…toda natureza estava lúgubre chorando…. | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28 de julho de 1921

Querido Reini! Saudações!

Eu desta vez não teria direito de escrever. A tua carta logo que recebi em seguida já respondi. Naquela vez os outros não escreveram, então como a Luzija esta noite está escrevendo então você não vai levar a mal, pois eu já estou escrevendo, mesmo que você não as possa ler no momento pode deixar para quando os dias forem mais longos. Desta vez não tenho notícias alegres e sim bem tristes.

– Nestes dias passados, aconteceu um desastre que há tempo não tinha acontecido…. Agora a nossa mais querida amiga Marija Sommer,[os pais desta moça tinham falecido e os parentes moravam distante] já não caminha pelas estradas do Rio Novo e está onde não há preocupações nem dor e seu corpo repousa no cemitério, no alto da colina.
Era uma fria manhã de domingo, dia 17 de julho. Ambos, os velhos Leiman, devido a este frio, resolveram ficar em casa. Mas a Marija montada no Prinze veio para o culto na Igreja. A senhora Leimann não imaginava que aquela foi à última vez que abriu a porteira, para esta pessoa tão querida que nos últimos dois anos morava com eles e eles a consideravam como fosse própria filha e que não voltaria mais para casa.
Nós neste domingo a convidamos para almoçar aqui em casa e que passasse a tarde conosco, mas ela muito responsável só queria ir para casa. Logo após a casa dos Karklim o cavalo se assustou e desembestou numa corrida maluca [a distância que o cavalo correu devia ser um pouco mais de um quilometro]. Quem viu foi o Limors, depois os Salit que estavam também voltando da Igreja e logo que atravessou a ponte do Rio Carlota já perto da casa dos Karp, ela parece que não conseguiu mais se segurar e caiu. Correram os vizinhos como os Match e os Salit que vinham da Igreja por perto, mas a jovem parecia desmaiada e depois de muitos esforços ela voltou a respirar. Então levaram para a casa dos Karp que era bem próxima. Logo que soubemos desta trágica notícia, a Mamma (Lisete Rose Purim minha avó) foi voando até para ver o que poderia ser feito. Aquele acontecimento agitou a tranqüilidade dominical da comunidade. A Maria não retornou os sentidos. Nos Karps, ela ficou até quarta feira, mas porque na casa dos Karp tinha pouca gente para cuidar a Mamma ficou lá duas noites direto [distante 3 quilômetros]. Os Leimann e os Grikis queriam levá-la cada um para a sua casa, mas ficou decidido trouxeram para a casa dos Grikis. Ficou todo este tempo respirando, mas sem comer ou falar nada. Ela resistiu desacordada 8 dias e assim no dia 25 ela morreu e no dia seguinte foi o enterro. Neste dia do enterro estava um dia nublado, cinza e soturno como eu não me lembro ter visto igual….. Parecia que toda natureza estava lúgubre chorando por ela… Agora o casal Leiman, ambos velhinhos sós, outra vez. Agora uma de nós duas vai ter que ir morar com eles. Quem será ainda não foi decidido. — Tempos atrás também morreu a senhora Elbert.

Hoje não vou escrever mais nada, porque logo que receber sua carta, eu terei que escrever outra vez e sobre os assuntos diversos a Luzija está escrevendo.

Quanto a nós graças a Deus estamos todos bem e esperamos que também estejas também.
Com sinceras lembranças. Olga.

[Este acidente foi causado pela corrida desenfreada do cavalo e agravado pelo uso da sela de banda usada pelas senhoras e moças que somente o pé esquerdo apoiava-se no estribo.].

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