Destruição e pavor | Roberto Klavin a Reynaldo Purim

Antunes Braga, 18-XI-917

Querido amigo,

A tua carta escrita em 29/10 recebi na quarta-feira e já respondi com um cartão postal, prometendo que ia escrever mais logo que possível.

Já no cartão mencionei as terríveis queimadas, e agora soube de mais notícias destas. No Rodeio das Antas queimaram quatro casas, fora o resto: matas, capoeiras, pastos, cercas, etc.

Aquele fogo que queimou toda a nossa propriedade começou numa queimada de um vizinho e depois de ter atravessado a nossa colônia continuou Antunes Braga afora. Foi muita sorte que não queimou nenhuma casa, mas como já disse antes, nem matas nem roças, nada escapou. Na quarta-feira eu queria ter escrito uma carta para você, mas os olhos ardiam tanto que quase não conseguia aguentar.

Na quinta-feira, quando ia para Orleans, outra vez pude observar os estragos causados pelas queimadas. Nas terras dos Karklin, do Stekert, do Wilis Balod e da Anlise, há lugares em que queimou até a estrada. No Alto Rio Novo, onde você morava, não queimou tanto, mas lá embaixo, perto dos Paegle, os italianos deixaram queimar quase tudo. Lá do outro lado do rio de Orleans [Nota: Rio Tubarão] também queimou a colônia do Hermman Balod. Também o Rio Belo e o Barracão sofreram violentas queimadas.

Hoje fui a Laranjeiras. A mata dos fundos do terreno do Willis Slegmman tinha queimado tudo. Parece que o fogo veio do lado dos italianos. Lá no Caciano não tinha nada anormal, mas eles contaram que lá no Rio da Vaca o fogo desceu as serras empurrado pelo vento, causando destruição e pavor. Lá também queimaram quatro casas. Mas fogo mesmo foi no Rio Importe, onde queimaram 17 casas e tudo mais.

Agora chegou uma notícia de que no Rodeio das Antas não queimaram quatro casas, mas sim em outro lugar. A antiga casa que era do Janis Grikis, que agora era de um italiano, queimou tudo, ficando de pé somente a chaminé.

O João Thomas da Silva [de Rio Laranjeiras] também passou maus bocados e sofreu muito com esse pesadelo. Queimou tudo, do pasto ficou somente a terça parte. Queimaram todas as roças plantadas e cercas, e chegou mesmo a pegar fogo no paiol; se queimasse o paiol certamente a casa ia também. Para apagar o fogo no paiol, dispenderam esforços desesperados. Quando acabou a água, terminaram usando lama mesmo: a casa escapou mesmo por um milagre. O calor do fogo era insuportável, a fumaça não permitia que vissem nada e deixava todo mundo sufocado. Tudo ao redor queimou sem sobrar nada. Ainda agora ainda estão perplexos, não entendendo como suportaram aquele inferno. Até as roupas que usavam ficaram inutilizadas pelas fagulhas que vinham do fogo e da fumaça. O calor era tanto que sentiram que tinham chegado ao limite da resistência e da exaustão. Era realmente uma luta de vida ou morte.

Tem muita gente contando que os gafanhotos estão atacando a região de Minadouro. Dizem que são tantos que formam grossas camadas. Aqui eles também passam, mas voando alto e não pousam; isso acontece quase todos os dias.

Muitas lembranças minhas, que Deus de auxilie e guarde.

Roberto [Klavin]

PS. Na quarta-feira que vem vou para a casa de Onofre Regis, onde me aguarda bastante serviço, tanto na área material como na espiritual.

One comment on “Destruição e pavor | Roberto Klavin a Reynaldo Purim

  1. harry diz:

    Tem muita gente contando que os gafanhotos estão atacando a região de Minadouro

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