Breve história de um Imigrante Leto de Rio Novo – Jahnis Purins – | Por V.A.Purim

Jahnis Purins

JAHNIS PURINS ERA O PAI DO DR. REYNALDO PURIM

Informações extraídas do “Almanach Purim”
e outras adicionadas da memória.
Jahnis Purins foi o meu avô paterno.
Por V. A. Purim

. Nasceu em 16/03/ 1863 em Jaunjelgava – Letônia.

. Pais : Martin Purens e Lavise Purens

. Casou-se em 10 /02 /1895 em Rio Novo com Lizete Rose *

. Filhos : Reynaldo, Olga, Lúcia, Otto e Alvina

. Irmãos : André e Jacob

. Morreu em 22 / 11 /1948 em Rio Novo *

. Religião : batista

. Instrução : Primária

. Profissão : agricultor e carpinteiro

HISTÓRICO

• Pertenceu a Igreja Batista Mateus de Riga

• Jaunjelgava [pronuncia-se Iaun Ielgava] significava Nova Jelgava e ficava à margem esquerda do Rio Daugava (Dünna em alemão) quase no centro do pais. Quando jovem foi guardador de porcos e gansos na zona rural [pastor] .A família dele ou ele mesmo teria morado próximo a Staburagu que era um penhasco junto ao Rio Daugava hoje submerso por uma represa construída pela então URSS.

• Serviu o exército [serviço militar] na Rússia, mais precisamente em Moscou, São Petersburgo e Riga, pois naquela época a Letônia era dominada pelos russos. Era da Guarda Imperial. Reclamava da arrogância dos Príncipes um tanto mal educados. Lá passou um período de oito anos que era o tempo regulamentar.Trouxe uma carteira de reservista em russo em algumas balas de fuzil.

• Contava que os soldados não usavam meias porque o exército não as fornecia. Eles somente forneciam uma faixa de pano para ser enrolada nos pés, para no inverno calçarem as botas e, no verão, eram usadas as “Pasteles”, uma espécie de calçado sem salto, que era simplesmente um corte de sola de couro de boi [sem curtir] na forma de um pé, com ilhoses [furos], que, quando passado o cadarço [que também não passava de tiras recortadas do mesmo couro] ao serem puxadas faziam com que o couro abraçasse o pé incluindo o calcanhar. O Jahnis e outros antigos imigrantes insistiam em usar aqui esse calçado no Brasil com o mesmo hábito de enrolar antecipadamente os pés com faixas de panos. Devido à forma arredondada que tomava a parte inferior do pé e aos terrenos acidentados esse calçado era muito inseguro e sendo escorregadio, provocando inúmeras quedas que eram seguidas de xingamentos apropriados em língua leta [Uskat dranschs tats e outros]

• Ele contava que, quando serviu o exército do Czar, durante o degelo da época da primavera pelo Daugava, descia muita tranqueira rio abaixo, junto com blocos de gelo, provocando grandes inundações então ele e seus companheiros de artilharia tinham como missão passar muito tempo bombardeando com canhonaços tentando desobstruir o rio.

• Jahnis insistia em dizer que nestes dias, em que eram dados muitos tiros de canhão, a tarde havia chuva com trovoadas, pois os tiros faziam tremer o ar e chamar as trovoadas.

• Na agricultura cultivavam o linho, a cevada, os nabos, as beterrabas o centeio e o trigo. No inverno cortavam lenha. Alimentavam-se de pão seco e, às vezes, coalhada. Carnes eram possíveis somente duas vezes por ano, no Natal e na Páscoa. Emigrou para o Brasil em 1891. Sabia falar em russo e leto e muito pouco em português.

• O Jahnis Purins e os Rose [família da futura esposa Lisete] não saíram junto da Letônia, mas juntaram-se na cidade em Hamburg na Alemanha.

• O Jahnis Purim embarcou no vapor “Tijuca” da “ Hamburg-Südamerikanishe Dampfschifffahrt –Gesellschaft” com o nome fictício de Iwan Upurim no dia 5 de novembro
de 1891

• Janis Purens saiu clandestinamente, pois como ele tinha servido o exército do Czar por oito anos e não era permitida a emigração de reservistas. A caravana com a qual saiu teve a ajuda [paga] para passar a fronteira para a Prússia Oriental [hoje Lituânia] de um agricultor judeu que, muito convenientemente, tinha propriedades em ambos os lados da fronteira, isto é nos dois países. Era uma noite escura com grossa camada de neve. O judeu mandou colocar todas tralhas, bagagens e crianças dentro da carroça enquanto os demais seguiam pela neve junto à carruagem tendo o cuidado de colocar o pé na pisada do outro que ia à frente a fim de que o guarda que passava de hora em hora tivesse a impressão de que passou somente o judeu e sua carroça.

• Dali usaram trem para chegar na Alemanha em Hamburg.

• Existe uma tese que o Jahnis, chegando aqui, teria mudado o sobrenome de Purens para Purim com medo de qualquer represália por parte do governo da Rússia. Também pode ser simples erro de Cartório de Registro na chegada ao Brasil. Ele nunca falou sobre isto.

• O navio que trouxe os Rose o “Santos” também trouxe até Recife locomotivas para uma estrada de ferro. Como não havia cais, estas foram descarregadas em barcaças, no largo, fazendo com que o vapor adernasse muito, quase virando e causando muito temor entre os imigrantes.

• Na construção da casa dos Purim foi utilizada estrutura típica à mesma usada na Letônia somente mudando a madeira para canela garuva e louro com a cobertura também de tabuinhas lascadas.

• Tinha inclinação para carpintaria e construção. A característica da construção era a robustez e o superdimensionamento; acentuadamente rústico no acabamento, sem prejuízo da estética e da harmonia do conjunto.

• Demonstrou bastante criatividade na tentativa mal sucedida de inventar uma trilhadeira [debulhadora] para cereais como arroz, feijão, etc. Seria movida por força manual. O tear que era muito usado por D. Lisete que fazia trabalhos muito caprichados para confecção de cobertores foi inteiramente feito por ele. Além dos cobertores eram feitos tecidos rústicos de lã para confecção de roupas.

• Usava barba longa mas aparada, como devia ser todo homem daquela época. Trabalhou também na região serrana [Lages] em construção de casas e cercas de taipa para os fazendeiros. Ia trabalhar na Serra em companhia do Sr. Grunski.

• Era de aparência um tanto rústica com toda aquela barba, mas era um pessoa bastante acessível, tendo alguma dificuldade de dar ordens para os “ Camaradas” isto é empregados devido ao escasso conhecimento do português.

• Era um consertador por vocação e não podia ver nada fora do lugar que já ia acertar.

• Na Igreja foi por diversas vezes eleito administrador da manutenção geral.

• Era o fabricante de urnas funerárias para todos que viessem a falecer ou tivessem no programa de mudar prô outro lado. Queria por toda lei fazer uma para ele, mas o meu pai não deixou. Ele o meu pai também fazia urnas muito boas. Sempre falava mal que os caixões fabricados pela concorrência (os italianos) no momento que eram cobertos de terra era aquele ruído de madeira quebrada….

• Bem por hoje chega…….

One comment on “Breve história de um Imigrante Leto de Rio Novo – Jahnis Purins – | Por V.A.Purim

  1. Carmem Lucia Purens Sarkovas diz:

    Amei. Como é bom conhecer um pouco mais os nossos antepassados.

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