Como viúvo | Artur Purim a Reynaldo Purim

1 de junho de 1919

Querido irmão,

A tua carta faz tempo que li. Muito obrigado. Estou esperando resposta de mais uma carta. Faz bastante tempo que mandei.

O tempo está quente e seco. O frio este ano ainda não chegou. Ainda está tudo verde. É muito melhor que está quente e seco, pois assim a gente pode correr sem os tamancos.

Eu estou indo na escola do Rio Novo e o meu professor é o Jahnis [Frischembruder] de Riga. Ele para os meninos é bom demais. Não põe ninguém de joelhos nem no canto, nem segura depois da hora. A matéria principal é a Aritmética. Eu já sei dividir com dois números. Ele vai tomar conta da escola por mais um mês e depois o Butlers assume. Então vamos ver como vai ficar. Acho que não vai ser nada excepcional.

Nós terminamos de arrancar o feijão. E mais um dia de trabalho estarão todas batidas [debulhadas]. Este ano não vai dar muito feijão. Agora estamos fazendo novo galinheiro e eu com o Bosi puxo toda madeira. Também puxo inhame para cozinhar para os porcos. Todo feijão foi trazido com ele e nós batemos em casa. No domingo passado o Roberto [Klavin] veio passear aqui em casa e aí eu levei mostrar todas as roças.

Agora estou como viúvo pois não tenho nenhum amigo [da minha idade].

Este domingo fiquei em casa de manhã para fazer a janta [almoço], e depois de ter descascado os aipins, quando estava cortando com um facão com muita vontade, terminei acertando profundamente a mão esquerda e quase cortando fora o dedo. À noite tive que ir à igreja.

[NOTA de V. A. Purim: A refeição do meio-dia era chamada de “janta”. As refeições diárias normalmente eram as seguintes: [1] Mata-bicho, ao acordar, que era café preto com açúcar; [2] almoço, lá pelas oito da manhã, que era café com leite, pão de milho, doces de frutas, mel, ovos fritos ou cosidos, nata, requeijão e outras coisas, e ainda às vezes polenta com mistura; ao meio-dia [3] a janta com pratos salgados e às vezes com sopas doces de frutas da época; de tarde [4] a merenda, que podia ser café com pão e outras misturas ou panquecas; à noite [5] a ceia, que seria como o café da manhã, mas em vez de café era servido chá-mate ou outros.]

Hoje o Arnolds [Klavin] veio nos visitar.

Bem, por hoje chega, o dedo está doendo, então chega de escrever. Com saudações,

Arturs

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