Se você viesse para casa | Arthur Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 24-10-1918

Querido irmãozinho,

Rio de Janeiro

Primeiramente aceite os meus cumprimentos! — Já faz tempo que não mais tenho escrito, mas hoje vou escrever um pouco. Eu estou passando bem. Hoje o tempo está ótimo, mas passou um grande período chuvoso. Não conseguimos queimar as coivaras e já há bastante verde brotando nas derrubadas. Se tudo der certo, vamos queimar a grande coivara da mata virgem na semana que vem. Fique lá atento para o espoucar das taquaras e a grande fumaça, quem sabe com um pouco de esforço você consiga avistar…

Na semana passada começamos a capinar as roças na Bukovina; as de perto de casa já tínhamos terminado. Ontem fomos plantar batata inglesa na Bukovina. No ano passado deu batata muito boa lá, e desta vez plantamos mais. No ano passado plantamos 1 quarta e colhemos 14 quartas. Algumas semanas atrás levei o meu [porco] “Nerpukli” para a cidade e rendeu 4 arrobas. Agora estou muito rico e em dinheiro rendeu 42$000. Se você viesse para casa eu poderia te emprestar. Você terá que vir para casa, pois o “Traginim”, filho da Marsa, já está bem crescido e você terá que domá-lo para que possamos montar. Você lá tem algum lugar onde possa andar a cavalo? Bem hoje chega. Aguardo uma longa carta sua. Com muitas carinhosas lembranças,

Arthurs [Otto Roberto Purim, aqui com cerca de 13 anos de idade]

PS. Se puderes, venha para casa.

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