Depoimento de J. A. Zanerip | A vida na igreja

Sexta Parte

Apesar das grandes distâncias que a maioria do povo da colônia morava, e das péssimas condições das estradas, a frequência era ótima nas escolas dominicais e nos cultos.

A escola começava todos domingos às nove horas da manhã. Em seguida era celebrado o culto, como acontece até agora.

Mas vejam só, o término da escola e do culto era por volta das 12 horas, e depois vinha a longa caminhada para casa — alguns até oito quilômetros de distância, conforme o morador.

Logo no final da tarde, lá pelas 17h30, nova caminhada para o culto da noite — lembrando ainda que isso enfrentando lama e a escuridão da noite e ainda às vezes garoas, frio, chuvinhas finas, chuvas grossas e até temporais. Porém, calçados ou descalços, o povo seguia para a igreja.

Por causa das estradas lamacentas, os irmãos faziam o contrário do que Deus tinha determinado a Abraão: “Tire os sapatos porque a terra onde estás é santa”. Nós vínhamos descalços, trazendo os sapatos na mão; chegando no riacho Rio Novo, após a devida lavagem dos pés, calçavam-se os sapatos para se cobrir os restantes 500 metros até o templo da igreja.

Havia ocasiões em que a lama era tanta que nem esse pequeno trecho era possível percorrer sem perder os sapatos, então a alternativa era lavar os pés numa nascente dentro do jardim da igreja. Assim, andando-se descalços pela grama e pela calçada, adentrava-se a parte social do templo, onde eram calçados os sapatos — para daí adentrar o Santuário decentemente trajado na presença do Senhor. Devo lembrar que a intenção desse procedimento de modo nenhum era a economia, mas a total impossibilidade de se usar sapatos nos caminhos já descritos.

Nas quartas-feiras sempre havia culto de oração, que se iniciava às 19 horas, e depois ainda havia o ensaio do coro — por isso a gente nunca chegava em casa antes das 23 horas.

Apesar da distância, da chuva e da escuridão os irmãos da igreja iam aos trabalhos e nós íamos também — eu, como era adolescente, fazia questão de ir. Às vezes me pergunto se essa situação fosse hoje, e se fosse preciso enfrentar essas mesmas condições, qual seria a minha atitude. Acho que enfrentaria. E por que não? A gente ia cantando e sorrindo das dificuldades sem se preocupar com nada.

Qual era a atração que levava o povo a ouvir a leitura da Bíblia por irmãos que hoje seriam chamados de leigos?

[continua…]

2 comments on “Depoimento de J. A. Zanerip | A vida na igreja

  1. Raquel Jacobsen diz:

    que lindo isso! Fazia o mesmo tipo de caminhada(levando a minha alpargata na mão),quando ia para a escola rural…

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