Principalmente as moças | Reynaldo Purim a Olga Purim

[Rascunho de carta, em bloco de papel, que parece não ter sido enviada.]

Rio, 15 de setembro [de 1917]

Querida Olga,

As tuas cartas de 19 e de 28 de agosto recebi esta semana. Obrigado. Ambas chegaram quase juntas. Alegro-me em saber que vocês todos estão passando bem.

Eu também, graças a Deus, estou passando bem. Aprontei-me muito para os exames e acho que me saí muito bem. Na prova de Língua Portuguesa foi que tive alguma dificuldade. Nas outras matérias cheguei perto do 100. Em Aritmética [Arithmetica] tive a maior nota da classe: 98. Na nossa classe uns dez levaram pau e não conseguiram passar. Se continuar assim esses não vão passar para o 2º ano e vão ter de estudar tudo novamente. Em Inglês só um além de mim tirou 99. Em Geografia só um tirou 99, e nessa prova escrevemos 1 ½ hora sem parar. O professor deu quatro questões tão amplas que teria o que escrever o dia inteiro. Os alunos não ficam com a cópia da prova, que são entregues para o arquivo do Watson, como histórico escolar do aluno.

Há pouco tempo a Igreja Batista de São Christovão comemorou o seu aniversário. O coro do nosso seminário cantou um hino com a música do número 123 do Hinário Skanhas Ruota, e foi o próprio dirigente que escreveu a letra em português. Os baixos eram três: eu, o (b) e o (rv). O hino nós aprendemos de cor de acordo com os costumes dos corais brasileiros.

Aqui nas festas não é hábito dos homens e mulheres se apresentarem com números especiais como no Rio Novo. A maior parte do tempo entre a abertura e o orador oficial é preenchida com hinos e breves saudações de outras igrejas e outras associações.

Agora recentemente teve uma grande reunião no Salão Nobre e sobre isto já deves ter lido no Jornal; essa foi maravilhosa e muito bem organizada. Aqui o público da cidade é gente fina. Você deve estar pensando que as pessoas são muito bonitas. Mas [mesmo com] essa elegância toda, não acho nada bonito e beleza mesmo não há nenhuma. Principalmente as moças, não parecem
pessoas normais ou naturais: as roupas parecem esticadas no corpo e justas como o sapato no pé; outras usam penteados de mil coques, etc. Aqui na cidade consigo encontrar pessoas vestidas exatamente como naquelas “Folhas da Moda”. Todos inventam modas mil.

Perguntei na carta ao Ludi [Ludvig] se ele recebeu a carta que você mandou para ele. Ele respondeu que tinha recebido e disse mais: “Sim, agora que você sabe que ele recebeu pode ter a certeza que ele vai escrever respondendo”.

Eu por aqui não sei mais o que escrever. O tempo está quente. Ainda sobre o tempo na Rússia…

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