História de Emilio Andermann – 3ª Parte

História de Emílio Andermann – Sua Juventude

3ª PARTE
M E M Ó R I A S
De Emílio Andermann
Traduzido do Letão
por Julio Andermann
Digitado por Laurisa Maria Corrêa
Anotações por Viganth Arvido Purim
Material gentilmente cedido por Alice Gulbis Anderman

Leia também neste mesmo Blog “ O meu pai Carlos Andermann”

DO MEU DIÁRIO EM 19.11.1918

Antes daquela festa de jubileu a que me referi, congregávamos em ‘horas musicais”, mas depois daquela festa passaram semanas e a respeito desta diversão não se falava mais.
Agora eu tentarei levantar outra vez este movimento, embora esteja tão jovem que isto torna o resultado imprevisível.
Para reunir os ouvintes eu escrevi uns convites em tirinhas de papel para serem distribuídos aos patrícios:
“NO SÁBADO, ÀS 7,1/2 DA NOITE
TEREMOS UMA “HORA MUSICAL” NA
CASA DE ANS ANDERMAN. TODOS
ESTÃO CONVIDADOS.” VAMOS CANTAR
DO LIVRO: JOIAS MUSICAIS.
Além desta iniciativa ainda tenho muito trabalho pela frente por que quero iniciar um movimento para criar uma Escola. Se o professor Busman quisesse assumir o cargo durante um ano, isto traria um beneficio geral, principalmente para nós os adolescentes. Quanto eu gostaria de ter sido mais instruído, conhecer ciências, ter uma base gramatical para expressar melhor os meus sentimentos. O meu ideal é fazer alguma coisa para trazer mais vida no relacionamento da nossa colônia.

O ANO DE 1919

Neste ano ingressei com novas forças e mais entusiasmo. Encontrei na minha vida mais determinação, mais coragem. Comecei a observar tudo sob uma nova ótica e tudo me parecia mais acessível que no passado. Também enfrentei muitas tempestades. Sobre mim rolaram pesados acontecimentos, mas todos estes acontecimentos desenvolveram nhás forças e criaram em mim a coragem para erguer-me firme sobre os meus próprios pés.
Para a festa de passagem do ano chegaram visitas do Rio Novo. Nós esperamos a entrada deste ano conversando, cantando, tocando e aquelas visitas muito enfeitaram a nossa reunião. Eram cerca de 7 pessoas e entre eles estavam J. K. Frischenbruders, a Zelma e Alexandre Klavim.

EM 1 DE JULHO DE 1919

Encontrei o Pedro Skolmeister. Eu tinha muita admiração por ele e tive o privilégio de tê-lo como companheiro. Ele era um pensador e dizia:
“RACIOCINANDO O HOMEM PODE ENCONTRAR MARAVILHOSAS IDÉIAS DE PROFUNDIDADE E ELEVAÇÃO”.
PENSANDO ELE PODE ENCONTRAR FATOS EM QUE FUNDAMENTAR AS CONCLUSÕES.
“CADA ASSUNTO TEM O SEU INÍCIO, MAS AO ENCONTRÁ-LO O JUÍZO PODE DESENVOLVER IDÉIAS MARAVILHOSAS.”

EM 15 DE JANEIRO DE 1919

Os membros da Colônia combinaram viajar, de carro de boi para Araranguá para frequentar a praia do mar. Isto já havia acontecido anos seguidos quando os patrícios iam para tomar banho. Neste verão várias famílias combinaram viajar junto. Nosso carro era puxado pelos bois Amori e Ledi. Foi uma viagem penosa por causa da estrada mal conservada, mas ao chegarmos à beira do mar foi muito agradável.
Armávamos barracas e ficávamos acampados vários dias. O ar marinho, os banhos na água salgada deixam impressões duradouras sobre o corpo e o espírito. O apetite aumentava e o estado de saúde melhorava.
Era agradável passear e correr pela beira d’água, subir as alvas dunas e depois deslizar até em baixo, catar e comer araçá e outras frutas. Formávamos um grupo de 28 pessoas na maioria jovens e saudáveis então durante a maior parte do tempo demos rédeas a nossa animação. Alguns adolescentes correram para ver um navio que havia encalhado, para assistir o trabalho de devolvê-lo ao mar.
Encontramos uma velha canoa que consertamos cuidadosamente no dia seguinte, e então tentávamos navegar. Tentamos ganhar o mar aberto, mas a canoa quase se encheu de água. A esta dificuldade ainda deve se acrescentar que não tínhamos remos, apenas estacas para movimentar a embarcação. No mar aberto balançando sobre as ondas alguns companheiros ficaram enjoados.
No dia seguinte repetimos a proeza, mas desta vez uma correnteza tentava nos afastar da costa o que tornou a volta muito penosa.

EM 19 DE FEVEREIRO DE 1919

Até que a sementinha da escola germinou. Alguém assumiu a ideia e todos os vizinhos se reuniram para estabelecer as bases. A principio pensou-se em construir prédio para este fim, mas depois a ideia foi afastada por que os interessados eram em número pequeno.
O Jakob Klava então se prontificou a ceder a sala para as aulas e a família Zeeberg prometeu acolher o professor. Então fizemos uma relação de contribuições mensais para pagar o salário do professor: Kauling daria 10 mil reis; Burigo 5; Silvestre 5; Bernardo Keste 8; Akeldamis 6; Sudmalis 2; Klava 15 e nós 15 perfazendo o total de 70$000 (setenta mil reis) por mês.

EM 1 DE MARÇO DE 1919

A minha mãe começou levar no carro de boi produtos da nossa lavoura para vender aos trabalhadores das Minas de Carvão em Criciúma. Ela também comprava alimentos para nos abastecer. Muitas vezes eu a acompanhei nestas viagens.
Naquela época eu acreditava piamente nos sonhos, anotava o seu conteúdo e depois estudava. Por um milagre, as minhas interpretações aconteceram. Quando eu via um sonho, este me servia de aviso e premunição assim os eventos me pegavam preparado.
Eu mantinha uma forte relação de estima com os meus amigos. O Alberto Buks[ Books], entre eles, era o melhor. O João Klava também era um companheiro inseparável. Eles vinham me visitar e eu retribuía a gentileza. Quando reunidos tocávamos música; ou então discutíamos algum assunto importante. Um dos nossos assuntos preferidos era falar sobre a Letônia. Lamentávamos os seus sofrimentos e na hora da angústia, seríamos capazes até sacrificar as nossas vidas em benefício daquele povo. As nossas reuniões deixaram na minha mente recordações indeléveis.

A SEGUNDA VIAGEM DE MEU PAI PARA LINHA TELEGRÁFICA
EM 12 DE MARÇO DE 1919

Naquele momento já estavam terminados os essenciais trabalhos na lavoura; o milho já estava bem crescido a ponto das ervas daninhas não conseguirem mais superá-lo; feijão, arroz e outras semeaduras também já estavam crescendo. Faltava ainda plantar o Capim Serrano, cuja característica é crescer e manter-se viçoso mesmo em baixo de geada.
As outras atividades como limpar o pasto eu podia fazer sozinho e assim, realmente, este período do ano era o mais favorável para ele se ausentar.
Já fazia várias semanas que Graudin lhe mandara uma carta solicitando a sua presença urgente. Então nos parecia que todas as dúvidas se esclareceriam e com alegria despedimo-nos dele. Eu e a irmã Mely Zelma fomos fazer uma rápida visita a Rio Novo. No dia 20 de março lá houve uma festa da Igreja Batista local e então encontramos todos com saúde e disposição. Os filhos do Karklis trabalhavam ativamente na construção de um moinho. Quando regressamos em nossa companhia veio o Carlos Ignausky, Alida Klavim e também um irmão do Karklis. Esta foi uma viagem aprazível e agradável.

EM 4 DE ABRIL DE 1919

Nós, lá em Mãe Luzia, estávamos nos preparando para a Páscoa. O João Klava, que entre nós os jovens era o mais diligente, coletou 14 mil reis para cobrir as despesas da festa. Para esta festa veio de Rio Novo, Carlos e Filipe Karklis e este último ficou comigo para me ajudar.
Juntos colhemos feijão, serramos mourões de cerca e limpamos o pasto de ervas daninhas. Foi nesta época que eu comecei a escrever as primeiras cartas.

EM 5 DE MAIO DE 1919

Iniciamos a colheita do arroz. Neste outono o trabalho corre agradável e proveitoso. Compramos 3 vidros de mel.
A nossa vida espiritual corria monótona. Para frequentar as reuniões Batistas a nossa família não comparecia. O tio Rodolfo com todo o coração se apegou ao hábito de amealhar riqueza; única ocasião de convívio agradável era a “hora da música” por que então todos participávamos independentemente do credo. Estávamos nos aperfeiçoando em tocar em conjunto, mas Rodolfo que era o nosso dirigente perdeu o interesse pela música.
No dia 12 chegaram em visita o Ditter [A.B Deter era um missionário Americano sediado em Curitiba para tomar conta dos campos do Paraná e Sta.Catarina] e o Butler com a tia Marta. O Ditter trabalha há 7 anos como Missionário e agora ele deseja evangelizar o Paraná e a Santa Catarina. O seu sermão é poderoso e cordial, e pleno de suas experiências missionárias. Nós viajamos para Campinas e lá tivemos um culto. No dia 18, um domingo, nós tivemos uma reunião para reorganizar a Congregação Batista.
Elegemos o tio Rodolfo como líder que declinou do convite e assim continuou o Jacob Klava – me elegeram como secretário. O Stekert e o João Klava foram eleitos tesoureiros, para diáconos foram eleitos o tio Rodolfo e um outro filho do Klava.
Realizamos um culto de Evangelização em Nova Veneza, quando foi batizado o Eduardo Klava. O William Butler prometeu dar assistência pastoral, e assim como eles vieram também foram embora no dia 19.

A CARTA DE PAPAI

A carta de meu pai do dia 20-V-19 chegou cheia de notícias dos acontecimentos espirituais da Linha Telegráfica. Ele também falou de danças, bater palmas, e as manifestações espirituais de falar línguas estranhas.
Isto me deixou uma impressão péssima, mas não quero lutar contra uma coisa que eu não conheço.
Eu tinha todo o meu tempo tomado pela colheita e o transporte do milho para o celeiro.
Os meus dois companheiros de trabalho Amori e Ledis foram inutilizados por causa da negligência e maus tratos de Pietro Ronzani e por isto estou trabalhando com os cavalos de Burigo. Eu não poderia ficar sem tração animal e por isto comprei uma mula de um Serrano por 200$000 (duzentos mil reis) e outro em Rio Novo do Filipe que eu fui lá buscar.

RIO NOVO, 29 DE MAIO DE 1919.

Em Rio Novo havia uma festa sazonal de tradição Leta, então fui para lá com a intenção de participar; onde, com grande surpresa, encontrei o meu pai em companhia de R. Strauss, que recentemente haviam retornado de Blumenau. Lá o meu pai permaneceu 77 dias; ou 11 semanas; ou então 2 meses e 12 dias. A minha permanência em Rio Novo foi muito feliz e agradável; com a minha irmã Mely perambulamos outra vez por aqueles montes aprazíveis, conversando como meu pai, no ar livre, respirando aquele puro ar de montanha. Em contraste também sentíamos tristeza por que o velho Stekert [Sobre este episodio existem algumas lendas que ainda não foram esclarecidas] fora assassinado dentro da sua casa.
Todos nós depois voltamos para Mãe Luzia, inclusive a Mely, que temporariamente hospedada em casa de parentes frequenta uma escola, por que o meu pai não achou prudente deixá-la longe de casa.

Como as montarias não chegavam para todos, então, alternadamente também andávamos a pé. O Strauss parecia tão tagarela como se fosse um garoto; ele falava sobre Jesus, a sua vida humilde, etc.
Nós chegamos em casa às 3 horas da madrugada, tínhamos viajado 13 horas e por isto estávamos muito cansados; mas ao encontrar os familiares a alegria venceu a fadiga.
Na manhã seguinte todos foram assistir os funerais da velha Seeberg. Eu fiquei em casa por que desejava tocar o harmônio na casa dos meus avós. No momento que sentei, chegou perto de mim a minha avó Ana e disse:
“Deus na sua misericórdia também mandou
para nós um profeta que através do Espírito
nos falou sobre aquela sua “hora de música”
e “hora do canto”e disse que isto atrasava
o batismo do Espírito Santo e que por isto,
a partir deste dia, este divertimento estava proibido.”
Nada respondi por que assim fui educado; mas então percebi que entre “os nossos” e os remanescentes dos Batistas tradicionais todos os laços haviam sido rompidos. E não deu outra coisa, os Pentecostalistas frequentavam o seu culto de domingo à tarde; mas interromperam qualquer contato com os Batistas; parece que se sentiam mais santificados sob a liderança do Rodolfo Strauss, aquele que veio com meu pai de Rio Novo, de quem nunca se ouviu falar coisa boa, e sim de que era um homem ruim.

RODOLFO STRAUSS

Ele era de estatura mediana, um rosto magro e pálido, os lábios intumescidos, olhos castanhos, falava num tom de voz áspero e os seus argumentos eram inflexíveis. Saíra de casa muito jovem, sua profissão era de ferreiro, e havia morado 3 anos em São Paulo.
Como seu ajudante, junto com ele, nós forjávamos utensílios de uso domésticos, ele me contou muita coisa de sua vida passada; que havia sido repulsiva e escura.
Papai o encarregou da função de dirigir os cultos; e ele literalmente despejava opiniões contundentes que desagradava os ouvintes e deixava uma péssima impressão. Mas apesar da sua ignorante falação agressiva e contundente angariou muitos ouvintes do mesmo grau intelectual do dele; mas assim mesmo queixavam-se de que ele os simplesmente apedrejava.
Vou transcrever uma fala sua que transcrevi em 15. VI.19:
“Os nossos atuais pregadores estão longe daquela humildade e do verdadeiro amor que Jesus possuía. Nos Seminários e Colégios eles aprendem a sabedoria do mundo; convencidos de que amealharam a sabedoria e o amor Divino.
Eles não sabem que a verdadeira sabedoria somente se pode conseguir humilhando-se na presença de Deus, com muitas lamentações e lágrimas. Veja o exemplo de Jesus, como ele andava sobre a terra usando apenas uma túnica, era paciente e misericordioso.
Ele nem sabia onde apoiar a sua cabeça. O seu único objetivo foi cumprir o mandamento do seu Pai e Ele dizia:
“aprendei de mim…”
Pergunto se os nossos pastores estão seguindo este exemplo de Jesus? Eles são instruídos, tem nível de vida elevado, são orgulhosos; usam trajes senhoriais, calçados lustrosos, óculos de ouro em cima do nariz e não pregam por qualquer ninharia em dinheiro.
Eles são ricos, abastados, nada lhes faz falta, moram em mansões e passam o tempo catando alguém para batizar.

Escrevem e se promovem através de jornais, dizendo:
“eu batizei tantos… e tantos…”
e como se isto não bastasse, não batizam mais em rios como antigamente e sim em banheiras de luxo, fazendo do batismo um espetáculo teatral, com todo o conforto.
Quando distribuem a ceia do Senhor, não podem mais tomar o vinho de um só cálice por que podem transmitir doenças; mas cada membro deve usar o seu copinho individual; igual aos alcoólatras quando tomam os seus tragos.
Depois de tomarem o vinho, enxugam cuidadosamente os seus lábios com um lencinho de seda.
Eu não quero falar demais (apoiados do público) apenas estou dizendo o eu me foi dado transmitir-lhes para que espiritualmente não deixais este recinto nus e sem vestimenta perante Deus, etc, etc.”
Este exemplo traz no seu conteúdo a dúvida, a falta de tino, o despreparo ministerial e o estado de espírito do autor do sermão. Entende-se que ele foi um homem, que apenas no início deste movimento aprendeu a soletrar e a sua leitura era arrastada, repetindo as palavras e cheia de erros. Mas apesar disto ele se sentia como um grande servo de Deus aquinhoado de dons espirituais muito especiais. Assim como o Apóstolo Paulo, certa vez empreendera uma viagem de pregação para São Paulo; mas lá as suas palavras ásperas foram retribuídas na medida.
Colossenses 2:19 – “Por que dentro de nós habita a plenitude da vida”.
Agora desejo descrever um culto vespertino que ficou calcado profundamente na minha memória; por que nele adquiri uma enorme impressão negativa e eu aprendi, de um modo especial, entender este procedimento exagerado.
Em 21 de junho de 1921 anoitecia. As estrelas brilhavam na abóbada celeste, uma brisa vespertina soprava e balançava os ramos dos arbustos que na penumbra pareciam fantasmas.
Chegou aquela gente do meu avô para o culto. Eles escolheram a cozinha de chão batido que no centro tinha um fogão de lenha aceso soltando labaredas e estalidos, iluminando, como se fossem fantasmas as pessoas reunidas, entre os quais, eu me encontrava.

Em volta do fogareiro postado em círculo oravam, um depois do outro. Em cada oração eu percebi uma enorme dedicação e humildade. A reunião se desenrolava cordialmente; mas de repente ouvi o Rodolfo Straus, aos berros guturais e numa voz embargada e chorosa ganir: “pelos menos um de nós deveria receber o Espírito”. Alguns dos adeptos aderiram a esta gritaria, gemendo e implorando, fazendo coro.
Eu me levantei incrédulo sem saber se ria ou chorava, enquanto o Rodolfo continuava …. aba….. aba…… aba…. etc. De chofre vira-se para o meu irmãozinho Teófilo e disse: “Foi me revelado que hoje tu serás batizado – aproxima-te de mim”. O Teófilo obediente prostrou-se ao seu lado com o rosto no chão e começou a orar com todo o seu fôlego e até a onde a garganta permitia e o Rodolfo animava: “clama com mais força, implora com fé – JESUS BATIZE-ME – com toda confiança e convicção. Foi assim que R. Straus animava o menino, insistindo cada vez mais:“Grite com mais força, não se deixe distrair com outro pensamento” e o pequeno Teófilo berrava como um possesso continuava repetindo o mesmo refrão. O meu irmãozinho berrou durante quase uma hora até ficar rouco. Aproximava-se a hora de terminar a reunião e o Teófilo não conseguiu alcançar a graça, embora tenha perdido a sua voz durante várias semanas. Isto foi para mim como um pesadelo impressionante e doloroso, que me perseguiu durante toda a minha vida e que procuro esquecer dizendo a mim mesmo: “Isto na realidade não aconteceu – deve ter sido um sonho”.

O MEU PAI

Mas nesta altura dos acontecimentos o que estaria pensando meu pai? Eu creio que ao voltar da Linha Telegráfica ele já estava habituado com este espetáculo e foi arrastado por este redemoinho. Ao retornar, ele disse o seguinte:
“Quando eu cheguei em casa do Graudim em Rio Branco
fui saudado e recebido na fala das línguas estranhas.”
“O irmão Graudim me avisou, que talvez, a minha fé fosse destruída quando eu assistir aquelas reuniões. Mas quando cheguei na Linha Telegráfica e aqueles irmãos realizaram a sua reunião, eu compreendi quanto eu estava atrasado em relação a eles. No meu coração despertou dor e vergonha por causa disto. Então eu genuflexo, com o meu rosto colado ao chão, humildemente junto com os outros, clamava pela santificação. Que eu também, lá, recebera aquele batismo, mas o dom de falar línguas ou ver visões não apareceram; apenas se sentiu mais forte na sua fé e com a mente iluminada, e mais disposto fisicamente”.
Era este o seu testemunho fruto de uma experiência pessoal, que seria apenas o início para uma progressão rumo à plenitude; mas, na realidade, ele estava recuando da direção do objetivo da fé.

IMPRESSÕES SOBRE RICARDO STRAUS

Em Mãe Luzia ele não conseguiu deixar uma impressão duradoura ele não conseguiu entusiasmar os nossos para uma participação mais envolvente, como também não deixou nenhuma impressão positiva. Apenas Rodolfo Andermann despertou e lamentou o tempo perdido. Nas reuniões ele dava testemunho sobre a santificação e até esqueceu antigas desavenças com os vizinhos por causa do açude e a construção do moinho.
O moinho foi construído nas terras de papai, um e outro foram mais convencidos a observar melhor os rumos da própria vida; no entanto, nada de extraordinário aconteceu apesar de tanta insistência e orações. Por causa disto Rodolfo Straus, obedecendo a uma intuição espiritual retornou para a Linha Telegráfica em 27 de junho de 1917, por tanto ele nos visitou de 30 de maio até 27 de junho = 57 dias, 8 semanas (1 mês e 27 dias).
Então tudo voltou a rotina anterior. Os cultos continuaram a ser realizados no mesmo ritmo; apenas papai, algumas vezes se excedia no seu louvor, mas isto não deixou em nós nenhuma impressão danosa.

CONTINUA

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