Sete chupetas | Artur Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 14 de agosto de 1919

Querido irmãozinho!!

Eu recebi a tua carta escrita no dia 22 de julho no domingo passado. Muito obrigado. Eu realmente não estava querendo resposta, pois agora preciso responder. Se não tivesse recebido não teria que escrever!

Eu estou bem. Desta vez a Luzija não vai poder escrever. Ela está acidentada pois na noite de segunda-feira cortou o braço e agora carrega o braço numa tipóia pendurada no pescoço. Ela não pode fazer nada, então dirige os cavalos com as cargas das roças para casa. Agora ela está trazendo milho da Bukovina com três animais: o Traginim na frente e os demais atrás.

Agora, é muito ruim você não ter bastante laranjas para chupar! As laranjeiras estão cheias de laranjas e flores. Hoje eu já chupei sete chupetas.

[NOTA: “Chupetas” eram feitas com laranjas descascadas deixando-se a parte branca; abria-se um orifício em forma de cone invertido na extremidade inferior, por onde era chupado todo o suco.]

Agora não está havendo aulas porque o Butlers e o Robert ainda não chegaram. Quando as aulas vão recomeçar eu não sei.

Daqui há pouco vamos derrubar capoeiras. O Augge [Augusto Felberg] começou derrubar o capoeirão atrás de nossa casa. Vai ser bom, pois o sol pela manhã vai aparecer mais cedo. Chega desta vez, senão o que vou escrever na próxima vez?

Fico aguardando uma longa carta, sua. Com lembranças,

Arturs

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