O serviço não tem fim | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo 19-7-17

Querido irmão,

Recebemos domingo passado tua carta escrita no dia 28 de junho. Muito obrigada.

Desta vez minha carta não será longa como a sua, por que semana passada mandamos quatro folhas; então, na soma geral, será maior que a sua. Agora vai fazer três semanas que te mandei uma longa carta em resposta àquela que veio em nome da mamãe. E semana passada mandei a resposta àquela que veio em nome do Roberto – e nessa mandei as fotografias dos músicos lá da Igreja.

Na última vez não mandei envelope, mandei um rolinho. Comprei um bloco de cartas e dentro pus cinco envelopes. Num dos envelopes pus um papelzinho verde e no outro
10$000 em dinheiro. E mais as duas fotografias dos músicos, e mandei registrada.

Tu tens recebido todas? Agora consegui mais três fotografias dos músicos; no total tenho quatro em casa. Se tu queres mais me, escreva que eu te mando. Mas estas últimas não ficaram tão boas (escuras) quanto as primeiras e sim com um tom acinzentado. As que foram feitas depois não ficaram tão boas como as primeiras.

Aqui estamos passando bem, todos com saúde. O tempo hoje e ontem ficou encoberto, mas não choveu. Na outra vez que escrevi esta quente, mas já no dia seguinte deu uma forte cerração e soprava um vento muito frio. De terça-feira passada até a terça-feira desta semana o tempo tem sido bom, mas todos os dias amanhecem com uma geada forte. Principalmente na quarta e na quinta-feira, a geada foi pesada. Mesmo os nossos pastos aqui no alto estavam brancos, e lá embaixo perto da igreja todas árvores e capoeiras estavam cobertas de geada: mais pareciam cobertas de neve.

Agora da nossa Bukuvina dá pra se apreciar uma vista maravilhosa da serra. O céu está de um azul límpido. Mas ao anoitecer as serras aparecem um pouco enfumaçadas, porque os serranos estão começando queimar os campos. A chuva está ficando rara agora no inverno, e no verão vamos ver como vai ser.

Terminamos de colher o milho, e todo milho está no paiol. Deram 200 cargas. Nenhum outro ano tivemos tanto milho no paiol. Ano passado terminamos de colher o milho no dia 22 de agosto, e este ano um mês antes. O milho deste ano fui muito bom, com exceção do plantado mais no tarde, que não deu espigas muito grandes, porque o tempo esteve muito seco. Na semana que vem vamos começar a cortar cana. Aqui o serviço não tem fim: mal um termina e já tem outro aguardando.

Sobre os rionovenses nada vou escrever porquê tudo continua como sempre (velho). Havendo alguma novidade depois eu escrevo.

Amanhã tenho que ir a Orleans. Preciso ir dormir cedo porquê amanhã tenho levantar de madrugada. Escreva bastante. Lá onde você está você vai capinar alguma vez? As suas calças e camisas não estão por demais usadas? Você por acaso não está precisando de novas fronhas?

Muitas sinceras lembranças do Papai, Mamãe, Luzija, Arthurs

e da Olga

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s