Origens da colônia: Breve história da Igreja Batista Leta do Rio Novo, segunda parte

continuação da primeira parte

A idéia central dos participantes convergia para a urgente necessidade de se conseguir um templo, mesmo que provisório, mais amplo para as reuniões. Para escolher o local foram escolhidos os nomes dos seguintes irmãos: J. Ochs, J. Neiland, J. Simpson, K. Match e J. Stekert.

O lugar foi encontrado, bem no meio da colônia, numa encosta do terreno pertencente ao irmão J. Simson. Todos pegaram firme no trabalho. Até as irmãs mais novas, adolescentes mesmo, ajudavam a amarrar os feixes de resistentes folhas de palmeira [guaricana] para a cobertura, isto é, a confecção do telhado. Também as paredes foram confeccionadas com este mesmo material.

Para a confecção dos bancos foram assentadas estacas no chão até uma altura conveniente e sobrepostas travessas para sustentação feitas de ripas retiradas dos troncos de palmito [jussara]. O resultado foi satisfatório e os bancos até que ficaram confortáveis. Todos juntos trabalhando, em três dias a obra ficou pronta.

No fundo da construção estavam os assentos para os coristas. Organizaram-se dois coros. No lado direito ficava o coro do Rio Novo e no lado esquerdo ficava o coro do Rio Carlota.

Aqui cabe um esclarecimento: nesta imigração do pessoal da igreja de Dinaminde veio o coral quase completo, incluindo o seu dirigente, e como as terras do vale do Rio Novo já tivessem sido todas tomadas pelos que tinham chegado antes, estes se instalaram ao longo do outro vale — que os agrimensores haviam denominado de Rio Carlota. Durante algum tempo os colonos foram distinguidos pelo nome dos pequenos rios ao longo dos quais moravam, mas com tempo a denominação de toda colônia passou a ser Rio Novo, talvez por ter sido onde ela realmente começou.

Durante os cultos os corais se revezavam. O coro de Rio Carlota, composto pelos de Dinaminde, era dirigido pelo irmão K. Match, enquanto o do Rio Novo, composto por oriundos de Riga, era dirigido pelo irmão Frischenbruder. O último hino do culto de cada domingo era cantado por ambos coros unidos e dirigido alternadamente por um ou outro dirigente.

Como líderes da igreja foram eleitos os seguintes irmãos: J. Bachul, J. Neiland, J. Stekert e M. Indrikson. Para servir a ceia do Senhor, o irmão J. Bachul. A direção dos estudos bíblicos foi confiada ao irmão J. Simsom e mais tarde ao irmão J. Stekert. Para a direção da Escola Dominical apresentaram-se voluntariamente J. Neilands, K. Matchs e Julia Balod.

O progresso da igreja era lento mas firme, sempre em frente. A vida do irmão Simson foi curta, pois neste mesmo ano de 1892 ele veio a falecer. No lugar dele foi eleito, como secretário-geral, o irmão K. Seeberg. Como tesoureiro foi eleito o M. Leepkaln e, como responsável pelo livro da tesouraria, o irmão J. Klavin.

Continuavam a chegar novos colonos seguindo os que vieram de Riga, bem como uma nova leva oriunda das colônias Letas de Nowgorod (Rússia) — onde muitos tinham se inte­ressado pela vida nas terras quentes. Os recém-chegados, tanto de Riga quanto da região de Nowgorod, eram batistas, e com isso a igreja crescia ainda mais.

O salão se tornava pequeno demais, e além disso os dentes do tempo tinham feito o seu estrago no templo improvisado. Estando situado em local alto e descampado, os fortes ventos haviam desfiado as folhas de palmeira. Por diversas vezes havia sido discutida a necessidade de se adquirir um terreno para a sede definitiva do templo da Igreja e da Escola, mas este assunto ia sendo adiado por que os pioneiros tinham tarefas inadiáveis para tratar, coisas como a construção de seu próprio abrigo, cercas e as plantações — e isso tomava todas as suas forças.

Ao mesmo tempo a igreja começou a aspirar a visita de algum líder espiritual da Letônia. Começaram as trocas de cartas. Surgiu a possibilidade da visita do notável líder e editor de literatura batista de Riga, porém a prioridade dele era visitar a “Terra onde Jesus andara” (que mais tarde descreveu em forma de livro), ficando Rio Novo para depois. Aguardou-se então Karlis Ruschevitz, mas como este foi convidado para ser pastor da igreja de Riga, essa viagem também não pode ser concretizada.

Foi então decidida a construção de uma nova casa de cultos, maior e melhor construída. O local foi escolhido a colina perto da casa dos Leepkaln, junto ao túmulo do irmão Simson, em terreno pertencente ao irmão Jahnis Klavin. Na sessão da Igreja do dia 1º de julho de 1894 foi eleito um comitê de construção composto de sete irmãos, porém na sessão seguinte dois desses irmãos solicitaram a sua retirada do comitê, por não concordarem com as responsabilidades a eles atribuídas.

Os trabalhos de construção foram dirigidos pelo construtor profissional Karlis Matchs. Todos os trabalhos foram executados por voluntários sem qualquer remuneração, e assim mesmo todos trabalhavam com muita vontade. Os trabalhadores eram muitos e o trabalho avançava com rapidez. Tanto o telhado quanto as paredes foram feitos de lâminas lascadas com plaina. [Nota de VAP: Havia uma plaina própria, acionada pela força de 3 homens, na qual eram colocados pedaços do tronco de madeira, que eram por sua vez cortados em lâminas de aproximadamente 25 x 12cm e 0,5 mm de espessura. A madeira preferida era o louro. Na Letônia esta técnica é ainda usada para restaurar edifícios antigos; veja esta página (em leto).] Este templo foi construído no mês de agosto de 1894 em quatorze dias corridos, perfazendo a soma de 437 dias-homem de trabalho.

Skaidas Basnitza - Segundo templo

O primeiro templo era chamado de Lapas Baznitza/Templo de folhas e o segundo passou a ser chamado de Skaidas Basnitza/Templo de lascas de madeira — com a firme esperança de que num futuro muito próximo pudesse ser construído um templo definitivo.

Também no novo templo ambos os coros cantavam em união durante os cultos, e os líderes tudo faziam para que o trabalho fosse executado o melhor possível. Porém, com o tempo surgiram na vida da igreja dificuldades de harmonização de opiniões e até mesmo divergências sérias.

A preocupação dos irmãos era evidente, principalmente por parte dos que conheciam pessoalmente o irmão [Janis Aleksandrs] Freijs. Estes começaram a se corresponder com ele na esperança de que com conselho ou mediação dele se pudesse conseguir um obreiro para o trabalho espiritual da igreja de Rio Novo, mesmo que fosse por um período [limitado] de tempo.

Janis Aleksandrs Freijs

Neste mesmo tempo haviam sido fundadas outras colônias letas no Brasil, como em Ijuí, no de Rio Grande do Sul e, aqui mesmo em Santa Catarina, as colônias de Mãe Luzia e Guarani — lugares cujos nomes não eram desconhecidos para o irmão Freijs, pois essas pessoas mantinham contato com sua editora de literatura cristã em Riga. Porém junto ao seu coração estavam principalmente os da igreja de Rio Novo, que tinham sido membros das igrejas de Riga e Dinaminde. Por ocasião das últimas imigrações o irmão Freijs era pastor da igreja de Dinaminde, e esses dirigiam-se a ele como se fosse ainda o seu pastor, pois ele realmente se preocupava com a situação da igreja em Rio Novo. Então, no início de 1897 Freijs informou-nos que saíra de viagem para o Brasil um colaborador da sua editora e agora zeloso evangelista, Jahnis Inkis.

A tão esperada visita chegou ao Rio Novo em plena festa de São João, isto é, no dia 24 de junho de 1897, após dois meses de viagem. Com muita sinceridade e entusiasmo a igreja o aguardava e, como antecipadamente havia sido deliberado em sessão, foi celebrada sua chegada com dois dias de festa na igreja.

No domingo seguinte, dia 27 de junho, nova da sessão da igreja, agora sob a liderança do irmão Jahnis Inkis, que propõe à igreja uma reunião de perdão e reconciliação entre os irmãos, e que no domingo seguinte se comemore o memorial da ceia do Senhor. Nova sessão da igreja no dia 4 de julho: irmãos perdoam-se entre si, alguns excluídos pedem a sua reconciliação; outros irmãos e irmãs, esquecendo o passado e perdoando uns aos outros, acertavam-se entre si.

O Irmão Fritz Karp foi eleito para continuar dirigindo as sessões da igreja, e os batismos foram marcados para o próximo domingo. Naquele dia, pregação da palavra pela manhã e em seguida uma solene caminhada até o local dos batismos, a poucos quilômetros dali, no próprio Rio Novo, entre as casas dos Irmãos Ochs e Frischembruder. Após os batismos nova caminhada, agora para a igreja, para a celebração do memorial da Ceia do Senhor.

Assim começou o trabalho do pastor evangelista Jahnis Inkis na igreja de Rio Novo. Inkis cuidava da vida da igreja tanto na parte interna quanto na externa, dando especial ênfase ao trabalho de missões, especialmente entre os vizinhos alemães e outros das colônias adjacentes.

Cada domingo repartia uma porção da Palavra de Deus, mas foram estabelecidas também outras atividades — cultos de oração, cultos de missões e reuniões de treinamento, nas quais eram lidos trabalhos diversos, proporcionando a todos a possibilidade de falar e de se apresentar em público — pois sempre, após a leitura de um trecho de alguma publicação religiosa, era dada oportunidade para que se acrescentasse um breve comentário, fazendo com que a pessoa ficasse cada vez mais segura.

Essas reuniões de treinamento, dirigidas pelo irmão Inkis, aconteciam duas vezes por semana: nas noites de terça-feira, na casa do irmão Ochs, numa das extremidades da colônia, e nas noites de quinta-feira na casa do irmão Grauze. Eram também lidos e feitos breves comentários dos livros da Bíblia (tais como os livros de Samuel e os livros de Reis), do livro de John Bunyan, “Luta Santa”, e de Adolf Sasir, “Cristo e as Sagradas Escrituras” — e nos intervalos cantava-se muito louvando a Deus e elevando-se a Deus fervorosas orações.

Os cultos missionários eram celebrados aos domingos. Os estudos bíblicos eram durante os dias da semana. O povo todo diligentemente colaborava em todos trabalhos. O pastor Inkis amava a Escola Dominical e dela participava. Organizou também o trabalho com os jovens, com a formação de uma união de moços e uma união de moças. Neste trabalho com os jovens ele se dedicou de todo o seu coração, promovendo novas atividades, inclusive culturais. Fundou um coral jovem sob a regência do irmão Gustavo Grikis, orientando na escolha das músicas e dos textos, e foi naquela época que sugiram as famosas festas da Mocidade.

conclui na terceira parte

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2 comments on “Origens da colônia: Breve história da Igreja Batista Leta do Rio Novo, segunda parte

  1. Raimundo diz:

    Preciso de um tradutor juramentado do idoma letão para o Português. Preciso da tradução de uma Carteira de motorista… aguardo contatos no e-mail rai.giovani@gmail.com

    • V. A. Purim diz:

      Raimundo.
      Sugiro que entre em contato com Daniel Liepin .
      Ele fez muitos trabalhos de tradução juramentada de português para letão para nós no processo de Dupla Cidadania.
      É possível que ele também seja tradutor juramentado do Letão para o português.
      Se ele não for capaz, ele poderá indicar o endereço da Daina a Consul da Letônia para mais informações.
      O endereço dele é daniels.liepins@gmail.com
      Um abraço.
      V.A.Purim

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