Papelzinho verde | Artur Purim a Reynaldo Purim

[Sem data, mas deve ser junho ou julho]

Querido Reini,

Recebi a tua carta. Muito obrigado. Vou contar mais alguma coisa.

Eu estou passando bem. O tempo está frio e seco. Nós arrancamos feijão e batemos, mas nem todas porque parte estão verdes. As que estão limpas devem dar uns quatro sacos. Agora em Orleans nem estão comprando feijão.

Semana passada fomos com o carro [de boi] do Bosi1 até a queimada da coivara2 nova e trouxemos madeiras para bancadas novas para as colméias. Quando vinha em terreno plano tudo bem, mas quando tinha subida o manhoso deitava e não queria puxar. Mas terminou acostumando.

Bem, por hoje chega, porque para eu escrever é um tanto difícil e quando aprender mais escrevo mais.

Ainda muitas lembranças,

Artur [Purim, na época com cerca de 12 anos de idade]

Neste envelope coloquei um papelzinho verde.

* * *

1 Bosi. Um dos bois que puxavam o carro. Estava ainda sendo domado.
2. Coivara. Derrubada de mata virgem ou capoeirão para novas culturas.

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