Colônia Leta de Rio Novo | Carta de Lúcia Purim para Reynaldo Purim – 1921

(sem data)
Querido irmão!
Primeiramente envio muitas lembranças. A tua carta faz tempo que já a recebi. Naqueles dias que os “escrivinhadores imprimiam os seus manuscriptos” eu não tinha tempo.

Agora o tempo se apresenta bom e frio. Ontem e hoje ocorreram grandes geadas. O Rio Novo ficou lindo todo branco. Aqui em casa também tinha, mas não tão forte por causa de ser alto, mas lá para baixo estava lindo. Os inhames e os baraços das batatas doces estão pretos e ressequidos.

Não admires como estou indo com a escrita. Os dedos estão duros de frio, a garganta fechada e doendo nem podendo falar, o nariz escorrendo e todo momento tem que estar assoando e ainda por cima eu machuquei o pé e este está doendo que nem posso mexer. Assim você pode calcular como estou passando. Ainda se eu tivesse uma D. Delphina [Era a administradora do Seminário] como você tem lá, poderia pedir uns remédios.

Você não pode imaginar, que aqui nós temos um novo imigrante e ele nada mais nem menos que o Limors [Lowennstein] que depois de ter ido conhecer 11 cidades, está de volta em busca do resto do dinheiro.

O feijão ainda não está todo “batido”, vai levar mais um dia de serviço para terminar de “bater”. Já colhemos 65 quartas [ para fazer um saco de 60 quilos era preciso 8 quartas ou dois alqueires] com alguma “moinha” [ Impurezas como folhas trituradas pelo manguais e ainda não bem peneirado para separá-las dos grãos].

O arroz também cresceu bonito, mas não tão quanto o dos Klavim que plantaram 2 quartas e colheram quase 30 sacos. Mas essa é uma variedade japonesa nova por aqui e tem a vantagem de crescer bem em qualquer qualidade de terreno.

Você não tem que ficar tão congelado como nós aqui, porque lá é bem mais quente e não tem que andar com os pés descalços e a grande vantagem de ter tantas festas e reuniões para ir. Aqui ninguém faz tanta festa, porque não é moda. Onde você pôs aquelas flores que ganhou naquela festa, quando levou para casa?

Este ano também estás aprendendo violino?

O teu professor também surra os alunos com uma corda como faz o Treimans? Ele sempre diz que a corda que ele usa para usar é forte e por aí você pode imaginar que professor.

Aqueles cantores [hinários] você já comprou? Você poderia mandar uns seis exemplares e não mais porque o povo daqui não canta como o de lá no Rio.

Bem por hoje chega. Pode ser que ao receber esta esteja novamente em período de festas e não tenha tempo nem para ler.

Escreverei novamente quando estiver melhor de saúde. Ainda lembranças de nós todos aqui. Luzija.
______________________________________________________

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s