitar. Eu solicito que me deixem, pelo menos, a falar com a minha mãe. Chegaram vários fanáticos na varanda que começaram a pular, mas por um golpe de sorte, eis que a minha mãe vem do estábulo e tremendo muito me diz: “Diga logo o que você precisa por que não posso demorar em conversa contigo”. Eu lhe revelei o problema do Burigo na troca daquelas terras e pedi uma procuração. Numa voz sobrenatural ela bradava: “Jesus breve virá, Jesus breve virá e a nossa separação será eterna”, você pode ficar com tudo. Nós não vamos precisar de mais nada. Você acerta com o Ronsano”. Depois ela se lembrou das escrituras e foi para dentro de casa. Percebo que devagar estão avançando ameaçadoramente a Matilde e a Mely Zelma. Ao me virar encontro a minha avó Ana e vejo que o seu rosto está tomado de rugas. Mirei profundamente nos seus olhos e pergunto: “Vovó, você encontrou a felicidade junto desta gente”? E, ela dá uma única resposta: “O meu coração treme”; enquanto o velho Strauss vem para cima de mim gritando: “O que você quer mais, já ;e tudo teu – vá, vá”. Eu recuei mas o velho Silmanis permaneceu firme. Então eu percebo que a minha mãe detêm o velho Straus que estava falando aquelas línguas dizendo: “Calma, calma – eu tenho de atendê-lo, eu tenho de atende-lo”; mas a profeta da um soco nas suas costas e empurra: “então vá junto com ele para longe daqui”. A minha mãe então desiste. O velho Silmanis que veio comigo está sentado e eu caio na sua frente de joelhos; ele me aconselhou a não ter medo e esperasse.
Olho de novo para o quintal, o meu irmãozinho Julinho com 5 anos de idade, vem, me olha, e foge amedrontado. O Alexandre, que apareceu de repente, vem para mim e numa voz gutural desnaturada que não era a dele me diz: “Vai embora, vai embora, o que você quer mais – o que você veio procurar aqui ontem de noite”. Fiquei firme enquanto o Silmanis, que tinha mais experiência em tratar com eles, rebateu a agressão, dizendo: “Calma, calma, ele já vai embora. Ele veio a negócios e você não pode enxotá-los”.
Então todos foram pedir conselho ao espírito. Enquanto uns louvavam, outros diziam; “serpentes, serpentes, traidores”. Brevemente a minha mãe vem trazendo as escrituras e me diz que eu posso fazer com as terras o que eu bem quiser”.
Em voz alta então eu disse; “Até outro dia”. O Silmanis ainda estendeu a mão num gesto de despedida ma não foi correspondido. Devagar estávamos nos retirando em direção a casa meditando sobre todas estas coisas, mas lá adiante, às escondidas, a Mina nos estava esperando na beirada do milharal. Ela tinha vindo para nos cumprimentar e em conversa se defendeu do seu envolvimento com argumentos fracos e às vezes até concordava comigo. Ela é uma mulher forte e saudável e o seu juízo não foi envenenado.
Entramos na casa do Eduardo Silmanis, um participante moderado do grupo que considero meu irmão na fé muito amável e para atraí-lo ao nosso lado lhe falei do João Inke e do avivamento espiritual havido na Letônia, na intenção de que ele resolvesse a procurar a verdade. Prometeu escrever para mim dando notícias dos meus. Depois contou os comentários daqueles fanáticos a nosso respeito dizendo que éramos dissidentes, traidores e perseguidores e que o diálogo somente era prometido com estranhos a negócios. Que o João Inke era considerado um pregador enganador que arrastava todos para o caminho da perdição. Vimos também o Augusto Silman que largou o grupo, viajou para Porto União e se tornara ateu.
Leio no Jornal Batista “Avots” à descrição do abandono e a saída do pastorado de meu pai da Igreja de Rio Novo. Lá servira durante 5 anos na Igreja Batista Leta. Dois anos antes de deixar o cargo começara a ler os panfletos pentecostalistas e que escrevera no jornal “Draugs” uma carta de conteúdo duvidoso. Então a Igreja de Rio Novo exigiu uma explicação melhor; ele manteve o seu ponto de vista e foi exonerado do cargo.
Consentiram que ele continuasse a morar na casa pastoral até a colheita, por que também tinha plantações; mas em fevereiro, obedecendo a uma revelação, ele tratou de mudar-se para Mãe Luzia em 1910.
Voltamos da Linha Telegráfica e eu fiquei hospedado na casa do Rodolfo Looks. De manhã fomos capinar a plantação de arroz que estava plantando em lugar baixo e úmido, em carreiras umas não muito longe umas das outras. Foi um trabalho fácil e agradável. As enxadas daqui são as mesmas. O sol quente e o ar abafado fazem as culturas crescerem viçosas. Ao voltarmos para o almoço, trocamos ideias sobre a arte. Vejo que o meu amigo está muito interessado na poesia embora eu perceba que na prática os resultados são muito modestos por causa do pouco conhecimento desta arte. Ele nunca frequentou uma escola, tudo que sabe aprendeu por si só. Que Deus abençoe este esforço. Depois do meio dia fomos para Jacuassu. Logo ao chegar na planície vimos à velha Colônia de Geni Peterlevitz e também as terras de Arajums e mais longe, a propriedade de Gerto. Esta planície do Jacu-assu é muito linda ainda mais por que é atravessada pelo rio. A terra aqui é muito fértil e eu fiquei admirado pela exuberância do milharal aqui plantado. O Barke está iniciando a sua vida aqui, mas ele é jovem e muito diligente e em breve estará bem de vida. Também falamos deste movimento de espiritualidade; ele é contra estes exageros e se mostra muito sensato. Fomos até a choupana de Carlos Janauskis, mas não encontramos o dono em casa.
Na poesia o Rodolfo Looks exprime o seu coração amargurado:
“Terei de viajar muito”?
Para chegar a Pátria?
Vagar perdido no mundo?
“Longe da felicidade”.
E ainda outro verso
“Por que estás triste,
meu coração e suspiras?
Por causa daquelas chagas
Que não te permitem sorrir”?
Esperando o novo ano a mocidade apresentou um culto com um programa artístico. Embora a assistência não estivesse muito grande, os que compareceram assistiram a um programa agradável. Por que o povo daqui a aprecia, recitaram muitas poesias. Foi pena que a leitura se processasse em voz baixa e monótona sem acentuar, dar ênfase aos versos; mas Deus há de aceitar este esforço que foi feito de todo o coração. Com orações inflamadas pedindo as bênçãos de Deus, recebemos a entrada deste novo ano. Pergunto: “O que ele trará para mim”? – como de costume não será outra coisa que a luta – mas Deus há de me dar forças para vencê-la.

SALVE 01 / I / 1922

O primeiro dia do ano caiu num domingo e será iniciado com um culto a Deus na Igreja Batista. Eu me sinto bem no meio destes irmãos, destes patrícios amáveis. Repito o pedido a Deus já feito na véspera. Peço a Deus que me dê forças e coragem para vencer neste próximo ano, estudar e meditar para alcançar a plenitude. Faço também dele forças para poder arrastar muitos outros a fim de alcançar este objetivo. Depois do culto fui à casa do Blumit e procurei aprofundar-me nos trabalhos literários desta mocidade.

02 / I / 1922

Pernoitei na casa do Blumit. Encontrei profundidade nas opiniões do meu anfitrião nas opiniões manifestadas e as suas definições são simples sobre aquilo que ele estudou no que escreveram os profetas. A sua filosofia contém muito pensamento original. Amanhã, se Deus quiser, vou viajar para São Francisco. Não quero me demorar mais aqui.
“Até a outra vista Rio Branco”!

03 / I / 1922

Cedinho de manhã o Kalnim me levou para a estação férrea. A minha despedida não foi difícil nem triste, por que a esperança me aquece o coração e me diz: “Vá em frente”!
Chegando em São Francisco, me hospedei num Hotel Alemão cuja diária era de 6$000 por dia. Recebi a noticia de que hoje zarparia um navio costeiro e esperava que nele pudesse viajar; mas não foi possível por que o seu próximo porto será o Rio Grande. Então terei de esperar o “Max” que vai chegar no dia 7 ou 8. Agora estou preocupado por que hoje gastei para pagar o hotel 32$000. Vou partir amanhã e a passagem de vapor custará 18$000 até Florianópolis; lá terei de esperar mais 2 dias e não sei o preço do bilhete para a Laguna e de lá ainda falta a passagem da estrada de ferro. Terei bastante dinheiro? Terei de vender o relógio e a canta? Esta viagem não me deu nenhum prazer; ao contrário, entrei numa situação difícil e por isto estou muito aborrecido.

11 / I / 1922

O vaporzinho “Max” somente zarpou no dia 9, nele viajaram muitos passageiros. Na terceira classe gente de todos os níveis sociais, muitos quase animalizados. Entre eles alguns soldados e policiais fardados. A linguagem deles é grosseira. É uma amostra que na nossa terra ainda não há instrução generalizada. Andando na rua todos se confundem e a gente não nota a diferença.; mas aqui eles dão expansão a sua índole e se comportam como sub-humanos. A população do Brasil ainda não encontrou a sua base intelectual na instrução. Aqui na terceira classe estamos alojados como se fossemos animais. Não existe abrigo da chuva e do vento e não há lugar para dormir. A comida é grosseira. Eu lamento ter de enfrentar uma situação precária destas por falta de dinheiro. A pobreza é a maldição do homem ela transforma homens em fera, mas há uma vantagem; esta viagem vai temperar as minhas forças e cimentará a minha natureza de “menino adolescente” em homem.
Passamos a noite em Itajaí que é uma cidade linda. Subi numa montanha onde está situado o marco da fundação da cidade em 1820. Alegrou os meus olhos a bonita vista para a cidade, o rio e o mar.
De noite os passageiros da terceira classe dormem no chão do convés, se arrastam para dentro dos barcos salva vidas ou em qualquer canto. No dia 10 outra vez viajamos no mar. O navio balançou muito e muitos passageiros “alimentaram os peixes”. O primeiro dia de viagem também houve enjoo; mas hoje não há lugar limpo no convés. Às 13 horas chegamos em Florianópolis onde seremos obrigados permanecer alguns dias.
Durante a viagem conheci um companheiro o José Antonio, que fora ao Paraná para trabalhar e gastar dinheiro e agora está voltando para Laguna. Descobri que ele era de Orleans; então lhe contei a minha história da falta de dinheiro. Ele me prometeu emprestar algum, embora tivesse apenas 50$000 e cumpriu a promessa. Considero isto um milagre igual a outros que já me tem acontecido, quando o destino me abre a porta. Mas esta graça agradeço ao Criador.
Durante a viagem o vento levou o meu chapéu, que foi presente da Geni, e jogou no mar. Fui à cidade e comprei um outro igual ao perdido por 8$000 por que estava um pouco empoeirado por ficar longo tempo na vitrine.

13 / I / 1922

Às 6 horas da manhã o vapor “Max” entrou no porto de Laguna. As 7.30 tomamos o trem para Orleans, aonde chegamos às 11 horas. Deixei as minhas malas no Grüntal, tomei emprestado do Feldman 25$000 e paguei o dinheiro que havia tomado emprestado. Cheguei animado e com saúde. Nesta viagem nada me faltou, mas também, nada me sobrou e por isto eu agradeço a Deus, meu Criador de todo o coração.
A pé fui caminhando para o Rio Novo. O ar estava fresco, em volta tudo agradável e a natureza cheia de vida parece que respira. Cheguei à casa do Paegle e depois fui à casa do Klavim, ambos me receberam com alegria. Encontrei a Zelma Klavim que tem um espírito vivo. Ela tem uma natureza alegre, é diligente e penso que isto a conduzirá ao alvo. Por fim na casa dos meus primos Karklis onde fui bem recebido e me senti como se estivesse em casa.

15 / I / 1922

A natureza do Rio Novo me agrada muito embora a sua gente não desperte tanto interesse. Hoje fomos à reunião na Igreja Batista. A estrada estava coberta de lama por causa da chuva dos últimos dias. O Culto foi dirigido por Artur Leiman falou sobre “Esta encobre tudo” demonstrando que o amor de Deus tem encoberto muita falha. A sua fala é muito simples, mas eu acredito que depois de alguns anos de prática ele falará com muito mais profundidade; terá mais experiência – por que hoje ele apenas é um estudante. De noite houve uma reunião de orações e a Zelma Klavim convidou-me para visitá-la na terça-feira.
Do Alfredo Burmeister tomei emprestado um pistão e aqui eu transcrevo a escala cromática na clave de sol, numerando as teclas que tem de ser apertadas (de cima para baixo), para que modelando o som com os lábios se consiga os tons correspondentes. Não aplaudo a música de sopro dos metais. É um timbre de carrasco porque para conseguir o som o músico tem de soprar com muita força e isto prejudica os delicados órgãos da respiração. Por que não usar outros instrumentos mais delicados. A música de cordas, para o meu gosto, é muito mais bonita.

18 / I / 1922

A minha tia Lavize Karklis, falou-me a respeito dos antepassados da minha mãe. Este assunto me interessou muito e por causa disto quero anotar tudo.
Os Kanzberg imigraram para a Letônia da Alemanha. O meu bisavô chamava-se de Frederico. Ele trabalhara na Fazenda “Vocmoaka” como feitor. Depois fora ser guardador de floresta, quando os ladrões de madeira o agrediram com tanta violência que o deixaram quase morto. Depois de muito tempo recuperou a saúde parcialmente, mas não tinha mais condições para exercer o cargo antigo. Então foi lhe atribuída à função de ”guarda das plantações” mais fácil e mais mal remunerado de forma que o que ele ganhava não era suficiente para manter uma família de 12 filhos. Para resolver o problema ele simplesmente enxotou todos para fora de casa; entre eles também estivera o meu digno avô materno. Certamente por causa da insuficiente alimentação quase todos morreram. Ficaram apenas o meu avô Ernesto, o Ans e a Maria. Depois faleceu também o Ans.
Ernesto Kanzberg, meu avô materno, nascera em 1827. Aos 7 anos de idade foi empregado como pastor de porcos. Ele passara muita fome, mas uma certa Margarida, às escondidas dos patrões, lhe dava alguma coisa para comer. Quando ele já ficará maior e com mais forças para trabalhar ele fora morar com um tio, irmão de sua mãe chamado Dobele.
Depois de crescido, ele teve de servir na Fazenda Slipa em Kurzeme onde também era serva a Maria Michelson que, mais tarde, o Ernesto escolhera para esposa. O casamento realizou-se em 1856 (ele estava com 29 anos). Quando fora extinto a servidão na Rússia em 1860, ele ganhou a liberdade e comprou uma casa em Sloaka.
Neste período o Ernesto vivera uma vida exemplar. Ainda não bebia. Aprendeu a ler sozinho e assim conheceu muita coisa dos livros. Ele frequentemente cantara os hinos do velho Stender e para suprir um imprevisto, até dirigira cultos de oração.
Os primeiros filhos faleceram, mas em 20 de abril de 1863 nascera a Lavize (agora Karkle), a narradora. Quando ela completara 5 anos a sua mãe falecera deixando o Henrique com 9 dias de vida, isto em 1868. Este infortúnio trouxe muitos sofrimentos para a família e por causa disto o Ernesto começara a beber.
Depois ele travara conhecimento com a Lavize Adelof, que fora dona de botequim e que muito se amaram a ponto de se casarem. O Ernesto sempre se embebedara, mas a sua esposa o tratara com muito amor e muita paciência, sempre suspirando e dizendo: “Senhor, perdoa-lhe este pecado”.
Sete anos depois deste casamento nascera em 10 de fevereiro de 1875, a minha querida mãe Emilia. Quando isto aconteceu houvera muita maledicência – de que ele era a filha de um tal Balod; mas a história contada por minha mãe vai narrada em outra parte.

22 / I / 1922

Junto com o Filipe Karklis fomos para a Igreja. Participamos da Escola Dominical na classe de adultos. O Culto foi dirigido pelo Butler. Sempre apreciei muitos os seus sermões; da sua fala surgem pensamentos profundos, que são acentuados, e elevados pela sua cultura. Ele falou sobre o Ev. S. João cap. 3:13-21. À tarde passei na casa de Kátia Klavim, tocamos o harmônio enquanto a Alida cantava um solo. Conversei com algumas senhoras que lá estavam e foi uma tarde agradável. Choveu até o entardecer. À noite fui escalado para dirigir um programa de apresentação artística. Houve solos de instrumentos, o coro da Mocidade cantou e recitaram algumas poesias. Amanhã de manhã o Butler vai cavalgar para Mãe Luzia e é pena que eu não possa ver o seu companheiro de viagem.

28 / I / 1922

Anda estou em Rio Novo. Choveu a semana inteira e agora é que o tempo está clareando. A questão da Escola ainda não foi resolvida. O meu primo Karlos Karklis ofereceu-me o posto de professor em Laranjeiras; eu gostei desta proposta e prometi examinar o local, onde fomos juntos. A sala de aulas é muito bonita. Seria uma Igreja, mas já foram colocadas carteiras de escola. Nos dias de aula o altar pode ser separado por uma cortina. Há esperança de se conseguir 15 alunos e assim viria uma subvenção da prefeitura. Leciono de manhã e a tarde poderei trabalhar no moinho do Carlos e ainda me sobrará muito tempo para o estudo. Se tudo correr bem espero iniciar as aulas em março, o próximo mês pretendo passar em Mãe Luzia para acertar os problemas com a colônia de meu pai e depois pretendo retornar para o Rio Novo.

29 / I / 1922

Amanhã vou arrepiar o caminho para Mãe Luzia. A Kátia Klavim vai me emprestar um cavalo. Vou deixar quase toda a minha bagagem aqui por que não pretendo demorar; quero voltar para trabalhar e estudar aqui. O meu primo Karlos vai me acompanhar para Orleans onde nós vamos falar com o governo municipal sobre aquele assunto da escola de Laranjeiras. Antes de te ver eu já te saúdo, Mãe Luzia, minha terra natal.

31 / I / 1922

Com o cavalo emprestado, hoje estou viajando para Mãe Luzia. Foi difícil atravessar o Rio Orleans. O rio Palmeiras atravessei a nado junto com o cavalo em pêlo; antes havia carregado a sela por cima de uma pinguela. Foi um belo banho. Em Urussunga peguei chuva. Observo o lugar e verifico que aqui não houve progresso e por isto me alegro, pois a natureza ainda está livre, o ar puro com matas ainda intactas.
Tarde de noite cheguei ao meu destino na casa dos meus tios. Eu gosto muito de estar aqui. Os livros que mandei de Nova Odessa, chegaram, menos o livro de estudo do latim.
05 / II / 1922

Junto com o tio Zigismundo fomos a uma reunião Batista. São poucos os irmãos, mas a animação é grande; todos eles velhos amigos meus, conhecidos, amáveis, é por isto que me sinto atraído por este lugar. O meu tio convidou-me para ficar aqui na casa dele, que isto seria melhor para mim e se eu quiser iniciar uma escola, esta também pode funcionar neste lugar.

07 / II / 1922

Não vou instalar uma escola em Laranjeiras. O primo Karlos veio insistir, mas eu recusei esta oferta de lugar de professor. Já vendi duas vaquinhas por 275$000 e devo ficar por aqui, se não mais, para tratar do rebanho.

09 / II / 1922
A CASA PATERNA

Enquanto para cá viajava, imaginei que o seu reencontro me causaria tristeza; mas depois que aqui cheguei e percorri a propriedade, então me senti mais confortado. A casa está bem conservada, o pasto está razoavelmente limpo. Temos 9 bovinos crescidos quatro bezerros desmamados e mais alguns pequenos. Entre eles 5 vacas leiteiras estão pastando.
A Catarina Ronzano não conseguiu cuidar de tudo sozinha por que o seu marido não para em casa, pois gosta de um bom trago; os filhos deles ainda estão pequenos e por causa deles ela é obrigada a trabalhar além das suas forças. Na outra Colônia mora a família Pinheiro e de tudo o que eles cultivam eu receberei um terço. Gostaria que depois da colheita, ele desocupasse aquela casa para a Catarina morar com a família por que esta aqui eu gostaria usar como escola. Também o Burigo está cultivando uma parte da terra por 1/3.
Tratei um homem para limpar o pasto todo por 40$000.

11 / II / 1922

Ontem depois do almoço atravessei o rio e fui visitar a tia Lina e o tio João. Eles receberam uma carta de Nova Odessa na qual o Augusto Peluz escreve que a minha irmã Lídia, no dia 29 de janeiro, se tornara membro da Igreja Batista de lá, e que deixou de freqüentar a escola. Isto para mim foi como se eu tivesse levado um tapa no rosto por que eu sempre esperei que ela continuasse a estudar, mas agora vejo que ela resolveu desistir. Cada qual se deita como arruma a cama.
Além disto ela ficou noiva do Gustavo Karklis em 29 de janeiro. Desejo-lhes muitas felicidades, mas fico admirado por que ela resolveu adoçar a vida deste homem doente; que ainda poderá se tornar a sua amargura – mas pensarei que tudo vai correr bem.


19 / II / 1922
PERMANECEREI EM MÃE LUZIA

Ontem de noite retornei de Rio Novo, onde eu havia ido buscar a minha bagagem. A viagem foi penosa por que o cavalo que o Alberto Books me emprestou andava devagar e acabou ficando manco, mas, finalmente, estou no meu lugar. Permanecerei aqui o resto do ano. Ainda não estou certo se vou tomar aulas com J. K. Frischenbruder, ou então iniciarei a escola para a qual aqui não vejo muito ambiente.


28 / II / 1922

Este mês passou muito depressa. Durante este tempo estou morando aqui e aproveitando bem cada minuto. O meu programa diário foi o seguinte: – logo que me levanto de manhã vou ao rio tomar banho; depois do café eu trabalho 2 horas; o tempo que sobra até o meio dia eu gasto estudando matemática e geografia; depois do meio dia vou à casa do tio João tocar harmônio; quando volto então estudo línguas incluindo o português; depois toco violino. À noite faço o que mais me agrada – agora estou escrevendo estas notas.
Depois de vários dias de chuva tivemos enchente.

12 / III / 1922

Choveu torrencialmente durante 15 dias. O vento frio do sul traz nuvens, soprando com muita força. Então o rio Mãe Luzia transbordou e quanto isto acontece cessam as comunicações até com os vizinhos e todos se aborrecem.
Hoje brilha o sol, o tempo está lindo, a atmosfera limpa e transparente como se fosse cristal. A enorme Serra do mar, à distância, parece estar sonhando depois de tantos dias de choro; agora projeta a sua parede escura que parece uma sombra misteriosa em cima da admirável riqueza verde da mata Atlântica. Como são lindas as árvores vestidas com as folhas que brilham ao sol abanadas pela brisa.
O rio que corre murmurando, pelo seu leito sombreado pelas grandes arvores que cobrem as suas margens, parece contar a história desde a sua nascente, do percurso, das grandes cachoeiras, das corredeiras e dos poços silenciosos e dos grandes montes, que ficaram para traz, e dos quais parece se despedir, pressurosa indo ao seu destino no mar.
O sol despeja o seu ouro inesgotável sobre a natureza, com tanta beleza e tudo beija, tudo afaga amoroso com os seus raios. Exulto de alegria ao assistir este espetáculo apresentado, livremente, por esta natureza exuberante.
Cada vez, mais dentro de mim, aumenta a convicção de que o destino do homem é louvar a obra da Criação; este espetáculo maravilhoso, que passaria despercebido se Deus não tivesse nos colocado como platéia para aplaudi-la e esta descoberta me deixa mais feliz, do que já estive em Mãe Luzia, por ser tão linda que parece o palco deste teatro.

19 / III / 1922

Neste período de chuva, os moradores deste lugar, sofreram muitos prejuízos. Também a represa do moinho do tio Zigismundo sofreu danos. Aconselhei que ele colocasse troncos de palmeira no local onde a água cai do açude, para amortecer a força da água na queda. Ele concorda, Carlos teve entupido o canal de acesso de terra e agora quer vendê-lo por 900$000.
No sábado tive a primeira das aulas que me custarão 1$000 cada uma. Vou estudar Francês, Letão, Álgebra e Geometria. Ficou combinado que a aula seria ministrada duas vezes na semana; as quartas-feiras depois do meio dia e nos sábados à noite. Esta é uma grande oportunidade que se abre para mim por que o professor vai lapidar os meus conhecimentos e dará uma base para assimilar estas matérias que eu conheço apenas superficialmente.
Recebi 2 cartas de Nova Odessa, uma do meu amigo Eduardo Karklis e a outra da Ester. Eles escreveram acerca de um tremor de terra que foi lá percebido. Contaram que o João Inke está trabalhando lá como pastor e insiste para que os membros da Igreja Batista acordem e recebam o Espírito Santo, mas alguns irmãos de Nova Odessa estão muito duvidosos a este respeito.

31 /III / 1922

Hoje foi o último dia deste mês. Estou aqui na casa do tio Zigismundo há quase dois meses. Estou indo bem nos estudos. Já tomei quatro aulas.
Fui à venda do Burigo onde comprei duas calças por 19$500. Lembrei-lhe o seu débito para conosco, mas ele me respondeu que pagaria quando quisesse por que as promissórias não estão em meu poder. Não tenho dinheiro para saldar a minha dívida em Nova Odessa e este fato me preocupa, haja paciência. Estou pensando muito analisando vários assuntos, mas ainda sou um ignorante – o homem é um grande pesquisador, mas pouco conhecedor. Estou me tornando um livre pensador.

13 / IV / 1922

Desde há vários dias estou trabalhando na recuperação da estrada e na cerca que dela separa o pasto. Contratei um homem para me ajudar por 2$500 por dia. A cerca estava caindo e na estrada tive de melhorar o aterro de 2 pontas enquanto a Catarina roçou as beiradas da estrada. Agora temos uma nova lei que obriga o proprietário a consertar a estrada pública que passa pela sua colônia e nós ficamos prejudicamos por que a extensão é de um quilometro.
O estudo vai fácil. O professor é talentoso – ele sabe ensinar, mas perdi uma aula por causa da chuva.


01 / V / 1922

No mês passado faltei à aula por 4 vezes por causa da chuva que inunda o rio tornando-o intransponível mesmo de canoa e o professor mora na outra margem. É o vento sul que costuma soprar no outono trazendo as nuvens e a chuva.
A Lídia mandou-me uma breve carta e parece que estava aborrecida quando disse: “A felicidade não se encontra em lugar algum”. Ela ainda não recebeu a carta que mandei. Para tia Lina ela escreve que ela não voltará para Mãe Luzia, mas pretende ficar lá mesmo em Nova Odessa. Disse que o Gustavo Karklis está reformando aquela casa onde funcionou a escola, que pretende casar no inverno. Atualmente ela esta morando na casa do Augusto Peluj. Saiu da escola o que na minha opinião é um erro, mas, assim mesmo, desejo que ela seja muito feliz.
Esta é a época melhor da minha vida que é cheia de felicidade, livre e valorosa. Vivo para alcançar um objetivo que me fascina desde a tenra idade que é a aquisição de conhecimento através do estudo. A divisão do meu horário durante o dia é ainda o mesmo que já descrevi uma vez.
Aos domingos vou para a reunião da Igreja Batista e a cada terceira semana eu sou encarregado de dirigir o culto.
Um dentista itinerante o Dr. Scaravasso instalou o seu gabinete dentário na casa do rio Zigismundo – ele é um grande amante da música.

13 / V / 1922

Hoje se comemora aquele dia famoso quando em 1888 os escravos alcançaram a liberdade no Brasil. Outra vez a tia Lina recebeu notícias de Nova Odessa – a Lídia vai casar no dia 20 deste mês. O meu amigo Rodolfo Looks de Rio Branco, também me escreveu.
Vou tentar arrendar estas terras inexploradas do meu pai por 400$000 por ano. O dentista tratou dos meus dentes por 30$000 fez uma coroa e uma obturação.
Um dia espero viajar para a Letônia a terra em que nasci, em cujo benefício desejo trabalhar – a terra onde quero viver e morrer. Quero realizar este desejo na primavera do próximo ano. O Gibeot, de nova Odessa, viajou recentemente.

20 / V / 1922

Este é um dia histórico, por que hoje casa a minha irmã Lídia e também por um outro acontecimento menor, Alberto Books festeja 24 anos. Não sinto vontade de escrever, vou ouvir a voz do meu coração. Desejo as mais doces alegrias para a minha irmã – que para mim é a única de toda esta minha família.

01 / VI / 1922

Outra vez transcorreu um mês. Esta minha luta para estudar, aprender acelera o tempo. A matéria mais difícil, para mim, é a álgebra e depois vem o francês por causa da pronúncia. De Nova Odessa recebi uma carta de Eduardo Karklis e a outra da Ester. O primeiro se mostra muito espiritual por que espiritualidade lá está tomando a força toda; agora vão ter reuniões de orações, 3 vezes por semana, das 12 as 16 lideradas por João Inke.
Convidaram-me para ser professor lá em Rio Novo e eu pedi um honorário de 60$000 por mês pago adiantado. Quem sabe se não serei chamado para lá cumprir esta nobre missão. Como estudante vou indo bem por que assimilo as matérias, mas estou me tornando um tanto sonhador.
Hoje recebi a resposta a minha proposta que fiz para ocupar o cargo de professor em Rio Novo, que é a seguinte:
1) Quero ganhar 720$000 por ano;
2) Receber mensalmente e adiantado;
3) No caso de quebra de contrato, um aviso prévio de 3 meses;
4) O horário das aulas não será maior de 4 horas diárias;
5) Feriados patrióticos e religiosos para descanso.
Eles aceitaram a minha proposta e assim, no fim do mês, vou partir para assumir uma nova vida em uma nova ocupação. Lamento ter de deixar o meu professor, as minhas aulas e os meus amigos, mas espero que tudo seja dirigido pelos desígnios do meu Criador.
Não consegui arrendar aquelas terras como falei; o Italiano quer pagar apenas 100$000 por ano. Se os meus pais me mandarem uma procuração, vou vende-la, já mandei uma carta com esta proposta para eles e a Lídia.

20 / VI / 1922

No dia 17 chegaram a cavalo, de Rio Novo, os meus companheiros Roberto Kreeplim oriundo de Nova Odessa e Alexandre Klavim. Eu havia regressado da aula tarde de noite quando eles já estavam dormindo. Havia pensado neles e eis que agora estão aqui. Isto me surpreendeu agradavelmente e me proporcionou muita alegria. No domingo, todos, fomos assistir ao Culto, na segunda feira passeamos e amanhã eles já vão embora.
A minha ida para o Rio Novo ainda não está segura; vou mandar mais uma carta e esperar a resposta na semana que vem. Através do Roberto que é de Nova Odessa desejo encomendar livros e músicas.

01 / VII / 1922

Já estou em Rio Novo na casa da Kátia Klavim. No dia 27 do mês passado cheguei a cavalo e assim ainda encontrei Roberto. Junto com o João Salit estivemos em Orleans tratando, junto aos homens do Governo, a licença para o funcionamento da Escola. O Superintendente gostou da idéia e prometeu me submeter a uma prova, um exame de capacidade profissional. Já na segunda feira vou iniciar as aulas. Pela pensão e a roupa lavada vou pagar 33$000 por mês.
Em Mãe Luzia vendi:
• O gado por 590$000
• Gastei em Mãe Luzia 70$000
• Mandei para Nova Odessa para pagar aulas 170$000
• Comprei “Obras Classificadas” 100$000
• Comprei um casaco 46$000
• Despesas da viagem 10$000
—————
• Sobrou 200$000

CONTINUA

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