DR. REYNALDO PURIM – DADOS BIOGRÁFICOS | POR JOÃO REINALDO PURIN -3ª PARTE

Dr. Reynaldo Purim
Dados Biográficos
3ª Parte

REYNALDO PURIM
Memórias de seu sobrinho João Reinaldo Purin
3ª Parte
As minhas primeiras lembranças do Tio Reynaldo em casa são de quando ainda era muito pequeno. Talvez uns três ou quatro anos.
A biblioteca dele era bem grande e constituída das maiores e melhores obras em teologia, filosofia, comentários e dicionários bíblicos. Grande quantidade delas foi trazida dos Estados Unidos. Mesmo assim não se cansava em comprar livros e estar em dia com o mais atualizado do pensamento humano.
Gostava de freqüentar as feiras de livros na Praça Sans Peña e na Cinelândia. Sempre me convidava para irmos juntos. Orientava-me que ao comprar um livro devia olhar logo quem era o autor, o que fazia e o que faz na área.
* * * * * * * *
Era extremamente responsável em seus compromissos. Tudo era anotado em sua agenda. Não faltava às suas aulas. Podia cair a maior chuva, às 7 horas da manhã, lá vinha ele subindo a ladeira do Seminário, debaixo do seu guarda-chuva, pois não queria que alunos ficassem esperando pelo professor.
Tinha também os seus conceitos irremovíveis. Por exemplo: aposentado é só para quando ficar inválido. Assim foi muito difícil ele ser demovido do seu trabalho no Colégio Batista Brasileiro, quando já tinha tempo suficiente para se aposentar. Considerava-se em condições de trabalhar dando aulas de inglês a alunas da 1ª e 2ª séries do então ginásio, podendo estar fazendo outra coisa. – Na igreja foi também assim. Só saiu depois que as diabetes atingiram seu nervo ótico a ponto de não poder ler a Bíblia direito. Mesmo assim, já nos últimos meses de seu pastorado em Bangu pedia ao vice-presidente, que a lesse para ele. Conta esse irmão que numa tarde o encontrou de pé, à luz da janela, tentando ler sua correspondência.
Ele nunca foi de pedir ou exigir coisa alguma de ninguém e especialmente da igreja. Contou-me outro irmão que nos primeiros anos de seu pastorado, por exemplo, aos sábados, quando tinha alguma programação especial, ele não ia de volta para onde morava, bem distante, no sul da cidade. No dia seguinte, domingo pela manhã, lá estava ele já bem arrumado esperando o povo chegar. Então resolveram observar o que ele estaria fazendo. Viram, pela fresta da janela, que ele se deitava no tapete do púlpito e assim passava a noite. Foi, quando os líderes da igreja tomaram providências e colocaram um sofá-cama no escritório para o pastor.

Recordações de suas férias em nossa casa – Rio Novo
Todos os anos, especialmente no começo de janeiro, era o tempo da espera da chegada do “Unkuls” que em leto, nós crianças o chamávamos, que significa Tio. Ele não era de avisar. Assim, todos em casa ficávamos na expectativa. Geralmente achávamos que na primeira sexta-feira de janeiro, à noitinha, ele iria chegar. Naquele tempo os aviões da TABA já desciam na lagoa em frente do mercado de Laguna [eram anfíbios] ou no Aeroporto de Tubarão [sul de Sta. Catarina]. De lá viria de trem até Orleans depois a pé até nossa casa que ficava em Rio Novo, a uns 12 quilômetros de caminhada pela estrada cheia de curvas e sobe e desce. Morávamos na subida conhecida como o “morro dos Purins”, bem nas nascentes do Rio Novo. De lá, nós crianças, ficávamos com os olhos fixos na distante estrada, bem lá em baixo onde havia uma reta além da propriedade da Igreja Batista de Rio Novo, em que, no final, poderia surgir um homem alto que seria o Tio. A decepção, infelizmente, acontecia. Na semana seguinte quando meu pai ia para a cidade, no correio encontrava o telegrama comunicando que este ano não viria. Decepção geral.
Já era alta noite. Lá na roça tudo era sem chaves. As porteiras e portas, naquele tempo, só eram fechadas com tramelas que qualquer um podia abrir a qualquer hora do dia ou da noite. Assim é que lá pelas tantas, quando ninguém imaginava, eis que se ouviu a expressão em leto: “Esmu máias”, por várias vezes. Estava dizendo: “estou em casa”.Todos acordaram e foi aquele rebuliço. A vovó Lisete e o vovô Jahnis (João) também apareceram. As alegrias começaram. Lembro-me que nos dias seguintes ele me chamou de “Poadjis” cuja tradução talvez seja “Pirralho” ou coisa semelhante. Ele muito nos queria bem, tanto é que gostava de nos aconchegar, fazendo-nos “cavalinho, cavalinho” em seus joelhos.
Desta feita, o Tio Reynaldo já estava há alguns anos morando e trabalhando no Rio de Janeiro como pastor em Bangu e professor em várias instituições de ensino, inclusive no Seminário. Pelo que parece, era a primeira vez que ele estava a passar as férias em casa, depois que tinha voltado dos Estados Unidos. Lembro-me de que ele apanhou um Atlas Geográfico antigo para mostrar para a vovó Lisete onde se situava Bangu e como ele tinha que tomar o trem da Central do Brasil para lá chegar, uma vez que morava em Ipanema, zona sul daquela cidade. Eu só ficava observando tudo, sem nada entender.

Continua…</strong

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