432$000 réis para os refugiados de guerra na Letônia | Olga Purim a Reynaldo Purim

[trecho de carta, provavelmente setembro de 1918]

[…] o Butlers queria estar de volta em casa no começo de agosto, mas ainda não conseguiu navio para voltar de Desterro [Florianópolis], onde teve que ficar esperando uma semana em um hotel, pagando 6$000 réis por dia; depois conseguiu um preço mais especial de 4$000 réis pela diária, e por aí você pode ver a despesa — se tiver que parar aí.

Daqueles 150$000 que a igreja pagou, ninguém passou. As aulas começaram no começo de setembro e foi só um dia, pois no outro o professor Butler já viajou para Tubarão. A partir do ano que vem a escola vai ser paga pelo governo, tendo o Butler como professor, pois ele em Desterro prestou exame de suficiência, onde aprendeu mais em brasileiro. Mas, vamos ver se tudo isso vai mesmo acontecer, pois prometer é fácil.

Na noite do domingo passado houve a “Festa da Colheita” [Festa de Ação de Graças] e também a Festa da Escola Dominical, quando foi levantada uma coleta que será mandada para o Rio [de Janeiro] para a Associação da Escolas Dominicais, como está escrito no Jornal. A importância quanto rendeu eu não sei.

Você recebe “O Baptista” [Jornal informativo da Convenção das Igrejas Batistas do Paraná/Santa Catarina]? No último número saiu uma matéria referente ao Rio Novo. Eu encomendei esse jornal, mas ainda não recebi.

Quanto à Rússia, aquilo lá está terrível. Antes do Butler viajar foi enviada a importância de 432$000 réis para os refugiados de guerra na Letônia e outros países do Báltico. Da Escola Dominical do Rodeio do Assucar, mais 32$000 réis. Na despedida do João [Frischembruder] de Riga foi conseguida mais a quantia de 87$000 réis e ainda outras ofertas de outras sociedades, cujas quantias eu não sei. Mas o que poderá fazer este dinheiro? São tantos que precisam e tudo está tão caro!

Outra coisa terrível é que o Herman [Germano] Balod ficou louco. Faz bastante tempo que ele já estava doente — não de cama, mas sim, andando por aí e dizendo bobagens. Como ninguém mandava nos empregados eles ficavam vadiando, e dívidas há bastante. Eles estavam se aprontando para mudar para ir de mudança para Porto Alegre, inclusive venderam o gado, mas daí ele começou a ficar pior e assim mesmo o pessoal lá ficou esperando que ele melhorasse. Na semana passada ele ficou completamente alucinado, querendo matar todo mundo e quebrar a casa inteira, e a família teve que chamar os soldados para levar para a cadeia, para que se acalmasse. Assim mesmo são necessárias três a quatro pessoas para dominar o homem o tempo todo. Vamos ver como vai ficar.

Bem, hoje chega. Noutra vez escrevo mais. Lembranças de todos e que te sempre vá bem.

– Olga.

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