Ele teria inventado uma máquina | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 8 de julho de 1917

Querido irmão,

Recebi no dia 4 de julho tua carta escrita em 17 de junho, e também aquelas outras. Muito obrigado.

Você sempre me pede que escreva longas cartas, mas hoje minha carta poderá ser não tão longa. Faz só duas semanas que mandei uma longa carta, onde descrevi as últimas notícias locais, e durante este período nada importante aconteceu.

Estamos passando bem, todos com saúde. O tempo hoje está bom. Semana passada ficou nublado a semana inteira e a gente não viu o sol o tempo todo. No começo não chovia; depoisEle teria inventado e construído uma máquina, que já estaria pronta mas ele tinha medo de acionar, porque não tinha inventado um freio para parar a geringonça. começou a cair grandes gotas durante uns cinco minutos e já parava. Ontem e antes de ontem choveu razoavelmente bem, mas não foi suficiente, porque fazia três semanas que não chovia. Geadas ainda não tivemos; tem dias que até parece primavera, mas quanto isso vai durar eu não sei.

As estradas estão ótimas. O governo está construindo uma nova ponte, com base de pedras, na barra do Rio Novo, e nunca houve algo tão bem feito. A ponte velha continua lá, e a nova está sendo construída na parte de cima. Estão lascando pedras no morro próximo, aparelhando e trazendo para construção. É bom que se construa uma boa ponte, porque com tantos casamentos em vista entre os da Igreja do Rio Novo, a ponte com tantos cortejos poderia ruir…

Quanto aos rionovenses estão indo como sempre, porque nenhum deles veio contar os feitos heróicos deles. Você pergunta se O. cumpriu a sua tarefa. Na minha carta anterior já escrevi algo sobre ele, tu sabes que ainda não. Agora parece que parece que não tem a mesma importância que antes. Tomara que tudo não fracasse.

O Salits está construindo uma nova casa para a Lomnja, mas é bem menor do que todos esperavam.

O Jorge Karklin não é visto mais por ai e nem os fantásticos moinhos que ele teria inventado… Tempos atrás ele contava um papo de que teria inventado e construído uma máquina, que já estaria pronta mas ele tinha medo de acionar, por que não tinha inventado um freio ou um modo de parar a tal geringonça. Agora, quando houve aquelas desordens em Porto Alegre, ele foi para o interior e lá inventou um barco que anda tanto na terra quanto no mar. O Stekert, zombando dele, disse que se ele aparecesse no Rio Novo com esse trem e, não tendo freio, derrubasse a porteira dele e passasse por cima do rancho da “Schuschu”, ele teria que se ver com ele, por que não há dinheiro que pague e nem é com dinheiro que se pode pagar.

Há pouco tempo o Mattch perguntou ao velho Karklin se o moço vai trazer logo a máquina para casa. Ele respondeu que ainda não começou a construir, mas que o Jorge está ultimando os detalhes e já desenhou todas plantas; vai viajar para a capital e pedir ajuda ao Presidente da República, para ele financiar o seu projeto. Mas como é presunçosa essa gente!

Bem, por hoje chega. Tenho aqui junto de mim outro escritor que precisa fazer o rascunho na lousa antes de “imprimir” no papel. Junto com esta carta mando duas fotografias; uma vai ficar aqui em casa. Ele só fez doze cópias. Pode ser que consiga mais alguma. Você poderia mandar uma delas para o Ludi [Ludvig Rose].

Com sinceras lembranças,

Olga

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