…não terás tempo nem para comer…. | De Olga Purim para Reynaldo Purim

Rio Novo 3 de novembro do ano de 1921

Querido Reini – Saudações!

Eu recebi a tua carta escrita em 7-10-21 na semana passada. Obrigada. Faz muito tempo, quase 2 meses que não recebi nada, comecei a ficar preocupada pensando que não estivesses passando bem ou minhas cartas não chegam mais lá ou ainda tivesse ficado tão doente que não pudesse mais escrever.

Mas quando em Orleans recebi a tua carta me apressei em ler e procurar os motivos mas não encontrei nada de novo a não ser a tão propalada falta de tempo para não me escrever alguma carta. Mas pelos teus planos, logo não vais ter tempo nem para dormir e se continuares a estudar até o fim do ano estarás tão sábio [ladino, esperto] que não terás tempo nem para comer, ou dormir nem tão pouco escrever cartas. ….

Já faz mais de um mês que eu mandei a última carta e no dia que recebi a tua na semana passada mandei um cartão postal e neste tempo todo aconteceram isto e aquilo que eu vou tentar descrever: O primeiro acontecimento foi que logo depois que mandei a última carta que foi no dia 26 de setembro o Burmeister faleceu e no dia 27 foi o funeral. Ele há muito estava doente e sofreu muito e nos últimas semanas não podia ficar deitado na cama então ele ficava o tempo todo sentado na cadeira de balanço [espreguiçadeira]. É uma situação muito triste porque os filhos ficaram sozinhos, que apesar dos jovens serem de estatura já crescidos nenhum deles tem muita vocação ainda para liderança e tomar conta da propriedade. Tem mais propensão para fazer artes e vadiar mesmo. Por isso não sei como será daqui para frente.

Já no dia 12 de outubro foi novamente o funeral da velha senhora Bankovitz o qual tinha falecido no dia anterior. Ela fazia mais de dois meses que estava incapaz de qualquer coisa tinha que ser carregada, banhada e alimentada, como uma criança pequena. Parece que aqui na nossa comunidade nunca antes tinha acontecido que em 3 meses houve 5 funerais …

No dia 15 de outubro foi a festa de Aniversário da União dos Jovens da Igreja [Festa da Mocidade] que na realidade deveria ser no dia 16, mas como este ano caiu no domingo e o Grupo de Músicos queria fazer um Bazar e isso não fica bem aos domingos. A organização de bazares agora é moda pôr aqui. Na Festa da Colheita [Pentecostes] também teve bazar que a Igreja organizou e cuja finalidade era uma contribuição para os irmãos carentes das Igrejas da Letônia. Desta vez não foi mandado simplesmente para os refugiados da guerra como nas outras vezes, mas sim em nome das Igrejas para que elas façam a distribuição, entre os mais necessitados.

Há poucos dias mandaram 1.700$000 e neste valor havia ofertas privadas e designadas diretamente para parentes dos mesmos. A maior parte do dinheiro saiu mesmo da Igreja, pois o Bazar rendeu 330$000 e ainda havia as coletas especiais da Mocidade.
Agora o Bazar do Grupo de Músicos rendeu mais de 200$000 e quando se precisa de dinheiro e só fazer um bazar. As pessoas levam as prendas ou coisas e outras pagam caro por elas. A Luzija Grikis levou uma galinha assada e ela foi vendida pôr 16$800. Cara, mas deliciosa.

No dia da Festa o tempo estava ótimo, que melhor não poderia ser nesta época de tanta chuva. Se bem que naquele tempo nós estávamos todos com tosse e fomos todos assim mesmo. A Festa foi dirigida pelo Oskar Karp.

Cantaram o Coro da Mocidade e também o Coro da Igreja. Também o grupo de Músicos apresentou muitas lindas peças. Também muitas saudações, poesias e outras partes e tudo transcorreu muito bem.

No domingo a noite teve a segunda parte da Festa. E esta parte quem dirigiu foi o Roberto Klavin. Nesta noite foram apresentados números de violino e outros instrumentos de corda.

Fizeram apresentações de Hinos curtos [Corinhos] o Roberto Klavin, o João Seeberg e o Wilhem Slengman. Quem ensinou esta modalidade foi o Professor Treimanis, mas agora todo mundo, já quer ser professor. Teriam ficado com medo de apresentar durante o dia na festa mesmo então à noite dizem ser mais fácil.

Também cantou muito bem um duplo quarteto masculino formado pôr Osvaldo Auras e o Augge [Augusto Feldberg] no soprano, o nosso Arthur e o Aji [Eugenio Elbert] no alto, o Condis [Conrado Auras] e o Attis [Otto Slengman] no tenor e o João Seeberg e o Rubis [Roberto Klavin] no baixo e se o volume do som fosse tão alto ou tão grande como eles, teria sido melhor ainda [Percebe-se que ela se refere a novatos que tem medo de soltar a voz]..

Bem pôr hoje chega, é provável que tenha que escrever logo outra vez.

Sobre o demais das festas você mesmo pode complementar com a imaginação.

Com lembranças. Olga.

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