Outras pessoas que escrevem melhor | Theodors Klavin a Reynaldo Purim

Barro Vermelho, 15 de julho de 1917

Querido amigo Reinhold,

Devo pedir desculpas pelo longo tempo que não tenho escrito. Aqui agora sopram ventos, ora quentes, ora frios; pela manhã são frios, e lá pelo meio dia são quentes – e o tempo está muito seco.

Na noite das reuniões, antes de começar, agora é determinada a leitura em brasileiro e também um ditado. O professor é o Arturs [Leiman] e os alunos somos nós mesmos. A minha deficiência é que não sei escrever rápido, e para ficar pior, quem senta na carteira do meu lado é a M. M.

Um dia estávamos trabalhando na construção do engenho quando chegou o Match montado numa égua que veio acompanhada por um cavalinho. Logo que entrou pela porteira ele soltou a égua para sair pelo pasto e se alimentar, e foi para dentro conversar com o Sr. Leimann.

Aí nós, rapazes, quando vimos a égua com a cauda muito comprida, logo resolvemos aprontar. Apanhamos o machado, aparamos o excesso da cauda e guardei. Na primeira oportunidade entreguei, muito bem embrulhada e num bonito pacote, para a dona da égua – a M. M. – e ela levou embora. Mas depois da reunião de quinta-feira à noite, no caminho de casa, ela começou a me apertar perguntando por quê – ou melhor, qual era intenção ou significado desse esquisito presente. Respondi que era brincadeira e não pensava nada de mal, mas ela disse que eu tinha chamado de rabo, [querendo dizer] que vivia seguindo o tempo todo, e a irmã dela também – achava que era isso que eu queria dizer com a brincadeira. Consegui convencê-la de que eu tinha dado porque, como tínhamos feito errado em cortar a cauda da égua, o mínimo que podíamos fazer era devolver o material para a dona, que era ela. Parece que eu a convenci e ela ficou mais calma.

Depois da tua saída surgiram boatos dentre alguns de nossa comunidade, de que haveria grupos querendo aparecer e fomentando desentendimento – e se fosse para descrever daria para escrever um livro.

O que realmente estou sentindo é que a M. M. quer o A.L. debaixo dos tamancos dela; ela está muito mais exibida do que no teu tempo, e acho toda essa situação muito triste.

Agora em casa estamos derrubando capoeiras e colhendo milho. Arar a terra não dá por que a terra está muito seca, seca como eu nunca tinha visto antes.

Sobre as demais novidades você deverá ter sabido através de outras pessoas que te escrevem melhor do que eu.

Com sinceras saudações,

Theodors [Klavin]

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