Na entrada da barra o vento forte e as ondas lavaram o convés … | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim- 1925 –

[Carlos Leimam era um pastor leto de Rio Novo a serviço da Convenção Batista do Parana/Sta Catarina]

Paranaguá, 6 de julho de 1925.

Prezado irmão Reynaldo

Saudações

Somente hoje depois de variados e diversos acontecimentos consegui chegar em casa!
Em Nova Odessa fui um participante da grande Festival de Hinos Sacros onde houve bastantes coisas agradáveis. Conheci o pastor Kraul. Encontrei-me com o Drrr. Ed. Alhsbirze: depois de não sei quantos anos; não mudou nada: a soberba e mania de grandiosidade continuam apesar de ter conseguido ir em frente—- Falou pela manhã em leto- uns 10 minutos e destes 7 gastou com o nome mais importante para ele a palavra “EU” e a noite ele falou em português [para isso ele tinha sido convidado], mas, talvez algum grego o tenha entendido! Eu fiquei com vergonha de ouvi-lo. Tive dó do idioma português. Triste.
Aqui ouvi bastante sobre os Pente…[Devem ser os pentecostais do Acampamento de Palma] Os maiores milagres que acontecem lá são a ladroeira e a escravidão humana. O novo Inkis de uma só tirada roubou 26:000 – 26 contos de réis e se instalou em um dos mais elegantes hotéis em São Paulo- Vive que nem? E outros seguem o seu exemplo. Então Senhoras adolescentes viúvas são levadas para as fazendas de café onde sem abrigo ou qualquer outra preocupação, com a enxada na mão da alta manhã até à tarde da noite para ganhar 1850 por dia. A caixa deles é em conjunto. Daqueles 1500 vão para a o Acampamento de Palma. Como contribuição espontânea de boa vontade. E é esta contribuição liberal J. Inkis Jr. viaja para cima e para baixo. Parece lendário? Não é?
Eu dirigi vários cultos em português e o povo está sedento pela verdade, mas quem vai anunciar. De quem eles vão ouvir? O pessoal de Nova Odessa está em rota de colisão com o Pastor Kraul. Encontrei-me com o Pastor K. Andermanis e ele está completamente bobo.
Quinta feira subi ao convés do navio em Santos. Devido as terríveis tormentas somente, domingo pela manhã o navio aproximou-se do Porto de Florianópolis e logo que chegou a parte rasa, um barquinho, nos levou-nos para a praia. Em Fpolis encontrei-me com Beno Slegmann. Então na noite de Domingo nós nos transferimos para outro navio, outra vez contra o vento. Hoje pela manhã aproximamos a Barra de Paranaguá 2 navios esperavam pela alta da maré. O nosso capitão não esperou. Na entrada da barra o vento forte e as ondas lavaram o convés do nosso navio com tivesse ficado debaixo d’água. Felizmente entramos no porto.

Em casa tudo bem. Desejo o melhor para você. Saudações.

Carlos Leiman

[Desculpe os rabiscos.].

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