…mas hoje a noite está relampejando e roncando trovoada que faz tremer a casa e as vidraças… | De Lucija Purim para Reynaldo Purim – 1928 –

9 de maio de 1928

Querido irmãozinho. Saudações!
Mesmo que eu nada de você tenha recebido, assim mesmo alguma coisa tenho que te escrever para contar como nós estamos passando agora. No mês passado mandei pra você uma longa carta com fotografias anexas e espero que já tenham chegado lá.
O tempo aqui está sempre chuvoso e bastante quente e quando por alguns dias brilha o sol então volta à chuva. Na terça feira da semana passada soprou um vento frio muito forte quando trouxe uma chuva muito forte que perdurou ao outro dia inteiro e fez que os rios e riachos subissem tanto o nível que pareciam aquelas enchentes que aconteceram quando você viajou a primeira vez para ir pra a Escola no Rio. Depois daquela vez não tinha acontecido nenhuma vez que os rios estavam tão cheios como foi na semana passada causando tantos prejuízos. Agora houve uns dias claros, mas hoje a noite está relampejando e roncando trovoada que faz tremer toda casa e as vidraças e agora está começando a chover.

Agora a nossa casa parece que está mais escura e mais triste porque o Arthur foi embora no dia 27 de abril para servir o Exército porque ele tinha que ir. Ele faz bastante tempo que tinha sido sorteado para ir, mas nós falamos com o José Superintendente e ele prometeu que iria dar um jeito para ele não ir e tínhamos esperança que ele desse um jeito, mas nada. No dia 23 de agosto o Superintendente viu o Arthur na rua e disse que deveria se apresentar na sexta feira. Ele esperava ganhar um bom dinheiro, mas nós não demos nada antes, se ele tivesse conseguido ai sim nós daríamos dinheiro pra ele, mas agora não damos nada pra ele.

Sentimos muito a separação, mas fazer o que se é preciso ir tem que ir, se bem que em casa a falta dele é muito grande. Não tem quem dirija os bois, não têm quem ajude colher as roças, agora eu tenho muito mais serviço e mais pesado porque o Papai não pode fazer muito, pois ele não é mais tão forte como era antes. Mas o que fazer, teremos que aguentar mesmo que seja mais difícil.

Para onde o Arthur viajou eu ainda não sei. Daqui de Orleans ele foi para Florianópolis, mas para frente eu não sei. Aqui eles falaram que ele iria para Curitiba ou para Ponta Grossa, mas não temos mais notícias dele.
Agora está na hora de você voltar para casa para nos ajudar porque você ficou muito tempo fora.
Desta vez chega, noutra vez escrevo mais.
Lembranças do Papai, da Mamma e minhas.
Lucija

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