Como você sobreviveria? | Lizete Purim a Reynaldo Purim

[sem data, mas 1917]

Querido filho,

As tuas cartas recebemos e muito obrigado por isso. Pedimos encarecidamente que não te preocupes conosco, pois vamos conseguir continuar vivendo. Agora você se preocupa conosco e nós nos preocupamos com você. Estava pensando: se a guerra trouxesse alguma consequência mais próxima, e se assim não pudéssemos mandar dinheiro para você, como você sobreviveria? E se não conseguíssemos trocar cartas? — seria realmente muito triste. Mas por que se preocupar tanto se Deus nos protege muito melhor do que nós mesmos poderíamos fazer? Devemos confiar em Deus e tudo sairá bem.

O Oscar [Karp], toda vez que encontra Papai, pergunta por que você não escreve para ele. Diz que você teria prometido escrever a ele. Quer saber como você vai e em que classe estás. Pergunta se você não tem mandado nenhum papelzinho amarelo ou verde e diz que as dificuldades e os obstáculos são tantos que estudar ele não poderia nem pensar. A mãe dele não solta dinheiro, dizendo que não tem; por isso, querendo ou não, ele vai ter que ficar em casa. E mais ainda porque tem que medir a terra, cavar o poço e se preparar para o casamento: já diz tudo.

Bem por hoje chega. Estou desacostumada a escrever e não tenho muita facilidade. Muitas e muitas lembranças,

Mama

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