Um mutirão de limpeza | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 11 de março de 1919

Escripto em letto!!
[Nota em português no original]

Querido Reinold!!

Recebi a tua carta escrita em 21-2-29 no dia 7 de março. Muito obrigada! As cartas têm ido e voltado bastante rápido. Das cartas deste ano no total são três as cartas recebidas: esta e as de 21 e 31 de janeiro. Como as duas chegaram juntas já mandei a resposta já faz mais de duas semanas, e pode ser que já tenhas já recebido. As tuas cartas anteriores devem estar todas perdidas, mas não posso entender que como as minhas cartas chegam todas e as suas se perdem tantas.

Bem, as tuas férias já acabaram? Com que pessoas você trabalhou? Eram brasileiros? Era longe da Escola?

As camisas ainda não posso mandar porque não tenho o tecido em casa; na próxima vez que for a Orleans irei comprar. Você tem algum modelo especial? Alguma combinação de camisas com as gravatas? Você ainda tem meias? Para aprender a passar a ferro os colarinhos, (avulsos) eu não preciso, pois aqui não temos este tipo de ferro de passar. Se for para aprender alguma outra coisa até tudo bem.

Nós graças a Deus estamos passando bem. Estamos todos com saúde e os grandes serviços já estão terminados. Ontem o Papus e o Puisse estavam roçando o pasto [NOTA: O pasto era roçado com alfanje, também chamada de gadanha; quando o a vegetação era muito grosseira tinha ser com a foice de bico]. Eu e a Luzija estávamos dobrando milho e hoje terminamos a roça lá de perto da ponte [NOTA: A prática de dobrar as hastes de milho na fase de maturação tinha diversos motivos: 1º Deixar mais luz para permitir o crescimento do feijão. 2º Proteger as espigas, evitando a entrada d’água; desse modo, mesmo em colheitas tardias as espigas permaneciam secas e saudáveis. 3º Apressar o amadurecimento em caso de necessidade de uso, quando a colheita anterior tivesse acabado.].

Começamos a trazer para os porcos espigas novas, porque o milho da safra anterior já terminou. Por aí você pode ver que ainda serviço nós temos bastante.

Hoje o Enoz esteve com o seu carro de bois trazendo as tábuas serradas lá do mato até em casa. Semana passada eles terminaram de serrar. Agora todas estão em casa; logo que estiverem secas vai ser feito o forro do paiol e construído um “werkstube” [NOTA: Weskstube. Alemão: divisão ou compartimento de uma fábrica. Área de trabalho de uma fábrica.] em que será colocada a bancada de carpintaria. Os fusos já foram comprados faz muito tempo, mas até agora não tínhamos um local apropriado para estas coisas [NOTA: Os fusos eram usados na bancada de carpintaria para prender, segurar para serrar, aplainar, furar, lixar ou colar peças ou conjuntos de madeira durante a sua fabricação.].

Hoje não tenho muita coisa para escrever. No domingo passado, dia 9 de março, saiu de Curitiba o missionário A. B. Deter, e esta semana já é esperado no Rio Novo. Os rionovenses hoje foram fazer um mutirão de limpeza no templo da igreja para bem receber o ilustre visitante. [NOTA: Neste mutirão era feita também a manutenção dos jardins, das cercas, dos gramados, etc. Nós gostávamos muito porque apesar ser um trabalho muito puxado e chefiado por líder, o mesmo era feito em grupo e saía da rotina cotidiana].

Você pede que descreva todos acontecimentos e isso eu prometo que farei, descrevendo todos resultados.

Semana retrasada houve batismos no Rio Novo. Foram batizadas quatorze pessoas: Elvira Maisin, Ludis, Alvine Sanerip [NOTA: Alvine mais tarde casou-se com Ernesto Karkle. A Marta do Gustavo Zeeberg é uma das filhas do casal], Luzija Sanerip, Emma Burmeister, Aldona Balod [Aldona Balod casou-se com Otávio Fernandes e foi mãe do Cláudio Fernandes de Orleans], Jahnis e Valdis Karklin, Rudis e Natalia Felberg, Jahnis Seeberg [João Seeberg foi pai do Gustavo, da Neli, da Frida e da Irma], Alida Klavin, Hilda Auras [esposa de João Seeberg] e Fanija Topel [A Fani casou-se com o Karlos Paegle e foi mãe do professor Vinicius, da Neli (primeira esposa do Carlos Auras), do Edgar e do Durval Paegle].

Disseram que o João [Frischembruder] de Riga também iria se batizar, mas parece que não quis desta vez, assim dizem. Agora a escola também está funcionado, mas o professor é o mesmo João de Riga, e quando ele for embora depois do “São João” [NOTA: 24 de junho, grande festa na Letônia em comemoração à passagem do solísticio de verão no hemisfério setentrional] a Marta [Marta Anderman Butler, mãe da Dra. Hellen Butler Muralha] vai começar a lecionar. Agora ela em casa está aprendendo português e inglês. O Willis Butler não quer que a esposa seja incompetente quando começar a dar aulas. O Butlers em casa faz tudo. Em casa ele faz até a comida, pois isso ela não sabe fazer: é realmente uma madame de pastor.

Bem, por hoje chega. Deixa para outra vez quando algo de novo tenha acontecido. Escreva bastante para mim. Muitas sinceras lembranças do Papa, Mama, Luzija, Arthur e

Olga

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