A água da calha não corre mais | De Lucija Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28-7-1921

Querido irmãozinho!

Primeiramente envio muitas lembranças. Recebi a tua carta escrita em 23-6-21. Muito obrigada.

Nós estamos passando bem. O tempo está bom e quente.

Na segunda e terça passada, choveu muito pouco, o suficiente para molhar as estradas. A água na calha [ Fonte que trazia água da nascente] não corre mais.

O milho terminamos de colher e transportar no dia 19 de julho. Tínhamos começado no dia 13 de junho no dia da festa do Santo Antônio que é dia santo para eles, no Barracão [Barracão é um vale paralelo com o Rio Novo no lado leste]. Teríamos terminado antes se não fora tão frio e chuvoso naqueles dias. Despejamos 206 cargas no paiol principal e como ele estava super cheio tivemos que por mais 35 cargas naquele paiol pequeno e por este tempo todas espigas pequenas que este ano não foram muitas foram dadas direto para o gado. Você bem pode avaliar o duro trabalho de apanhar o milho, de juntar e trazer nas costas até a trilha e dos cavalos trazerem para casa. A grande vantagem deste ano que naqueles dias que nós trazíamos, não havia lama nos caminhos, como fora nos outros anos.

O feijão agora está com bom preço. É provável porque vocês acham que agora começaram a gostar de comer o feijão daqui. Nós também levamos as nossas para vender. O pessoal da vizinhança vendeu por 10$000 a saca e nós quando chegou a 16$000 resolvemos vender duas sacas pensando que não fosse subir mais, mas nesta mesma semana foi para 20$000 então levamos mais 5 e ½ sacas. Agora você mesmo pode calcular quanto deu no total.
Quando começaram a pagar 20$ então o pessoal levava o feijão durante o dia e noite e mesmo durante as grandes geadas, mas agora o barulho cessou e é provável que tenham levado tudo.

Desta vez não vou escrever muito porque você não tem tempo para ler cartas longas.
Mas quero anunciar que logo vai começar a festa da colheita da cana para fazer açúcar. Então não se demore lendo cartas e deixe tudo por lá e caia na estrada.
Logo o nosso meeiro, o Augis [Augusto Feldsberg], vai começar a fazer açúcar em nossa fábrica. A nossa cana ainda não foi cortada. É possível que comecemos dentro de algumas semanas, pois não temos a pressa dos outros pois a nossa cana está num lugar alto e nada sofreu com a geada como as dos outros. Então você terá tempo de chegar até aqui para tomar garapa, lamber o melado e comer o açúcar.

Bem desta vez chega. Agradeço você ter mandado as cordas do violino e os jornais. Agora eu tenho cordas suficiente para o violino, mas quando faltar eu escrevo para você comprar.

O Arthurs hoje não vai escrever porque não atirou em nada e nada de importante não tem o que escrever.

Pois tenho que terminar mesmo, pois tenho que ir dormir, pois os outros todos estão dormindo.

Ainda muitas lembranças de todos. Luzija.

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