Os letos lá estão ficando ricos | Robert Klavin a Reynaldo Purim

19-VIII-1918

Rodeio do Assucar
Sta. Catharina

Querido amigo!

Já faz bastante tempo que não recebo notícias tuas e não sei como agora estás passando. Pensei que tivesses muito ocupado com os estudos e por isso não posso insistir para que escreva muito e ainda nestes tempos difíceis.

O Arthur [Leimann] também reclama muito que não recebe cartas, mas nós sempre escrevemos para ele. Esta sua não pude escrever antes, porque nestes últimos meses tenho trabalhado demais, semanas inteiras fora, somente chegando aos sábados à noite e saindo novamente nas segundas-feiras cedo. E aos sábados, tinha que olhar as lições, ler os jornais, etc.

Bem, agora estou em casa. E estou bem.

Terminamos a fabricação da farinha de mandioca. O tempo permanece por demais seco. No princípio do mês passado deu uma geada tão forte que antes não tinha sido vista. E um frio tão grande também não. A geada matou tudo, o que podia matar: matas, capoeiras, pastos e mudas de mandioca mesmo guardadas. Qualquer lugar que se queira olhar a paisagem é cinzenta, sem vida alguma, pois geada tão grande não tínhamos ainda visto. Também as serras também estão cor cinza e no começo do mês passado tinha neve cobrindo as montanhas, o que se repetiu no dia 13 deste mês, quando as serras voltaram ficar brilhantes de tanta brancura e até agora continua bastante frio.

A senhora Guedes já há bastante tempo está muito doente e nem sabe se um dia vai ficar boa; está tão magra que parece que está com pele e ossos, mas o rosto e a fisionomia permanece inalterada. A senhora Onofre também nestes últimos meses está gravemente enferma, tanto que há tempos não temos sido convidados para visita-la. E o médico sempre está a visita-la, assim podes imaginar a despesa com médicos, remédios, etc.

Quanto à igreja não temos nada de novo; tudo vai como sempre. Tenho ido regularmente a Rio Laranjeiras, e às vezes parece que temos que começar tudo de novo. A Margrida ajuda, pois já sabe ler livros. O Vergílio está indo na escola em Rio Palmeiras e a Margrida que se cuide, que ele vai passar na frente.

O Matiss vendeu a terra dele para o Oskar Karp por 5.000$000 (cinco mil réis) e vai mudar para Nova Odessa, onde vai plantar algodão. Os letos lá estão ficando ricos com este tipo de cultura, pois a arroba dizem valer 20$000. No mês passado esteve uma pessoa aqui, o Augusto Klava de Nova Odessa, procurando gente para trabalhar lá. Primeiro ele esteve em Mãe Luzia e depois este pouco tempo aqui procurando gente disposta para ganhar dinheiro lá. Não levou ninguém na hora, mas é possível que o Matiss e meu irmão Theodoro embarquem semana que vem para ver e ganhar todo este dinheiro. Vamos ver se isso é permanente ou se é um fogo de palha que logo acaba — como já aconteceu outras vezes, quando pessoas venderam todos seus bens e saíram correndo atrás de ilusões.

Muitas lembranças de meus irmãos Arnold e Theodors e, concluindo, também minhas. Que Deus te abençoe e acompanhe para todo bem.

Roberts [Klavin]

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