Aqui tudo vai como de velho…| Olga Purim para Reynaldo Purim

Rio Novo 6 de Agosto de 1920

Querido Reini! Saúde!

Se bem que desta vez não tenha muito o que escrever e você já tenha muito o que ler daqueles “heróis manuscriptores”, mas, como estou devendo resposta a duas cartas vou daqui e dali tentar escrever alguma coisa. – No domingo passado recebi a tua carta do dia 10-07-1920 e também as cartas do Arthur e ontem a noite quando estávamos terminando cozinhar a última fornada ( tacho) de açúcar quando o Augusto Klavin vindo de Orleans a cavalo trouxe a tua carta escrita dia 22-07- 20. Por todas elas muito obrigado. Agora muitas notícias suas e com os grandes acontecimentos. Então realmente as minhas cartas foram depois de uma longa parada de descanso em Orleans. Algumas semanas atrás, eu mandei uma carta em resposta a que você mandou escrita no dia 22 de junho. – Bem parece que este ano não tem sumido nenhuma carta das que foram para lá nem as que vieram para cá. Então vocês tiveram lindas festas, aqui aquela semana estava um tempo muito ruim, muito frio e tudo por ai um lamaçal sem fim. Por que o Deter se preocupa tanto com você e está pagando aulas de música? Se o pessoal do Rio Novo souber… Quando a vinda do Lupper para Sta. Catarina o Deter tem escrito para o Onofre que o Manoel Verginio não pode vir para Laguna, mas o Deter quer conseguir um Seminarista que esteja terminado o último ano para trazer para Laguna. Então você vai muito bem, com seus amigos, um não vale réis sequer e o outro no primeiro sopro de uma fresca brisa . Então o Victors Eggers ainda te escreve? Aqui chegaram algumas notícias sem confirmação. E que a Mina Kuschmann escreveu para a Milsa em Orleans que o Ludis esteve em Timbó (próximo a Blumenau) visitando o Fater e outros parentes. E que o Fater está passando muito bem e não quis ir com ele para São Paulo, mas no entanto iria levar o filho da Minna, com fosse o seu filho adotivo para dar escola em São Paulo. Então nesta época que ele esteve em Timbó ou logo depois faleceu a esposa do Ludis. Por isso eu pergunto se o Victor tivesse escrito é bem provável que ele tivesse contado algo sobre este assunto. Esta versão não bate com àquela trazida pelo pessoal de Rio Branco que veio aqui para a Convenção que o Fater tinha ido a Rio Branco, e na ida para Rio Branco tinha se perdido e tinha ido com a intenção de ganhar dinheiro para ir visitar o Ludis em São Paulo. Segundo eles o Fater voltou a Timbó, trabalhou e ganhou dinheiro suficiente e foi visitar o Ludi. O que complica é que justamente que tudo teria acontecido no mesmo período. Estas histórias são incríveis. Se o Ludi realmente veio poderia ter vindo até aqui pois já estava na divisa de Sta. Catarina. Agora chega. – Vou aguardar de você muitas notícias novas e tudo que você puder conseguir confirmar. —Aqui tudo vai como de velho e não a jeito de haver novas notícias.
Com carinhosas lembranças da Olga.

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