Tudo que foi plantado na roça vem bonito. | De Arthur Purim para Reynaldo Purim – 1925 –

[Carta escrita em várias etapas por Otto Roberto Purim mais conhecido por “Arthur” agora com quase 20 anos de idade].
Também uma parte escrita por outra irmã, a Lucia para aproveitar bem o papel.]

Rodeio do Assucar 12-8-25

Querido Irmão! Saudações.

Já recebi as tuas cartas escritas em 2-6 e 2-7, já há bom tempo. Por elas muito obrigado. Agora chegou a hora de eu pegar a caneta e a pena e começar a escrever. Na semana passada a Luzija também recebeu a tua carta escrita no dia 23/8. Naquelas cartas que eu recebi você faz tantas perguntas e apresenta tantas questões que realmente não sei como atender todas os casos ao teu gosto. Você solicita que eu escreva minuciosamente e detalhadamente [Sihki un smalki – Não considero a minha tradução adequada] Você sabe que eu não tenho as condições para uma apresentação elaborada pelos motivos que você bem sabe.

Você diz que não tem muito tempo para gastar com a resposta de cartas. Se você não tem tempo, então calcule eu que não tenho tempo para escrever muito, pois eu tenho serviço demais que nem sei o que fazer primeiro e quando me ponho a escrever tenho que pegar a pena, mergulhar no tinteiro e tenta acertar os pensamentos para então começar a desenhar as letras e palavras. Para você é tudo diferente, você se senta à frente da máquina e momentos depois a carta está pronta e só colocar no envelope e enviar. Aqui não sei que hora posso escrever, de dia tenho trabalho demais, à noite também tenho serviços e às vezes tento ainda ler alguma coisa.

Continua depois.

30 de agosto de 1925

Continuação da parte anterior.

Hoje é domingo, tive que ficar em casa de plantão e cuidar os animais porquê todos foram para a Igreja festejar a Festa da Colheita e como esta Festa se desenrolou ainda não sei.
Agora eu tenho me agarrar a esta carrada de perguntas e tentar responder e para algumas perguntas a resposta pode ser em poucas palavras, pois não vale a pena fazer um sermão para cada uma. Você reclama que eu não convidei a tempo para ajudar a farinha de mandioca. Não concordo, pois até semana passada estávamos fazendo farinha. Se você quisesse daria tempo para vir, pois não pudemos fazer antes porque não tinha água suficiente para mover o engenho. Ainda temos mais mandioca para fazer farinha. Pode vir que tem bastante. Sobre a relação de variedades das mudas de mandioca já mandei faz mais de duas semanas e já estou aguardando as sementes e mudas para em tempo próprio possa plantar.. Você pergunta o que nós fazemos em casa, Agora nós estamos capinando e roçando com foice, mas encurtado a conversa fazemos tudo o que aparece na frente. Sobre a boa colheita de milho e outras já sei que a Luzija já escreve para você. Onde nós iremos fazer a coivara no terreno do Rio Novo ainda não foi suficiente discutido. Aqui no terreno do Leimann começamos a roçar e derrubar um pequeno pedaço que deverá dar um pouco mais de uma quarta de semente. A casa onde moravam os Leiman não mudou nada, está igual à antes. Que a Senhora Leiman morreu nós já há muito tempo estamos sabendo. O Fritz não nós escreveu nada, mas a Mama Osch nos conta tudo. Que ela descanse, pois o descanso é necessário para a sua vida foi trabalhosa e difícil e assim ela foi. A sua vida ela viveu, o seu caminho ela palmilhou, sua peregrinação ela findou, Que suas boas obras a acompanhem.

Sobre o Arthur Leiman eu pelo menos não sei de nada, não o que ele faz nem onde ele mora.

Na segunda feira passada o Roberto Klavin em companhia do Rabino judeu Indriks foi para Mãe Luzia construir uma atafona. O Rubis [Mesmo que Roberto] desde o começo de abril trabalhava para os italianos e construía um engenho de farinha. Agora depois de uma semana em casa já foi embora outra vez. Dos italianos ele ganhava 6$500 mil réis por dia e estava muito insatisfeito com este baixo salário porquê acha muito pouco, mas agüentou com paciência 5 longos meses, mas nem assim conseguiu suficiente para comprar um relógio.

Como vai o Zeeberg não teria nada de especial para mencionar. Ele é o dirigente da Escola Dominical e as vezes dirige a Escola Dominical. Também ele traduz [Traduz do alemão] as notícias de Missões de outras partes do mundo e quando chega o dia dele dirigir o Culto ele as lê.

Quanto de modo geral o Pessoal de Rio Novo está um tanto inquieto, pois muitas pessoas querem ir embora daqui. Faz duas semanas que o W.Slegmann com toda família foram morar em Nova Odessa. Naquela mesma semana o Grikis mudou para Urubicy. Para a mudança foram necessárias 20 mulas com as bruacas carregadas. O velho Grikis juntamente com a esposa Senhora Late foram levados para Mãe Luzia porque para as Serras eles não quiseram ir e também porque ela esta muito fraca.

O João Oschs vai mudar para perto de Tubarão e os terrenos aqui ele já vendeu. A esposa dele ainda mora aqui no Rio Novo, mas ele já foi para Tubarão fazer as roças. O Ernesto Slegmann já vendeu todos terrenos por 10 ½ mil e vai morar junto da Atafona lá em baixo que é do W. Slegman.

Ontem foi o casamento da Ema Slengmann
com Dolphi Buris [Adolfo Burmeister]. Eu fui à cerimônia que foi na Igreja e onde também foi a recepção. O próximo casamento será do João Zeeberg com a Hilda Auras. A data se não estiver errada será no dia 1o. de outubro. O Pastor Stroberg virá de Kuritiba para fazer o casamento para depois dar tudo certo. O Zeebergs em companhia do Auras vão pagar todas as despesas de viagem. Agora depois destas você mais ou menos está sabendo como estão as coisas por aqui e as demais miudezas você pode mesmo deduzir.

Quando o Stroberg vai terminar o curso na realidade não sei. Há pessoas que dizem que isso deverá ocorrer somente no ano que vem, porque ele foi um mês atrasado e tem viajado muito. Agora ele vai gastar mais um mês para fazer o casamento do João Zeeberg e por ai os estudos vão ficando para frente. Eu penso que ele quando vier para fazer o casamento, então este ano ele não voltaria mais. Ainda é possível que apareça mais algum casamento e o resto do ano se foi.

Este ano o dirigente [Vice Moderador] da Igreja é o Oscar Karp. Quanto a Escola Dominical cada vez ficando menor devido a saída de muitas famílias e dos homens que vão para a Escola Dominical é somente o velho Karkle. Ele se assenta junto, na classe dos rapazes, duro como um vaso.

Na semana passada recebemos uma carta de nossos parentes de São Paulo. Fazia bastante tempo que não tínhamos recebido nada deles. Mas quando o Alfredo Leepkaln foi de mudança para São Paulo, nós enviamos cartas e uma lata de mel para eles. Lá ele entregou a carta dizendo que o nosso mel tinha se extraviado na viagem. Nós não acreditamos nesta história, pois como todas caixas e mercadorias da mudança chegaram e logo foi extraviar uma lata de mel. Achamos que ele deixou ficar para ele mesmo, pois o mel está muito caro agora.. Estes nossos parentes de São Paulo não te escrevem? Nunca fostes passear lá na casa deles? Você poderia viajar até Nova Odessa em Setembro quando o Jurka Klavin vai casar e aproveitar conhecer os nossos parentes e ver como eles vivem por lá.

A não ser que você já tenha ido e conhecido esta “Leijputrija” [El Dorado ou Shangrillá – Lugar lendário](Escrit. Ontem eu ouvi dizer que o Willis Klavin que já na próxima segunda feira vai viajar para São Paulo para o casamento do Jurka.

Então como é, este ano você vem ou não para casa? Eu gostaria muito que você viesse para casa, pois assim nós poderíamos conversar bastante. Muita coisa poderia contar destas que não vale a pena escrever. Mas eu gostaria que você antes visitasse os nossos parente em Nova Odessa e ai sim você teria bastantes coisas para contar.

_______________
Agora uma semana é passada e nunca mais vai voltar e também há algo de novo. Na segunda feira passada a Luzija foi a Orleans trazendo a resposta para a minha encomenda de sementes, mas não trouxe as sementes devido aqueles obstáculos como : a) Por não ser V.S. inscripto no Registro de Lavradores do Ministério de Agricultura
b) Por não estar o Pedido feito de acordo com o nosso Regulamento
Também as mudas eles não mandam em qualquer época do ano. Somente de 1o. de janeiro até 25 de abril. Quando as sementes eles mandar quando se faz necessário, mas somente uma vez no ano. Eles oferecem muitas variedades de árvores frutíferas, sementes de capins, arados e cultivadores, todos com excelente preço, mas somente para os sócios. Eles mandam formulários para serem preenchidos para entrar na sociedade. Também enviaram formulários de pedidos. Mas para tudo eles querem uma espécie de cadastro. Se for agricultor querem saber qual a área de terra, quanto de mata e quanto cultivada. Se existe estrada de acesso. Se for pecuarista ai saber quantas cabeças de cada animal. Quantos animais são vendidos por ano. Que raças são os animais. Se você é fabricante de algum artigo ou produto, quando foi inaugurada a sua fábrica e qual é o lucro anual etc. O que você pensa disso tudo?
Eu penso que desta vez chega. Se a resposta viesse tão longa como esta até que valeria escrever mais,

Com lembranças de todos
Arthurs.

[Escrito no mesmo papel]

7 de Setembro
Querido irmãozinho! Saudações.
A tua carta escrita no dia 29 de julho faz tempo que já a recebi. Por ela muito obrigada. Eu faz tempo que eu queria responder mas tinha que ficar esperando o Arthur terminar de imprimir a carta dele. Ele ia adiante muito devagar e por isso você teve que esperar tanto, mas em compensação saiu bem longa. A minha carta enviada em 23 de julho você recebeu? Nós estamos passando como sempre. O tempo está bem quente e chove bastante em grandes aguaceiros que fazia tempo que nesta época não ocorriam. Os pastos estão verdes com a grama crescendo bem.

Tudo que é plantado na roça vem bonito. A nossa horta está tomada de couve-flores, nabos, rabanetes, os pepinos estão com os baraços bem crescidos e ainda vamos plantar muitas outras coisas. Pode vir para comer que estou certa que nós não vamos dar conta sozinhos de comer tudo isso. Bem tenho que terminar ,pois este papel está no fim. Noutra vez eu escrevo mais. De modo geral como estás passado? Porque não mandas mais jornais para mim? Como é o seu novo jornal e se possível mandar os números atrasados do (Zelhmallas Ziedi”[ As flores da beira do caminho]
.
Muitas lembranças de todos
Luzija

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