Pelas montanhas e vales do sul do Brasil, conclusão

continuação da parte 6

7

Bendito seja o Senhor! Segunda-feira. Ao alvorecer do dia estamos despertos e com saúde. Preparamo-nos para a caminhada. Degustamos o café da manhã. Dirigimos nossas preces a Deus e com sinceros “adeus” nos apressamos pelo mesmo caminho de volta. Na noite do dia seguinte estávamos no meio dos nossos parentes.

Verifiquei que a Igreja Batista Leta trabalha com eficiência. Aos domingos pela manhã a mocidade, com os demais, inclusive as crianças, estão alegremente no culto. Cantam, aprendem, oram a Deus e, terminado o seu horário, ficam com toda a igreja para juntos ouvir do evangelho.

Alguns irmãos desenvolvem trabalho missionário junto ao povo brasileiro. Promovem cultos na cidade de Orleans e cantam em português. Aqui podemos dizer, como o Senhor disse: “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho… sofreste e tens paciência e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste.” Pelo estatuto interno da Igreja que julgue o Senhor, que observa, o reconhecimento a quem de direito.

Preparamo-nos para ir a Mãe Luzia. Lá serão celebradas as festividades de inauguração, dia 6 de setembro. A Igreja de Rio Novo recebeu um convite para comparecer e participar com mensageiros, octetos e solistas. O convite finaliza: venham como puderem.

Nestas condições tive vontade de visitar Mãe Luzia. A igreja me concedeu poderes de mensageiro, outros irão conforme suas condições. O octeto estava em condições de viajar para o evento.

Os meios de transportes eram diversificados: [alguns iam] com caminhões, a cavalo, outros de trem. Foi-me recomendado que fosse de trem: se chovesse poderia ficar no caminho. Acompanhei então o irmão Zeeberg, que viajou com sua esposa. Estes também foram amáveis companheiros, que tudo conheciam e sabiam mostrar e contar.

Viajamos até a cidade de Tubarão, onde desembarcamos e aguardamos seis horas enquanto chegava à outra composição, que nos levará ate Mãe Luzia. Agora nos sobra tempo para visitar o irmão Osch, ver a cidade e seus arredores. A cidade é bonita, plana e com terra fértil, junto à barranca do rio, com ruas calçadas e rico comércio.

Estamos novamente na estação ferroviária. A composição chega: encontramos o pastor Stroberg, vindo de Rio Branco, junto com uma jovem. É uma professora, convidada pela Igreja de Rio Novo para lecionar para as crianças [NOTA: Emília Zickmann].

Neste encontro nos alegramos uns pelos outros. Viajamos conversando até a cidade de Criciúma. Ao desembarcar encontramos os irmãos de Mãe Luzia que vieram ao nosso encontro. Eles levaram as nossas malas e nos conduziram até um caminhão: tínhamos pela frente mais 12 quilômetros de estrada de terra.

Chovia, estrada lisa, o caminhão derrapava de um lado para outro como que embriagado. Receio que haja algum acidente. O caminhão estaciona.

Graças a Deus chegamos. Desembarcamos alegremente. Os irmãos acomodam nossas malas e nos convidam a acompanhá-los. Andamos uns cem passos e chegamos à residência dos Andermann.

O casal de proprietários veio nos receber e cumprimentou a mim e ao Stroberg, depois indicou-nos um quarto com 2 camas. Lugar de repouso ja temos. É tarde da noite e a dona da casa põe a mesa do jantar. Servimo-nos e em seguida fizemos um culto noturno, colocando aos pés do Salvador a nossa gratidão pela sua misericórdia.

Novo dia chegou, o alvorecer penetra pelas janelas, o sono nos abandonou. Levanto e dou graças ao Pai Celeste pelo cuidado. Apresso-me a observar os arredores, ontem à noite a escuridão reinava e não podia se ver nada.

Sim, um céu límpido! Ontem à noite o céu estava coberto de densas nuvens negras e chorava lágrimas de bênção sobre a terra seca; agora trocou de roupagem e o sol, com seus raios luminosos, alegra a natureza. Observando a bela planície, o rio, os córregos, fiquei alegre e em silêncio louvei a Deus: Oh, Senhor, quão maravilhosas são tuas obras e tuas bênçãos! A terra cultivada durante trinta anos sem qualquer adubação e as colheitas, como sempre, fartas.

Tomamos café e fomos com Stroberg visitar o novo templo e depois a casa dos Klava, presidente da Igreja local. Encontramo-nos, cumprimentamos e passamos a falar sobre as festividades.

Mas uma circunstância infeliz: ambos, Stroberg e eu, fomos assaltados por uma febre inesperada. Ele começou a tremer como uma vara verde e não sobrou alternativa senão ir para a cama. Eu além da febre tinha vômitos, e não sabíamos a causa desta enfermidade súbita. Também eu fui obrigado a procurar a cama e buscar cobertores, todos insuficientes [NOTA: Possivelmente tratava-se de malária].

Pensei: e agora, que acontecerá? Quando deveríamos nos alegrar com as festividades, estamos a gemer! Imploro a Deus e digo a Ele da nossa situação. “Oh, Senhor, não estás satisfeito que nos alegremos com estes irmãos? Estenda a tua mão salvadora e nos toque, teus servos; que retorne a saúde, para que possamos ser portadores de alegria e testemunhas das tuas palavras de vida!”

Nosso anfitrião preparou uma sauna; conduziu primeiro meu companheiro e tratou-o da melhor maneira. Em seguida foi a minha vez. Fiquei pior ainda: perdi totalmente as forças, não podia sentar nem ficar de pé. Pensei: é o meu último dia.

Meu anfitrião me recomendou um banho quente e, no final, uma ducha fria. Veio uma pequena melhora. Voltei para a cama. Dormi a tarde toda e senti-me recuperado. Ouvi o convite à merenda, comi um pouco e as energias e a saúde estavam se renovando.

Na manhã seguinte estava recuperado, e meu companheiro também se recuperou totalmente. Louvamos e agradecemos ao Senhor.

Pela manhã dirigimo-nos ao culto. O companheiro diz que não tem condições de conduzir as festividades, a febre não permite. Sentou-se a parte e não participou do culto.

O irmão Klava deu início à festividade com o cântico do hino “Bendiga ao Senhor, o Rei da Glória”, leu o salmo 84, sobre “Quão amáveis são os teus tabernáculos”, e orou a Deus. Depois houve a apresentação de inúmeros corais e saudações dos visitantes e outras apresentações.

Uma saudação especial veio do pastor Abrão de Oliveira, homem de cor, que falou em português. O autor destas linhas falou sobre Colossenses 3.1-4.

O evento festivo teve inicio no domingo, continuou na segunda-feira e terminou na terça-feira. Nos dois últimos dias Stroberg conduziu as festividades; o Senhor lhe devolveu as forças e a saúde. Na segunda-feira falou sobre o amor, conduzindo seus ouvintes aos belos caminhos do amor.

Na terça-feira pela manhã despedimo-nos dos irmãos de Mãe Luzia com o hino “Até que nos encontremos na margem do Rio de Cristal”.

Rumamos a caminho da cidade de Tubarão. Passaremos a noite nessa cidade: a composição ferroviária que nos levará a Orleans passa pela manhã. Sobrou-nos bastante tempo para visitar o irmão Osch e nos ocuparmos com assuntos do Pai do Céu.

Chegamos a Orleans. Meu irmão nos mandou cavalos de montaria, muito úteis.

Na Igreja de Rio Novo estão programadas preleções sobre assuntos doutrinários. Domingo, 13 de setembro, houve culto. Segunda-feira, estudos sobre a Igreja, ministrados pelo Pastor Stroberg. Primeiro, no que consiste a igreja? Em que bases se sustenta? Quem é seu mantenedor? Quais as condições exigidas para ser membro? Quais atribuições dos membros da igreja? Quais atividades os membros devem exercer dentro e fora dela? Finalmente, qual o resultado quando uma igreja permanece no caminho prescrito nos evangelhos? Conclusão: guarde o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Cada membro podia dar sua resposta às interrogações, que foram amplamente debatidas.

No dia seguinte houve a conclusão do curso, ocasião em que foram feitos esclarecimentos sobre temas controversos que haviam se estabelecido entre os membros da Igreja.

Com calorosos abraços e cumprimentos nós nos despedimos.
Stroberg voltou para Curitiba, ao seu local de trabalho e a seus familiares. Meu caminho me conduz a São Paulo e a meus familiares em Areias.

Bendito seja nosso querido Pai através de Jesus Cristo! Grande número de rostos de irmãos e amigos ficarão na minha memória.

FIM

Para ler do começo clique aqui
Pelas montanhas e vales do sul do Brasil
Por Jekabs Purens [Jacó Purim]

Publicado em série na revista “Jaunais Lidumnieks” (O Novo Desbravador), entre 1932 e 1933
Cedido por Brigitta Tamuza do “Brasiljas Latviesu Draugu Fonds”
Traduzido por Valfredo Eduardo Purim
Digitado por Lauriza Maria Corrêa
Revisão e notas por Viganth Arvido Purim

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