Mas agora já é outono mesmo… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo, 28- 4 -1921

Querido Reini!

Primeiramente te envio muitas sinceras lembranças e desejo tudo de bom para ti.

Faz duas semanas que recebemos a tua carta escrita no dia 29-3-21, bem como os jornais e os acordoamentos do violino e por tudo isso muito obrigado.

Naquele dia mandei uma carta bem longa e as dos demais “escrivinhadores” que fizeram os seus “manuscriptos” e como de novo nada aconteceu aqui, não me apressei para responder a tua carta na esperança de conseguir novas notícias, mas parece que não terei muito o que escrever, pois tudo está como sempre, somente os dias estão ficando mais curtos e não é como na primavera que pelas manhãs a passarada fazia aquela festa desde cedo. Mas agora já é outono mesmo…

Nós graças ao bom Deus estamos bem. O tempo está limpo e faz calor. Na semana passada tivemos uns dias lindos. Nem durante o dia nem a noite no céu não tinha uma nuvenzinha sequer. Somente nas noites de quinta e sexta feiras que havia luar, a lua apareceu com alguma nebulosidade.

Nosso trabalho é colher milho, mandioca, cortar baraços de batata doce para trazer para a criação e os demais guardando onde ainda você deve se lembrar dos tempos antigos quando você ainda morava aqui. O feijão ainda está verde e a colheita será no mês que vem.

O Paps e o Puisse estão rachando tabuinhas para cobertura do telhado, no mato do alto do morro. Podes ver que sempre um serviço ainda não está terminado, que há outros esperando.

As notícias do Rio Novo são poucas e você não terá muito tempo para se importar com isso. – O grande herói, o Nepis [Netemberg] que vendeu a sua fábrica de açúcar [Engenho de açúcar] para o Maisin. Por que fazer tanto esforço, pois o açúcar está tão barato deixa que os outros se virem. Melhor vender.

O Karlos Karkle está com a atafona quase pronta.

O Rubis [Roberto Klavin] está trabalhando no Rio Capivara onde está construindo serrarias. Está ganhando bom dinheiro para depois viajar por ai. Agora há pouco ele ficou duas semanas em Desterro visitando o Augge [Augusto Klavin seu irmão] que agora passa o dia de uniforme em seu quartel. Ele nem pensava que uma vez indo à São Paulo não conseguiria voltar para casa tão já. A casa dos Klavin está vazia, sem ninguém. –

É possível que no próximo mês venha o Dr. Lupper e o Manuel Vergínio em viagem para cá. Faz tempo que o pessoal está esperando e vai ser bom. Bem, desta vez chega, pois já está bastante tarde, é possível que em outra vez tenha mais coisas para contar.

Os teus antigos colegas continuam a te escrever? O Roberto ainda continua a te escrever? E o Arthur Leiman te escreve em alemão? E o Karlos Salit terá completamente te esquecido? – Escreva bastante. Ainda lembranças de todos de casa e que sempre te vá bem.

Viva saudável e alegre. Olga.
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