Este ano você parece mais magro | Olga Purim a Reynaldo Purim

5-2-19

Escripto em letto
[Nota em português no original]

Querido Reinold!

Primeiramente queira receber sinceras lembranças de todos de casa. Estou escrevendo apesar de não ter recebido cartas suas há algum tempo. A última foi em 14-12-18 e este ano não recebi nenhuma. Eu mandei uma longa carta em 14 de dezembro, um cartão postal em 18 de dezembro, uma longa carta em 9 de janeiro e em 19 de janeiro novamente outra carta. Recebeste todas?

No dia 22 de janeiro recebi o prospecto [do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil — Rio de Janeiro] e ele estava só e sem endereço. A senhora do Correio encontrou no fundo da mala postal; na hora em que estava separando as correspondências encontrou a etiqueta e aí pôde saber a quem pertencia.

Também no dia 22 de janeiro recebi a fotografia dos seminaristas. O envelope estava aberto; se tinha mais coisas dentro, devem ter se perdido. Gostaria que você mandasse a lista dos nomes dos teus colegas e indicasse quem são os teus mais amigos para eu saber quem é quem. Aquele teu amigo sueco aparece na fotografia?

Este ano você parece mais magro do que no ano passado, e também parece que está zangado. O prospecto este ano está muito maior e mais bonito que o dos anos anteriores. Pode-se ver claramente as fotos com a do Inkis e sua famosa Delfina. Você está naquela fotografia grande que foi tirada na frente do prédio da escola? Eu achei uma pessoa parecida no lado direito, quase perto do grande pilar.

O que você está fazendo agora? Você não está precisando de meias? Você ainda tem roupas para usar ou já estão gastas? Agora você vai ter que viver como um grão-fino, ou não?

Nós agora graças a Deus estamos bem, todos com saúde e podemos todos trabalhar novamente. Como já escrevi em outra carta aquele “espanhol” [NOTA: Gripe espanhola] se instalou lá em casa, mas agora já foi embora e nem todos fomos muito afetados. Quem ficou mais tempo de cama foi o Paps que ficou uma semana inteira.

Trabalho, como sempre, temos demais. Agora estamos plantando feijão e já plantamos na roça perto da ponte três quartas. Temos ainda milho para capinar e com esse tempo chuvoso o mato você capina e ele volta a crescer.

Logo após o Ano Novo o tempo estava seco e o milho que estava pendoando ficava amarelo e quase torrado. Mas ainda bem que essa seca não durou muito: logo começou a chover e voltou tudo a ficar verde.

No domingo dia 19 de janeiro fomos fazer uma visita aos Klavim. O tempo estava bom e nem estava quente demais, mas perto do anoitecer começou a roncar trovoada e em seguida deu uma chuva forte, mas não durou muito. Aproveitamos e saímos rápido em direção de casa, e ainda para o lado da serras continuava relampejando e trovejando muito. Logo que subimos o morro dos Slengmann começou um temporal e assim tomamos um banho que há tempo não tínhamos tomado. A chuva continuou até depois de chegarmos em casa.

Tempestades no mês passado tivemos três. No dia 20 de janeiro tivemos uma grande tempestade com vento, chuva e granizo. Aqui não foi tão forte, mas lá na parte de baixo do Rio Novo, em Orleans e no Rio Bello, destruiu muitas plantações. No dia 25 de janeiro logo no começo da tarde veio um temporal com vento do lado norte, do morro do Augge com um vento tão forte que o telhado do paiol não aguentou a quantidade da chuva e deixou tudo encharcado, não deixando nada seco.

[NOTA DE V. A. Purim: “Augge” era o Augusto Felberg. Faz-se necessário esclarecer que os terrenos originalmente vendidos pela Cia. Colonizadora faziam frente para o curso d’água, que no caso era o Rio Novo. O terreno vizinho do lado NO/ND era onde morava o Augge, mas antes disso tinha sido do Simons, casado com uma irmã do famoso Julio Malvess. Este senhor Simon vendeu uma área de terra para os Purim na banda leste do Rio Novo, onde foi feita a casa em que eu nasci. Mais tarde este Simons veio a falecer sem deixar filhos e foi sepultado no próprio terreno dele. Existe uma lenda de que a viuva Olga Malvess Simons, que tinha muita iniciativa, utilizando argumentos bíblicos exigiu um marido. A proposta teria sido feita diretamente ou através dos pais para um jovem Klavim, que aceitou, tornando-se assim pai de uma muito profícua e abençoada família — que além de serem vizinhos dos Leiman eram, como eles, os grandes amigos da família Purim. Fonte: Verginia Fernandes Purim]

Neste dia o temporal derrubou muito milho de nossas roças, justamente nessas em que temos que plantar o feijão. E mesmo na nova coivara, onde o milho ainda não floresceu, grande parte está no chão. O milho vinha crescendo bem, mas onde a ventania com chuva derrubou não vai dar nada. E ainda, por cima do milho caído estão subindo os baraços das abóboras, que este ano estão crescendo como nunca. O milho novo que ainda não floresceu ainda está em pé, e se não vier alguma outra tempestade, tudo bem…

A terceira aconteceu mais para o lado dos Klavin, onde as primeiras não tinham atingido. Sempre que dá trovoadas fortes elas vêm acompanhadas com ventanias. Nós agora temos uvas maduras, e se você estivesse aqui poderia fazer como nós, que comemos até não poder mais. Poderia ter ainda mais, mas muitas caíram quando eram pequenas. As melancias começaram a madurar e já comemos algumas, mas ainda a maioria estão verdes. Pepinos este ano temos uma quantidade tão grande que não sabemos o que fazer com eles. Você também consegue uvas, melancias e pepinos para comer?

[falta o final da carta]

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