Estou morando na cidade com os Stekert | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 20 abril 1919

Querido Reinolds!!

Saudações! Festa da Páscoa! Cristo ressuscitou! A mensagem da Paz ressoa.

Na semana passada recebi dois pacotinhos de jornais [enviados] no dia 27-3-19, e na segunda-feira 14 de abril recebi tua carta de 27-3-19. Sinceros agradecimentos. As cartas anteriores foram todas recebidas; só não tenho resposta da que escrevi no dia 28 de março, e no mesmo envelope foram cartas da Luzija e do Arthur. Também no dia 8 de abril mandei um cartão postal. Todas foram recebidas?

Nós estamos alegres por sabermos que você está passando bem. Nós podemos dizer com alegria que estamos todos com saúde.

Antes da Páscoa tivemos duas semanas de tempo muito seco: não choveu nada e [fez] muito calor. Então, no sábado da Páscoa, começou a ficar nublado e de noite estava roncando trovoada e muita chuva, mas o Domingo da Páscoa amanheceu com uma manhã radiosa e assim permaneceu.

Pela manhã fomos ao culto na casa dos Leiman no Rodeio do Assucar. Lá no sábado haviam chegado as visitas da Argentina [NOTA: gafanhotos]. Nós todos tivemos a oportunidade de ver uma quantidade imensa desses insetos. Quando passavam provocavam um ronco surdo como uma tempestade, e chegavam a fazer sombra como fazem as nuvens: nem a luz do sol podia ser vista. Eles gostam mais de feijão, mas não deixam de limpar os milharais e a sorte é que estes já estão na fase de maturação.

Para nós no Rio Novo eles não chegaram, e é provável que nem passem por lá e sigam o seu caminho para o outro lado. Na fazenda dos Klavin também desceram, mas lá eles tanto fizeram que conseguiram espantar, batendo e tocando. e não permitiram que fossem completamente devoradas as lavouras.

O Arnolds [Klavin] veio da serra onde mora para as festas da Páscoa, e pretende voltar logo em seguida. O Roberto [Klavin] foi passar as festas lá no “Brasso do Norte” com o Onofre. O Deter ainda não veio; e não sei por que prometeu e não veio, e nem sei quando ele virá. Agora em Orleans tem um Pastor Presbiteriano e durante as festas na igreja de Rio Novo ele fez um sermão em inglês. Ele veio da serra e ficou na casa do pastor Butler.

Você escreve que lá as roupas estão caras, mas não são tão caras quanto aqui, embora aparentemente estejam ficando aos poucos mais baratas. Vamos mandar dinheiro quando precisares de calças e fraques, e você poderá mandar fazer, ou provavelmente comprar roupas prontas. Camisas e ceroulas mandaremos se estiveres precisando.

Agora aqui não estamos conseguindo um tecido bom e próprio para camisas, mas a loja do Pinho garantiu que vai chegar um grande carregamento de bons tecidos. Nós ultimamente não tínhamos comprado tecidos para roupa, pois tínhamos comprado bastante tempo da venda da coperativa, e quando começou ficar mais caro compramos bastante “americano” [NOTA: Tecido de algodão cru muito usado para roupa de cama].

Temos um par de meias de lã prontos, tricotados para mandar para você. Fio de algodão aqui é difícil de conseguir, então você terá que comprar as meias de algodão prontas nas vendas.

Querosene aqui não existe mais, e faz tempo que nos falta. Temos emprestado da Sra. Grüntall algumas garrafas e usado velas, mas estas também estão muito caras: $300 a peça e não duram nada, principalmente quando a gente tem que trabalhar à noite. Quem tinha querosene para uso pessoal vendeu até entre 1$500 a 2$000 a garrafa.

Pelo toucinho estão pagando 12$000 a arroba e é um bom preço, considerando que não estão descontando nem os ossos. Ovos já vendemos duas vezes e eles estão pagando $600 a $700 a dúzia. Estamos com mais de cem galinhas, isso sem contar os pintos.

Brevemente o Diretor Staviarski [da Companha de Colonização] pretende viajar com a filha para o Rio de Janeiro para visitar o seu Victor. Você conhece esse jovem filho do nosso Diretor? Ele deve estar estudando em outra classe. Ele sempre fala da boa ordem do Colégio e o filho está muito bem lá.

A novidade comigo é que agora estou morando na cidade com os Stekert aprendendo costura, e somente aos domingos vou para casa. Escreva bastante porque estando em Orleans posso buscar as cartas facilmente no correio. Ainda muitas sinceras lembranças de todos de casa, que ficam aguardando longa carta sua.

Olga

[Escrito nas laterais:]

Junto a esta carta segue o Aviso de 300$000 que segue através da firma do Pinho e será paga a você pelo Colégio Baptista, assim não tenho que mandar no envelope Valor Declarado, o que espero seja melhor para você.

One comment on “Estou morando na cidade com os Stekert | Olga Purim a Reynaldo Purim

  1. Lisiane Potrikus diz:

    Olá, sou Lisiane Potrikus Borges, historiadora.
    Em visita ao cemitério de Letos, localizado na comunidade de Rio Novo no município de Orleans SC em um trabalhao de levantamento dos bens patrimoniais do municipio me deparei como alguns questionamentos: Porque o cemitério “abanado” ainda não foi destruido? O que ele representa para comunidade?
    Interesse pelo tema levou a realizar pesquisas apontando que não existe nada escrito dentro da pesquisa histórica sobre esta temática (até onde pesquisei), por isso tenho como proposta elaborar um projeto de mestrado sobre o tem. Gostaria de saber se vc contribuir com a pesquisa.
    Atenciosamente
    Lisiane Potrikus Borges

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