Um a menos | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 24-2-17
[datada como 1917 por engano da autora da carta; era na verdade 1918]

Escrito em leto, linguagem falada em Lethonia (Rússia)
[no original em português]

Querido Reini,

Recebemos a tua carta escrita em 28 de janeiro em 18 de fevereiro. Agradeço. Alegro-me por saber que tens recebido as nossas cartas. Eu até achava que elas não tinham chegado, devido à demora da sua resposta. Depois daquelas cartas ainda mandei a resposta daquela que você escreveu em brasileiro. Aquelas cartas que você escreveu de Cachoeiro de Itapemirim, também recebemos.

Nós estamos passando bem e me alegro que você também esteja passando bem. Agora o tempo está chuvoso e chove até demais. Chove praticamente todos dias há mais de três semanas. Algumas vezes chove calmo e tranquilo; noutros dias o sol é escaldante pela manhã, parecendo uma sauna, e à tarde cai um temporal com trovões por todos os lados. Quando era tempo seco e a gente aguardava chuva, formavam-se grandes tempestades, roncava trovoada, mas de chuva nada. Agora pode parecer tempo bom, e daqui a pouco a chuva cai solta.

Agora os rios estão cheios, as cachoeiras ruidosas e os rios maiores urrando. As estradas estão inteiramente lamacentas, a não mais querer. As lavouras agora estão se desenvolvendo muito bem. O milho plantado no cedo, que parecia perdido, está com belas espigas. Se não vierem tormentas que derrubem o milho mais novo, agora em crescimento, também vai dar muito bom.

No dia 26 de janeiro houve uma grande tormenta que terminou derrubando bastante milho da coivara, lá perto da ponte. Este milho tinha começado a pendoar e em alguns lugares não ficou um só de pé.

Quanto ao feijão, plantamos ao todo 8 ½ quartas. A parte mais difícil de plantar entre o milho da coivara da mata: havia muito milho caído e chovia demais. Trabalhamos três semanas só na plantação do feijão. O feijão agora está caro e os negociantes em Orleans estão vendendo a 3$000 a quarta. Agora há gente que não tem semente de feijão para plantar porque o feijão velho eles venderam. A colheita passada não deu nada e a maioria pensou em não plantar nada, mas agora devido ao preço todo mundo planta tudo o que pode.

Em todas portas das vendas de Orleans há cartazes incentivando as plantações, pois dizem que no ano que vem terá bom preço, ou melhor, estará muito caro.

Agora as nossas melancias estão maduras; este ano não deram muitas, mas são bem grandes. Pepinos é que temos muito mesmo: comemos todo dia a não mais poder. As uvas já estão quase no fim. As nossas uvas maduraram muito bem, enquanto as dos outros por aí caíram verdes. Lá você consegue melancias e pepinos para comer? E lá onde mora o Karlis, crescem melancias e pepinos?

Agora preciso escrever sobre outros assuntos. Semana houve dois acontecimentos importantes: o primeiro foi a partida do Arthur Leiman. Ele foi embora no dia 21 de fevereiro depois do almoço, exatamente um ano depois que você foi naquela manhã para Imbituba, no dia 20 de fevereiro. No ano passado, quando você foi embora, quem o acompanhou até a estação foi o Roberto Klavin; agora o mesmo Roberto levou o Arthur e o Juris até o trem. Agora a casa dos Leiman está vazia e silenciosa. E, para a nossa pequena igreja, um colaborador a menos.

[falta uma ou mais folhas]

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