Meus pais não podem me ajudar como fazem os seus | Roberto Klavin a Reynaldo Purim

Invernada, 27 – 7 – 1920

Querido amigo!

Agradeço pela carta cuja escrevestes no dia 23-06-1920, a qual recebi dias atrás.

Foram embora do Rio Novo o irmão Butler e sua esposa para Curytiba. Eles viajaram na semana passada, dia 22. Na noite do último domingo houve as despedidas. Ele, ao se despedir, entre outras coisas disse que voltará para cá somente caso tenha problemas com a voz; se a voz se adaptar ao novo clima ele para cá não mais voltaria.

Quanto a mim e a minha possibilidade de ir estudar, eu muito tenho pensado e planejado, mas o que no fim vai dar isso tudo só Deus sabe. Para o primeiro ano eu teria dinheiro para passar o ano tranquilamente e sem preocupações maiores, mas para o segundo ano não teria condições, uma vez que meus pais não podem me ajudar como fazem os seus. Eles estão bastante sem forças e principalmente a minha mãe, que está sempre doente e muito fraca, em condições tais que às vezes não consegue cumprir com as obrigações da administração do lar — e aí outras pessoas tem que ajudá-la. Ainda com irmãos e irmãs menores, que terão que cumprir a escola básica, não se é possível esperar nenhuma ajuda substancial.

E como eu já tinha mencionado: não tenho certeza de que devo dar este passo. Sem que esteja seguro que poderia atravessar este período, com estas condições extremamente críticas, esta é uma questão da qual não posso fugir.

No mesmo tempo estou convicto que se eu ir estudar é a vontade de Deus ele fará acontecer conforme a sua santa vontade. Fico no aguardo dos acontecimentos.

Outra alternativa seria a proposta pelo Butlers, que quer que eu vá para Curytiba trabalhar e estudar à noite e depois do básico ir adiante.

Este mês está muito chuvoso e o tempo muito ruim. As estradas também estão muito ruins e eu tive que me cuidar muito para não me resfriar, porque estou com dor em um dente. Muitas noites não tenho dormido direito e passado sem sono, por causa desta dor que é muito desagradável.

Já há diversos domingos que não tenho ido a Rio Larangeiras e hoje deu uma chuva forte com trovoadas e granizo. Agora também estou vários dias em casa, mas logo terei que ir para o trabalho.

Terminando, receba mui afetuosas lembranças dos meus e também minhas.

Teu amigo,

Roberto Klavin

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