A Olga está me ensinando | Artur Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 16/09/17

Querido maninho,

Hoje escrevo esta cartinha porque está chovendo muito o dia inteiro e não fui a Escola Dominical por causa dos grandes lamaçais. A chuva começou na terça-feira passada e praticamente não parou. A terra está totalmente encharcada.

Não recebi resposta da minha última carta. Nós aqui estamos passando bem e trabalhando nas roças. Semana passada plantamos três litros de amendoim, um meu, um da Olga e um da Lúcia, vamos ver qual vai crescer mais bonito. Também plantamos melancias, e os pepinos já estão bastante desenvolvidos. Quando no Natal vieres para casa vai haver muitos pepinos e melancias para você comer.

As coivaras ainda não queimamos, mas logo que melhorar o tempo e secar vamos tacar fogo. Dê uma olhada para o nosso lado para ver se você não enxerga alguma fumaça… Na terça-feira da semana atrasada os Klavin queimaram uma grande coivara de mata virgem e mesmo daqui de casa, por cima do morro dos Leepkaln, podíamos ver a fumaça e um grande clarão.

Agora já aprendi carregar cartuchos e ontem mesmo carreguei cinco. Atirar ainda não sei bem direito, mas a Olga está me ensinando. Atirei três vezes nas rabilongas que vem comer as abelhas junto às colméias, e matei duas.

Chega. Vou esperar uma longa carta tua.

Com lembranças,

Arturs [Purim]

[Logo abaixo, com letra de outra pessoa:]
Será que uma desta handschrift [caligrafia] você vai conseguir ler?

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