Também aos teatros | Lúcia Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 8 de abril de 1918

Querido irmãozinho,

Recebi a tua carta escrita no dia 18 de março no dia 4 de abril, pela qual muito agradeço. Agora você pode escrever cartas mais longas, pois tens agora a tua própria máquina de escrever. Antes você tinha aquelas desculpas de que a gente não conhecia quase nada de lá, mas agora já sabemos bastante — e mais a facilidade da máquina. Você pergunta de que tipo de letra eu gosto mais, da preta ou da vermelha, e eu respondo: pode escrever de qualquer jeito, pois nós sabemos muito bem soletrar…

O tempo é bom e seco, mas na última terça-feira deu uma boa chuva; também outros dias chuviscou bastante, mas no domingo passado começou um forte vento que levou todas as nuvens embora. Agora não está tão quente; principalmente as noites estão bem mais frescas.

Quanto à União de Mocidade, está um tanto devagar. Os jovens realmente parecem ter ficado preguiçosos. No mês passado ninguém foi ao Rio Laranjeiras, e também nos estudos bíblicos está uma dificuldade. A última noite estava clara e o tempo bom, e só onze jovens compareceram. Parece que todos estão cansados.

Na Igreja de Rio Novo há divergências sem fim. Possivelmente o Seeberg já tenha escrito para você [a respeito disso]. O Pastor Stroberg ainda não chegou e nem se sabe se virá mesmo. Ele tem escrito para você?

No dia 1º de abril o Kraul e o Salit viajaram para Nova Odessa, onde foram ver terras para comprar. Antes de partirem passaram rapidamente aqui em casa, quando aproveitei para mandar uma carta e fotografias para os parentes de lá. Pena que não deu quase para conversar, pois estava no horário de ir para a igreja.

Uma coisa não sei direito, se foi o Slengmann ou o Kraul que contaram do Joãozinho do Inkis, que foi trabalhar como tradutor para os fazendeiros de café, onde trabalham em serviço temporário grande número de letos. Dizem que ele foi muito bem recebido e tratado com alta consideração, chegando a participar da mesa dos patrões, mas teria ido junto também aos teatros, passado a beber e a fumar, e o velho Inkis teria dito que preferia ver o filho morto do que vê-lo transformado num malandro e irresponsável no tocante aos princípios nos quais havia sido ensinado. Se tudo isso é verdade não, sei, mas todo mundo fala. Tu sabes algo sobre isso?

Aquele remédio para “Mal da Terra” [Ancilostomíase] você já despachou? Se não, mande mais, porque os Klavin também querem.

Bem, por hoje chega; o papel já está cheio dos dois lados e não vale a pena começar outro.

O pessoal da Igreja de Pilares estava esperando por você ou não? Muitas lembranças de todos os de casa. Aguardamos cartas suas com muitas notícias.

Luzija

[Escrito na lateral]
Hoje durante o dia estive na nossa outra casa. Durante o dia esteve muito quente, e logo depois do almoço começou a ficar nublado. Ao anoitecer começou a trovejar com relâmpagos, e quando voltava a cavalo para casa apanhei nas costas toda essa tempestade. Agora as pessoas estão melhorando as estradas e a grande maioria está muito larga e plana, tanto que você e seu auto poderiam passar tranqüilamente. Venha testar o nosso bom caminho.

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