Os rapazes que deixam escapar alguma palavra em brasileiro | Olga a Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 8 de junho de 1919

Querido Reinold!

Saúde! Hoje é a festa de Pentecostes [NOTA: Em leto “festa do verão”, a tradição lembrando ainda o hemisfério norte]. Está bastante quente, como fosse verão mesmo. Está um pouco nublado mas não vai chover.

As estradas estão todas ainda lamacentas das chuvas da semana passada, pois não foi pouca coisa não. Geada nenhuma até agora. Em outros anos nesta época não tinha mais nada verde.

Nós graças a Deus estamos todos bem e todos com saúde.

Na semana passada, dia 3 de junho, recebi a tua carta escrita no dia 22-5-19. Por ela muito obrigado. Estou muito alegre que todas as minhas cartas você recebeu regularmente. E do mesmo modo, as tuas cartas e os jornais estamos recebendo em perfeita ordem. Na semana passada, dia 7-6-19, mandei um pacote que pesou 1 quilo, contendo meias e as cartas de Luzija e Artur. É possível que as tenhas recebido e assim sabes que o período de festas aqui terminou.

O Deter esteve em Rio Novo e já foi embora. Aquelas três semanas, duas aqui e uma em Mãe Luzia, passaram muito rapidamente. Ele agora possivelmente esteja em Blumenau. Ele não aprova o exagero dos letos de Blumenau em relação aos Espíritos, [doutrina com] que eles estão totalmente envolvidos. Semanas atrás estiveram aqui o Anderman e o Strauss. Você se lembra do Augusto Strauss. O irmão dele está totalmente envolvido com esse movimento. Pois eles estiveram aqui uns dias, mas foram embora para Mãe Luzia. Aqui a “igreja” deles não vingou, pois os únicos que davam algum apoio que eram o velho Grikis e o Limors, e eles não se dão entre si.

Sobre as Festas não tenho muito o que contar. De Pedras Grandes veio uma irmã do Onofre Regis e a filha Rosa com o marido dela, e mais uma mulher que eu não conhecia. Eles ficaram hospedadas na casa do Willis Oschs, o qual providenciou cavalos para ir buscar estes visitantes e depois levou-os novamente até Orleans.

Quando o Deter estava aqui o Onofre, José e mais um parente deles esteve nos Klavin. Você pergunta se nossa Escola Dominical vai mandar representantes para a Conferência em Paranaguá. Já escrevi na carta passada que a Escola Dominical na casa dos Leimann foi interrompida com a reunificação das igrejas. Se alguém desse o dinheiro ou se eu tivesse de sobra eu bem que gostaria de ir, pois nunca fui a um evento destes.

Eu mostrei o anúncio da Convenção no Jornal para o Roberto [Klavin]. Ele não tinha visto, parece que ele não é muito chegado a leitura de jornais. Sugeri que ele partisse antes e fosse adiante visitar você. Ele vai embarcar em julho para Paranaguá e parece que não tem vontade ou coragem de ir adiante. O Deter prometeu voltar para o Rio Novo no Natal e voltar mais vezes visitar o Estado de Santa Catharina.

E você não vai vir para casa no Natal? Esta faltando meio ano, mas este passará muito rápido, pois o começo do ano parece que foi agora e já estamos no meio do ano. Quem sabe você já não saberá falar mais em leto e só em brasileiro, que segundo o Grünfeldt é língua de negros. Ele fica patrulhando os rapazes que às vezes deixam escapar alguma palavra em brasileiro.

Eu tive a chance de escutar duas pessoas falar em inglês pela primeira vez na vida. Eram o Deter e o Butler, que quando os dois estão sós falam somente em Inglês.

Eu fiquei mais duas semanas em Orleans na casa dos Stekert, mesmo sem aulas de costura, porque eles tinham um monte de problemas, como vender as vacas e os cavalos, que ainda estão à venda. Os porcos foram levados com o milho a Orleans, onde vão ser engordados.

No Rio Novo ninguém [da família Stekert] vai ficar morando. No próximo mês a propriedade vai ser arrendada a um italiano.

Os Pintados foram embora para o meu luga [em português no original] e a história não ficou bem contada. Eles fizeram dívidas com todos e até para nós ficaram devendo 2$700 — e muito mais para os outros. Eles foram embora de noite. Outros dizem que podem ser eles que tenham matado o Stekert, pois nos últimos tempos eles tinham raiva um do outro e o Jurgim deixou escapar que o genro dele era um verdadeiro bandido (?).

O dinheiro do Stekert até agora não foi encontrado e todo mundo sabe que devia existir.

Bem, por hoje chega. Outro dia novamente.

Lembranças do Papus, da Mamma e da

Olga

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